The beginner teenager
4 Capítulo 4 - A noite - parte 1.
Notas iniciais
O intervalo continuou assim como o papo com a encantadora Thália Anderson, que quase me fazia estremecer com suas palavras gentis. Vou admitir com muita vergonha que não me lembro de uma palavra se quer que ela disse naqueles cinco minutos, eu apenas ficava observando seus lábios lustrosos se mexendo numa sincronia linda e quando ela sorria de leve ao ver minha desatenção. Meu rosto sim era de um completo tonto.
—Então, meus grandes amigos – O garoto musculoso de cabelo castanho chegou por trás, colocando a mão esquerda nas costas da minha cadeira e a direita no ombro de Thália. Isso cortou totalmente meu transe – Preparados para a festa?
—Hah – Ela descruzou as pernas, virando-se bruscamente para o brutamonte – Sério que ainda preciso esperar um convite vindo de você, meu bem?
—Preciso convidar? – Ele chegou bem perto dela, fazendo-me sentir um tanto intimidado, mas a única coisa que eu não conseguia parar de olhar era o espaço entre as pernas de Thália, que parecia me dizer “oi”. Sua saia havia subido demais ao virar-se e uma ponta de sua roupa de baixo aparecia. Era exatamente nessa hora que eu desejava não ter visto aquilo.
— Oh pirralho – O brutamonte deu duas belas cutucadas no meu ombro, juro que ficou roxo depois – Festa, meninas bonitas, bebida. Topa?
—E-eu... – Tremi. Nunca havia ido a uma dessas “festas”, tirando a vez que papai fez uma para mim no meu aniversário, então supus que seria semelhante. Dirigi-me a Thália – Você... Vai?
—Claro – Sorriu, cruzando as pernas novamente. Ela pousou a mão sobre a minha perna – Podemos ir juntos falando nisso, não quero ficar sozinho com esse idiota do futebol, né Joe.
—Trouxa você – Riu o brutamonte Joe, logo, aproximou-se mais ainda do meu ouvido – Se chegar perto dela, você ta morto.
Fiquei sem reação.
— Deixa ele em paz Joe! – Thália cruzou os braços, rindo.
O brutamonte deixou-nos, indo de encontro a seus amigos.
—T-Thália – Gaguejei involuntariamente – O que normalmente vocês fazem nesse tipo de festa?
—Bom, é a abertura do ano letivo e o aniversário do capitão do time de futebol – Ela mexeu em suas madeixas, deixando parte que estava sobre seus olhos atrás da orelha. Sua vista parecia o paraíso em minha frente – Joe Adams sempre faz festas no porão enorme da casa dele quando os pais estão fora. Tem sofás, frigobares e som maneiro, até que é legal.
—E tem... Você sabe... Aquilo.
—O que?
—Bem...
—Bebida? Drogas? Sexo? – Ela pôs suas mãos rosadas em cima dos joelhos, rindo – Nah, digamos que somos um pouco mais soft. Só cerveja e maconha, nada demais.
—O que seria esse tal “maconha”? – Perguntei com toda minha inocência, ela riu alto e depois fez uma pequena pausa.
—Aiai Dominic, você é hilário – Thália Anderson parecia zombar comigo então decidi ser direto e franco, dizer logo tudo que ela precisava saber. Eu estava irritado.
—Thália – Cruzei meus dedos e os pus em cima da classe – Eu nunca tive acesso à internet, nem a qualquer plataforma de informação que não estivesse censurado pelo meu pai. Tudo que ele me mostrava sobre o mundo era um mar de maravilhas, sem nenhum erro. O máximo que eu sei é que pessoas adoecem, morrem, algumas assassinadas e que existe muito mais coisas desconhecidas por mim, por exemplo, “bebida, drogas e sexo” como você disse.
Ela me olhava com toda seriedade percebendo que aquilo era um assunto sério, isto me fez achar que eu havia sido rude e direto demais, eu me amaldiçoava por ter falado daquele jeito com ela.
—Dominic você ta falando sério...? – A de cabelo azul parecia assustada e impressionada ao mesmo tempo.
—Certamente, desculpa...
Ele reuniu as mãos na frente do rosto por alguns minutos, cobrindo seus olhos e pensando fundo. Consegui sentir a tensão no ar, acho que ela não sabia que eu falava tão sério. Voltei a minha posição anterior, envergonhado, com as mãos entre as pernas e tremendo. Como acabar com sua primeira amizade com Dominic Oliver.
—Meu padrasto me prende em casa às vezes... E não é bom sabe – Thália tirou as mãos da frente do rosto e cruzou os braços, como se quisesse se encolher – Ele não deixa eu sair e...
—Não! N-não foi isso que eu quis dizer... – Aproximei-me dela, colocando a mão em seu ombro – Meu pai não me prendia em casa, eu preferia ficar lá que fazer outras coisas... Eu detestava sair, não gostava de interagir muito com as outras pessoas... Posso perguntar onde está sua mãe?
—Ela trabalha como voluntária em um asilo no oeste europeu– Sentia que a garota ia começar a chorar, queria abraça-la – Ela pouco se fode pra mim...
Seja lá o que isso se significasse: — Sua mãe se importa! É como a minha, ela te ama mais que tudo! – Eu disse baixo, mas com toda a vontade de meu ser, com certeza eu estava muito perto dela. Ela ficou boquiaberta – São como as fêmeas fortes e protetoras dos meus livros de biologia, que fazem de tudo para salvaguardar seus filhotes dos predadores mais amedrontadores! Com certeza ela ira voltar e irá te abraçar como nunca. Irá dizer que sentiu sua falta!
—Você não entende Dominic...
—Ela deve estar pensando em você neste exato momento! No quanto sente sua falta... – Parei de me exaltar no instante que ela me interrompeu.
Neste momento, Thália fez-me sair de todo o foco da conversa. Aproximou-se muito de mim e grudou seus lábios na minha bochecha, que deram quase como um estalinho. O tempo passava muito de vagar e, o que aconteceu em milésimos de segundo, pareceu durar minutos na minha imaginação fértil de adolescente. Seus lábios eram macios e quentes, parecendo duas almofadas lustrosas, convidando-me para toca-las.
—Dominic, isso é muito gentil – Sorriu de leve ao tirar novamente sua mecha incomodativa de cabelo castanho, azul e roxo da frente dos olhos – Mas prefiro não falar disso.
—Tudo... Bem – Comecei a tremer mais que antes, mas desta vez não tentando disfarçar tanto.
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O resto do dia foi completamente parado.
Eu e Thália continuamos a conversar durante todo o tempo da aula e depois tivemos uma espécie de intervalo (de novo), onde ela me mostrou a escola e onde ela costumava ficar nos intervalos de lanche. Era no lado oeste do colégio, mais especificamente no lado do prédio. Era como um beco onde a luz batia, mas as árvores se curvavam para bloquear o sol, um lugar calçado perfeito, com um banco e um cano de esgoto abandonado. E ali sentamos e ficamos falando sobre música e livros que gostávamos. Ela não gostava muito de livros, disse que preferia os digitais, até porque não tinha dinheiro pra ficar “torrando” em folhas de papel impressas e com capas coloridas. Quanto mais eu ouvia aquela garota, mais eu sentia meu coração doer de uma dor estranha, não desconfortável. Queria abraça-la toda hora. Seus cabelos ficavam caindo em cima dos olhos quase 40% do tempo e eu achava isso adorável de certa forma, mamãe usava um acessório em particular que evitava esse tipo de coisa acontecer, acho que seria um bom presente de oferta de casamento.
Até que ela partiu mais para a intimidade.
—Você tem namorada? – Perguntou rindo como se zombasse, mas não do jeito ruim – Quero dizer, não que eu esteja interessada.
—Eu nunca me tinha “interessado” por alguém antes... – Abaixei a cabeça. Achei que seria um tanto inconveniente dar tanta informação assim para alguém que conheço há apenas um dia.
—Quer dizer que se interessou!? Dominic isso é sério? – A outra cruzou os braços acima dos joelhos e me encarou com um sorriso de me conta quem é!
—E-eu... Bom – Não iria contar a ela de jeito nenhum, ainda mais do jeito a qual me envergonho ao ouvir cada palavra dela. Toda vez que dizia meu nome eu sentia um arrepio na espinha e uma formigação estranha nas calças.
—Vamos ver... Com quem você falou hoje? Com o coordenador Aaron, com o senhor careca reluzente...
—Ahn... – Eu estava, com certeza, muito sem graça e vermelho.
—Ai meu deus – Thália falou pausadamente.
—O-o que? – Gaguejei.
—Você... – Falava muito lentamente, isso fazia eu ficar ainda mais nervoso – Você gosta do Joe!
—THÁLIA! – Obrigado, puberdade por ter feito minha voz desafinar incrivelmente nesta hora.
—Você é gay! Só pode! – Ela estava agitada – Envergonhadinho desse jeito, só pode.
—Como assim... Eu não – Por mais que eu tentasse falar, a outra me interrompia.
—Ele é gostoso né? Aqueles músculos todos...
—Thália! – Chamei pela ultima vez — Eu...
—Olha quem eu achei – Essa voz um tanto grossa e roupa soou de repente, um ser desconhecido adentrou no nosso covil, com paços lentos e mãos nos bolsos – Thália, precisamos conversar.
Era um cara alto, de rosto quadrado, ombros largos e um pouco de barba loira nascendo na ponta do queixo. Suas botas de couro e camisa xadrez vermelha davam a impressão que ele era “do time” de Thália, mais um adolescente “rebelde” como ela. Usava um violão preto a tiracolo e parecia bravo, ignorando-me por completo, pegando a atenção da garota toda para si, ele me irritava.
—Owen o que foi dessa vez? Por que continua falando assim comigo – Ela se levantou, ficando da altura do outro.
—Você vai pra casa do Joe essa noite não vai? – Cruzou os braços.
—Isso te interessa?
—Somos melhores amigos, lembra – Suspirou – Você sabe que eu não vou com a cara dele.
—Só por que ele te evita, bichinha revoltada? – Thália o cutucou no peito – Isso não me impede de ir onde eu quiser e ir onde eu quiser.
—Se me tocar de novo vou arrancar sua mão – Afirmou, ainda de braços cruzados e cara de emburrado – Eu não... Eu não quero que se aproxime dele.
—Owen, ele é seu antigo crush ou seu arqui-inimigo? Ele te convidou pra festa, patetão!
Eu era apenas um enfeite naquela cena, Thália e Owen ignoravam minha existência por completo. Não entendia nada do que estava acontecendo, mas mesmo assim continuava a expectar aquela conversa intrigante.
— O problema é que depois dele eu não consegui gostar de ninguém, ok? – O loiro parecia suspirar fundo demais para não chorar – Isso acabou comigo.
—Tão sentimental – A garota riu e depois olhou pra mim – Ah! Owen, esse é o Dominic.
—Oi – Respondeu seco e sem olhar-me, ainda segurando um pouco do choro.
—Oi... – Dei a volta em Thália e fiquei na frente dos dois.
Um silêncio constrangedor ficou no ar, acho que sempre tem partes do dia onde é melhor eu ficar quieto a falar às besteiras que passam pela minha cabeça.
—Não exagera, vomito de unicórnio – O loiro falou, era de fato um péssimo apelido – Eu só odeio aquele jeitinho dele de fingir que eu não existo.
—Então vamos nós três, eu, você e o Dom – Ela puxou ambos pelo braço, engatando-nos como em uma corrente. Dom era uma espécie de apelido? Que simples e adorável. – Não vamos nos desgrudar.
—Certo... – O cara loiro pareceu desanimado, mas aceitou.
—Sim! – Tentei animar o grupo, mas eles pareceram não se importar muito com o meu tom de voz.
O intervalo acabou e partimos para a sala de aula novamente.
— — — — — — -
Ao chegar a minha casa, contei a papai tudo que aconteceu exceto a parte que incluía meus sentimentos amorosos desesperadores por Thália Anderson, porque não queria ser surrado pelo meu próprio pai. Ele parecia mais calmo, sem aquele sorriso de psicopata pronto para correr atrás de mim, e sim com seu rosto sereno de sempre. Falei que havia sido convidado para uma festa de aniversário naquela mesma noite, as oito e ele disse que tudo bem, eu evitei falar inconveniências do tipo: é a festa de aniversario do capitão do time de futebol que, mesmo sendo um tirano, me convidou indiretamente. Papai disse que logo iria mandar instalarem internet em nossa casa e, enfim, poderia ler os tais livros digitais que minha querida futura esposa havia mencionado de manhã. Estava ansioso e mal podia esperar para vê-la novamente, apenas conseguia pensar em seus lábios encostando-se à superfície sardenta e branca da minha pele, era de arrepiar. Seu jeito adorável de tirar o cabelo da frente dos olhos e a maneira de sorrir a cada bobagem inocente e inesperada que eu falava a fazia cada vez mais bela para mim. Fazia... Eu pensar coisas erradas.
Lá pelas sete e meia fui tomar banho para me arrumar para a famosa festa e... Parece que eu estava pensando demais. Papai sempre dizia que “isso” acontecia quando eu pensava demais no que não era pra eu pensar, ou acabava imaginando coisas erradas. Normalmente eu acordava assim, mas do mesmo jeito, senhor Frankie Oliver sempre dizia que era por causa dos meus sonhos errados. Ele me fazia ir tomar o banho mais gelado que eu pudesse e não hesitar sobre isso, então obedecia sem pensar no porque daquilo estar daquele jeito. Rijo e intenso. No meio das minhas pernas. Vi que estava assim então coloquei o chuveiro no mais frio e banhei-me em paz, tentando afastar meus pensamentos daquela bela garota.
Papai iria dar carona para nós irmos (menos Owen, porque o mesmo implicou em ir no seu próprio carro) então tratei de me arrumar rápido, coloquei as roupas que mamãe havia separado, como sempre. Um moletom vermelho fino, um casaco preto com capuz e uma calça jeans normal. Não demorei muito para ir pro carro, Frankie Oliver me olhava ainda pacífico.
—Você conheceu uma menina, não foi? – Ele afirmou com toda certeza. Tremi. Havia sido difícil me livrar daquela rigidez das calças e não queria que aquilo voltasse enquanto ele me fazia pensar em Thália Anderson.
—Por quê?– Abaixei a cabeça, segurando-me.
—Porque você está nervoso – Pareceu brincar, logo, ligou o carro e tirou-o da garagem – Só pensa nela, não é?
—Talvez... O que você tem haver com isso, papai? – Fui direto, ele viu que eu estava incomodado e apenas voltou a dirigir, deixando-me, finalmente, em paz.
—Aproveite essa noite, ok? Fique com ela, dance, não beba álcool, use camisinha...
—O que... – Olhei desconfiado para ele – Eu só gosto dela...
—Mesmo assim, nunca se esqueça dessas palavras – Desviou um pouco o olhar do caminho e me encarou – Você só pode beber com vinte e um.
—Eu... Acho que sei disso.
—Ótimo – Sorriu de leve, nada muito amedrontador. Eu já havia dado o endereço de Thália para ele então não foi muito difícil acharmos a casa dela, já que era a mais ou menos quatro quadras da minha. Enfim chegamos a casa dela, era um sobrado branco e marrom, com uma varanda e um conversível prata que parecia deveras caro. Buzinamos e ela não demorou mais de minuto para sair pela porta de madeira pesada de sua casa.
Estava encantadora.
Seu cabelo de degrade estava preso em uma trança longa, botas azuis que iam até a metade das canelas, uma espécie de calça fina e preta, que usava por baixo de uma saia também azul, e... Eu não poderia comentar da parte de cima da sua roupa, porque era muito para eu aguentar. Veio com paços lentos até o carro e entrou no banco de trás, Frankie Oliver fez um sinal para que eu fosse sentar atrás com ela também, fazendo dele o nosso “motorista”. Obedeci.
Éramos dois no banco de trás, indo para uma festa com outros adolescentes. Se não estivesse trabalhando e me visse, mamãe ficaria com orgulho de mim.
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