The girl next door - Interativa
3 O Olímpo
Notas iniciais
LUKE
Fiquei espantado ao ver que dessa vez, estávamos mesmo em uma jacuzzi em NY. Estávamos sozinhos, provavelmente em um hotel de luxo.
— Hããããã... Porque a gente tá aqui? – perguntei.
— Eu já não disse? Eu quero te pedir ajuda.
— Ajuda. Mas você é tipo, superpoderosa e tem um monte de habilidades de um monte de criaturas, e você precisa da ajuda de um humano? Isso não faz muito sentido.
— Não faria, se você fosse humano, mas... Como eu disse antes, você não é. E o fato de que eu não consigo descobrir que tipo de criatura você é me faz pensar que você vai ser útil. Além disso, você tem ótimas habilidades dedutivas – ela não estava olhando para mim, mas sim para a parede, que ao prestar mais atenção nesta, parecia se mover. – e eu acho você... Interessante.
— Isso foi um elogio? – Antes que ela pudesse me responder, uma garota baixinha, de pele morena, olhos arredondados e escuros e uma boca levemente curvada com aparência de 17 ou 18 anos entrou na sala. O mais estranho sobre ela era que tinha asas, e estas eram parecidas com lavanda, delicadas e finas, que pareciam não conseguir sustentar o corpo da tal menina. Minha teoria foi desfeita ao vê-la voar da porta do lugar para perto da jacuzzi.
— Luke, essa é Aiyrah Lazareva, uma das últimas fadas de descendência indiana – Aiyrah, ao ouvir seu nome, fez uma pequena reverência em direção a Luke e se voltou para Bella.
— Porque me chamou? – sua voz era como uma rosa, doce e fina, porém ao mesmo tempo afiada como uma faca.
— Ela irá renascer, Aiyrah, e não teremos mais chance após isso.
— Eu sei. Quando ela irá renascer?
— Penso que no solstício de verão.
— Daqui a um mês? – pela primeira vez, a fada parecia assustada, e sua voz não era mais firme, era frágil e parecia que ia cair a qualquer instante. Sua voz voltou ao normal– não vai conseguir treinar o rapaz a tempo.
— Eu sei lutar jiu-jitsu, serve? – a fada olhou para mim com um olhar penetrante que parecia uma das cimitarras que carregava em seu cinto. – acho que não. Ok.
— Com licença, Luke. Tenho que conversar com Aiyrah.
Ao ouvir isso, saí da sala de jacuzzi, e percebi que estava totalmente seco. Eu fiquei assustado, mas não por isso, estava assustado por não me impressionar pelo fato de que eu estava seco. Estava me acostumando a esse mundo, quando o que eu mais queria fazer era sair dele. O mais estranho era que Bella não parava de dizer que eu era uma criatura. Eu não queria nem ver esse mundo, ainda mais fazer parte dele. Estava seguindo por um corredor inteiro de mármore, sem portas, quadros ou vasos, quando vi uma varanda no final do corredor. Fui seguindo lentamente em direção a ela, e ao chegar, olhei para baixo. Não havia nada, apenas nuvens e o céu.
— Aonde eu estou? – perguntei meio murmurando para mim mesmo. Olhei para o lado e vi uma escada feita do mesmo mármore que as paredes do corredor. Não havia nem uma placa me restringindo de subi-la. Hesitante, comecei a subir a escada, que não parecia nunca terminar. Ao chegar ao fim, vi um portão de ouro com um estilo greco-romano que por algum motivo, estava entreaberto, então entrei no lugar que esse portão guardava.
O lugar parecia uma cidade feita de mármore, e em seu centro havia onze casas pequenas e um Templo enorme. Cada casa tinha uma característica especial. A maior de todas parecia estar em curto-circuito, sempre liberando pequenos raios para todos os lados. A segunda parecia uma capela de casamento com véus e rosas brancas. A terceira parecia feita de água, e tinha um pequeno estábulo com um cavalo com asas nele. Outra era entalhada com estratégias e tinha uma coruja de ouro empoleirada em seu telhado. A quinta estava pegando fogo e sua parede parecia ser feita de crânios humanos. A sexta era coberta de plantas e flores e ao seu lado, tinha um pequeno relógio de sol. A sétima era feita de ouro, e ela brilhava como o sol. Na porta, estava entalhada uma lira. A oitava era inteira de mármore, e em volta dela, se agrupava um pequeno bando de lobos e na porta havia um arco branco com o fio dourado. A nona era feita de pedra vulcânica e era meio deformada e por uma pequena janela se podia ver uma forja negra. A décima era como uma ilusão que atraía meus olhos, por isso virei meu olhar rapidamente, porém ainda sentia a casa me puxando para dentro dela. A outra casa parecia abandonada, e dela saíam vários objetos diferentes, místicos e não místicos. A última casa era encoberta por vinhas e parecia ter uma festa ocorrendo dentro dela. O chão parecia feito de nuvens, porém eu conseguia andar sobre ele enquanto ia avançando em direção à casa principal. Porém, quando estava no meio do caminho, a porta se abriu. Eu me escondi atrás da casa com os véus e as flores e observei.
— Precisamos achar a menina Isabella – um garoto de cabelos brancos, olhos azuis e roupas douradas (provavelmente o dono da casa dourada) era dono da voz alta que ecoava pelo pátio.
— Se a entregarmos para Mariadne.... Ela pode levá-la à bruxa, e assim... – dessa vez a voz era de uma mulher. Era doce e macia, porém eu não conseguia ver sua aparência.
— E assim nossa última esperança de sobrevivência será morta – dessa vez, a voz era de outra mulher, agora forte e decidida. – não vamos usar nossa única chance de destruir a bruxa para ajudá-la.
— Você não entende! — várias vozes começaram a discutir, até que uma voz grave e forte acabou com a discussão.
— Chega. Não iremos entregá-la por enquanto. Ainda falta um mês para o solstício. Se ela não conseguir fazer nada até dois dias antes, a entregamos. Objeções? – o silêncio era tão grande que eu estava com medo que eles ouvissem minha respiração – ótimo. Terminamos a reunião então.
De pouco em pouco, todos as pessoas foram saindo, até que sobrasse apenas eu. Ao ver que não havia mais ninguém à vista, saí correndo pelo portão e desci as escadas. Passei correndo pelo corredor. Precisava avisar à Bella que havia uma nova ameaça, que a bruxa não era mais sua única inimiga . Ao entrar na sala da jacuzzi, esta estava vazia. Caí no chão sem forças. Havia chegado tarde demais.

Fale com o autor