Notas iniciais
Para quem quiser ouvir, a música que eu coloquei como nome da história é: https://www.youtube.com/watch?v=zKmWd8DPrEc (apenas por curiosidade, não faz parte da fic).

Querido Jack,

Essa é mais uma daquelas cartas que eu vou escrever e nunca enviar. Porque eu tenho dessas. Você não sabe, mas eu devo ter uma meia dúzia de cartas que eu escrevi pra você e nunca tive coragem de enviar. Duas delas de quando a gente era só amigos. Outras três de quando a gente tava namorando. E agora tenho essa, de quando eu passei de carro pela sua rua e a cortina do seu quarto tava aberta e eu vi você deitado na cama lendo aquele mesmo livro de um mês atrás que você nunca conseguiu terminar.

Acredite em mim, eu até estava me acostumando com a ideia de não ter mais você do meu lado todos os dias, mas aonde quer que eu vá tem um pedaço de você. Semana passada fui naquela cafeteria da esquina que sempre tem um pão com creme que eu gosto, e que eu que te levei lá pela primeira vez e depois você virou cliente fiel, pedi uma xicara de chá à mesma garçonete de sempre e ela me perguntou por você. Eu disse que a gente não tava mais junto e ela me respondeu dizendo que sentia muito. E a verdade é que eu também sinto. Sinto falta de você me ligar no meio da tarde, quando eu estava estressada demais estudando anatomia, e me chamar pra tomar um chá – porque você sabia que eu preferia chá a café, e chá sempre me acalmava e a gente sempre fingia ser um casal de ingleses tomando chá das cinco com um pedaço de bolo de laranja.

Então, uns cinco dias atrás, eu tava assistindo TV e vi que tava passando um filme francêse eu lembrei que era o mesmo filme que a gente assistiu um dia na minha casa. Era um dia de semana, eu tinha acabado de estudar pro assunto da minha prova e o interfone tocou, era você que tinha ido me visitar de surpresa. A gente nem tava namorando ainda, eu não te via há semanas e lembro que meu coração deu um pulo na hora e eu sai correndo pra trocar de roupa porque eu tava usando um pijama velho e todo amassado, apesar de ser três horas da tarde. Quando a minha mãe abriu a porta você ficou conversando com ela enquanto eu me arrumava e depois a gente foi pra sala de TV ver algum filme, e depois de escolher por quase uma hora, decidimos assistir esse. Eu tava tão cansada que acabei dormindo encostada no seu ombro e você me abraçou enquanto eu dormia. Quando eu acordei o filme já estava nos créditos e você fazia cachinhos em meu cabelo. Você olhou pra mim e deu um sorriso. Eu nunca te falei, mas foi aí que tive certeza que estava perdidamente apaixonada pelo meu então melhor amigo.

Dois dias atrás, eu passei na casa do Ed pra devolver um livro que ele tinha me emprestado há uns meses e ficou perdido na minha instante e vi que tinha um porta retrato na mesinha que fica ao lado do sofá. Era uma foto da última festa de aniversário dele, mês passado. E ai, é claro, eu lembrei de você. De como você tava bêbado e de como eu também tinha bebido e de como a gente discutiu feio por assuntos tão bestas. A gente começou a discordar de tudo naquela noite e eu te empurrei e você levantou a mão e eu achei que você ia bater em mim. Mas no fundo eu sabia que você não bateria, porque você nunca faria isso comigo. Então você disse que queria acabar e, Jack, aquelas palavras doeram mais que um tapa. Até hoje eu ainda não sei direito por que a gente acabou. A gente se dava tão bem juntos. Você sabe? Sabe por que acabamos? Uma briga besta depois de algumas cervejas sobre um assunto que eu nem lembro mais?

Por fim, ontem eu tava dando carona pra Maddison e a ela me disse que o caminho mais curto era passando pela sua rua. Desde que a gente acabou eu nunca mais havia passado ali, mas eu me lembrava de cada detalhe da rua, da calçada, da casa. Como sempre, as sandálias estavam do lado de fora da porta por sua família tem essa mania de deixar os sapatos do lado de fora. Vi que seu carro tava na garagem e automaticamente olhei pra janela do seu quarto, o único quarto no andar de baixo. A luz tava acesa e enquanto eu passava de carro deu pra ver você lendo o livro. Vi que você tava com aquela blusa que eu gostava e sempre vestia porque era confortável e tinha o seu cheiro. Foi uma passada rápida pela rua, mas eu juro que na minha cabeça aquilo durou mais. Eu te vi e tive a sensação de ter congelado na hora, lembrei da sensação de ir pra sua casa, cumprimentar seus pais e te dar um beijo, e lembrei de como isso era bom.

Onde quer que eu vá tem um pedaço de você no meu caminho, e eu não consigo me desfazer desses pedaços. Porque você foi tudo. O amigo e o namorado. O chá e a cerveja. O filme e a festa. O riso e o choro. O abraço e o empurrão. O fogo e a inundação. Porque eu te amei, Jack, e sinto uma puta falta de você. E nunca sei se vou te mandar essa carta, e se você um dia vai ler ela.

Até lá,

Com amor,

Charlie.

Notas finais
O que acharam? Não deixem de comentar com suas opiniões! Xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!