Notas iniciais
Oi people, O CAPÍTULO 4 SAIU NÃO TO NEM ACREDITANDO! Não revisei com muito afinco se não, não ia postar nunca, então me perdoem por eventuais erros, etc. Aproveitem a leitura e peço pra que vocês deixem um comentário, é importante pra saber se vocês estão acompanhando, se estão gostando ou não, se vocês desistiram de mim ou ainda estão aí firmes e fortes rs. Boa leitura!

As semanas que passou em Hampton pareciam se arrastar por longos e intermináveis dias. Betty passava boa parte do seu tempo fora de casa, encontrando alguns poucos amigos da época da escola que ainda não haviam viajado com a família, ou passando horas entre os livros da biblioteca municipal, rascunhando artigos sobre os mais variados temas — pois tinha grande interesse em aperfeiçoar sua escrita, ainda mais agora que esperava começar um estágio em algum jornal. Encontrou Polly algumas vezes, nas quais foram ao centro comercial da cidade e compraram roupas novas para a futura mamãe, já que as antigas não serviam mais, tomaram sorvetes e Betty gastou boa parte de suas economias adquirindo as mais encantadoras roupinhas e brinquedos para o futuro sobrinho ou sobrinha. Se divertiam muito nestes momentos, mas quando Betty voltava para casa, em geral o clima era de estresse — sempre havia alguma questão do trabalho, ou sobre Polly, e até mesmo de Betty para os pais se preocuparem e encontrarem algum problema sobre o qual gastavam longos minutos discutindo.

Betty se sentiu imensamente feliz e aliviada, quando alguns dias após sua primeira semana em Hampton recebeu uma ligação de um dos jornais em que havia entregue o currículo, oferecendo a ela uma vaga. Logo tratou de se preparar, comprar as passagens, arrumar as malas e visitar Polly. Os poucos dias que a separavam do regresso a New Heaven foram mais leves, pois logo estaria em seu refúgio e longe dos problemas familiares, nem mesmo as brigas e discussões dos pais — que agora incluíam a volta precoce da filha mais nova para NH — lhe roubaram o bom humor.

Seu ânimo aumentou ainda mais quando poucos dias antes de embarcar para casa recebeu uma mensagem do melhor amigo informando que ele também estava retornando. Mentalmente fazia planos para os dois, havia muitos assuntos para conversar e contar a Jughead — afinal sua irmã não estava apenas grávida, mas vivendo com os Blossom, família da queridinha Cheryl Blossom de NH -, gostaria de comemorar o estágio e ouvir o que ele tinha para relatar sobre seus dias em Rockport. Betty sabia o quanto ele gostava de poder passar algum tempo com a mãe e a irmã, e sabia também da existência de uma garota chamada Toni, por quem Jughead tinha uma grande afeição e apreço.

Quando chegou em New Haven logo formalizou o contrato de estágio, o qual realizaria todas as tarde de segunda a sexta-feira. O jornal ficava a uma distância razoável da Universidade e de seu apartamento, o que possibilitava que caminhasse até seus compromissos e não dependesse de outros meios de transporte. O estágio era agradável, a equipe com quem trabalhava era animada e bem disposta. Suas atribuições se referiam basicamente a auxiliar a equipe no que solicitassem. Para qualquer outra pessoa poderia parecer uma função desinteressante e relés, já que não lhe conferiria algum status, não poderia escrever ou realizar qualquer função com maior importância ou destaque. Mas Betty Cooper sabia aproveitar as oportunidades e, de maneira geral, não era de reclamar. Aproveitava cada oportunidade e enxergava em cada tarefa uma circunstância de aprendizado, e por isso, por mais cansativo ou mesmo tedioso que um dia de trabalho pudesse ser, ela sempre encontrava-se satisfeita. Não esperava grande reconhecimento, mas sabia que com esforço e dedicação poderia ser recompensada.

Por enquanto ainda encontrava-se de férias da faculdade e por isso tinha um bom tempo livre. Podia dormir até mais tarde, fazer uma boa faxina no apartamento e ainda restava tempo para gastar com outras atividades que lhe agradassem — que em geral se referiam a ver séries e filmes, e andar até o parque próximo a sua casa, onde gastava uma boa hora lendo algum livro. Conseguia aproveitar seus dias muito bem apenas com sua própria companhia, já que os amigos ainda estavam viajando. Entretanto, não podia negar que ansiava pela companhia de algum amigo, pois com exceção dos colegas de trabalho, com quem não possuía muita intimidade, não contava com ninguém para conversar. Polly havia ligado para ela algumas vezes, mas sempre eram conversas muito breves. Jughead estava para chegar a qualquer momento, mas como não haviam conversado com muita frequência — para falar a verdade, havia trocado pouquíssimas mensagens e sem muita profundidade -, ela não sabia exatamente o dia ou horário.

Naquele dia estava fazendo uma agradável, nem muito quente, nem muito fria. O sol não queimava a pele, mas proporcionava um calor prazeroso. Havia uma brisa fresca que fazia as copas das árvores balançarem levemente e trazia os aromas da primavera e das iguarias vendidas na feira que acontecia alguns dias por mês no parque. Betty estava passeando pelas barraca, comprando frutas e verduras para abastecer sua cozinha, e uma torta de maça com um aroma delecioso que fazia suas papilas gustativas salivarem. Estava pronta para ir embora quando observou uma garota com camiseta de alguma ONG com mensagens sobre adoção de animais. Não resistiu e se aproximou. Havia com ela e sua equipe alguns cães extremamente encantadores, entre eles alguns poucos filhotes e outros mais velhos. Também havia uma gata de pêlo alaranjado e olhos esverdeados. Após receber permissão da garota, que se chamava Ellie, acariciou-a atrás da orelha e instantaneamente a bichana começou a ronronar e a retribuir a carícia. Ellie contou sobre os problemas que a ONG enfrentava, a quantidade de animais e a pouca receita para alimento. Os funcionários eram todos voluntários. Betty estava se despedindo da garota e fazendo uma parca, porém de coração, doação com algumas moedas que lhe restaram, quando a gata pressentindo a separação começou a miar de forma desoladora, e lançou-lhe um olhar digno do gato de botas do Shrek. A loira não saberia explicar o que passou por sua cabeça naquele instante, mas fosse o que fosse, estava voltando para casa com uma gata chamada Frida. Quando chegou ao seu prédio, embora não fosse religiosa e não costumasse orar, já havia feito uma dezena de preces mentais para que não encontrasse ninguém já que animais eram proibidos. Lhe pareceu que algo ou alguém havia ouvido e atendido suas preces, já que chegou ao seu andar sem encontrar uma alma viva pelo caminho. Estava conversando com a gata sobre as regras que precisariam estabelecer — a qual lhe respondia com miados como se ela realmente estivesse compreendendo — quando ouviu sons no apartamento de Jughead, rangidos de móveis e objetos caindo ao chão. Estava prestes a bater na porta, por um lado contente por finalmente encontrar o melhor amigo depois de vários dias e por outro preocupada com o que poderia estar acontecendo, quando a porta se abriu e uma garota por volta de seus 14 anos saiu. Tinha os cabelos na altura dos ombros, pretos, olhos claros do mesmo tom dos de Jughead, e o mesmo nariz. Usava uma camiseta de alguma banda de rock, uma calça jeans surrada e um all star preto de cano baixo. Ela fechou a porta atrás de si com uma careta e resmungando sobre "eles não terem jeito". Quando se deu conta de Betty, a garota abriu um sorriso enorme.

— Você deve ser a Betty. Eu sou a Jellybean irmã do Jughead. — apontou para a porta da qual acabara de sair — Ouvi muito sobre você. Parece que eu já te conheço — e estendeu a mão. Quando percebeu que Betty estava com as mãos ocupadas, deu um risinho e pegou uma sacola de suas mãos e também a gata, que foi para o colo da nova conhecida de bom grado. — Que fofa. Eu sempre quis ter um animal de estimação, mas mamãe nunca permitiu, por causa do dinheiro principalmente, eu acho... Posso ficar com você um pouco? Toni e Jughead não dão um tempo...! Já não aguento mais ficar um minuto na mesma sala que eles.

— Ah... ok. — foi tudo o que ela conseguiu dizer após a enxurrada de informação. Sem muita reação Betty simplesmente alcançou a chave do apartamento dentro da bolsa e destrancou a porta.

Jellybean foi logo entrando sem cerimônias. Soltou a gata no sofá, que logo passou a cheirar e explorar a nova casa. A menina estudava o apartamento de Betty, que colocava as compras sobre a mesa e observava a convidada — ou intrusa? — com interesse.

— Bem mais organizado do que eu esperava — ela disse agora examinando algumas flores que Betty havia comprado alguns dias atrás, e logo depois voltando a atenção para alguns livros que havia disposto sobre a mesinha da sala mais cedo — Jughead falou que você é bagunceira.

Um som de ultraje escapou dos lábios da loira.

— Ele não disse isso. — falou em descrença e com afrontamento.

— Ah, ele disse sim. — Jellybean garantiu balançando a cabeça com avidez.

— Que... Que... — mas sua procura por um adjetivo que expressasse seu descontentamento foi interrompido por uma batida na porta.

Betty não podia acreditar que Jughead estivesse falando tais ideias sobre ela. Ela não era bagunceira. Tudo bem que muitas vezes não arrumava a cama ou que as vezes deixava as louças na pia por mais tempo do que o ideal, mas quem é que não fazia isso?

Quando abriu a porta deu de cara com um Jughead esbaforido e com as roupas desalinhadas. Seus cabelos estavam apontados em várias direções e seu rosto estava corado. Por um momento Betty ficou sem fala. Em um primeiro momento sua mente parecia se concentrar apenas em como ele parecia adorável com as faces coradas e como a displicência lhe caia bem. Em seguida sua mente associou essa imagem, a respiração levemente descompassada e os sonhos lascivos que havia tido com o amigo. Seus dedos formigavam como se lembrando do toque macio de seu cabelo ou de sua pele quente, os olhos por um momento focaram em seus lábios, e sentiu um arrepio percorrer seu corpo e sua face enrrubecendo.

— Jug!! — Jellybean chamou sorrindo sentada no tapete da sala, recostada na base do sofá e com um livro, que folhava, na mão.

— Ah então você está aí sua pestinha! Você não pode sair assim sem falar nada! — Ele ralhou.

— Não estava aguentando mais você e Toni. Eu só ia dar uma volta no prédio, mas encontrei a Betty no corredor e me convidei pra entrar. — ela disse sem qualquer remorso e com um sorriso.

O moreno rolou os olhos e murmurou algo que Betty não conseguiu distinguir.

Por fim, a atenção dele se voltou pra loira. Seu rosto pareceu ficar um tanto pálido e por um momento ela temeu que ele fosse desmaiar, mas logo a palidez deu lugar a uma nova vermelhidão que tomou todo o rosto. Ele abriu a boca, mas nada saiu. Betty achou a reação estranha, mas não podia julgar, já que seu próprio corpo parecia disposto a também reagir de forma incomum.

Disposta a subjugar todos as sensações estranhas que lhe tomavam, ela respirou fundo e sorriu para o amigo, e sem cerimônia lhe surpreendeu com um abraço apertado. Betty percebeu como corpo de Jughead era firme contra o seu, e como o calor que emanava dele era agradável. Antes de se afastar depositou um beijo em sua face.

— Estava com saudades. Você mal falou comigo desde que foi para Rockport. Mas tudo bem... Agora você está aqui e vai poder me contar tudo, e acredite você vai ter muito o que ouvir.

— É... Então... — Jughead não sabia se aquele era o melhor momento ou a melhor forma para falar tudo o que havia planejado, mas não teve tempo para refletir sobre isto. Betty continuo a falar enquanto puxava-o pela mão para dentro do seu apartamento.

— Ir para Hampton foi uma péssima ideia. Mas não é como se eu tivesse muita escolha né. Mas ver Polly foi ótimo... Você nem imagina... — mas foi interrompida por uma garota que surgia na porta.

Ela era belíssima a sua própria maneira. A pele negra não possuía imperfeições, os olhos grandes e castanhos pareciam chocolate derretido, os lábios estavam pintados num tom coral que combinava perfeitamente com o rosa que cobria boa parte de seu cabelo naturalmente castanho escuro e ondulado. Ela era pequena e magra, delicada e ao mesmo tempo sensual. Usava roupas pretas, justas na medida ideal para ressaltar cada curva de seu corpo. Betty sentiu uma pontada em sua autoestima. Ela era linda. Observou que ao contrato do amigo sua roupa estava bem alinhada, embora não ofegasse parecia ter acabado de realizar algum esforço físico.

Rapidamente lembrou do retorno dos pensamentos impróprios que tivera assim que colocará os olhos em Jughead, os sons em seu apartamento e o comentário de Jellybean sobre Toni e Jughead, e aquelas imagens voltaram a sua cabeça, mas agora a protagonistas que dividia o palco com Jughead era Toni. Ela rapidamente balançou a cabeça para afastar esse pensamento, mas mais tarde ele voltaria várias vezes à sua mente.

— Olá. Eu sou a Toni, melhor amiga de infância do Jug. — a garota disse enquanto se aproximava sorrindo e estendia a mão para Betty que a apertou. Sua pele era tão macia.

— Oi... Toni... Ouvi falar muito de você. — a loira falou pensando em como deveria se apresentar, vizinha, melhor amiga da faculdade, de New Haven...? Que epíteto deveria escolher para se apresentar? Acabou por simplesmente falar seu nome.

— Eu estava ansiosa pra te conhecer. — ela confidenciou com um sorriso. — Sabe... Jughead não é muito bom em fazer amigos, e ele nos falou muito bem de você.

Jughead bufou e adotou uma expressão de desdém, mas suas bochechas coraram levemente, indicando que ficara envergonhado. Nesse instante a gata saltou aos pés dos novos visitantes iniciou uma investigação farejando-os. Toni agachou e fez um carinho atrás da orelha o que foi correspondido com um ronronar. Jughead por outro lado tomou um susto e quase perdeu o equilíbrio. Ele encarava o animal com surpresa. Lançou um olhar questionador para a loira.

— Nós estabelecemos uma conexão. Eu não podia deixá-la!!! — ela explicou com ênfase no tom de voz.

— Ainda bem que eu sou seu vizinho. Para o bem deste animal.

— Ela se chama Frida.

Jughead sorriu enquanto se agachava para acariciar a gata, que fugiu de seu toque, desconfiada.

— Parece que ela não concorda. — Toni riu.

— Ela sabe que deve manter distância dos machos de qualquer espécie. Deve ser isso. — Jellybean afirmou pensativa. Betty não entendeu a maneira com que ela falava, mas achou engraçado a expressão da mais nova e o modo solene e reflexivo que ela usava.

— Dizem isso agora. Não dou uma semana pra eu ser o preferido dela. Você vai me pedir perdão ainda. — Jughead disse, a última para a gata que o encarou sem expressão enquanto abanava o rabo preguiçosamente, como se não ligasse a mínima para o que quer que fosse que o moreno estivesse falando.

Betty apenas rolou os olhos. Convidou o melhor amigo e as novas conhecidas para um café, que foi preparado por Jughead, enquanto a loira arrumava a mesa, colocando a torta em lugar de destaque. Enquanto faziam a refeição Jughead contou que a mãe dele, Gladys, havia precisado realizar uma viagem de treinamento para o trabalho, por isso Jellybean viera para New Haven com ele, e como Toni praticamente fazia parte do pacote, ela viera junto. A morena lhe deu um soco no ombro quando ele disse isso, logo em seguida trocaram um sorriso cúmplice.

Betty até poderia negar, mas naquele instante, observando a interação entre Jughead e Toni, ela provou de uma sensação amarga: ciúmes. Não era uma sensação ardente, naquele momento ela nem ao menos classificaria como tal. Mas o revirar incômodo de seu estômago não a deixaria mentir. Ela achava que Jughead era seu melhor amigo, que eles eram cúmplices, mas agora percebia que não era bem assim. Observar a relação de Jughead e Toni, materializada, bem na sua frente mostrava que talvez sua relação com o moreno não fosse tão profunda como ela julgava. Da mesma maneira, quando interagia com Jughead, sentia o olhar de Toni a perscrutando, observando cada reação ou gesto entre eles. Isso fazia a loira se sentir desconfortável.

Quando a refeição acabou, passaram um bom tempo na sala brincando com Frida e jogando conversa fora. Jellybean e Toni acabaram se mostrando ótimas companhias, contaram-lhe várias histórias sobre Jughead que Betty trataria de recordar quando precisasse caçoar do moreno. Betty não conseguiu deixar de lado uma sensação estranha que tinha quanto a Toni, de que ela a observava e observava sua relação com Jughead, mas tentou não se incomodar com isso. Também tentou não ficar pensando na intimidade que os dois guardavam entre si, e quando seus pensamentos vagavam nesta direção tratava de afastá-los o mais rápido possível.

Betty percebeu que Jughead estava muito calado e pensativo. Ele interagia apenas quando falavam diretamente com ele, mas não além disso. Sua expressão era séria e ele estava distante. Quando se deram por conta o dia já estava acabando, o sol poente pintava o céu com diversas tonalidades de rosa. As garotas correram para a janela para observar tal espetáculo da natureza, mudas diante de tal beleza. A loira estava prestes a chamar Jughead para juntar-se a elas, mas quando seus olhos pousaram sobre ele, notou que o garoto apertava as mãos uma na outra demonstrando um certo nervosismo. Ele pareceu notar o olhar sobre si e ergueu os olhos , que fixaram-se nos azuis de sua observante, ansiosos. Ela deixou seu lugar junto a janela e agachou-se em frente ao moreno.

— 'Tá tudo bem? — perguntou baixinho sustentando o olhar dele. Os olhos de Jughead pareciam exteriorizar perfeitamente a angústia e apreensão que ele sentia.

— Precisamos conversar. — foi tudo o que ele conseguiu dizer, sua voz também expressava sua aflição. Seus olhos voltaram-se para a janela, na qual Toni o encarava. Eles trocaram um olhar e Toni imediatamente sussurrou algo para Jellybean que concordou rapidamente. As duas garotas se despediram de Betty e insistiram para que fizessem algum programa de garotas no dia seguinte.

Apesar de considerar tudo muito estranho — o olhar em que Toni e Jughead pareciam conversar, a saída repentina das duas garotas e até mesmo o sentimento de aflição que emanava de Jughead — Betty as acompanhou até a porta do apartamento. Quando retornou Jughead estava em pé andando de um lado para outro do apartamento. Frida o seguia com o olhar, meio escondida atrás das almofadas do sofá, como se esperasse o mínimo equívoco para atacá-lo — apesar da pouca convivência, já se mostrava devota a nova dona.

— Lembra quando você me mandou uma mensagem dizendo que a gente teria muito o que conversar quando nos encontrassemos? — Jughead perguntou ainda andando de um lado para o outro. Betty se limitou a sentar no sofá e observá-lo. Ela apenas acenou com a cabeça, pensando o quanto Jughead estava sério. — Você tinha algum assunto específico em mente?

— Algum assunto específico em mente? Tipo o que? Eu só tinha muita coisa pra contar Jughead, sobre meus pais e sobre o estágio, muita coisa pra compartilhar... Imaginei que você também teria. — ela disse apoiando-se sobre os joelhos e adotando uma postura mais séria. — Mas você está me deixando preocupada, está agindo estranho.

— Você não tinha nada pra me falar em específico? Sobre mim? — ele questionou.

Por um momento as imagens dos sonhos que vinha tendo passaram por sua mente, mas ela as afastou com rapidez e respondeu que "não". Ficou observando enquanto ele passava as mãos pelo rosto em sinal de cansaço e exasperação.

— Você realmente está me deixando preocupada Jug.

— O que você lembra da festa? — ele perguntou enquanto arrastava um banquinho e sentava-se em frente a loira, observando-a minuciosamente.

— A festa da Cheryl? — ele acenou um sim, então ela ficou pensativa por um momento antes de responder. — Não muito na verdade... Lembro que Ronie foi ao banheiro e eu não conseguia encontrá-la, depois vi ela beijando o Archie... E lembro de beber como se o mundo fosse acabar... — Betty sentiu o rosto esquentar e sabia que estava ficando mais vermelha que um tomate maduro. Agora que pensava no assunto, encontrava-se indagando a si mesma o porquê de não ter dado a devida atenção para este acontecimento. Recordava-se de ter se sentindo muito triste e justamente por isso havia bebido tanto, mas porque depois que a festa passou e nas semanas que a sucederam esse assunto não voltou a sua mente? Será que ela realmente se importava com aquilo? Gostava de Archie a algum tempo, então porque não havia ficado brava e ressentida com Verônica? Ou então, porque não continuou triste a ponto de se trancar no quarto para chorar e devorar um pote de sorvete de chocolate? Será que Verônica, afinal de contas, não estava mantendo contato com a loira porque se sentia culpada de alguma forma? E como não havia pensado nisso antes? Precisaria pensar sobre estas questões e conversar com a amiga. Mas naquele momento, ao notar o olhar ansioso de Jughead sobre ela, afastou-se desses pensamentos, retornaria a eles mais tarde. — Eu não sei. Não lembro muito mais... Acho que você estava lá e me trouxe para casa, acho que essa parte é verdade ao menos. Tive uns sonhos estranhos e parece que tenho amnésia alcoólica porque não consigo me lembrar de muito, e também não consigo saber o que de fato é realidade e o que são apenas sonhos...

Ao lembrar dos sonhos e ao olhar para o moreno a sua frente eles pareceram ganhar força, o que fez uma quentura tomar posse do corpo da garota. A temperatura do ambiente parecia ter aumentado vários graus em poucos segundos. Sabia que seu rosto estava em chamas e isso só fez a situação parecer ainda pior. De repente os padrões do tapete pareciam muito interessantes. Quando finalmente reuniu coragem suficiente para encarar Jughead ficou instantaneamente preocupada. O moreno parecia debater um árduo dilema interno que se expressava em seu olhar torturado.

— Ok, então... Talvez eu possa te ajudar a lembrar do que foi real ou o que foi sonho com o que eu tenho pra dizer... Eu só espero que você não me odeie depois que eu contar. — falou olhando-a. Seu olhar fazia o coração de Betty doer. Ela não sabia o que o afligia, mas deseja poder acalentá-lo. Apenas acenou com a cabeça, embora seu desejo fosse tomar suas mãos e falar algo que pudesse confortá-lo. Não conseguia imaginar o que poderia ter acontecido para que o fizesse agir daquela maneira. — Eu realmente fui até a festa de Cheryl e encontrei você completamente bêbada, dançando em cima da mesa e tudo, acho que os detalhes não são necessários e você vai conseguir lembrar ou distinguir o que de fato aconteceu... Mas como eu ia dizendo, eu te encontrei bêbada e te trouxe para casa. Você sabe que é um pessoa muito importante para mim, certo? Foi por isso que eu simplesmente não te deixei sozinha, você provavelmente cairia no sofá da sala e acordaria no outro dia com a impressão de que um elefante passou por cima de você ou algo assim... Por isso pedi para que fosse ao banho enquanto eu procurava alguma roupa confortável e arrumava tudo para você poder dormir. — Ele fez uma pausa procurando as palavras adequadas para continuar a narrar os acontecimentos, mas Betty sabia exatamente o que ele iria dizer, pois agora sabia que seu sonho na verdade não fora apenas um sonho. Ela ansiava para que Jughead lhe contasse que ela havia tomado seu banho e ido dormir como uma boa garota, mas ela sabia que não tinha sido uma boa garota. Sentiu o sangue fugir de seu rosto, o coração acelerando numa velocidade absurda, as palmas da mão soavam e sua respiração parecia querer falhar a qualquer momento. — E então você surgiu... Sem roupa... — ele não a encarava, os olhos estavam grudados no chão.

Betty levantou abruptamente e dirigiu-se para a janela aberta em busca de ar. Sua corrente sanguínea parecia não funcionar segundo os preceitos biológicos, já que que agora parecia que todo seu sangue subira para o rosto, que queimava de vergonha. Seus olhos chegaram a marejar tamanho o constrangimento que sentia. Ouviu Jughead levantar, mas, ainda sem olhar em sua direção, fez um sinal para que não se aproximasse.

Ela havia atacado seu melhor amigo, agindo de maneira animalesca, dominada pelos seus sentidos e não pela razão. E havia esquecido... Se apenas pensar que tudo fora um sonho já a acometida de uma vergonha profunda, saber que era real tornava tudo mais intenso. No momento mal tinha coragem de olhar para o amigo, mas se obrigou a fazê-lo. O moreno estava parado a meio caminho em sua direção, pálido e ansioso.

— Desculpe, Jughead. — foi tudo o que ela disse. O garoto apenas a encarou sem entender ao que ela se referia, estava prestes a perguntar quando ela voltou a falar. — Com tudo isso da amnésia alcoólica eu preciso de um tempo pra pensar, sozinha.

O garoto concordou com um aceno de cabeça.

— Desculpa Bettie. — ele disse antes de se dirigir a porta. A loira apenas acenou com a cabeça, ainda muito consternada e envergonhada por pensar que realmente havia sido tão pervertida com o melhor amigo.

Notas finais
As vezes as coisas poderiam ser tão fáceis se a gente conversasse com clareza e sinceridade né, sem deixar coisas subentendidas... Ai Ai esses meus bebês HAHAHA E aí, o que estão achando? O que vocês acham que vai rolar? O que tá se passando pela cabeça do nosso casalzinho lerdo favorito???? O cap 5 não ta escrito ainda e semana que vem tenho um evento acadêmico a semana toda em outra cidade, então não sei se consigo escrever pra semana que vem ou se vai demorar mais. Mas juro que vou tentar escrever e postar com mais frequência (é aquela: não prometo nada, mas vamos ter esperanças HAHA). Pra quem lê minhas outras ff: postei um capítulo novo na Mad World. Anyway... Comentem, me deem um sinal pra eu saber quem esta acompanhando etc. Amo vocês, Até o próximo!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.