Notas iniciais
OI GENTE. SEGUINTE: Eu posto essa fic no wattpad e eu já tinha postado o capítulo 2 lá faz eras e não tinha visto que não tinha postado aqui (DESCUUUUULPA!!!! cuidado com a burra). Anyway, vou deixar aqui embaixo o aviso que deixei pra galera de lá: "Oi, aqui estou eu depois de longos séculos sumida, voltando como se nada tivesse acontecido. Leitor@s querid@s... Ano passado estava terminando meu curso de graduação (dois tccs *grito*), e logo em seguida entrei no mestrado (mudei de cidade/estado)... A vida fica uma loucura! O caso é que, principalmente devido as obrigações acadêmicas eu fico com pouco tempo (e disposição) pra escrever, não consigo manter um ritmo de escrita constante das fanfics, por isso nem prometo nada do tipo, me perdoem por isso. Também quero esclarecer algumas coisas em relação a fanfic... Eu comecei a escrever pra me distrair da pressão da faculdade e da escrita acadêmia, então comecei bem sem pretensão mesmo, sem ideias muito definidas etc... Então se parecer que te alguma "quebra" na história ou na escrita é porque tem muito a ver com isso, porque também não fico revisando muito por questão de tempo, se não acaba que fico enrolando e não posto nunca. Anyway... Pretendo revisar a fanfic depois (quando) eu terminar ela, pra corrigir eventuais erros... Mas... É isso ai. To tentando! HAHA Fiquem com o capítulo e boa leitura!" É isso. Bora lá!

Eu nunca mais vou beber.

Era isso que Betty repetia para si mesma cada vez que sua cabeça latejava ou a seu estômago embrulhava. Havia acordado no meio da tarde em sua cama. Felizmente seu eu bêbado era muito responsável, já que seu quarto estava organizado, as roupas no cesto de roupas sujas, o cabelo e os dentes escovados. Nada de bafo alcoólico, nada de nós que a faria desejar raspar a cabeça. Apenas a boa e velha ressaca.

Tentou acostumar-se com a claridade enquanto se arrastava até a cozinha em meio aos resmungos. Que diabos ela havia bebido? A cada minuto parecia que seu estômago ia escapar pela boca. Serviu-se de um copo de água e avistou alguns comprimidos sobre a mesa e uma papelzinho com apenas duas palavras escritas na caligrafia de Jughead:

"Fique bem"

Deu um sorrisinho que logo sumiu após uma nova onda de dor e enjoo. Tomou os comprimidos e foi até seu quarto onde dormiu o resto da tarde. Betty acordava de tempo em tempo após algum sonho – ou uma definição mais adequada seria pesadelo? — estranho onde Verônica e Archie se casavam ou então tinham um bebê do qual Betty era madrinha. Ou então, mas bizarro ainda, algum sonho libertino e imoral estrelados por ninguém mais e ninguém menos que ela própria e Jughead Jones.

Entre um cochilo e outro Betty escreveu algumas mensagens. Para Verônica enviou "o que aconteceu naquela festa? Acho que bebi sangue do diabo...", para Jughead "nunca mais vou beber. Que tal a gente pedir alguma comida mais tarde?", para Kevin "o que aconteceu naquela festa ontem?". E no twitter postou um: "é cada sonho bizarro". Mas não obteve respostas.

No fim acabou pedindo comida japonesa e assistindo Netflix sozinha, regada a remédios para ressaca e muita água. Esperava que amanhã estivesse melhor, já que precisava ir até a faculdade resolver algumas questões para o semestre seguinte e se preparar para o inferno que seria as semanas que passaria na casa dos pais. Sua irmã estava grávida de algum garoto da cidade e seus pais nunca estiveram tão exigentes com Betty, talvez para garantir que ela também não engravidasse... O caso é que a família Cooper parecia prestes a um colapso, e Betty com toda certeza não queria estar perto quando ruísse.

No dia seguinte, Elizabeth estava muito melhor. Novinha em folha. Nem parecia haver passado um dia inteiro no limbo da ressaca, e embora estivesse com um inconveniente caso de amnesia alcoólica e com seus melhores amigos ignorando seus trilhões de mensagens, ela se sentia plena. Arrumou os documentos de solicitação de estágio, checou a roupa perfeitamente alinhada e o cabelo sem um fio fora do lugar pela terceira vez seguida. Antes de iniciar a caminhada até a faculdade passou no apartamento de Jughead, mas o garoto parecia não estar em casa. Com um suspiro resignado desistiu e decidiu que passaria no Pop's mais tarde, pois imaginou que ele poderia estar fazendo alguma hora extra.

Elizabeth conseguiu as assinaturas necessárias na faculdade e deixou seu currículo em diversos jornais da cidade solicitando um estágio, certa de que causara uma boa impressão. Só restava aguardar até algum deles entrar em contato com ela. No volta para a casa passou no Pop's, apenas para descobrir que Jughead estava de férias e parecia ter viajado para visitar a mãe e a irmã em outro estado. Ela enviou mais algumas mensagens para o amigo, preocupada, recebendo o silencio como resposta. Ligou para ele, mesmo odiando falar ao telefone, mas a ligação caiu na caixa postal.

Que merda é essa? Era o único pensamento em sua cabeça.

Nem Verônica, Kevin ou Jughead respondiam suas mensagens. Jughead parecia realmente não estar em casa, já que Betty quase derrubou a porta de tanto bater. Já se sentia extremamente ansiosa com essa situação, quando recebeu uma resposta de Verônica "Muito drama familiar. Desculpa. Assim que der eu te ligo" em resposta enviou "Ok. Boa Sorte Ronnie".

Tudo o que restou a fazer foi organizar sua mala de viagem, deixar o apartamento em ordem e chamar um taxi até a rodoviária, enquanto mandava mais dezenas de mensagens raivosas para Jughead.

☼☼☼

Toda vez que fechava os olhos a imagem de uma lingerie vermelha enchia sua mente. Se não fosse isso era o movimento dos quadris de uma certa loira dançando uma música sensual, ou então o gosto e a textura macia de seus lábios. Apesar de em um dia ter tomado mais banhos do que normalmente tomava em uma semana, o perfume dela parecia resistir bravamente, ou então, sua mente realmente brincava com ele da pior forma.

Enquanto observava a paisagem passar e mudar enquanto sua moto avançava mais e mais quilômetros, Jughead só conseguia se culpar por não ter resistido a tentação em forma de melhor amiga, mas também por não conseguir tirá-la da cabeça. Na manhã após o ocorrido ele até tentou ser corajoso e foi até o apartamento vizinho munido com remédios para ressaca e um monte de desculpas na ponta da língua. Mas, após vê-la dormindo como uma pedra — uma pedra adorável diga-se de passagem -, ele simplesmente não conseguiu. Lembrou-se de todas as lições feministas que havia aprendido com Toni, sua melhor e talvez única amiga da adolescência, e se sentiu péssimo. Ele era pior que o cocô do cavalo do bandido. Ou melhor, ele era pior que a mosca do cocô do cavalo do bandido! Como ele pudera beijar e não resistir a uma garota bêbada? Por céus... Ela. Estava. Bêbada! E ainda por cima pensando em Archie Andrews.

Havia uma mistura muito complicada de sentimentos conflitantes em sua cabeça. Jughead não era idiota nem mesmo iludido, ele não se importava em admitir que sentia sim algo por Betty. Como poderia não sentir? Ela era linda, inteligente, dedicada, com um senso de humor adorável... Até mesmo seus defeitos pareciam encantadores. Talvez ele estivesse mesmo apaixonado, e acreditem, Jughead não tinha problema algum em admitir isso. O problema era sua fraqueza. O problema era olhar para Betty e sentir que ele a havia desrespeitado. O problema é que ela só o via como seu melhor amigo. O problema era que ela gostava de Archie. E o problema era admitir que ela só o havia beijado porque estava bêbada!

A equação era a seguinte: ele a havia beijado e tocado seu corpo enquanto ela estava bêbada; ela havia se insinuado e o beijado enquanto estava bêbada — e isso não era desculpa ou justificativa alguma, apenas uma constatação; e no fim, ela só havia feito isso porque estava bêbada, muito bêbada. E agora? Como interpretar todos esses x, y e zs? Ele havia se aproveitado dela? Ela o odiava por isso? Como ele poderia olhar para Betty novamente com a vergonha que sentia? Quando ele pensava nisso só sentia culpa, decepção e vergonha. Perguntas e mais perguntas, sentimentos e mais sentimentos se entrelaçando em sua cabeça, o fazendo enlouquecer.

Quando chegou em Rockport, Jellybean e Toni o esperavam com sorrisos tão grandes que ele ficou com medo que partisse seus rostos ao meio. Jellybean logo que o viu correu para seus braços no que ele poderia definir como "melhor abraço do mundo". Ela usava uma camiseta da banda Bikini Kill, olho pintado com lápis preto e um all star surrado. Era evidente a influência de Toni no estilo da pequena — ou agora, como Jughead percebia, não tão pequena — Jellybean, afinal, Toni era como uma irmã mais velha para ela.

Os pais de Jughead, Gladys e F.P. se divorciaram quando ele era criança. Jellybean era tão pequena que nem ao menos se lembrava desta época, o que de certa forma, era um tanto melhor, já que não se recordaria do pai bêbado gastando todo o dinheiro do trabalho duro de sua mãe, nem das brigas. Quando Gladys anunciou que queria o divorcio, F.P. prometeu que mudaria para que a esposa não fosse embora, o que não foi o suficiente, já que muitas vezes a mudança por si só não é capaz de mudar o sofrimento e os traumas passados. Mas mesmo com a separação, surpreendentemente, F.P. parou de beber, começou a trabalhar e pagar as contas, e infelizmente para Jughead, não se tornou um pai melhor. Gladys que havia conseguido a guarda de Jellybean — mas não a de Jughead — se mudou para Rockport em Massachussetts, onde uma amiga lhe ofereceu ajuda.

Em nenhum momento de sua infância ou adolescência Jughead recebeu qualquer demonstração de carinho ou amor paternal, e por mais que possuísse todas as razões para nutrir rancor e amargura, nunca culpou seus pais por quaisquer questões passadas ou presentes que fosse. Jughead só passou a conviver novamente com sua mãe na adolescência, quando alcançou idade o suficiente para viajar sozinho da cidade decadente no interior de Connecticute em que vivia com o pai até Rockport.

Foi a partir daí que começou a passar todas as férias escolares em Rockport e conheceu Toni. A morena que toda vez estava com uma nova cor extravagante no cabelo, e sempre tinha uma banda de rock nova sobre a qual falar, que lutava pelos direitos das mulheres e ficava em detenção por chamar o professor de educação física de "tarado e porco machista". Que não parecia se importar com o jeito peculiar de ser de Jughead, ao mesmo tempo antissocial e impertinente, ou sincero como ela costumava afirmar. Talvez a única amiga verdadeira que Jughead já teve — até Betty.

— Deixa um pouco pra mim pirralha — ela disse enquanto Jellybean se soltava de Jughead e lhe mostrava a língua em resposta.

Abraçar Toni era como estar em casa. Era como se todos os problemas do mundo sumissem automaticamente e eles voltassem para os dias frios do inverno, nos quais se escondiam na garagem da mãe de Jughead para ouvir rock em um velho toca discos, cobertos por alguma manta surrada que encontravam em meio aos "entulhos" — como Jughead chamava os objetos acumulados ao longo dos anos.

— Sua mãe está no trabalho, mas disse que tem um ensopado na geladeira e é só esquentar. Ela queria muito estar aqui pra te receber, mas sabe como é, as coisas não andam bem aqui em Rockport, ninguém ta disposto a dar bobeira no trabalho e aumentar a estatística dos desempregados, mas ela ta bem... — Toni desatou a falar enquanto adentravam a casa.

Estava tudo do jeito que Jughead lembrava. Cortinas azuis e móveis de segunda mão pintados de amarelo, alguns com flores coloridas desenhadas por Gladys e Jellybean. Gladys adorava pintar, embora a vida não tivesse sido muito justa com ela, e como para muitas pessoas: colocar comida na mesa é mais importante que seguir seu sonho.

Abriu a geladeira azul e retirou a panela de ensopado que logo levou ao fogo para aquecer. Parecia deliciosa e o estomago de Jughead fez barulho, o que fez Jellybean rir.

— Achei que só vinha semana que vem . — Toni disse como quem não quer nada, mas Jughead podia sentir todas as perguntas que viriam a seguir.

— Pop's vai precisar de ajuda no fim do mês, então tirei as férias uns dias antes. — respondeu no mesmo tom enquanto mexia a panela com ensopado.

— Engraçado, porque geralmente as pessoas não costumam frequentar lanchonetes no ano novo. — Toni olhava as unhas com desinteresse, mas lançou um sorriso presunçoso para Jughead que revirou os olhos.

— Porque vocês simplesmente não falam sobre o que querem falar abertamente?- Jellybean disse dando enfase em "abertamente" e gesticulando como se fossem duas crianças de cinco anos com dificuldade em entender.

Jughead bufou. E Toni sorriu direcionando uma piscadela pra Jellybean.

— Não tenho nada para dizer.

— O que você esta escondendo?

— Eu não estou escondendo nada. — Jughead falou enquanto terminava de se servir e levava uma colher fumegante de ensopado a boca. Logo em seguida se arrependeu e começou a resfolegar tentando diminuir a temperatura da comida que queimava sua boca. Jellybean riu com gosto.

— Irmão, você com certeza esta escondendo alguma coisa. Lembra quando atropelaram um cachorro na sua frente quando você tinha uns quinze anos? Você chorou por semanas e quando não estava chorando estava com uma expressão igualzinha a que estava quando desceu da sua moto. — Jellybean contou terminando com uma careta.

— Ah, eu lembro. — Toni disse pensativa.

— Porque vocês têm que lembrar dessas coisas constrangedoras?

— Não é constrangedor. — disse Toni.

— Prova que você tem sentimentos — completou Jellybean.

— E é bom que homens demonstrem sentimentos e não sejam meros reprodutores de uma ordem machista e patriarcal que diz que eles não devem expressar suas emoções. — continuou Toni.

— E depois se tornam agressivos e violentos por reprimi-las. — finalizou Jellybean.

Jughead as encarava como se fossem uma partida de ping pong, a boca entreaberta. Era um pouco chocante quando elas agiam dessa maneira, mas Jughead logo deu um sorriso, eram Toni e Jellybean. Ele estava em casa.

— Ok... Eu conto, mas só pra Toni. — disse rapidamente enquanto se servia de mais ensopado. Jellybean não demorou para começar a reclamar. — É constrangedor... E você é muito nova. E minha irmã... é estranho.

— Toni vai me contar de qualquer forma. — respondeu cruzando os braços e empinando o nariz.

— Então não conto. — Jughead sorriu pretensioso.

— Você é um saco. — Jellybean reclamou saindo em direção ao quarto, bufando de desgosto. — Se eu fosse você, cuidava com sua escova de dentes. — ela gritou antes de bater a porta. Jughead estremeceu só de imaginar as possibilidades implícitas nessa ameaça.

— Ok... — Toni aconchegou-se na cadeira e cruzou os braços. — Pode começar a contar.

Jughead suspirou resignado e começou a falar rapidamente e sem muitas pausas. Rápido como tirar um curativo na esperança de que ele doa menos. Enquanto ele contava, Toni adotou uma expressão concentrada e não o interrompeu. Quando ele terminou, a garota suspirou.

— Não sei nem o que dizer Forsythe Pendleton Jughead Jones III. — Toni declarou com um suspiro resignado. Jughead apenas fechou os olhos com força e escorregou pela cadeira. — Olha, não esta tudo perdido. Na minha opinião, você foi um idiota? Foi! Mas pelo menos você esta arrependido e reconhece que a sua atitude não foi a ideal e tal... Olha, sinceramente, você devia conversar com ela, pedir desculpas e esclarecer as coisas. Primeiro, da um sinal de vida pra garota, não suma, toma as rédeas da situação, assuma os erros, lide com as consequências, você sabe... essas coisa... Você não é do tipo que some.

— Eu sei, é que sinceramente... Eu acho que gosto dela... Mas ela não é do tipo de garota que ficaria como um cara como eu! — ele falou em meio a gaguejos.

— Do tipo legal, que quando faz coisas idiotas reconhece os erros e esta disposto a fazer algo sobre...? Do tipo sensível...?

— Do tipo estranho e mané. — esclareceu.

— Saí dessa Jug!

— É que... ela é afim de um cara e a gente não tem nada a ver. Ele é ruivo... do time de futebol... — explicou.

— Ok, é o seguinte: você nunca vai saber se não tentar!

— As vezes é melhor não saber e não se decepcionar. — disse com uma expressão triste. — Quer dizer, além de você ela é uma das pessoas que mais me conhece e mesmo assim é minha amiga, e se as coisas ficarem estranhas... Ah, sei lá Toni, acho que eu devia deixar isso pra lá... Quer dizer, essa coisa de gostar dela... Mas você tem razão, eu não devia fugir dos meus problemas, e ela merece uma explicação e um pedido de desculpas, e ignorar ela e a situação não ajuda em nada. Obrigado.

— Disponha. — Toni sorriu e abraçou o melhor amigo. — Que tal a gente chamar a Jellybean e ir ouvir uns discos? A gente achou umas coisas bem legais pra te mostrar...

☼☼☼

Assim que o ônibus partiu de New Haven, Betty colocou os fones de ouvido para ouvir a playlist que Jughead havia criado para ela há algumas semanas. Pescou de dentro de sua mochila um livro que jurou que leria durante as férias, mas que após as primeiras duas horas de viagem mal havia avançado duas páginas. A garota lia e relia os parágrafos, mas não conseguia se concentrar na história. Sua mente passeava pelos flashes da festa e dos sonhos estranhos que vinha tendo, mas não conseguia saber o que eram memórias e o que eram sonhos – ou pesadelos.

Maldita amnésia alcóolica, era o que ela pensava. Ela não podia ter beijado Jughead não é mesmo? Ao menos essa parte devia ser apenas um de seus sonhos bizarros. Entretanto, mesmo que fosse um sonho, porque seu estomago revirava e ela sentia um frio na barriga quando revisitava essas cenas? E porque logo após ela sentia calor e era obrigada a abandonar esses pensamentos tomada por vergonha por pensar tais coisas com seu melhor amigo. Ele era seu melhor amigo! E era apenas assim que ela o via... Embora isso entrasse em profundo conflito com a maneira com a qual seu corpo reagia toda vez que esses pensamentos inoportunos tomavam sua mente.

A viagem para Hampton, em Vírginia, durava aproximadamente dez horas de ônibus. Betty podia ter pego um voo, o que diminuiria consideravelmente o tempo de viagem, mas além do fato de que gostaria de adiar o máximo possível a visita aos pais, também gostava de observar a paisagem mudando enquanto avançava em direção ao sul. Gostava de ter um tempo sozinha para pensar, mesmo tendo que dividir espaço com pessoas talvez não muito educadas.

Entre páginas lidas e relidas, sorrisos produzidos pelas músicas que Jughead selecionara, cochilos e quilômetros percorridos, Betty se aproximava de Hampton. Seu estômago parecia um ringue armado para seus sentimentos enlouquecidos lutarem entre si. Ela tentava controlar a respiração que descompassava devido à ansiedade que enfrentar os dramas familiares lhe causava.

Quando finalemente desembarcou na rodoviária de Hampton, seus pais não estavam esperando-a, o que Betty achou muito estranho. Fazia horas que elas estava se preparando para a cena que sabia que seria armada. Por isso pegou o celular e ignorou, embora a curiosidade pedisse o contrário, a mensagem de Jughead que tinha recebido enquanto viajava, e ligou para os pais. O celular chamou diversas vezes, mas ninguém atendou. Betty esperava que ser ignorada no celular pelas pessoas não se tornasse corriqueiro. Tentou mais algumas vezes, mas com o passar dos minutos desistiu e embarcou em um taxi.

Quando chegou, a casa dos pais estava vazia, o que aumentou a sensação de que algo estava errado. Após mais algumas tentativas, ligou para Polly que atendeu o telefone. Antes que pudesse dizer qualquer coisa ou mesmo suspirar aliviada por conseguir contato com alguém da família, Polly desatou a falar:

— Eles estão loucos Betty, loucos! Eles estão aqui na casa dos Blossom fazendo uma cena digna de filme... Por favor, liga pra eles e diz que você esta no hospital tendo um infarto, sei lá... Só tira eles daqui.

— Polly, respira. Eu não to entendendo nada. Porque eles estão na casa do seu namorado? E porque estão fazendo uma cena? Achei que eles já tinham superado...

— Superado... — ela ouviu Polly bufar. — Betty, nosso pais são malucos, malucos mesmo. Se superar significa não me deixar em paz nem por um segundo desde que eu contei sobre a gravidez, então eles superaram muito bem. — ela deu um riso de escárnio. Polly parecia um tanto desvairada e alucinada, como se estivesse prestes a ter um colapso nervoso.

— Ok. Respira fundo Polly, tenta se acalmar e me explica o que aconteceu. — Betty pediu preocupada.

— Eles não me davam um segundo de paz Betty. Eu fui em uma médica e ela falou que eu precisava relaxar, ficar mais calma e tranquila para o bem do bebê, mas como eu ia conseguir fazer isso se eles simplesmente não me deixam em paz? Eles só pensam neles, na reputação que construíram e toda aquela baboseira... Então eu saí de casa. Os Blossom foram ótimos ao me receber, e apesar de Jason ter alguns problemas com o pai, era melhor do que ficar aí... E nós temos um plano. Assim que possível vamos nos mudar pra um lugar só nosso. Mas é óbvio que papai e mamãe iam dar um jeito de transformas isso num circo. Eles estão aqui já faz horas fazendo um escândalo pra eu voltar pra casa, mas eu juro Betty, eu juro, eu não volto. Eu amo eles... Mas a distância. Entende?

É claro que Betty entendia.

— Ok, mantenha a calma Polly. Vou tentar ligar pra eles de novo e fazer com que venham pra casa. Mas é sério, respira fundo! Não liga pra isso, você não tem culpa de nada, não tem culpa por eles serem como são... Eu podia dizer que é porque no fundo eles só querem nosso bem, mas... Eles deviam nos ouvir. Eu não sei o que te dizer Polly, só fique bem, por você e pelo bebê. Não se estresse com isso. Ignore e eu tento manter eles ocupados... Vou pixar alguns prédios públicos e ser presa, sei lá. — Betty disse com carinho e ouviu Polly rir com sinceridade e leveza do outro lado da linha.

— Obrigada. Eu te amo Betty. — ela disse. E Betty respondeu com um "eu te amo" antes de finalizar a ligação.

Respirou fundo antes de ligar para os pais. Precisou tentar mais um porção de vezes até que a atendesse, e levou vários minutos de discussão até que concordassem em voltar para casa. Quando chegaram, mal deram atenção para a filha mais nova e tudo o que fizeram foi reclamar e discutir sobre o recente acontecimento. Sua mãe subiu para tomar um longo banho e seu pai foi para seu refugio no porão. Betty ficou sozinha com alguns dólares que eles lhe deram para que pedisse alguma comida, já que com todo o "estresse" que haviam passado, não haviam tido tempo para se preparar para recebê-la. Eles pediram desculpas, mas uma veia estava pulsando no pescoço de Alice Cooper e Betty sentiu medo que a mãe infartasse.

Betty pediu uma pizza das mais caras e gordurosas que conseguiu encontrar e um refrigerante. Enquanto esperava tomou um banho e se jogou no sofá da sala para ler as mensagens que havia recebido. Tentou não parecer ansiosa – sim, ela estava mentindo para si mesma – ao abrir com rapidez a mensagem de Jughead:

"Oi Betty, desculpa não ter respondido suas mensagens. O Pop adiantou minhas férias e eu quis aproveitar pra vir pra Rockport. Quero aproveitar o tempo aqui, estou com muita saudades da minha família, então eu provavelmente vou ficar meio incomunicável. Quando voltar para New Haven a gente precisa conversar".

Suspirou resignada. Esperava que Jughead aproveitasse o tempo com a mãe e a irmã, mas não podia deixar de se sentir triste por ficar sem contato com o amigo... Lidar com os pais já não era fácil, com tudo o que vinha acontecendo com Polly a situação estava ainda mais dramática, e sem Jughead para conversar e se distrair ia ser muito difícil enfrentar. Respirou fundo e sacudiu os ombros tentando afastar a sensação de peso e cansaço que estes pensamentos causaram em si.

"Tudo bem. Aproveita as férias. Estou em Hampton... Quando estivermos em New Heaven vamos ter muito o que conversar".

A vontade de Betty era mandar uma longa mensagem relatando tudo que já havia acontecido desde sua recente chegada em Hampton, detalhando seus temores e inquietações, e revelando como desejava conversar com ele. Mas não o fez. Apenas enviou a curta mensagem, mas não o teria feito se soubesse a interpretação que Jughead faria dela e a apreensão que isso o causaria.

Notas finais
Amores... Espero que não esteja muito ruim e que tenham gostado. Próximo capítulo vai ter mais movimentação. Afinal... "vamos ter muito o que conversar". SE EU TIVESSE NO LUGAR DO JUG E RECEBE ISSO EU INFARTAVA REAL/OFICIAL!!! Só que gente... Não sei quando eu vou poder postar porque vocês não tem noção da quantidade de [SOCORRO] obrigações acadêmicas [/SOCORRO] que brotaram das profundezas do inferno!!! Mas já tenho meio que um roteiro do próximo capítulo, só falta escrever. Vai demorar? Provavelmente (e só vai rolar se eu sobreviver aos trocentos artigos, estágios e eventos que eu tenho que dar conta). A esperança reside no fato de que eu escrevo aqui pra me distrair dos estresses, e como ta sendo bem estressando talvez saia logo KKKKKKKKKKKRYNG. Amo vocês ♥