The Wrong Doctor
1 Prefácio
Notas iniciais
Boa Leitura.
O céu estava nublado e escuro quando Lena saiu de casa a caminho da escola. Ela olhava para ele atentamente, descendo o morro de calçamentos irregulares rumo a seu último dia de aula daquele longo ano. Sua casa era há 2 km de distância da escola e agora a garota repensava seus ideais de bom ou ruim, já que quando morava no centro da pequena cidade, invejava aqueles que caminhavam devagar em grupos grandes rumo a suas residências longe do colégio, enquanto Lena só dava meros passos e já estava à porta de sua casa.
A chuva começou a cair e Lena pegou sua capa e a pôs sobre a cabeça para que tapasse sua pesada e volumosa mochila. A lama se acumulava em seus tênis conforme andava pelo caminho mais rápido.
—Que droga-resmungava a garota conforme andava às pressas pela calçada tentando limpar os sapatos.
...
—Não sei como com voltar para casa com essa chuva-disse Ana, a melhor amiga de Lena.
Lena riu e olhou pela janela a chuva que caía incessantemente.
—Você vai de transporte escolar, Ana. Não tem do que reclamar-ela fungou- Já eu terei que ir “via canela”.
As duas riram, mas depois se calaram ao ver o olhar esguelho do professor de História. Lena voltou a olhar para o quadro com “ATIVIDADES DE 1 A 10. COPIAR E RESPONDER! ” e soltou um lamento de tristeza. Mas logo sua expressão mudou ao ouvir uma voz estranha.
—O que disse, Ana?
—Eu não disse nada.
—Mas...-a garota parou, sacudiu a cabeça e depois olhou ao redor da sala. Ninguém parecia ter lhe chamado; todos estavam atentos a suas fofocas adolescentes e, somente alguns, ao dever.
...
No intervalo, Lena e Ana se sentaram à mesa do refeitório com os pratos de arroz e farofa.
Ana olhou o prato, desanimada.
—Tão pouca comida...
Lena riu.
—Vai repetir?
Ana olhou para a fila que levava a cozinha da escola e de súbito enrubesceu.
—Repetir?-disse ela, como se aquela palavra soasse proibida.
—Sim, repetir.
—Não, não.
—Prefere ficar com fome?-perguntou Lena, rindo.
Ana franziu a testa e depois, ao ver que já havia comido tudo, soltou um longo suspiro. Lena escorregou o próprio prato pela mesa:
—Coma. Não estou com tanta fome assim.
...
Era a última aula e Lena estava no bebedouro, o estomago roncando enquanto ela se perguntava se deveria ter realmente abdicado do seu prato de comida para Ana. Quando se virou para voltar à sala de aula, uma figura a surpreendeu no corredor; uma mulher estava sentada no chão recostada na porta do armário de vassouras abaixo da escada que levava para o segundo andar. Um arrepio percorreu a espinha de Lena que fez o possível para passar o mais longe possível daquela figura sem encara-la.
—Lena, ele está olhando para a porta.
Lena parou de súbito sem ter certeza se deveria se virar, embora por um instante notasse já ter ouvido aquela voz, mais precisamente horas antes.
—Lena, ele está olhando a porta-repetiu a mulher.
Lena se virou e quase gritou. A figura estava de pé, muito próxima a seu rosto e a olhava fixamente.
—Rose...-murmurou a menina.
Mas ela sabia que não era Rose Tyler; não havia nada de humano naquela criatura além da aparência, seus olhos brilhavam uma luz amarela ofuscante.
—Bad Wolf-corrigiu a garota, ainda tremendo pelo susto e olhando para os lados- O que faz aqui?
—Lena, ele está olhando para a porta-repetiu.
—Isso não é uma informação que ajuda muito.
—Ele não é mais ele-disse Bad Wolf- Ele está com um rosto diferente.
—Era de se esperar-disse a menina, dando passos inseguros para trás- Ele se regenera e muda de rosto.
—Não!-rugiu a mulher-Ele não está com o rosto certo. Ele deveria ser o Doutor de gravata borboleta, mas não é.
Lena franziu a testa.
—Por que? Ele não veste aquelas roupas estranhas e velhas e aquele cabelo...?
Bad Wolf balançou a cabeça.
—Ele está olhando para a porta.
De repente Lena entendeu e soltou uma exclamação de euforia.
—Ele viu a porta que leva para a Sala de Portas? Não, não pode ser, eu a selei com magia de proteção.
A mulher se aproximou dela. Lena a encarou e viu que seus olhos não brilhavam mais.
—Salve ele! Por favor, salve o Doutor.
—Rose? É você? Como?
Rose sorriu e entregou uma pequena bolsinha de couro a garota.
—Vai precisar disso. Tudo está aí, os livros, os remédios, espadas, a varinha...
—A varinha?-disse Lena, abrindo a bolsa-Achei que tivesse perdido.
Lena fungou e Rose riu.
—A bolsa não funciona aqui-deduziu Lena tristemente ao ver que não havia nada incluso nela e que não poderia enfiar seu braço dentro dela.
—Você tem que partir-disse a mulher, os olhos novamente faiscando.
Ela caminhou até a porta do armário de vassouras.
—E você?-perguntou Lena, com a mão na maçaneta enferrujada-Vai comigo? O Doutor vai gostar de vê-la.
—Não-respondeu-Ele vai gostar de ver Rose Tyler e não a mim. Há um pouco dela em mim agora, mas não o suficiente para ele. O Universo está conturbado e isso precisa ser consertado.
Lena sorriu tristemente.
—Consertar você, quer dizer. A humanidade a atrapalha-dizendo isso suspirou, sentindo uma repentina culpa-Tchau, Bad Wolf e Rose Tyler.
E entrou pela porta.
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