The beginner teenager

3 Capítulo 3 - Thália Anderson.


Notas iniciais
Bom dia estrelinhas, a terra diz olá! Uau, um capítulo atrás do outro hein. Estamos só na atividade.

Ao passar por aquele portão senti um horrível arrepio na espinha. Precisei segurar as alças de minha mochila para aquietar meus dedos, realmente não sei se eu sentia nervosismo ou tensão, o motivo de eu estar tremendo tanto era um mistério.

Dentro do bolso menor da minha mochila notei um panfleto pequeno, era uma espécie de mapa daquele lugar que era deveras grande. Não tive dificuldade em lê-lo, porque desde criança a senhora Kynel me ensinava a ler mapas de diversos lugares, ela ,com certeza,era muito boa em geografia.

Era muito semelhante a uma praça muito bem arrumada. Árvores como pequenos pinheiros ocupavam boa parte, juntamente com os arbustos enquanto um tipo de trilha era feita com paralelepípedos cinzentos e marrons. Eu observei isso até chegar a uma parte que se assemelhava a um pátio em formato redondo, ainda com os paralelepípedos e uma fonte de água no meio. Na frente, o prédio cinzento com portas de vidro. Aquilo era a escola.

De um lado, adolescentes brincavam de chutar os arbustos, do outro, alguns estavam sentados à fonte de água tocando violão e cantando.

Foi ali, onde tudo na minha vida escolar ainda não iniciada mudou. Toda a minha visão ficou turva exceto para certa pessoa.

Na roda do violão, havia apenas uma pessoa diferente e que era especialmente a que cantava. Eu havia parado para prestar atenção na sua voz e aquilo parecia fazer cocegas na minha alma. Em casa eu costumava ouvir Schubert ou Chopin, mas aquela voz angelical me deixava arrepiado.

A menina que a cantava era sim diferente. Seu cabelo era ondulado em um degrade estupendo, em cima era castanho, que se tornava azul e se finalizava em roxo em baixo. Aquelas cores se destacavam muito quando em contato com sua pele desvanecida e ainda mais com seus olhos azuis.

Senti-me fora de mim por alguns bons instantes, até que identifiquei o tronco áspero do pequeno pinheiro indo de encontro ao meu braço, acabei por encostar-me ali e continuei apreciando a bela menina e sua bela arte que me hipnotizava. Não fazia ideia do por que, mas realmente não queria ser pego olhando para ela assim, papai sempre dizia que era estranho ficar encarando as pessoas por muito tempo, então desviar o olhar era casual, mas naquela situação era quase impossível.

Pus a mão em meu peito após sentir uma leve ferroada li, mais especificamente no coração.

—Oliver Campbell – Estas palavras cortaram meu transe, alguém se aproximava de mim. Era um homem de estatura média, cabelo ralo e cacheado, moreno e totalmente bem vestido. Muito bem apessoado.

—Ah... – Endireitei-me – Dominic Oliver Campbell, senhor.

—Dominic – Sorriu – Perdão, o diretor me passou apenas seu segundo nome. Você fala tão baixo...

—Se me permite perguntar, o senhor é...

—Aaron Turner – Ele estendeu sua mão e eu a apertei – Psicólogo e coordenador. Recebi uma ligação de seu pai hoje mais cedo e ele pediu que eu conversasse com você, já que segundo ele, você não é tão “acostumado” em frequentar um espaço como este.

—Obrigado – Suspirei, desviando meu olhar para a garota novamente. Um barulho, algum tipo de sinal, tocou e ela se levantou arrumando os cabelos. Era tão bela...Um corpo tão esbelto e gracioso...

Senhor Aaron Turner percebeu que eu olhava atentamente para aquela menina e pareceu surpreso.

—Estava olhando para aquela menina de cabelo azul, não é mesmo? – Virou-se, fazendo um gesto para que eu o seguisse então o fiz – Aquela é Thália, acho que está na sua turma. É uma boa companhia, posso pedir para ela te mostrar a escola depois da nossa conversa, já que estarei um pouco ocupado esta manhã.

—S-sério? – Sorri como uma criança.

—Primeira regra, Dominic – Sumimos as escadas e paramos na frente da porta – Na nossa escola é proibido namorar.

Namorar.

Nos livros que eu lia sobre romance sempre tinha um casal, duas pessoas que se amavam. Isso era “namorar” e, assim como os cavalos, eu não havia pesquisado nada sobre isso, ainda mais que nunca me interessei pelas pessoas que estavam ao meu redor. Papai e mamãe eram casados, logo, já foram namorados. Minha instrutora de hipismo era casada, logo, já teve um namorado. Isso parecia desinteressante e completamente intediante para mim, já que nunca havia conhecido alguém da minha idade.

Entramos e ele me guiou pelos corredores cheios de portas que pareciam pequenos armários, laranjas, verdes, vermelhos e azuis. Como era o primeiro dia de aula ele disse que eu poderia escolher qualquer um que ainda não estivesse trancado, escolhi o verde que ,entre as outras cores, era minha favorita.

Ainda tinham alguns adolescentes no corredor e a maioria deles me olhava meio rindo, meio tirando sarro da minha cara. Qual era o problema? Tinha algo no meu rosto?

—Sua sala... Segundo ano A – Senhor Aaron Turner falou, olhando um papel que estava no seu bolso. Logo, todos os jovens entraram e o homem me levou até a terceira porta a esquerda.

Fui o seguindo mesmo não sabendo o que me esperava até ele atravessar a porta, uma vergonha enorme tomou conta de mim e fiquei apenas com a cabeça para dentro da sala. Ele parou na frente de um quadro branco gigante que ocupava toda a parede (tínhamos um desses em casa para anotar a lista de compras na geladeira) e esperou que todos parassem de falar.

—Crianças – Sorriu, estendendo a mão para a porta – Queria apresentar a vocês nosso mais novo aluno, Dominic Oliver.

Somente meus olhos eram visíveis atrás do arco da porta, levei minha mão a frente e acenei, um murmurinho de risos começou. Deus como eu quero sair daqui, por que eu quis vir pra cá mesmo? Papai me perguntou se eu queria que eu teria que socializar, por que eu aceitei?!

Entre toda a multidão de mais ou menos vinte e seis pessoas avistei Thália com uma cara de tédio puro, não consegui não olha-la.

—Pode entrar bichinho – Riu um deles, um sujeito alto, musculoso de cabelo castanho usando uma camisa de time de futebol – A gente não morde.

Todos soltaram uma risadinha. O que era tão engraçado?

Encolhido, andei até o lado do senhor Aaron Turner que pôs a mão no meu ombro, com seu sorriso radiante e dentes incrivelmente brancos.

—Dominic é um menino muito dedicado e estudioso – Complementou – Então tratem ele bem.

Ele parece ter notado a desatenção de Thália.

—Ouviu amiguinha? – Se aproximou da jovem, que se debruçou mais sobre a mesa – Não faça bullying, se não chamo seus pais. De novo.

—Hunf – Ela olhou pra mim e sorriu. Neste momento eu senti meu coração derreter-se por completo, se eu pudesse ver meu rosto naquela hora, com certeza estaria vermelho como um pimentão. Sentei-me rapidamente na classe ao lado de Thália, deixando minha mochila ao lado de minha classe e cruzando as pernas, aquelas cadeiras eram com certeza muito desconfortáveis. Logo, senhor Aaron Turner se retirou e o professor se levantou de sua mesa de madeira rubra, ajeitando seu paletó avermelhado.

—Bem – O homem alisava os poucos cabelos que ainda tinham em sua cabeça, sua careca reluzente poderia cegar qualquer um que ousasse olha-la de mais. Ele foi para frente do quadro – Como a maioria de vocês sabe, meu nome é Senhor Harrison, mas com todo carinho, todos me chamam de...

—Senhor careca reluzente – A menina de cabelos azuis debochou e todos começaram a rir e debochar de tal apelido, menos eu.

—Thália, minha amiga – Falou em ironia – Senti sua falta nessas férias. Pois então, eu serei o responsável por dar a disciplina de literatura.

Ao ouvir “literatura” pude sentir todos os pelos do meu corpo se arrepiando. Sabia que, obviamente, iriamos ler nessa escola, mas não imaginava que teria uma disciplina especifica e exclusiva para isso! Eu poderia colocar todo o meu conhecimento literário a prova!

—Sei que a maioria de vocês aqui não gosta de ler, ou detesta até mesmo chegar perto de alguma obra literária antiga – Cruzou os braços. Eu apenas queria levantar e abraçar aquele homem por poder me proporcionar uma disciplina tão maravilhosa.

Ainda envergonhado e de cabeça baixa, levantei minha mão até a altura de meu ombro para chama-lo, ele atendeu.

—O aluno novo – Sorriu – Dominic, certo? Quer falar alguma coisa?

—Ler... – Falei um pouco baixo demais – Ler é minha vida.

E como previsto, todos os jovens começaram a rir. Senhor careca reluzente ficou parado, me encarando pasmado.

—O menininho gosta de ler – O garoto da camiseta de futebol falou com uma voz estranha e forçada – Mais um nerd pra nossa lista.

—Silencio... – O professor fez com que a turma parasse para me ouvir – Dominic.

—Senhor...

—Você gosta de ler? – Ele se apoiou em minha mesa.

—Faço isso dês dos quatro anos senhor...

O senhor Harrison da careca reluzente afastou-se sorrindo de um jeito muito satisfeito.

—Crianças – Selou as mãos na frente da sua barriga maciça – Quero que sigam o exemplo desse menino. Que não precisem ler por obrigação, e sim por prazer, que coloquem suas almas nisso! Que ler se torne a vida de vocês!

—Vou arrebentar esse pivetinho a pau – Consegui ouvir o menino da camisa de futebol murmurar para um de seus amigos brutamontes.

Depois disso, o professor nos deu tempo livre para conversarmos e para que saíssemos um pouco de nossos lugares. “Socializar” como ele disse. Fiquei sem nada para fazer, então apenas fiquei observando Thália de canto de olho. Ela lia algo e, ao tirar seu cabelo belíssimo cabelo da frente dos olhos, colocando-o atrás da orelha pude perceber que ali estava cheio de brincos. Não sei se aquilo eram brincos, mas estavam pendurados em diversas partes da sua orelha.

Queria muito saber o que ela lia e se costumava ler diariamente, ou que tipos de livro gostava, ou se gostava dos mesmos autores e autoras que eu, se gostava de poesias, se gostava de Elizabeth Bishop ou de música clássica, ou se talvez aceitaria ser minha esposa.

Ela parou e suspirou, interrompendo sua leitura fechando o pobre livro. Tirou suas pernas de debaixo da mesa e virou-as para meu lado, eram incrivelmente lindas e lisas, rosadas, perfeitas e angelicais com alguns machucados vermelhos e roxos no joelho. Estava tão concentrado em suas elegantes pernas que não percebi que agora era ela que estava me encarando, isso me fez dar um pulo. Meu rosto estava um vermelhão novamente.

—Quer tirar uma foto? – Ela cruzou as pernas – Qual é a sua, Oliver?

—Dominic... Dominic Oliver – Corrigi, desviando o olhar para evitar constrangimento MAIOR que esse.

—Tanto faz – Deu de ombros. A cada palavra que ela me dizia, mais eu ficava envergonhado – Você é sempre tão vermelho assim?

—E-eu... – Cobri meu rosto com a manga do meu suéter preto- Não...

—Ei – Ela pegou sua cadeira e pôs mais perto da minha mesa – Eu tava brincando. Aaron pediu para eu ser gentil com você e te mostrar o lugar. Sou Thália Anderson.

—Somos... Amigos? – Retirei a minha mão de meu rosto.

—Amigos. – Ela estendeu a mão para cima, mais ou menos na altura de seu rosto. Estranhei.

Alguns segundos se passaram e ela ficou me encarando, podia encara-la para sempre.

—Vai me deixar no vácuo assim? – Com a outra mão, ela puxou a minha e fez um cumprimento, como uma batida de mãos. Aquilo tinha sido incrível, sua mão era muito macia – Bata na próxima vez se não nossa amizade estará comprometida!

—C-certo! – Soltei minha mão e fiz de novo voluntariamente – Assim?

—É... Quase isso – Sorriu tentando ser gentil.

Notas finais
E então, o que acharam? Este ficou mais longo que o comum, espero que eu possa prosseguir assim por mais tempo. Obrigado por lerem e até a próxima.