The daughter of the Rainbow

2 O Acampamento Meio-sangue


—Wisht...wisht...- uma voz doce e melódica me chamava, era a voz de Anjell.

—Anjell...

—Wisht!! — outra voz me chamava agora, seguida de um “cutucão “no ombro esquerdo – Vamos Wisht, nós já chegamos.

Ainda meio grogue por causa do sono, consegui associar a voz o filho de Hermes, Filip Oliver que havia viajado ao meu lado.

—ok...ok – disse preguiçosamente enquanto me espreguiçava e esticava para pegar a mochila no compartimento de bagagens.

Estava seguindo Filip para fora do ônibus quando senti um empurrão nas costas. Não tive tempo de me segurar em nada e acabei tropeçando e caindo dos degraus e caindo em cima de alguém.

—Ops! Tenha mais cuidado por onde anda hahahaha – disse uma voz vindo de uma bota de salto fino. Em mil anos eu reconheceria aquela voz nasal horrível. Lyndisel Longwood. Seguida por suas escra- amigas, desciam as escadas do ônibus enchendo o ar com risadinhas e comentários sarcásticos.

—Elas ainda vão ter o que merecem – balbuciou ele ao levantar e logo estendendo a mão para me dar apoio para eu fazer o mesmo- Está tudo bem? Se machucou?

—Sim, estou bem – disse aceitando a ajuda — vamos, ainda temos que andar até o antigo pinheiro de Thalia.

E descemos o trajeto até o acampamento.

Chegando lá encima podia contemplar a beleza daquele lugar. Escorei em umas das arvores e observei como o acampamento havia mudado tanto dês da última vez que estive ali. Com os chalés para os deuses menores construídos, um grande “O” se formava envolta do lago, onde as náiades e campistas aproveitavam o sol nadando ou praticando canoagem.

Do outro lado estavam alguns campistas de Ares e Apolo agredindo uns aos outros com arco-flechas, espadas e palavrões, Quíron estava no meio junto com Dionísio tentando apartar a briga, não estavam com sorte naquele dia. E o restante continuava sendo o mesmo. As filhas de Afrodite estavam espalhadas atualizando as fofocas, os filhos de Hermes montando arapucas para os novos campistas.

Contornei toda aquela confusão e me direcionei para o meu novo chalé, como estava louca para chegar tomar um banho e dormir até a hora do almoço. Havia passado horas rolando de um lado pro outro na cama fazendo planos, desfazendo planos e depois os refazendo, tentando não surtar, que acabei não dormindo durante a noite. A ansiedade e o nervosismo me corroíam.

Quando já estava chegando na porta do meu chalé, vi alguém correndo em minha direção com os braços erguidos. E logo esse alguém se tornou uma cachoeira de cabelos loiros, o impacto foi tão forte que cambaleie.

—WIISHT!! — disse Meigam entre um abraço tão forte que parecia mais que ela queria me sufocar- Eu estava te procurando, que saudade.

Sempre me perguntei de onde ela tirava tanta alegria e otimismo. Afinal era filha do deus dos mortos. Com toda aquela felicidade, Meigam era facilmente confundida com campistas de deuses solares. O que a entregava eram seus olhos, castanhos claros mas que irradiavam poder, herdado do pai. Passei o braço esquerdo pelo seu ombro e fomos caminhar.

—Está tudo tão diferente — eu indiquei com um aceno de cabeça os chalés e a nova área de recreação.

—Verdade, menos uma coisa.

— O que?

—A briga de início de verão – disse ela em tom de brincadeira.

—Não deixa de ser uma verdade – disse em meio a uma gargalhada.

—E por falar em filhas de Ares — disse me sentando de pernas cruzadas na grama — cadê a Carol?

—Deve estar causando confusão em algum lugar por ai — disse ela sentando ao meu lado.

Carol era uma filha de Ares muito dedicada em arranjar confusão com as outras pessoas. E meio que foi assim que nos conhecemos. No verão retrasado, estava fazendo minhas tarefas do trabalho voluntario no campo de morangos quando achei algo parecido com um bracelete, ela um círculo de aço prata com algo em latim entalhado por dentro. Achei aquilo tão fascinante, como não sabia de quem era perguntei a Quíron se poderia ficar com ele, e ele autorizou. Durante um treinamento de batalha naquele mesmo dia conheci o lado “menos legal” da Carol. O bracelete era dela e ela havia ficado irada pois aguem supostamente o tinha roubado. Acabou que ele veio a te mim depois da fogueira e me pediu desculpas,” era um presente da minha mãe, eu o perdi e estava louca atrás dele”. De algum jeito acabamos virando amigas dês de então.

—Ei, por que não vamos procura-la? –perguntei já me levantando e esperando ela fazer o mesmo — Então, como foram suas férias?

—Viajei com meus avós para o sul, e você?

—Fiquei assistindo anime e jogando uns jogos novos que meu irmão trouce para mim – fiz cara de tedio arrancando risinhos de Meigam.

Então ficamos encarando o céu azul que se estendia sobre nós, após um longo momento de silencio, ela me fez a perguntou a pergunta que eu mesma vinha me perguntando noite e dia

— Tá tudo bem?

Notas finais
Querido leitor, obrigada por ler.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.