The devil within

1 The worst demons live inside us


Notas iniciais
Oi, dudes! Não é nenhuma novidade, para mim ao menos, que não faço ideia do que falar nas notas do capítulo; porém espero mesmo que vocês gostem da história ♥ fiz ela com todo amor e carinho, além dela ter me dado um dos personagens que eu mais gosto em um RP incrível! Comentários serão muito apreciados!

O café-da-manhã era uma de suas refeições preferidas, não pelo desjejum que Hope preparava com todo o carinho para o filho, mas por conta que a família guardava alguns minutos antes de começar o dia para apenas desfrutar da companhia um do outro. Contudo, naquela manhã em especial, como todas as manhãs de quartas-feiras, serviam de lembrete para o que o pequeno Lupin tinha prometido a si mesmo. Com a concentração presa na sulfite, pintando mais um dos desenhos que iriam parar na porta da geladeira — até ter outro para substituir; o que não demorava mais do que uma semana, fazendo serem guardados em uma pasta logo que o menino fazia outro. Dessa vez, graças as aulas de desenho, estava pintando bem melhor do que nas semanas anteriores, o esforço do menino era nítido. Remus sentia-se na obrigação de ser bom quanto podia, demonstrar o seu empenho para fazer os pais se sentirem orgulhosos de si e para que soubessem que, mesmo com a pouca idade, já entendia o suficiente que não estavam em uma situação boa para desperdiçar nada.

Desde que tivera de passar em vários médicos para ajudá-lo a se recuperar — o que nunca seria 100% — achava que era sua obrigação não dar mais trabalho aos pais, pois sentia-se culpado por afundar a família em dívidas. E pela expressão no rosto do pai, quando este entrara na cozinha com o correio na mão, só haviam contas para pagar. O menino largara o lápis por alguns instantes, observando o rosto do mais velho, enquanto Lyall sentava-se em sua cadeira. “Pegue um biscoito, Remus.” Hope oferecera com sua típica voz suave, o menor deu um sorriso fraco para a mãe, pegando um com uma mão segurando o doce de chocolate e a outra o lápis, voltando a pintar. Tinha que se esforçar para o esforço dos pais valer à pena. O menino não importava-se com dinheiro, mas entendia que tinha sido depois daquele episódio com Greyback que a renda da família diminuíra drasticamente, com tratamentos e atividades sendo pagas para tentar fazê-lo melhorar.

O pensamento reforçara-se quando fora para o Instituto, pois mesmo que os pais não tivessem que pagar a mensalidade, os materiais de uma escola como aquela eram caros. E também havia Dumbledore, que insistira aos pais de Remus que ele poderia ter uma melhora maior caso fosse para a escola, pois de certa forma a casa onde viviam ainda o lembrava claramente o dia que fora atacado. Não que um dia fosse esquecer, sentia ser impossível esquecer tal episódio em sua vida, mas esperava que a maior parte do tempo pudesse manter sua cabeça presa em outras atividades. O menino tentava esconder o máximo que podia as suas crises, mas por vezes era extremamente difícil fazê-lo, principalmente enquanto dormia. O sono de Remus nunca fora tranquilo depois de Ferir Greyback, sonhava constantemente com o dia em que fora atacado mesmo que anos tivessem se passado, fora questão de tempo para os colegas de quarto descobrirem o porquê. Durante uma noite foi inevitável, a lembrança era tão real que parecia ter voltado ao dia em questão…

O pequenino brincava na varanda de sua casa, com os seus carrinhos preferidos, sempre fazia isso pois o bairro tranquilo… Então, não havia o que temer. Até o momento. O homem aproximou-se com um capuz na cabeça, Remus não via a maldade nos outros — como poderia com oito anos de idade? — por tanto não temeu quando ele aproximou-se, os carrinhos eram muito mais interessantes do que qualquer outra coisa. Lyall estava no trabalho, Hope tinha ido a um mercadinho perto para comprar algo que faltava para o almoço, não havia o que temer. Todos na vizinhança se conheciam… Era questão de minutos. Ferir se agachou junto ao menino, com um sorriso no rosto estendendo uma doce. Remus não ia pegar, alguma coisa dentro de si dizia que era errado aceitar e que aconteceria algo ruim caso mantivesse perto daquele homem; contudo, seu corpo não se movia como queria. Pegou o doce, colocando na boca logo que abrira.Em alguns segundos, com um pano pressionado contra o nariz com um cheiro muito forte, estava adormecendo com facilidade.

O pano entre os lábios fazia impossível qualquer som mais alto do que ruídos saírem por sua boca, as mãos e pés presos à cadeira não deixavam-no retirar o pano para poder chamar por seus pais. Estava assustado, isso era facilmente identificado pela expressão aterrorizada em seu rosto e o fato dele estar se debatendo. Foi quando uma risada estridente chamou a sua atenção, o breu no cômodo tornava quase impossível ver de quem se tratava sentado um pouco à frente, porém Remus mesmo sem enxergar com nitidez soube que era o homem que lhe dera um doce de manhã. Deveria ter gritado, corrido para os vizinhos, esperneando o quanto pudesse; tinha sido tão tolo, nem todo mundo é bom. Isso era evidente pela expressão divertida no rosto do homem, que segurava uma pequena lâmina em sua mão, apoiado sobre os cotovelos nas suas pernas. “Está na hora de brincar, pequeno Remus.”

Algumas lágrimas escorregaram por seu rosto, sentindo o rosto ser cortado na altura da bochecha. Tal como os outros cortes, cicatrizes seriam deixadas. O Lupin chorava em silêncio, escutando o homem discutir com alguém ao telefone, só pedindo para poder correr para os braços de sua mãe e se aconchegar entre os seus cabelos. O que mais lhe assustava eram as palavras do mais velho, mais do que as próprias ações em si, visto que repetia constantemente sobre fazer o que tinha feio as outras crianças com ele. Algo dentro de si sabia que àquela manhã poderia ter sido última a compartilhar com os seus pais, mas estava tudo bem, Remus só pedia baixinho que nada acontecesse aos seus pais; por mais que quisesse estar nos braços de sua mãe. Ferir voltou para perto do garoto, olhando-o com malícia evidente; divertia-se as custas do filho de Lyall, vê-lo chorar e se contorcer por conta dele era extremamente divertido. Horas se passavam, Greyback já tinha feito vários cortes no pequeno e outras coisas, haviam motivos para suas vítimas serem apenas crianças e Remus Lupin soubera o porquê da pior maneira.

O fôlego perdera-se quando o sonho começara, o coração começava a palpitar mais rapidamente, angustiado por não conseguir voltar a realidade; precisava sair daquele sonho… Entretanto, aquilo parecia real. Desde que o pequeno Lupin colocara os olhos em Ferir em seu sonho, tinha se perdido. Conseguiu soltar uma de suas mãos, deu um soco no ar e escutou um estrondo de algo caindo no chão. Acordou, completamente assustado e suado, com os olhos vagando sobre o breu do quarto e vendo três silhuetas. Droga, droga! Em sua boca tinha um pedaço do cobertor, retirou rapidamente se sentando sobre a cama e preparando-se para fazer o que fosse preciso para impedir que o sonho acontecesse novamente. A luz foi acesa por um garoto miúdo com feições assustadas, Remus fechou os olhos por causa da luminosidade repentina. O moreno, que pelo se lembrava se chamava Black, estava jogando no chão sendo ajudado pelo outro de cabelos rebeldes. Com a respiração ainda desregulada, Lupin percebera. Fora uma crise.

“Desculpa, eu não…” Não sabia qual desculpa inventar para aquela situação constrangedora que tinha se metido, porém o sonho era tão real… Como saber? O tom em sua voz denunciava que ainda permanecia assustado com tudo que acontecera. O Potter aproximou-se com Black, perguntando com o rosto preocupado: “O que houve, cara?” Os três colegas de quarto o fitavam esperando uma resposta, mas John não tinha nenhuma a não ser a mais óbvia que poderia encontrar: “É só um sonho ruim.” Deu de ombros, como se não fosse importante. Entretanto, os colegas não pareciam acreditar em suas palavras, porém Remus não podia contar à eles sobre o que tinha acontecido. Quanto menos pessoas soubessem sobre, era melhor; tinha medo das pessoas o olhassem com outros olhos depois de descobrissem da sua síndrome do pânico, Potter e Black trocaram olhares. “V-você tem vários desses.” Peter murmurou acanhado em seu canto, chamando atenção para si. “É por causa do tal Greyback… não é?”

O Lupin arregalou os olhos com a pergunta de Pettigrew, a dúvida clara na expressão do garoto fez com que Peter se arrependesse de ter falado. “V-você sussurrou o nome d-dele durante à noite.” Disse em voz baixa, justificou-se. Somente o nome do homem já o fazia estremecer, não era por maldade que o garoto tinha perguntado, nem precisava de resposta àquela altura. O silêncio era suficiente para respostar quaisquer questões sobre. O caso de Greyback era conhecido, não precisavam perguntar mais nada para saber o que acontecera e muito menos o porquê sonhava com o dito cujo, estava claro. Tinha sido sortudo que a polícia chegou antes de algo pior acontecesse com ele. Sentiu uma mão de cada lado do seu ombro, sem perceber que o Potter tinha se sentado ao seu lado e o Black estava em sua frente, cada um com uma mão, passando apoio para o garoto. “Tá tudo bem, dude. Pode contar com a gente.” O Lupin dera um sorriso fraco, balançando a cabeça afirmativamente, agradecendo pelo apoio em silêncio. Os quatro garotos fizeram um pacto mudo, pois naquele momento não se precisavam palavras e muito menos precisariam muito mais do que olhares para identificar o que cada um precisava. Tinham, mesmo que sem querer, criado um vínculo muito forte entre eles. Iriam ser irmãos dali em diante.

Notas finais
SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI, SAIBA QUE TE ADORO ♥33
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!