The edge of the death
1 Capítulo 1
Me chamo Sophie e vivo no subsolo. Na verdade, todos os que sobraram vivem no subsolo. Sei que você não está entendendo nada do que estou falando, então vou esclarecer. Há algum tempo atrás, a construção de usinas nucleares teve um aumento significativo. Era um ótimo negócio. Quase que ignoravam o risco iminente de uma explosão nuclear, um acidente catastrófico. Eu disse quase, porque construíram um enorme ''abrigo'' no subsolo para o caso de uma tragédia. Então, como a história do nosso mundo foi construída em grande parte por tragédias, havia chegado a hora do ''gran finale''. Uma grande explosão nuclear que dizimou metade da população. E não pense que algumas pessoas adquiriram super poderes. Essas pessoas adquiriram super doenças. Que, infelizmente, não puderam ser curadas. Já que, como todo o mundo, todo o nosso equipamento científico se perdeu em meio a radioatividade. Assim, outras tantas pessoas morreram.
Você deve estar pensando: você é filha de algum político ou algum poderoso? Como você conseguiu escapar? Como estão vivendo no subsolo? Bom, caro leitor, não sou filha de nenhum ''poderoso''. Minha família nunca teve muita grana. Acontece que estamos no futuro, baby. Além de abrigos super protegidos no subsolo, construíram também um potente sistema de alarmes. Não me pergunte como funciona, porque eu não sei. Nunca fui muito antenada nessas coisas. Como já foi dito, muitas usinas foram construídas. Então, muitas explodiram ao mesmo tempo. ''Já que construíram um potente sistema de alarmes, porque metade da população foi dizimada?''. A luta pela sobrevivência foi grande. Era o verdadeiro apocalipse. Pessoas correndo desesperadas na rua para alcançar a entrada para o abrigo. Muitas pessoas acharam que chegariam mais rápido de carro. Tolinhas. O trânsito ficou lento, obrigando todos a irem a pé. É claro, que quem pensou em percorrer todo o caminho correndo — correndo muito, salve-se quem puder! — conseguiu chegar a tempo no abrigo. Tudo foi muito, muito rápido. A radioatividade se espalhou e muitas pessoas morreram antes de pensar em pegar as crianças na escola. Pois é, meu caro. A realidade é dura. Não existe finais felizes em tragédias como essa. Durante muito tempo tentaram descobrir a causa da explosão. Já que era tudo muito bem organizado. Tudo muito bem protegido. A verdade é que até hoje estão tentando descobrir.
Perdi toda a minha família. Meu pai era dentista e minha mãe era secretária em uma empresa. E tinha meu irmão mais novo. Ele estava na escola quando tudo aconteceu. Não gosto muito de pensar no que aconteceu com eles. Mas é inevitável. Todos os dias me pergunto se eles conseguiram chegar ao abrigo, ou se adquiriram uma doença, ou se morreram sem ao menos chegar aqui. Eu também estava na escola, matando aula. Não me orgulho de ter feito isso. Mas com certeza, estar fora da sala de aula me deu tempo — pouco, mas o suficiente — para sobreviver. Assim como a minha família, perdi todos os meus amigos. Estou sozinha, tentando recomeçar do zero.
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