A loira corou bruscamente com esta proximidade do Conde. Seus olhos verdes finalmente se encontraram com os olhos do rapaz, e ela teve uma visão perfeita daquele olhar marcante, como ela suspeitava seus olhos eram mesmo azul arroxeado, e traziam um brilho tão intenso que ate mesmo as estrelas teriam inveja, os olhos dele eram sedutores quase hipnotizantes.

_ Desculpe minha ousadia... Mas, gostaria de conversar com a senhorita em um lugar mais reservado..._ Começou Conde Leone olhando-a nos olhos pouco antes de girá-la no passo da dança e a deixar de costas enquanto segurava sua cintura, aproximou os lábios do ouvido direito de Lucya._ Se importaria em encontrar-me no jardim?_ Perguntou ele e logo a girou novamente para ele a tempo de ver sua reação.

Lucya estava surpresa, envergonhada e hipnotizada mal conseguia dizer algo quanto mais olhá-lo diretamente nos olhos. Demorou um tempo pra respondê-lo ate que saísse do estado de transe.

_ Mas, Conde Leone, eu sou uma mulher comprometida... Isso não seria digno..._ Respondeu Lucya decepcionada em não poder ir.

_ Sim, claro, eu entendo... Mas permita-me perguntar, em outras circunstâncias, me encontraria a sós?

Esta conversa deixava Lucya cada vez mais envergonhada, mas mesmo assim estava sendo o ponto alto do baile para a dama.

_ B-bem... Não veria problema em não aceitar!_ Respondeu ela escolhendo bem as palavras, e no mesmo momento, para a sua tristeza, a música terminou.

Conde Leone sorriu, trouxe a mão da garota ate seus lábios e após dar um suave e caloroso beijo disse:

_ Isso é tudo o que eu precisava saber!

Depois disso, Lucya passou o resto do baile acompanhada por seus pais e do seu futuro noivo, que não saiu de perto da loira enquanto o Conde Leone ainda estava na mansão. Ao final Visconde Melfin insistiu para acompanhar Lucya ate sua casa, mas para a sorte da moça sua mãe não aprovou a ideia, dizendo que ele ainda teria muito tempo para passar ao lado de Lucya, essa ideia fez o estomago da loira revirar, ela não queria nem imaginar passar mais um segundo se quer ao lado daquele homem pegajoso que a todo tempo vinha disfarçadamente cheio de dedos pra cima da jovem.

Ao chegar em casa Lucya foi direto para os seus aposentos, e logo seus pais vieram atrás.

_ Tudo bem filha?_ Perguntou o senhor Longville.

_ Sim pai, eu estou bem!_ Respondeu ela sem se virar para eles.

_ E como não estaria? Você viu o esplendor daquela mansão? E será tudo de nossa filha!_ Disse senhora Longville eufórica e orgulhosa.

_ Mary, poderia me deixar a sós com Lucya um momento?_ Perguntou ele gentilmente.

Nem um pouco satisfeita com a situação serrou as sobrancelhas, porém cedeu ao pedido do marido.

_ Como quiser!_ Disse deixando o quarto.

_ Filha, vai me dizer o que está te incomodando?_ Perguntou senhor Longville depois que sua esposa deixou os aposentos.

_ Pai, sinto que estou desmoronando..._ Começou a garota enfim desabafando, descarregando tudo o que estava entalado em seu peito._ Não sei se aguentarei esse fardo por muito tempo... Ainda mais com um casamento se aproximando..._ Disse ela com lágrimas nos olhos.

_ Mas, minha filha, você tem estado tão calma, não temos tido nenhum problema há anos, nem sabemos mais se você ainda..._ Começou o pai olhando-a preocupado, mas logo parou e a abraçou.

A garota sabia que não era bem assim, mesmo que os de fora não tenham visto nada, ela o via toda noite, em seus pesadelos desorientados. Mas não quis preocupar seu pai.

_ Pai... Se não se importar, eu gostaria de dormir um pouco agora!

Na dúvida se devia ou não deixá-la sozinha nesse estado a abraçou mais forte como um pai que quer proteger seu filho, mas em respeito ao pedido de sua filha a soltou e lhe deu um beijo na testa.

_ Durma bem minha filha!_ Disse ele saindo do quarto.

A dama com graciosidade secou suas lágrimas e engoliu sua tristeza, caminhou ate a janela com passos lentos e ficou observando seu jardim enquanto tentava apagar da mente a angústia de seu destino. Aos poucos seus pensamentos foram ocupados por Conde Leone, e aqueles olhos incomuns e lindos, sem perceber estava sorrindo ao se lembrar do breve momento em que esteve com ele.

Foi então que começou a sentir como se estivesse sendo observada, e foi tão intenso que parecia estar sendo observada de perto. Olhou pra trás imaginando que fossem os seus pais, mas não havia ninguém, a única coisa diferente era uma orquídea roxa sobre sua cama, assustada caminhou ate a flor olhando para os lados.

_ Tem alguém ai?_ Perguntou não muito alto.

Sem obter resposta, como imaginado, Lucya pegou a flor sobre a cama, mas logo espetou o dedo em um espinho.

Com um gemido de dor soltou a flor por impulso.

Ficou um tempo encarando o sangue que escorria em seu dedo.

"É muito sangue para um furo tão pequeno” _ Pensou enquanto se abaixava para recuperar a flor, porém com mais cuidado.

_ Que linda, como será que veio parar aqui?_ Perguntou a si mesma admirando a flor.

Iria procurar algo pra limpar seu dedo quando ouviu um barulho vindo do jardim, pareciam folhagens sendo pisoteadas. Correu ate a janela, porém não viu nada, pousou a flor no parapeito da grande janela e desceu da sacada por um arranjo de ferro encostado na parede, ao chegar ao chão começou a andar pelo meio do jardim olhando para os lados.

_ Eu sei que tem alguém aí! Apareça, não quero te fazer mal!_ Disse Lucya começando a sentir que estava falando sozinha.

Então do nada sentiu algo macio encostando em seu pescoço, quente, húmido, era um beijo, que veio tão repentinamente e silenciosamente que Lucya se assustou, mas antes que gritasse essa pessoa lhe tapou os lábios.

_ O que te faz pensar que eu teria medo de você me causar algum mal?_ Aquela voz grave e aveludada era familiar.

Devagar a pessoa retirou a mão dos lábios de Lucya que logo se virou para confirmar suas suspeitas.

_ Conde Leone?_ A loira sentiu seu coração bater a mil por hora. "Estou sonhando” _ Era o que tentava acreditar, mas era real de mais pra ser um sonho.

_ Desculpe se te assustei, mas não resisti!_ Desculpou-se ele com um belo sorriso.

_ O que faz aqui? E como entrou?_ Perguntou ela ainda assustada e temendo que seus pais o visse.

_ Você disse que em outras circunstancias não veria problema, e... Tenho meus métodos, não é muito difícil pular um muro!_ Respondeu ele calmo e deu uma leve risada.

_ Sim, mas... Achei que havia perguntado em outras circunstancias no sentido de se eu estivesse solteira... Pulou o muro da minha casa?_ Disse ela tentando controlar seus batimentos, mas quanto mais perto ele chegava, mais rápido seu coração batia, não havia poeira em suas vestes negras, nem se quer um pouco amarrotadas ele estava totalmente impecável, era difícil acreditar que ele havia pulado um muro.

_ Bem... Desculpe minha vulgaridade, se preferir posso ir embora!_ Disse ele se afastando.

_ Não!_ Disse a dama rápido, segurando a mão do rapaz, mas logo percebendo o que fez o soltou envergonhada._ Q-quer dizer, não precisa... Ir agora..._ Disse sentindo suas bochechas queimarem.

_ Posso admitir uma coisa?_ Perguntou ele se aproximando novamente da loira.

_ O que?_ Respondeu ela com outra pergunta enquanto abaixava a cabeça envergonhada.

_ Pela primeira vez sinto inveja do Visconde Melfin!_ Disse ele bem próximo à dama.

_ Por quê?_ Era algo óbvio o que ele tinha a dizer, mas mesmo assim Lucya queria ouvir da voz do rapaz.

_ No momento em que te vi, desejei que fosse minha!_ Disse ele olhando-a bem de perto enquanto segurava delicadamente o queixo da dama e levantava seu rosto.

Nem mesmo Lucya sabia explicar o que sentiu naquele momento, ela imaginou que ele diria algo assim, a julgar pelo que ele fez para encontrá-la a sós, mas não imaginou que ele seria tão direto. Não conseguiu dizer nada.

_ Não se preocupe, não irei te causar problemas, mas eu precisava que você soubesse!_ Disse ele percebendo o quanto a dama ficou envergonhada.

_ F-foi você quem deixou a flor em meus aposentos?_ Foi a primeira coisa em que pensou em dizer, sua voz mal saía.

_ Você gostou?

A loira apenas balançou a cabeça em sinal afirmativo, teve medo que sua voz a deixasse na mão.

_ No entanto... Vejo que se machucou..._ Disse ele olhando magoado para o dedo ensanguentado da loira._ Permita-me?_ Perguntou ele estendendo a mão a ela.

A loira pousou sua mão sobre a dele, imaginando que ele analisaria a profundidade do ferimento.

_ N-não foi nada Conde Leone... Eu sou um pouco desajeitada!_ A dama estava extremamente corada.

O rubor em suas bochechas piorou quando o Conde levou o dedo da loira ate seus lábios e deslizou a língua no sangue suavemente enquanto a olhava nos olhos, logo após deu um caloroso beijo no ferimento.

_ Mais uma vez peço perdão pelo meu atrevimento!_ Disse ele com uma leve risada._ E, por favor, eu gostaria que me chamasse de Demétrios, adoraria ouvir meu nome em sua doce voz!_ Ele sorriu docemente.

A loira não conseguia mais respirar. E foi assim que seu coração foi repentinamente tomado por completo por esse rico e misterioso Conde.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.