The girl left behind

1 Um estranho alívio


Notas iniciais
Bom, espero que gostem e entendam o contexto da história! Obrigada desde já por lerem!

Eu estava chorando no meu quarto, os cortes em minhas costas pulsavam em ritmo frenético, eu tentava fazer o sangue parar de escorrer no meu tapete branco já sujo. Não chorava porque doía, o que era verdade, mas chorava porque eles bateram em mim, de novo. Ainda conseguia sentir o sinto de meu pai, Peter Hansel, descendo em minha blusa uma vez, duas vezes, três vezes, quarenta e nove vezes… Todos os dias. Meus pais batiam em mim todos os dias, e eu não fazia nada para merecer. Mas dessa vez foi diferente. Eu ouvi tudo.
Do meu quarto o som da voz abafada de Katharine Hansel, minha mãe, sussurrava algo para Patrick Hansel.
—Mas quando? —Pergunta Patrick, o indivíduo que eu deveria chamar de pai, deveria.
—Assim que elas dormirem. —Responde Katharine. —Nós deixamos Myrna, Leah e Narissa levamos conosco, depois nos decid… — Não escuto mais nada. Minhas pernas tremem. Aparentemente eles falam mais baixo. Na ponta dos pés, para ser mais explícita, nas extremidades do meu dedão, volto para cama em passos de bailarina, abraço minhas pernas contra o peito e durmo choramingando baixinho, algo está por vir.


Acordo atordoada, com um gosto ruim na boca, sinto um enjôo muito grande. Corro para o banheiro e jogo minha cabeça na pia, mas o vomito não sai. Lavo meu rosto, ainda com uma horrível sensação de mal estar e percebo que a duas horas eu deveria estar acordada, a duas horas eu deveria estar em minha prisão acadêmica, mais chamada de escola. Então inspeciono o meu quarto, algo com toda a certeza está errado.
Encontro cápsulas de pílulas vazias. Ah... Isso não…
Eles me doparam. Claro que fizeram isso. Isso são drogas, isso são calmantes, são… Remédios para insônia… Volto ao banheiro. Dessa vez o vomito sai. Tomo um banho, visto alguma coisa e saio do meu quarto. A neve lá fora estava forte. E o aquecedor ainda estava ligado. Subi as escadas e entrei no quarto de Narissa. Ela não estava lá. As cápsulas de pílulas no chão estavam. Tudo estava lá, como se ela tivesse ido a escola. Então rapidamente vasculhei suas gavetas, encontrei os trezentos reais que dei a ela mês passado quando ela completou treze anos, eu disse:
"Quando você estiver pronta, fuja."
Então com certeza ela não fugiu, foi levada. Também encontrei outros cinquenta. Enfiei eles no meu bolso e fui para o quarto da Leah. Lá estavam as economias dela também. Quinhentos reais. Ela guardava isso dês dos dez anos. Leah tem, ou, tinha 19 anos... E era uma boa irmã, uma boa amiga. Mas não era tão simples sair dessa casa e comprar um apartamento barato… Eu queria chorar, mas era como se meu cérebro dissesse "Áh você não vai chorar por isso…".
Katharine, Patrick, Leah e Narissa… Não encontrei nenhum deles.
Fui para sala de estar, liguei a TV, e esperei dar meio dia, se Leah e Narissa estão na escola, elas vão voltar. Talvez… Talvez eles devem ter saído… Talvez... Eles voltem depois...
E então eu esperei. Mesmo não acreditando que eles voltariam. Eu fiquei lá deitada no sofá vendo a neve cair lentamente, como um paciente em coma. Parte de mim sentia um estranho alívio, e agora as cicatrizes poderão sarar... Só não sei quanto tempo eu vou durar, só não sei como vou enfrentar o inverno quando a comida acabar e os recursos também.

E eles não voltaram... Eu fiquei deitada o dia inteiro. Quando olhei para o relógio, eram meia noite e sete minutos. E aí, aí sim, eu chorei.
—Eu não quero morrer —Sussurrei para mim mesma. —Por favor... Eu não quero morrer.
Fiquei imaginando onde minhas irmãs estão, o que elas estão passando, o que elas estão sofrendo. Eu não quero morrer. Eu não quero que elas morram. Eu não suporto a idéia de eles terem me deixado para trás. Porque eu? Porque não Leah? Porque não Narissa?
Levantei daquela merda de sofá, eu queria sair daquela merda de casa, daquela merda de vida. Eu quero sobreviver.
Abri a porta do meu quarto, peguei minhas economias, juntando tudo que consegui pegar, as de Leah, de Narissa, e minhas, tenho R$ 1.350.
Juntei algumas roupas, alguns casacos, meu celular, objetos de higiene, alguns sapatos, minha identidade e alguns outros utensílios...
Sai daquele inferno de casa. Peguei a chave debaixo do tapete e, para minha surpresa, o carro de Narissa estava lá fora. E a chave, como de costume, debaixo da roda. Era um uno vermelho de quatro lugares.
Obrigada Deus.

Entrei no carro, e estou dirigindo a três, e para ser franca, eu não sei para onde estou indo. Eu não tinha carteira, mas estava com a de Narissa no porta malas, o que é uma vantagem, pois nós somos idênticas de longe.
Estava ouvindo música. Pensando em como seria de agora em diante, pensando no futuro... E, de repente, vejo uma sombra distante na estrada. Aumento a velocidade do veículo e descubro que é uma garota, um pouco mais velha que eu.
Ela está no meio da estrada. Eu estou a ponto de esmagar ela.
Então freio bruscamente e viro o veículo. Sabe que as pessoas dizem que antes de morrer você vê a sua vida passar pelo seus olhos em questão de segundos? Bom, eu vi tudo. E cheguei a uma conclusão: Eu preciso ficar viva.
Eu sinto minha cabeça ardend....

Notas finais
Então é isso! O próximo capítulo posto na próxima sexta! E espero que tenham gostado do primeiro capítulo de The girl left behind! Deixem um comentário aí em baixo, não vai matar vocês e não dura nem dois minutos!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.