The great change
3 Audiência e aeroporto
Notas iniciais
Semanas passaram rápido e a agonia da audiência nos corroía lentamente. Com esta preocupação minha mãe afogava suas magoas na bebida. O seu sofrimento era nítido, mas em certos momentos ela se mostrava forte, e por questão de segundos desabava em lágrimas. A Depressão estava tomando conta, e eu não sabia o que fazer, queria poder ajudá-la.
O dia da audiência se aproximava, faltavam poucos dias para resolver a minha situação. Minha mente esta completamente confusa, estou entrando em estado de pânico. Tenho sonhos terríveis e imagens de dor e sofrimento. Preciso de ajuda, mas quem irá me ajudar? Só tenho minha mãe, e ela também precisa de ajuda.
A tarde passou rápido e a noite também, logo o sol já estava sobre as nossas cabeças, era o outro dia, o dia da grande decisão. Saímos bem cedo de casa para não se atrasar, apesar do nervosismo que tomava conta de mim, estava com o pensamento positivo em relação à audiência. Ao chegarmos vejo meu pai em frente ao tribunal, ele parecia estar mais velho, com cabelo grisalho, e expressão de cansado. Vestia um terno azul marinho, um belo terno italiano. Ao me olhar abriu um belo sorriso, ele se aproximou e estendeu os braços.
– Não vai me abraçar? –olhou- me preocupado.
– Você não merece nem menos o meu olhar. — Enchi meus olhos de lágrimas.
– Cecília! –falou Paula.
– Desculpe Arthur, mas há Cecília esta muito nervosa.
– Entendo, só quero o melhor para ela, e neste momento você esta sendo uma ameaça para ela. – afirmou Arthur.
– Você não tem direito de fazer isso comigo, seu hipócrita! – Paula o empurrou.
A hipocrisia de Arthur era algo visível, e sem nenhuma cara de pau a demonstrava. Eu jamais vou perdoá-lo pelo que ele fez a minha mãe, esse homem deixou de ser meu pai eu não o conheço mais. As horas passavam e o meu nervosismo aumentava a cada momento, até que minha mãe sai da sala, e pela sua expressão algo não ocorria bem.
– Mãe, o que houve? – abracei-a
– Nada meu amor, quero que tudo isso se resolva logo.
– Eu também mãe.- encostei a cabeça em seu ombro.
– Não vai falar comigo filha? – disse Arthur.
– Preferia que a minha língua tivesse cheia de formigas invés de falar com você.
– Você esta muito rebelde menina.
– Eu sou o que você fez de mim quando saiu de casa. E agora você quer que eu finja que tudo esta maravilhoso entre a gente? Você nos abandonou e estragou a vida da minha mãe e quer que eu te chame de paizinho querido? Eu não sou tão hipócrita quanto você Arthur.
– Cala- se Cecília. – Levantou a mão para me bater.
– Quer me bater? Pode me bater vamos ver o que o Juiz diz sobre isso.
– Desculpa minha filha, perdi a cabeça. – abaixou a mão novamente.
– É que é difícil a gente ouvir a verdade não é? -
– Cecília chega! – falou Paula.
– Tudo bem mãe, mas diz a esse estranho que quero distância dele.
– Você ouviu Arthur, ela não te conhece mais como pai.
– Você querendo ou não vai ir comigo, e por la será do meu jeito. – disse Arthur.
– Veremos então. –afirmou Cecília.
O juiz nos chamou para a audiência, mas estava tão distraída que não prestei muito atenção no que eles estavam conversando. A última palavra que ouvi foi — A guarda provisória de Cecília Bartosky ficara com Arthur Reithn, até a mãe se recuperar.
– O que? – o interrompi.
– A senhorita gostaria de falar algo?
– Claro. Meritíssimo eu gostaria de optar essa sua decisão. Eu e o Arthur não nos damos bem, não posso viver em um mesmo ambiente que ele. – fiquei em pé.
– Você tem duas opções, ir com o Réu Arthur, ou ser mandada para um abrigo de menores.
– Isso é sério? – Cruzei os braços.
– Você acha que estamos brincando de julgamento?
– Não senhor, não quis faltar respeito com a sua autoridade.
– Escolha menina. A sua decisão será feita.
O que? Sou uma menina de apenas 16 anos para escolher alguma coisa, o que ele pensa que esta falando? Eu não sei o que pensar! Se for para um abrigo vou sofrer de saudade de minha mãe, e não a verei, sendo que passarei por maus bocados naquele lugar, mas se for para o meu pai poderei ligar para ela nos domingos e até vê-la quando ela for me visitar. Minha decisão será por ela, e não por mim. — aguenta Cecília, vai ser melhor assim.
– Eu escolho ficar com o Arthur, por falta de opção mesmo. – abaixei minha cabeça e comecei a chorar.
– A audição esta terminada, a menor Cecília Bartosky ficará com o réu Arthur.
A audiência havia terminado, e eu continuava sentada no banco de cabeça baixa. O Juiz me olhou com um olhar de pena, mas ele não poderá fazer nada, pois a lei era o seu trabalho. Paula sentou- se ao meu lado e me abraçou.
Estava tão desolada, e frágil naquele momento. Meu coração estava sensível a qualquer palavra que fora jogada ao vento. Uma dor imensa surgiu naquele momento, medo? Talvez, mas o que mais me chateava era ir para longe de minha mãe. Deixar ela sozinha me preocupava ainda mais.
Já poderia ver o olhar de vencedor de Arthur, com aquele sorriso falso e hipócrita de quem diz “eu venci”. Uma coisa é certa, se ele pensa que vou ser como antes, este muito mal enganado. Não sou a mesma menina ingênua e delicada que o tinha como um herói. Arthur estava diante a uma menina madura, responsável, e fria. Meus sentimentos por ele morreram depois do que ele fez, agora resta cinzas e migalhas daquilo que ele deixou. Minha essência morreu, sou uma nova garota.
– Olá querida. Saiba que fiquei muito feliz por você me escolher.- disse sorrindo.
– Fique sabendo que te escolhi por falta de opção. – levantei minha cabeça.
–Mesmo você sendo rebelde, eu a amo. – sentou-se
– É? Eu não. – menti e essas palavras doeram profundamente nele, mas foi necessário, pois a dor que senti não é nem comparada a esta que a dei.
– Nosso voo é semana que vem. Amanhã te pego para a gente sair, precisamos acertar algumas coisas antes de ir.
– Tudo bem Arthur, agora deixa a Cecília quieta. É melhor você sair.- disse Paula.
– Estou indo. – ele seguiu caminhando.
–Tudo ficara bem meu amor. -Saímos daquele lugar ambas desoladas.
O tempo passou mais rápido que o trem bala, a noite se aproximava e a nossa angustia também. Retirei todos portas- retratos que continham fotos minhas e da minha mãe e levei comigo como uma lembrança, isso me aproximava mais dela.
Fui para o meu quarto, para dormir. Passei a noite toda me revirando na cama. Na manhã seguinte fui passear com o Arthur ele iria chegar bem cedo na minha casa. Então me arrumei bem rápido, coloquei uma roupa bem largada.
– oi filha.
– oi.- falei bem seca.
– E ai filha ta animada?
– Nossa olha para a minha cara de animação, e vê se to animada? –disse num tom sarcástico.
– Esse seu bom humor de manhã é ótimo filha, é assim que você é feliz não é? – retribuiu o sarcasmo.
– Eu ficaria feliz se não tivesse que olhar pra você hoje.
– Tudo bem Cecília, eu entendo que você não queira que eu esteja aqui, mas eu sei que isso é para o seu bem. Quero me aproximar de você novamente.
– Agora é tarde demais, não tem mais volta.
– Eu aprendi filha que nunca é tarde para recomeçar, sempre há um novo caminho quando estamos dispostos a continuar.
– Lindas palavras, mas não me tocam.- bati palmas, e disse num tom sarcástico.
– Esta bem Cecília, você que sabe, bom nos vamos para EUA daqui uma semana, até arrumar a papelada.
– Nossa que ótimo. –disse sarcasticamente.
– Sei que nesse momento parece que não vai ser bom, mas você vai gostar.
Chegamos a um restaurante lindo, o mais requisitado da cidade que se encontrava em frente ao mar. O Arthur tentava puxar assunto, mas eu não dizia quase nada, depois de inúmeras tentativas ele desiste. – até que enfim. A caminho de casa não disse muitas palavra, apenas disse — até mais.
Quando entrei em casa notei algo estranho, minha mãe estava fazendo almoço, e sem beber como de costume. Dei-lhe um beijo e subi para meu quarto. Liguei a televisão estava sintonizada num canal evangélico. Na verdade, quando durmo coloco nesse canal, porque me trás paz ao dormir. Mas isso não quer dizer que conheço esse tal Jesus que eles tanto falam. Não sei o que ele fez, só sei que muitos doidos o seguem. Isso não quer dizer que serei uma doida também. Estava tão entediada que resolvi descer e dar uma volta na praia para me refrescar. Só que uma surpresa estava a minha espera.
– Filha, sua diretora me ligou e pediu para mim comparecer na escola. O que você aprontou?
– Não foi uma briga, eu juro.
– O que foi então?
– Tirei nota vermelha em 10 matérias.
– Você esta louca menina? –falou séria.
– Mãe a escola é chata, os professores também.
– Isso não é desculpa Cecília. Seja mais responsável.
– Não me fale em responsabilidade. Primeiro temos que dar o exemplo para depois falar algo.
– Não fale assim comigo Cecília.
– Só estou tentando dizer à verdade mãe.
– Eu sei filha, estou me esforçando. – disse triste.
–Desculpe mãe, eu vou me esforçar mais.
Sai da sala onde estava e fui para o meu quarto, descansar. Os dias foram passando, e se foi a minha semana valiosa.Já tinha arrumado tudo para a mudança, minha mãe esta me ajudando, porque tinha muita coisa que não podia levar. Não queria sair desta cidade, onde eu vivo, eu gosto tanto daqui, apesar de ter certas pessoas que me incomodam é um lugar bom e silencioso. Imagine como deve ser Nova York, acho que não vou me adaptar bem com aquele corre-corre.
Terminamos de arrumar todas as minhas malas, e saímos para frente da minha casa para esperar o meu pai que estava por chegar. Logo depois de cinco minutos meu pai chega buzinando. Ele desceu do carro e foi colocando as malas no carro.
– Oi pessoal, gente amada, vamos? O avião não espera por nos, Paula vai querer ir junto ao aeroporto?
– Não obrigado, vou ficar por aqui mesmo, e Arthur eu quero ver a Cecília logo.- disse paula
Arthur: Tudo bem querida, pode deixar que eu vou trazer ela daqui um tempo para vocês se verem, ok? – o Arthur fez um pacto de paz com a minha mãe.
– Arthur cuida bem da minha pequena, não deixa ela se envolver com gente estranha ta bem?
– Tudo bem Paula, a Cecília para mim é um tesouro precioso, apesar de ser marrenta e chata, eu a AMO muito, e sei que com esse tempo que ela vai passar comigo, ela vai me perdoar pela decisão que tomei.
– Eu espero também Arthur.
–Então vamos filha.
– É vou ter que ir mãe, mas eu prometo que volto ta bom? Eu vou te ligar todos os dias para poder conversarmos mãe.
– E, se cuida viu, e cuidado com as más influencias.- me abraçou.
– Pode deixar e você também, muito cuidado e melhora rápido viu para eu poder voltar para minha casa.
– Pode deixar filha. Vou fazer o maximo de esforço ta bom.
– Ta bom mãe, até mais. — a abracei bem forte e quando vi estava chorando.
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