The bride of my best friend
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem desse pequeno bebê.
Boa leitura.
Sentada contra a porta do quarto, ouvindo o rock que minha melhor amiga, Marie, colocou para tocar na festinha onde estavam alguns amigos nossos e alguns amigos seus, estava eu, Hayley, sorrindo. O som fazia meus pés moverem no ritmo apesar de eu não fazer ideia de que música era muito menos qual seria a banda. Eu não era uma roqueira, eu era eclética, eu ouvia de tudo apenas pelo ritmo.
O que eu estava fazendo ali? Fácil. Foi obrigada a sair da bagunça e do barulho para conseguir conversar civilizadamente com a pessoa que ligava em meu celular. Essa pessoa era minha mãe perguntando como eu iria para o casamento do meu melhor amigo com tanto álcool na cabeça. Meu melhor amigo, que casaria dali a uma semana e eu viajaria amanhã com Marie, atravessaria o país para ajudar com os últimos preparativos como havia prometido no dia que ganhei na loteria.
Uma ironia, claro. Até parece que eu sempre tive uma vida perfeita.
Meu pai morreu quando eu tinha apenas seis anos e meu irmão mais velho oito, em um acidente de carro. Ele foi atropelado por um motorista bêbado. Desde lá, minha mãe se dobrou e desdobrou para conseguir nos manter vivos. Depois que papai morreu, minha mãe passou pouco tempo com a gente, pois tinha que trabalhar em dois empregos. Meu irmão começou a trabalhar assim que teve idade, assim como eu.
No meio de tudo isso, conheci Marie, uma garota do colegial que tinha ganhado de aniversário dos pais um carro legal, mas que sabia que os pais guardaram dinheiro por muito tempo para isso. Marie não sofreu tanto como eu, quando o assunto era dinheiro, mas ela foi completamente exaurida psicologicamente com depressões após depressões por sofrer muito bullying na escola por ser branca e alta demais. No colegial eu era sua defensora particular e havia conseguido muitas brigas por isso, das quais tenho orgulho que ganhei e protegi a amiga que conquistei.
Então nós duas fomos para uma faculdade pública com bolsa integral graças a nossa dedicação no colegial com as melhores notas da turma. Um belo dia, resolvemos juntar algumas moedas para comprar um bilhete da loteria. E num dia melhor ainda, descobrimos que aquelas moedas nos renderam um dinheiro enorme.
Até hoje, não sei bem o que Marie fez com sua parte do prêmio, mas tenho certeza que gastei a minha muito bem. Comprei uma casa para minha mãe que ainda morava com meu irmão e realizei o sonho dele de ter uma loja de instrumentos musicais. Mamãe finalmente tinha parado de trabalhar, só ajudava na loja do meu irmão que conseguia manter o negócio e manter a casa que havia dado para eles, assim como pagar a faculdade perto de casa que tinha conseguido entrar. Comprei um carro para ele, já que mamãe tinha pavor de dirigir.
E para mim, um carro simples e branco. Eu e Marie compramos uma casa, metade para cada. Passamos uma semana fazendo compras, desde roupas até sapatos, de brincos até batons. E ainda sobrou, então guardei minha parte e continuei trabalhando no estúdio que tinha me empregado no começo da faculdade. Eu e Marie éramos estudantes de fotografia.
Depois de tudo isso, enchemos a casa com comida, que sempre foi um item que era suado de comprar com o dinheiro dos nossos estágios, enchemos o armário de remédios que sempre era vazio e, o principal, estocamos bebidas, de licor até uísque.
Marie investiu bastante em si. Ela descoloriu grande parte do seu cabelo preto natural para pintá-lo de azul, enquanto eu pintei as madeixas castanhas de um vermelho brilhante. Eu coloquei o piercing em meu lábio e outro no meu nariz, e ela seus alargadores. Nós duas colorimos nossas peles com tatuagens que nunca tivemos dinheiro para fazer, ela mais do que eu, pois sempre fazia mais de uma em uma vez só.
E na sala da minha casa estavam algumas garrafas, junto com nossos amigos e um rock tocando, enquanto eu estava no quarto, olhando a tela do celular vendo mais algumas fotos do casal feliz que meus amigos eram. Se eu tinha namorado? Não, não tinha. Eu tinha tentado há um tempo, mas não durou muito porque ele não aceitava que minha família e meu estudo vinham antes dele. Triste para ele.
Levantei dali, sentindo tontear um pouco, efeito do álcool. Encarei meu reflexo, vendo que eu estaria acabada no dia seguinte, o dia que viajaria. Meus fios vermelhos estavam em uma total confusão e meus olhos estavam levemente perdidos, o batom vinho que eu havia passado já não estava mais ali, meu piercing estava torto e meu rímel estava borrado. Eu ri sozinha. Mike iria ficar chateado com a minha cara amassada amanhã.
E como um passe de mágica, meu celular tocou com a foto do meu amigo forte e negro, com suas tranças nagô no topo da cabeça e o cabelo rapado nas laterais, aparecendo na tela. Eu estava bêbada e ele iria perceber, mas se eu não atendesse ele ficaria preocupado, então, arrisquei.
— Boa noite. — falei e então me xinguei mentalmente. Quem atenderia a ligação do melhor amigo daquela forma?
— O quanto você já bebeu Hay? — e eu fui pega, então me deixei gargalhar.
— Muito. — falei rindo. — Mas ainda estou bem, só vou estar com a cara amassada amanhã. — parei de rir um pouco. — Como você tá? Nervoso?
— Eu vou casar com a mulher da minha vida em uma semana, estou virado em uma pilha de nervos... — ele falou.
Comecei a rir. Era isso que eu queria ouvir, não que ele estava nervoso, mas que ela era a sua mulher.
— Como ela tá? — perguntei.
— No mesmo estado, foi ontem na loja dos vestidos provar ele mais uma vez. Tá com medo de engordar e não conseguir fechar. — falou rindo nervoso.
— Ela vai ficar bem. — garanti.
— Hayley! — ouvi gritarem meu nome e voltei a sorrir.
— Mike, eu estou bêbada, com amigos na minha casa e com muita gente legal para ficar, se é que você me entende. Posso te ajudar com o nervosismo amanhã? — pedi.
— Pode sim, pirralha. — ele debochou.
— Sou só quatro anos mais nova que você, senhor 25 anos com a voz da experiência. — falei sarcástica.
— Cuidado com a bebida, Hay. — ele pediu, ignorando minha brincadeira.
— Marie é a sóbria da noite, mas não vou beber muito mais, prometo. — falei sorrindo.
Ele apenas riu e encerrou a chamada, sabendo que aquilo provavelmente era uma promessa que eu não cumpriria. Nem eu acreditava mais nessas promessas. Eram iguais a de Marie quando acordava com ressaca e dizia que nunca mais iria beber.
Saí do quarto passando os dedos pelo meu cabelo embaraçado, deixando o celular ali e voltando para sala que tinha sido "redecorada" para nossa noite. Todos os móveis contra a parede, menos a mesa de centro que tinha comida e uma variedade de bebidas em cima dela.
— Morreu no quarto? — Marie perguntou, comendo alguma coisa.
— Estava falando com a minha mãe e com o Mike. — falei sentando ao seu lado. — Uma pergunta interessante. Você sabe dizer onde foi parar meu batom?
Marie riu pegando meu queixo com suas grandes unhas, fazendo meu olhar passar por algumas pessoas que tinham a boca manchada com o que um dia fora o meu batom. Eu ri junto com ela, atraindo a atenção de uma garota vestida de preto como todos ali, mas que tinha a boca também manchada de vermelho.
— Qual a graça? — perguntou me passando a garrafa de vinho que estava em suas mãos que eu prontamente peguei e bebi a metade restante da garrafa antes de respondê-la.
— Estava observando meu bom gosto. — falei me aproximando dela sentindo o perfume maravilhoso que usava.
Levada por mais uma onda de euforia causada pelo álcool, peguei o queixo da garota da mesma forma que Marie tinha pegado o meu, trazendo a boca da garota até mim, beijando ela e sentindo o gosto do vinho que eu tinha acabado de beber na boca dela.
O restante da noite eu passei beijando a boca daquela garota que se chamava Gisebell. Eu poderia beijar muitos em uma noite, garotos e garotas, mas quando eu me concentrava em alguém, ninguém tinha vez. Logo eu e Gisebell saímos de fininho para o meu quarto. Eu fechei a porta e a tranquei.
— Eu vou sair cedo amanhã, você não vai poder dormir aqui. — falei para ela encostando ela contra a parede, mas ela apenas assentiu.
Concentrei-me em beijá-la e tocá-la, tirar suas roupas e as minhas. Depois a levei até minha cama e foquei em nos dar prazer naquela noite. Precisei descansar, no fim, porque o prazer e o álcool me deixaram incapaz de fazer muito esforço por um tempo. Tomei um banho no banheiro do quarto para tirar o suor e coloquei minha roupa de volta enquanto Gisebell fazia o mesmo.
Por fim voltamos à festinha da sala, onde ninguém falou nada, ninguém ficou pasmo, ninguém fez piadinhas. Esses eram os amigos que eu gostava, ninguém tinha nada a ver com a vida do outro, éramos amigos e só queríamos o sorriso no rosto de todos, então não importava o que eu fizesse, contanto que eu estivesse bem.
Voltei a beber, então logo a noite desapareceu em um borrão.
Acordei com o despertador no meu quarto com a porta aberta, deitada na cama com as roupas do dia anterior. Levantei revoltada e com dor de cabeça, efeitos colaterais da bebida, então fui até o meu banheiro tomar outro banho colocando a roupa que cheirava a vodka para lavar. Sequei meu cabelo, xingando o barulho por causa da minha dor de cabeça, mas no fim, valia sempre a pena.
Vesti uma calça jeans preta e uma camiseta grande branca escrita "game over" em vermelho, presente de Mike quando meu curto namoro começou. Com uma meia no pé fui até a cozinha onde Marie preparava um café da manhã.
— Tomou remédio? — ela perguntou antes de qualquer coisa.
— Não, ainda me lembro do quanto fiquei mal quando tomei sem comer nada. — falei sentando na banqueta ao lado do balcão, colocando a cabeça entre os braços apoiados no balcão esperando Marie avisar que a comida estava pronta.
Comi as panquecas maravilhosas que ela fazia e depois tomei o remédio para dor de cabeça.
— Suas malas já estão prontas? — ela perguntou enquanto limpávamos a louça do café.
— Falta só fechar a com os itens frágeis e essenciais. — respondi. — E as suas?
— Preciso do seu peso para fechar umas duas. — ela sorriu para mim.
Terminamos na cozinha, então eu fui até seu quarto repleto de fotos de bandas, shows e pôsteres colados na parede. Ela colocou duas malas sobre a cama e eu sentei em cima de cada uma para que ela conseguisse fechar elas. Ela riu e me mandou terminar de me arrumar.
Voltei para o meu quarto, escovei meus dentes, cobri a ressaca com maquiagem e prendi o capelo em um rabo de cavalo, terminando de me arrumar quando coloquei minha jaqueta preta de couro e um coturno preto com salto. Então comecei a puxar as malas para a sala e depois fui fechar a casa, já que Marie tinha que se arrumar.
— Pronta para lidar com a noiva do Mike que ainda acredita que você é completa e perdidamente apaixonada por ele? — ela perguntou surgindo com sua última mala na sala que eu tinha arrumado enquanto ela terminava de se arrumar.
— Chama logo os táxis, Marie. — resmunguei tentando ignorar aquilo por mais alguns minutos.
Ir até o aeroporto com dois táxis era ridículo, mas necessário, pois éramos duas garotas que não sabiam levar poucas coisas e ainda por cima estávamos indo a um casamento. Despachar as malas e pagar o excesso de bagagem, esperar o voo, entrar no avião, decolar. Só realmente relaxei quando voltei a ver o céu azul que eu tanto amava ver. O voo era consideravelmente longo, mas eu estava com minha câmera fotografando a segunda imensidão que eu amava o céu. Marie, ao meu lado, tinha tomado um calmante, pois tinha medo de altura. Ela amava minhas fotos do céu, mas nunca teve coragem de tirar alguma, na verdade, ela nunca tinha sentado na janela.
Minha câmera ficou pendurada no pescoço durante o desembarque e eu consegui captar o exato momento em que a expressão de Mike saiu de ansiosa para alegre quando ele nos achou no saguão do aeroporto. Sem sua noiva.
— Ainda temos paz. — Marie sussurrou quando percebeu isso.
— Ai que saudade. — falei, ignorando Marie, dando um abraço em Mike. — Onde está Milah? — perguntei confusa.
— Em casa, revoltada. — Mike reclamou e pela sua cara, percebi que mais uma vez ele e Milah haviam discutido por causa de mim.
— Sua mulher, tem que entender que a madrinha do noivo dela não quer o noivo dela. — Marie reclamou.
Mike somente bufou e perguntou como nós tínhamos conseguido chegar ao aeroporto com tantas malas. No fim, ele nos acompanhou até o hotel para que ajeitássemos nossas coisas, o que se resumia a tirar o vestido de festa e pendurá-lo para não amassar.
— Milah foi um anjo ao deixar as madrinhas longe do vermelho e do rosa. — agradeci me lembrando do vestido que usaria.
— Você pegou o tom certo né? — ele perguntou preocupado.
— Pegou sim, eu ajudei. — Marie respondeu por mim. — Espero que Milah não enlouqueça me vendo de preto. — ela continuou rindo.
Logo estava tudo onde deveria estar e nós fomos para a casa de Mike, onde Milah esperava sentada no sofá. Sua cara era de poucos amigos, mas ela nos recebeu bem, como sempre fazia. Ela jamais deixaria que seu pensamento saísse de sua cabeça novamente.
— Hayley! Marie! Que saudade de vocês! — ela exclamou, se levantando quando entramos.
***
No primeiro dia ficamos apenas na casa deles matando tempo. No segundo, fomos com Milah e sua madrinha no local onde ela casaria observando ela explicar as decorações e combinar algumas coisas com a equipe. No terceiro, o meu preferido, fomos provar o que seria servido lá, e eu me rendi completamente ao cozinheiro e ao confeiteiro da festa. No quarto dia fomos fazer a prova final do vestido de Milah.
Eu, Marie e Kamille, sua madrinha, sentamos em poltronas confortáveis en-quanto esperávamos Milah ficar aparecer vestida. Quando ela surgiu, confesso que fiquei chocada. Eu imaginei Milah com seus cabelos cacheados soltos, com pouca maquiagem e com seus olhos cor de mel brilhando, em um vestido no estilo princesa com poucas mangas e um decote em coração e um véu enorme.
Mas não era isso que Milah queria para seu casamento. Ela estava usando um vestido longo sem volume que tinha uma fenda que ia um pouco acima do meio da sua coxa deixando aquela bela perna bronzeada a mostra e seu sapato prata cintilante. Na cintura, um cinto de pérolas para marcar a curva perfeita. O decote era sim de coração, mas o vestido era de mangas três quartos então, por cima do decote ainda existia renda e seda. Não tinha uma cauda enorme, ela era curta. Marie ficou em silêncio.
— Você está linda. — foi o que eu consegui dizer. — Confesso que eu realmente achei que você ia usar um vestido tipo princesa, mas você está perfeita com esse.
— Ela entrou na loja querendo um vestido assim, de princesa, mas eu criei um alternativo. — a estilista comentou.
— E eu me apaixonei por ele. — Milah comentou olhando o próprio reflexo.
Eu sorri e fiquei sorrindo até que ela terminasse de ajustar o que tinha que ser ajustado. Ela foi tirar o vestido para levá-lo e eu lembrei que Marie ainda não tinha falado nada.
— Marie? — a chamei acenando com a mão em frente ao seu rosto.
— Sim? — ela focou em mim. — Desculpa, eu fiquei completamente hipnotizada por aquele vestido.
Eu voltei a sorrir ignorando mais um dia a madrinha dela, até que Milah voltou com o vestido e nos dirigimos até o caixa. Mas Milah parou no caminho.
— Não, não precisa, o Mike já pagou. — ela falou, mas eu ri e continuei meu caminho até o caixa. — Hayley, você não me ouviu?
— Sim, ouvi muito bem Milah. — eu sorri para ela quando cheguei ao caixa. — Eu falei para o Mike dizer isso para você. Esse é o meu presente de madrinha para a noiva.
***
No quinto dia, eu pedi uma folga daquela correria de casamento e fiquei um dia todo no hotel apenas deitada, dormindo ou não. Marie andou a cidade de cima a baixo com sua máquina fotográfica e fez questão de mostrar uma por uma para mim um por uma.
No sexto dia, o quarto do hotel foi transformado em um mini salão onde Milah entrou com Kamille e logo após entrou quatro cabeleireiros para fazer o teste de penteados. Eu agradeci mentalmente que todas nós já sabíamos o que queríamos então não demorou muito.
— Mike comentou que seu vestido é preto, Marie. — Milah comentou depois que eles saíram do quarto enquanto eu observava o meu reflexo.
— Sim, é preto já que branco é cor da noiva e cinza é horrível como vestido de festa em mim. — Milah fez uma careta. — Eu vivo de preto, você não esperava que eu usasse cores só porque alguém vai casar não é? — Marie como sempre, curta e grossa.
Milah não falou muito depois disso, então logo se sentiu desconfortável e saiu dali com Kamille. Minha intenção nunca foi espantar elas, mas simplesmente não conseguia manter uma conversa com elas mais por culpa delas do que minha. Como uma conversa iria fluir com alguém que achava que eu era apaixonada por seu noivo?
No fim, já era noite. E eu tinha uma coisa importante para fazer. As nove em ponto, como uma madrinha eficiente que colaborou com o padrinho do noivo, eu estava pronta para a despedida de solteiro do meu melhor amigo. De vestido preto com transparência em um decote cavado e com mangas longas quadriculadas em transparência, em um comprimento de um palmo e meio abaixo da bunda de saltos fechados e vermelhos como o meu cabelo que estava solto. Maquiagem preta em volta dos meus olhos verdes e batom nude em meus lábios.
Marie, como uma boa melhor amiga, iria me acompanhar. E lá estava ela com sua beleza matadora moldada por uma camisa branca e uma saia curta com suspensórios, meias sete oitavos e um coturno preto com salto que era meu. Seu cabelo colorido estava preso em duas tranças frouxas laterais que eu sabia que não ia durar muito. E claro, seus lábios em um batom vermelho e seus olhos com um delineado matador. Marie teria qualquer um aos seus pés se quisesse, mas ela não queria.
Meu celular recebeu uma mensagem indicando que o padrinho do meu amigo já estava nos esperando, então Marie colocou o celular e algum dinheiro em seu sutiã de forma que sairiam facilmente, nunca usávamos bolsas.
Encontramos Bryan na frente do hotel um carro preto com Mike ao seu lado então eu e Marie sentamos no banco de trás. Bryan estava de jeans e camisa preta com um blazer branco por cima, um colar em forma de cruz em seu peito e um cinto também branco, com seus cabelos castanhos na sua desordem natural. Já Mike estava com uma calça preta e uma camisa branca, usando um casaco xadrez vermelho por baixo da jaqueta jeans clara.
— Aonde vocês vão me levar? — Mike perguntou preocupado.
— Relaxa ai, grandão. — eu falei por ser a menor do carro. — Vamos curtir a última noite de solteiro do meu melhor amigo.
Mike bufou e ficou tentando descobrir aonde iríamos até o carro parar em frente a uma balada. Toda a sua ansiedade sumiu e foi substituída por um sorriso de canto. Eu e Marie entramos primeiro porque não pagávamos a entrada, mas ficamos esperando eles entrarem.
— Primeiro de tudo, vamos ao bar. — Marie me puxou enquanto Mike vinha atrás sendo empurrado por Bryan protestando dizendo que ele não bebia.
— Eu sei que você não bebe. — falei quando Bryan o colocou sentado na frente do bar. — Mas hoje você vai beber sim. Para aliviar a tensão. — pisquei e peguei o cardápio. Logo um barman chegou a minha frente encarando descaradamente meu decote. — Olá. — sorri maliciosa para ele, sim, eu usava os barmen para ganhar bebidas de graça. — Quatro doses de tequila.
Ele voltou com as quatro doses, mas vi que ele só tinha colocado duas na minha conta, então pisquei para ele.
— Você primeiro, Mike. — Bryan falou. — Vamos todos observar esse momento histórico.
— Ligeiro, minha música tá tocando. — Marie pediu.
— Mas você não é roqueira? — Mike perguntou percebendo que estava tocando David Guetta.
— Quando eu entro num lugar desses, eu danço o que eu escuto. — ela piscou inocentemente para ele.
Mike riu e pegou sua dose de tequila e tomou conforme as instruções de Bryan. Quando ele engoliu, eu e Marie tomamos a nossa o mais rápido que conseguimos e fomos para a pista de dança, no meio de todo aquele aperto, só para dançar a música dela. Não demorou muito para que eu e Marie começássemos a dançar com outras pessoas até que Mike surgiu na minha frente.
— A gente pode conversar? — ele pediu e eu o segui. — Eu estou muito nervoso, não consigo me acalmar.
— O que é? — perguntei.
— Milah. — ele suspirou. — Por que vocês duas não podem se entender?
— Mike, você sabe que eu já tentei e continuo tentando e você sabe o que ela sempre diz. Amanhã ela vai se arrumar lá no hotel, eu tento conversar com ela sobre isso, mas você tem que relaxar, pode ser.
Ele apenas assentiu então o arrastei até o bar chamando o barman que tinha me servido as tequilas.
— Olá, preciso de uma ajudinha. — falei para ele mais alto que a música. — Meu amigo vai casar amanhã e tá muito nervoso, quero dois de qualquer coisa que acalme ele.
Ele riu, mas entendeu. Dessa vez ele demorou mais e voltou com dois copos bem enfeitados.
— Batida de morango, minha especialidade. — ele falou se gabando.
Agradeci a ele e puxei Mike para o meio da pista com as bebidas na mão. Com a minha experiência, eu consegui andar até com o copo quase cheio, mas Mike teve que deixar o copo pela metade para não deixar mais nada cair no chão.
— O que é isso ai? — Bryan perguntou no meu ouvido.
— Batida de morango. — respondi deixando que ele tomasse.
Ela era realmente boa. Mas o que causou meu animo total foi quando Madonna começou a tocar com Bitch I'm Madonna. Marie logo se aproximou e começamos a dançar juntas, rebolando para cima e para baixo, enquanto dividíamos a batida. Em algum momento da música vi que Mike estava dançando com Marie que tinha me abandonado então comecei a dançar com Bryan.
— Ainda namorando Bryan? — perguntei, não querendo arrumar problemas.
— Terminei faz alguns meses já. — ele comentou perto do meu ouvido me causando arrepios. — Por quê?
— Não quero arrumar problemas. — falei continuando a me mover no ritmo da música com ele puxando mais do meu corpo para si.
Não percebi quando que Madonna foi substituída por Beyoncé, mas eu continuava dançando com Bryan até que meu copo ficou vazio. Fiz um admirável beicinho quando percebi aquilo então puxei Marie até o bar, deixando Mike e Bryan para trás.
— Vou ficar na casa do Mike essa noite. — Marie falou para mim depois que eu pedi mais da batida me deixando confusa.
— Por quê?
— Hayley, você não vai durar muito tempo com o Bryan, assim pelo menos tens privacidade e eu consigo tirar um pouco de neura da Milah.
Eu ri dela, mas sabia que era verdade. Peguei a batida, mas daquela vez agradeci o garçom com um beijo no canto da boca dele, o fazendo sorrir. Marie tinha pedido uma também então tomamos um pouco para voltarmos onde queríamos. Mike dançava com muitas garotas, mas se esquivava de todas, como um bom cara comprometido fazia. Marie fazia Mike beber enquanto eu reclamava com Bryan que roubava goles da minha bebida.
E mais uma vez a música trocou e eu voltei a dançar com Bryan. Passou uma hora e meia no máximo para que eu realmente não conseguisse mais e desse um toque na Marie.
— Preciso ir, vai agora? — perguntei para ela e ela repassou a pergunta para o Mike que riu malicioso para mim.
— Vamos ficar mais um pouco. — Marie me respondeu. — Vou lá com você pagar a sua conta.
A conta ali foi encerrada, Bryan e eu fomos para o hotel de táxi, deixando o carro dele para trás devido ao álcool. Não me lembro de como chegamos ao quarto, mas lembro de Bryan me derrubando na cama depois de brigar muito com o zíper do vestido. Ao se dar conta que eu estava sem sutiã, ele soltou um gemido beijando meu pescoço até chegar aos meus seios.
— Você não ousaria me deixar sem um beijo de verdade, não é? — reclamei entre suspiros e senti-o rir contra o meu busto e voltar até a minha boca.
Primeiro ele mordeu meus lábios, depois me deu um selinho e se afastou. Eu fiquei indignada e o puxei de volta. Retirei o seu blazer e a sua camisa, querendo sentir seu peito contra o meu. Peguei seu colar e puxei-o até mim.
— Você vai estragar meu colar. — ele reclamou sorrindo.
— Então colabora. — pedi.
Ele sorriu mais, mas finalmente me deu um beijo de verdade, brincando com a minha língua ainda com o gosto de morango na boca e terminando o beijo com meus lábios entre seus dentes.
— Assim? — ele sussurrou no meu ouvido, mas eu não conseguia pensar com clareza.
E assim como fiz com Gisebell, concentrei-me ali, no que tinha que fazer. Somente com a luz da rua entrando pelas janelas do quarto. Minha pele clara contrastava com meu cabelo vermelho e nossos gemidos com o silêncio da noite. Bryan parecia realmente interessado em brincar comigo, então deixei que ele me divertisse até que chegou minha vez, mas ele não gostou muito quando eu quis que aquilo durasse mais.
— Por favor, Hayley, podemos parar as brincadeiras? Estou ficando louco. — ele pediu com os olhos fechados com força estou soltei uma risada fraca beijando da sua virilha até sua boca.
— Então que comece a brincadeira de verdade, você tem camisinha? — perguntei.
— Tenho, no bolso do blazer. — ele resmungou e eu me abaixei para mexer nas suas roupas.
Quando finalmente estava com ela em minhas mãos, Bryan enroscou sua mão em meu cabelo e me puxou, fazendo que um gemido escapasse de mim. Não precisou de muito para que a camisinha fosse colocada e todo aquele tesão fosse libertado de vez.
Eu acabei adormecendo em seus braços naquela grande cama de solteiro do hotel, apenas tampada pelo fino lençol, assim como Bryan. Acordei com meu celular tocando em algum lugar do quarto. Levantei indo até ele, nua mesmo, para atendê-lo.
— Se veste, temos que ir para o SPA. — Marie falou rápido.
— Trinta minutos. — pedi.
Acordei Bryan lembrando ele que tinha que ajudar o Mike a se arrumar para o casamento, enquanto eu estava responsável por ajudar a noite. E mais uma vez agradeci por não estar de ressaca.
Coloquei um vestido branco florido e soltinho e uma sapatilha azul, e sai com Bryan dali, mas fomos por caminhos diferentes, como se nada tivesse acontecido. Parei em uma padaria qualquer pegando a coisa mais doce que eles tinha para comer e um chocolate quente e fui até o SPA onde Milah teria seu dia de noiva.
Cheguei lá pouco depois das outras garotas, pelo barulho que aquele lugar estava tomado no momento. Bufei odiando mais uma vez as mulheres e seus surtos.
— Eeei! — eu gritei acima da confusão. — Para que tudo isso?
— Milah está muito nervosa e não para de chorar, a madrinha dela não sabe o que fazer e assim não tem como ela começar a se arrumar para a noite. — Marie explicou.
Bufei mais uma vez e procurei Milah com os olhos, a encontrando sentada em um cadeira com rodinhas. Fui até ela, abrindo caminho de forma nada gentil. Seu olhar estava carregado de lágrimas então eu apenas joguei meu café da manhã no seu colo.
— Tente não derrubar o meu chocolate quente. — pedi e comecei a empurrá-la para uma porta que estava aberta.
Entrei lá e tranquei com a chave que estava ali. Sentei em uma cadeira da sala, que parecia ser uma triagem do SPA, pegando meu café da manhã das mãos de Milah com nenhuma delicadeza.
— Você não vai falar nada para me acalmar? — ela perguntou no meio do seu choro descontrolado, o que transformou sua fala em um quase grito.
— Não. — respondi simplesmente e me concentrei no meu café da manhã.
Eu tinha que admitir que aquele pedaço de torta de limão estava bom, tão bom quanto o chocolate quente. Como eu havia imaginado, enquanto eu comia, Milah foi se acalmando e quando acabei, ela já tinha parado de chorar, estava apenas me encarando.
— Mais calma? — perguntei e ela me respondeu assentindo com a cabeça. — Ótimo, vamos se preparar para o grande dia então.
— Não! — Milah quase gritou e voltou a chorar o que me fez bufar.
— Escuta aqui. — falei me abaixando em sua frente. — Da para parar de fazer escândalo e se preparar para droga do seu casamento? Eu não peguei um avião, comprei um vestido maravilhoso só para você desistir em cima da hora.
— Eu não posso me casar com ele sabendo que você é apaixonada por ele. — eu revirei os olhos, inconformada com aquele assunto vindo à tona justamente naquele momento.
— Milah, pela última vez na sua vida de solteira, eu não sou apaixonada pelo seu noivo. — bufei mais uma vez. — Mas que saco. Quando é que isso vai entrar na sua cabeça?
— Se você não é, me explica como vocês ficaram amigos tão rápido, por que é que você não consegue confiar em mim e o por que você tem mais medo de perder um namorado do que ele? — ela voltou a gritar.
— Nós ficamos amigos rapidamente porque sim, porque conversávamos sobre coisas descontraídas, não exigimos nada um do outro apenas conversávamos, até que um dia eu precisei de alguém que eu não tinha, eu precisei de apoio de alguém que pedisse por mim. Milah, eu nunca confiei em você porque você não me conhece, eu não sou uma pessoa que fica se abrindo para todo mundo e eu só confio nas pessoas que realmente me conhecem. E é por esse motivo que eu nunca tive tanto medo de perder alguém até conhecer ele, porque ninguém realmente me conhece, eu não confiava em ninguém.
— Por que você precisou dele? — ela resmungou. — Você tinha a Marie.
— Não. — neguei com a cabeça sentindo as lágrimas chegarem até mim. — Eu tenho a Marie agora. Eu não confiava nela, estou aprendendo a confiar nela agora.
— Nossa! — ela ironizou. — Vocês moram juntas, ela confia a vida dela à você e você não confia nela?
— O mesmo que me fez confiar no Mike me fez confiar nela. — suspirei, deixando as lágrimas saírem de uma vez e meu corpo ceder sentado no chão. — Mike nunca te contou então?
— Contou o que? — Milah perguntou confusa.
— Não lembro se foi um ano ou um ano e meio depois que eu e ele começamos a conversar, mas sei que aconteceu. Antes de eu conhecer o Mike eu sofria com depressão direto, não sei o quanto ele te contou da minha vida, mas ela não foi legal. Eu perdi meu pai num acidente, perdi minha mãe para o emprego que nos mantinha vivos, perdi minhas "amigas", perdi felicidade, perdi muita coisa. E isso tudo sempre me arrasta para o buraco. Mike me ajudou quando aquilo chegou tão fundo que eu comprei umas cartelas de remédio para dor de cabeça e tomei tudo de uma vez. — eu suspirei lágrimas na minha cara, lembrando-me daquele dia com muita dor. — A minha colega de dormitório me achou desmaiada na cama. Se não fosse por ela, eu teria morrido. No dia seguinte, Mike estava no quarto do hospital, chorando comigo, pedindo que eu nunca mais fizesse isso, que ele precisava de mim. — nesse ponto eu já estava num choro compulsivo abraçando minhas pernas.
— Ele nunca contou isso para mim. — ela falou baixo.
— Eu pedi. — falei levantando e ficando de costas para ela, limpando minhas lágrimas. — Eu caí nessa depressão de novo há um tempo, mas quem me tirou dela foi a Marie. Eu tinha tentado de novo me matar com remédios, só que mais pesados porque eu tinha dinheiro finalmente. Eu desmaiei na cozinha. Eu a fiz jurar que não ia contar ao Mike, não queria que ele soubesse que eu tinha passado mal de novo, principalmente que ele estava tão feliz porque finalmente iria conseguir casar com a mulher da vida dele. — voltei a encarar ela, me aproximando e me apoiando nos braços da cadeira dela. — Não sei se você o merece. — ela começou a chorar de novo, mas eu não me importei.
— Eu não sabia, desculpa.
— Não importa, Milah. Você julgou meus sentimentos sem me conhecer. É o mesmo que eu dizer que alguma comida é ruim sem nunca ter experimentado. Não faz sentido. — continuei apoiada ali encarando seus olhos. — Eu amo o Mike, sim, mas como um irmão, do mesmo modo que eu amo meu irmão ou minha mãe. Ele é como parte da minha família. Toda essa ladainha que você cria com isso só o deixa mal e a última coisa que eu quero é ver o cara que atravessou o país para pedir que eu vivesse por ele mal.
— Desculpa... — ela continuou chorando.
— Eu já te desculpei por isso há muito tempo. Você tem que pedir desculpa para ele. É ele que sempre saí mal disso tudo.
— Eu vou fazer isso por ele, vou confiar em você.
— Obrigada. — sorri para ela. — Outra coisa, por que eu teria dormido com o Bryan se eu sou completamente apaixonada pelo Mike? — eu ri tentando passar por cima de todo aquele sentimentalismo que não era meu.
— Meu pai, você ficou com o Bryan? — ela perguntou rindo.
Finalmente aquilo tinha se resolvido, para o bem do Mike e para um casamento feliz.
***
No quarto de hotel, estávamos todas maquiadas, só esperando os vestidos para partimos para o cabelo, a manicure e a pedicure foram feitas no SPA agora só tínhamos isso e ainda tinhas duas horas e meias antes de sair.
— Vou pegar os vestidos. — Marie falou se levantando da sua cadeira primeiro que nós.
Ela colocou dois em cada cama de solteiro, o dela e o meu em uma e o de Milah e Kamille na outra. Primeiro ajudamos Milah a vestir seu vestido branco para que ela começasse logo a terminar de se arrumar, depois foi a vez de Kamille que, assim como eu, era madrinha então seu vestido era azul marinho.
— Ah, é. Quase que eu esqueço. — falei alto para Milah escutar enquanto ajudava Kamille. — Obrigada por não escolher rosa e nem vermelho como cor das madrinhas.
— Eu jamais faria isso. — Milah riu. — Você iria chamar mais atenção que eu com esse cabelo.
Ri junto com ela, vendo o olhar aliviado de Marie quando percebeu que nós duas tínhamos conseguido nos entender. Kamille finalmente estava em seu vestido que, assim como ela, era discreto. Tinha renda com pedraria em cima do decote coração e marcava sua cintura, mas não era muito justo.
— Seu vestido é lindo, Kamille. — eu a elogiei e a vi ficar corada enquanto sussurrava um "obrigada".
— Minha vez. — Marie me chamou.
O vestido de Marie era fácil de colocar, mas deixava seu corpo esguio perfeito e atraente. Não havia decote nele, mas uma transparência em renda que moldava seu busto se encontrando com a transparência nas costas que ia de cima até perto da sua bunda e sua saia tinha uma fenda até o topo da sua coxa.
— Ai, por que você é hétero mesmo? — perguntei analisando ela mais uma vez.
— Porque sim. — ela riu. — E mesmo que não fosse você é minha amiga, nunca iria ficar comigo.
Eu bufei, mas ri, sabendo que era verdade. Marie não misturava as coisas como eu costumava fazer, não que eu tivesse problemas com isso, mas ela parecia não concordar muito com isso.
— Vai lá se arrumar, eu me visto rapidinho. — falei pra ela.
Tirei o meu vestido da capa sorrindo para ele mais uma vez. Eu o tinha adorado, me apaixonei por ele do mesmo jeito que Milah tinha se apaixonado pelo seu. Demorou um pouco, foi mais complicado do que imaginei então a cabeleireira que iria fazer o meu penteado acabou tendo que me ajudar, mas ela não reclamou. No fim, no espelho tinha o meu reflexo, a pedraria no meu pescoço acima do meu decote que deixava meu busto valorizado, justo de cima até embaixo e eu sabia que atrás estava o decote que deixava quase toda a minha pele exporta.
— Nossa! — Milah falou. — Ainda bem que eu escolhi essa cor e que eu não impliquei com o preto do vestido da Marie. Vocês estão maravilhosas.
— Você é que vai chamar a atenção hoje. — falei para ela sentando na cadeira enquanto a cabeleireira começava a mexer no meu cabelo.
Por fim, estávamos prontas, dentro do carro, na frente do salão, Marie com o cabelo meio azul, meio preto em um coque alto, Kamille e eu com os cabelos presos em uma trança lateral frouxa que eu sabia que eu logo iria tirar porque odiava ficar com o cabelo preso e Milah com o cabelo preso por uma tiara com um rabo de cavalo baixo.
— Eu vou primeiro. Já volto aqui. — Marie falou saindo do carro.
— Hayley. — Milah me chamou. — Será que a gente pode começar de novo, do jeito certo dessa vez? — ela pediu.
— Claro que sim, você vai casar com meu melhor amigo. — sorri para ela envolvendo as mãos dela com as minhas.
Logo em seguida Marie voltou dizendo que estavam todos prontos. Eu saí do carro junto com Kamille, indo junto de Mike, Bryan e o outro padrinho que tinha ali. Perto deles estavam os pais do casal e as irmãs gêmeas de Milah, pelo que eu pude perceber da semelhança e das coisas que eu sabia.
— Minha nossa. — Bryan falou pegando na minha mão e me fazendo dar uma volta, indo de encontro ao corpo dele para que ele sussurrasse no meu ouvido. — Quase digo que prefiro você nesse vestido a nua.
— Você também fica bem de terno. — sussurrei pra ele me afastando e ajudando a montar o cortejo do casamento.
Primeiro o noivo com a sua mãe, apesar de eu não ser muito fã dela, uma opinião que quase todos partilhavam, até mesmo o pai de Mike, que tinha se separado dela.
— Eu vou desmaiar. — Mike reclamou me fazendo gargalhar.
— E eu achando que a Milah é que ia passar mal. — ele me olhou de forma significativa. — Está tudo bem, melhor impossível, agora entra.
Ele sorriu e segui com a mãe para dentro do salão. Logo depois o pai dele e a mãe de Milah entraram. E assim era nossa vez.
— Hayley e Bryan primeiro, as meninas e depois Kamille e Marcus. — a organizadora falou.
— Eu não quero entrar sozinha. — as meninas reclamaram juntas.
— Tenho uma ideia. — falei quando vi que a organizadora não tinha paciência com as garotas. — Marcus, não é? — ele assentiu. — Você e Bryan conseguem levar elas no colo?
Elas ficaram empolgadas na hora e os acabaram rindo e pegando as duas no colo.
— Passa ela pro meio. — pedi para o Bryan. — Qual o seu nome, princesinha? — perguntei para a garota morena ao meu lado.
— Yanka. — ela respondeu indicando o colar no seu pescoço que carregava seu nome. — E a minha irmã é Milena.
— Que nomes lindos. — sorri para ela. — Você gosta de doces? — perguntei e ela sorriu e assentiu empolgada. — Depois eu te ajudo a roubar uns antes da hora.
E foi assim que entramos, eu rindo e conversando com Yanka enquanto Bryan nos guiava até o local aonde o casamento iria se concretizar.
— Sua noiva está maravilhosa. — sussurrei para Mike, em seu lado.
— Ela é maravilhosa. — ele sorriu.
Finalmente Milah entrou com seu pai e eu vi os olhos de Mike brilharem um pouco mais. Durante toda a celebração eu fui a única adulta que não chorou. Yanka e Milena ficaram bastante tempo me implorando para pegar doces para elas assim que eu conseguisse, mas ai as lembrei de que elas tinham que levar as alianças do casal e elas pararam por um tempo. Foi fofo verem as duas vestidas de branco como princesinhas levando uma aliança cada e um cordão de prata em volta do pescoço de cada uma e mais fofo ainda o que elas falaram.
— Isso vai ser o cordão da vida de vocês. — Yanka falou devagar como se não quisesse esquecer nenhuma palavra.
— Ele fica lindo quando é cuidado, sabe? — Milena falou mais descontraída. — E fica melhor quando não é curto.
Mike se abaixou na altura delas e sussurrou algo para elas que assentiram e abraçaram-no. Ele pegou cada cordão tirando as alianças dali. Milah já estava chorando quando foi sua vez de falar seus votos, mas ambos foram bem com suas palavras, além de que Milah acabou pedindo desculpas por tudo aqui que ela já tinha falado sobre eu e Mike nas entrelinhas, desculpas que ele aceitou com um sorriso de felicidade por finalmente isso estar resolvido e claro, com um beijo
Depois do beijo, no fim, eu me deixei lagrimar. Pela felicidade deles, que estava estampada em seus sorrisos. No entanto, quando eu achei que finalmente iríamos sair e ir de encontro a comida. Milah chamou a atenção de todos.
— Eu sei que lá iremos fazer mais um discurso, mas aqui eu quero fazer a uma pessoa em especial. — ela sorriu. — Hay, vem aqui. — eu a olhei espantada e Bryan me deu um empurrão leve para eu começar a andar até ela. — Obrigada por cuidar do meu marido por tanto tempo, por ser amiga dela, por zelar por ele, por estar ali, para ele. Eu amo você do mesmo modo que eu finalmente sei que você o ama. — não sei o porquê, mas eu comecei a chorar mais ali do que no casamento. — Eu quero estar aqui para você, quero pedir por você, pedir para você viver.
Eu não falei, apenas a abracei. Depois puxei Mike para o abraço e gritei por Marie. Ficamos nós quatro naquele sentimentalismo que não fazia parte do meu ser, mas que eu amei ter naquele momento, entre lágrimas, roupas de festa e vestido de casamento. É claro, não durou muito porque eu tinha que encerrar com chave de ouro.
— Eu vou viver por vocês, mas principalmente, vou viver para comer a comida que tem nesse salão que eu já sei que é maravilhosa e eu já prometi a Yanka e a Milena que eu ia fazer um contrabando de doces para a gente. — desfiz o abraço e olhei para todos sorrindo. — Deu de melação e vamos a comida pode ser?
— Obrigada pelo melhor dia da minha vida. — meu irmão, meu amigo, meu parceiro, Mike falou me pegando no colo e me girando no ar.
— É pra isso que os amigos servem, momentos bons e ruins lembra?
Notas finais
Obrigada por lerem ♥
28-08-2o16
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