The great change
18 Confissão e tarde divertida
Notas iniciais
Me levantei e fui ver os vestidos, nada me agradou muito, de tanto experimentar os vestidos acabei ficando com um vestido incrível, quando me olhei no espelho não conseguia me reconhecer. Estava tão perfeito que até as meninas queriam experimentar. Sai do provador e o Bernardo fixou os olhos em mim.
– UAU! Você está linda! – exclamou.
– Obrigado. – sorri sem jeito.
Ele ficou me olhando com um olhar encantador. Sei que não posso gostar disso, mas eu amei, pronto falei! As meninas saíram do provador e o Bernardo olhou e disse não tinha gostado muito do vestido delas, conclusão elas levarão os vestidos.
No caminho para casa conversamos muito, rimos, cantamos. A Carter nos deixou em frente ao prédio. No elevador, ficamos quietos, até no momento em que a porta se abre e não vemos o chão. Gritei!
– Aiiiiiii, o elevador parou!
– Para de ser medrosa Cecília. Logo ele já volta ao normal. – me escorei no canto e me sentei no chão. Pois é, tenho medo de elevadores, quer dizer chego a ter pânico, principalmente quando penso que estou a cerca de 6 andares de altura. Comecei a gelar, meus olhos se embaralharam, tentei me acalmar, mas nada adiantou. Vendo que não podia mais aguentar, naquela fração de segundos, chamei o Bernardo.
–Bernardo, acho que vou desmaiar. – sussurrei.
– O que? – se aproximou de mim.
– Não estou me sentindo bem. – me abaixei.
– Cecília, olha pra mim, calma. A gente vai sair daqui a pouco. To ligando para o sindico.
Tem como não olhar para aqueles olhos lindos? NÃOOO! Ele se sentou do meu lado e segurou na minha mão. Estava realmente me sentindo nervosa, ansiosa, parecia que iria faltar o ar, mas em meio a esses sentimentos não pude deixar de perceber a preocupação do Bhê, ele me olhava e discava o numero do sindico, mas ninguém atendia. Ele ligou para o porteiro do prédio, mas ninguém atendeu. Será que todo mundo sumiu? Eii to presa no elevador sabia?
Em meio a esse desespero, me sentia tão acolhida por ele. Por um lado ele era tão cuidadoso, preocupado, mas por outro tão rude e grosseiro. O que será que esse menino tem? Mel ou ferrão?
– Você tem mesmo medo de elevadores?
– Claro que sim. E se ele cair e a gente morrer?
– Para de ser boba garota, ele não vai cair.
– Como tem tanta certeza?
– Não posso terminar minha vida assim antes tenho que fazer algumas coisas.
– Tipo?
– Fazer faculdade, casar, ter filhos, viajar e...
– E??
– Nada não. E você o que quer da sua vida?
– Nesse momento sair daqui.
– Digo quais são seus planos para a vida?
– Nunca mais te ver é um deles. — provoquei.
–Nossa que rude.
– Só para quebrar o clima de tensão. – sorrimos
– Então, quer fazer faculdade?
– Sim, quero ser engenheira civil.
– Você? – Caiu na risada.
– Porque essa risada toda?
– Não te vejo mandona, você é delicada demais para isso.
– Você que diz que eu sou uma ogra.
– De vez em quando.
– E você porque quer ter filhos?
– Gosto de crianças.
– Compra uma boneca. – nos olhamos e caímos na risada. Estar ao lado dele me fazia bem. Gostava do senso de humor dele, menos pela manhã.
Depois de alguns minutos dentro daquele monstro, finalmente ele começou a se mexer, quando a porta abriu pulei pra fora e respirei fundo. Vendo aquela cena patética de sobrevivência, rimos muito. Mas lembrando de que ainda foi um susto. Entrei em casa e ouvi alguns sons de vozes, parecia que tinha gente em casa. Fui ao escritório do Arthur e vi cerca de cinco homens conversando. Por pouco que o Arthur não me viu, sai de fininho, e entrei no meu quarto. Tomei um banho bem demorado, e pulei para cama, estava exausta.
Na manhã seguinte acordo sem o despertador, mas com uma dor de cabeça terrível. Acabo dormindo novamente, resultado não fui a escola. Passei a manhã toda com dores na cabeça, e tomando remédios. Em meio a essas dores chatas lembro do Bhê, nossa como pode uma pessoa te fazer tão feliz? Só de lembrar o sorriso, as piadas sem graça e até das nossas brigas fico toda boba. Mas, quando lembro que ele esta namorando a minha melhor amiga percebo que essa alegria não pode existir. Em meio a esse turbilhão de pensamentos meu celular toca. E adivinha quem é?
– Oi amiga, o que aconteceu com você? Porque não veio?
– Oi Laís, ta tudo bem, ou mais ou menos, não sei. Estou com dor de cabeça.
– E você sabe porque o Bhê não veio hoje?
– Ele não foi também?
– Não. Ele não atende as minhas ligações.
– Estranho. Depois passo na casa dele e te digo.
– Ta bem amiga, vou desligar porque já esta na hora de voltar do intervalo.
– Bju, até mais.
Estranho ou coincidência? Troquei de roupa, fui ao apartamento do Bernardo, toquei a campainha e a Sra. Willians atendeu.
– Oi Cecília.
– Oi, tudo bem?
– Tudo sim. Entra. – ela se sentou no sofá.
– O Bernardo esta?
– Esta sim, mas ele esta doente, acho que pegou uma gripe.
– Nossa, que ruim.
– Posso falar com ele?
– Pode sim, acho que ele esta deitado, mas pode ir. O quarto dele é no corredor a esquerda. -Subi as escadas e bati na porta.
– Posso entrar?
– Pode mãe, to vestido. – abri a porta.
– Oi Bhê.
– Cecília?
– Sou eu sim. – o quarto estava escuro, tropecei em algumas coisas até chegar perto dele.
– Você faltou a aula também? – acendeu o abajur.
– Esta com dor de cabeça. E você como esta?
– Estou com dor no corpo, tive febre, mas estou tomando remédios.
– A Laís me ligou, e perguntou de você. Disse que você não atendia as ligações dela
– Não quero falar com ela, porque se não ela vai querer ficar o dia todo aqui comigo, me bajulando.
– Nem um pouco convencido.
– Sério não fala pra ela que estou assim, não quero que ela fique aqui o dia todo. To querendo ficar sozinho hoje.
– Tudo bem, então vou sair pra deixar você mais a vontade. – levantei.
–Não! — ele me segurou pelo braço delicadamente. – eu não quis dizer pra você ir. So não quero a melação da Laís hoje.
– Ma você tem que descansar.
– Fica vai Cecília, a gente pode ver um filme, jogar vídeo game, se você quiser.
– Melhor não Bhê, fica estranho eu e você sozinhos, imagina se a Laís inventa de vir aqui e nos ver sozinhos, ela vai pensar coisa errada.
– Ela não vai vir aqui não, hoje ela vai para o SPA, ficou falando disso a semana toda. — fez cara feia.
– Não sei não Bhê.
– Fica vai. – ele me olhou com cara de pidão, e aqueles olhos verdes tão lindos, não resisti e aceitei o pedido dele.
A manhã passou rápido, ele mandou uma mensagem para a Laís que a tranquilizou. Vimos alguns filmes de ação, jogamos vídeo game, e assistimos alguns programas engraçados de televisão. Passar à tarde com ele era tão divertida, ele me mostrou alguns desenhos, tocou violão, e até me ensinou a tocar, mas não aprendi, sou péssima para essas coisas. A partir desse dia não pude negar que estava completamente mente apaixonada por ele! Eu te disse sua boba! Desculpa consciência, é que eu demorei a perceber isso. Eu sempre tenho a razão! Claro que não.
No café da tarde comemos tanta besteira que não me aguentava mais em pé. Me sentei no sofá e o Bhê ligou o rádio. Trocando algumas estações ele deixou em uma onde tocava uma música lenta.
https://www.youtube.com/watch?v=9WnaOu_9GaM
– Me sede a honra madame? – estendeu o braço.
– Melhor não, não sei dançar.
– Como que a senhora não sabe dançar?
– Não sei mesmo.
– Vem cá que te ensino, sou ótimo dançarino. – me estendeu a mão novamente.
– Melhor não. – ele me puxou pelo braço.
Conforme a música tocava meu coração acelerava, ficar tão perto dele me deixava nervosa, nossos corpos estavam tão próximos que podia sentir seu coração bater, sem deixar de falar de como ele estava cheiroso e incrivelmente lindo. Quando senti que estávamos próximos demais me afastei, ele me olhou e sorriu. Para quebrar o clima, a Sra. Willians chega com um monte de compras.
– Oi crianças, atrapalho algo?
– Não mãe. Quer ajuda?
– De preferência.
Nos ajudamos a Sra. Willians a colocar as compras na dispensa, e conversamos enquanto comemos sorvete. Ela parecia ser uma mãe muito vaidosa, apesar de ser mais velha era muito bem cuidada, loira de olhos castanho escuro, magra, e tem um corpo de dar inveja a qualquer menina. O Bhê deve ter herdado os olhos do pai, apesar de que não o conheço. Estávamos eu e a Sra. Willians na cozinha quando começamos a conversar.
– Então Cecília, você e o Bernardo estão...?
– Não! – gritei.
– Então estão ficando?
– Também não, somos apenas amigos.
– Já fui jovem querida, sei essa de amigos.
– Não, somos amigos mesmo, ele namora a minha melhor amiga.
– Não parece amor, porque ele só fala de você quando esta dormindo.
– O que?- falei surpresa.
– Quando ele dorme, geralmente ele fala e uns dias atrás eu fui no quarto dele a noite para ver o porque que a luz estava acesa, então ele dizia que você é linda e que seu beijo não saiu dos pensamentos dele. Ei vocês se beijaram?
– Foi só uma vez, mas porque ele me pegou de surpresa. – corei nesse momento.
– Então você gostou?
– É.. vamos mudar de assunto, isso me deixa constrangida.
– Para Cecília, estamos entre mulheres, e eu vejo como vocês se olham, você se sente atraída por ele não sente?
– Claro que não, ele é meu amigo, apenas isso. E ainda por cima ele namora a minha amiga.
– Eu não entendo vocês jovens, se vocês se gostam então porque complicar tanto?
– E quem disse que nos gostamos?
– Você acabou de admitir, eu não falei de você meu amor. – fiquei mais vermelha que um tomate. — nesse momento o Bhê entra na cozinha.
– Ei mãe peguei o que você me pediu. – entrou Bernardo na cozinha.
– Vou pra casa Bhe, tenho que fazer algumas coisas.
– Já? Estas tão cedo são apenas 18h00min.
– Esta na hora, Sra. Willians até mais. – disse abanando.
– Até mais querida, e pensa sobre o que conversamos.
– O que vocês conversaram? – disse Bernardo.
– Assunto de mulheres filho.
– Ok, mãe.
Conversar com a Sra. Willians me deixou com tantas dúvidas, porque complicar tanto se a gente se gosta? Se ele não estivesse namorando a Laís tudo ficaria mais fácil, mais nítido, é melhor apagar esse sentimento antes que ele se torne mais forte. Conclusão, o amor não é nada fácil como a gente pensa, às vezes precisamos nos fechar para os sentimentos, mas nunca desistir deles, pois no tempo certo eles se revelaram. – o Bhê me deixou até a porta da minha casa.
– Obrigado Cecília por ficar comigo essa tarde. Estou até melhor.
– De nada, se precisar me chama. – por fração de segundos, ele me beijou no rosto, não tive como recuar.
– Acho que vamos ser bons amigos.
– Com certeza. – abri a porta.
Passar o tempo com ele me deixava tapo feliz, as horas viravam meses e os segundos dias. Se ele soubesse do quanto me arrependo de não o ter conhecido antes. Mas não adianta chorar pelo leite derramado, agora é bola pra frente e vou tentar esquecer o que sinto por ele, não sei quanto tempo isso irá durar, mas o máximo que puder esconder será melhor.
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