The Wrong Boy HIATUS

6 Capitulo 6 - Bye Bye Terminus.


Pov Jessie

–Eu também. – Murmurou ele, quase inaudivelmente. –Agora... Eu quero saber de tudo, desde o dia em que você saiu de casa, até hoje, que acabou aqui com Beth.

–Vamos ter tempo pra isso, depois. – Arquei as sobrancelhas, virando-me para encarar todos que estavam visíveis. –Precisamos nos preparar.

–Preparar para o que? – Perguntou Beth, e pelo que parece todos perguntavam a mesma coisa silenciosamente.

Escape of couse. Eu acho que vocês pretendiam alguma coisa assim, antes de eu chegar certo? – Alguns assentiram. –Eu meio que saquei isso quando aquele otário me acatou. – Passei o dedo indicador na boca, fazendo-o ficar vermelho. –Porra, o infeliz cortou minha boca.

–Me chama de otário de novo, e vai ter mais que um simples corte na boca. – Disse uma voz rouca atrás de mim. Me virei para encarar o imbecil que obviamente fez isso comigo, e me deparei com um garoto não muito mais velho que eu, com um porte meio atlético, olhos azuis, e o rosto todo arranhado. É, pelo menos eu tinha deixado uma marca também. O analisei de cima a baixo e me aproximei de vagar, como quando os caras se encaram nos filmes. Ri mentalmente com esse pensamento.

–Está me ameaçando? – Eu disse com a voz mais ameaçadora que eu tinha. Quem esse garoto pensa que é?

–Carl... – Repreendeu aquele primeiro homem que perguntou sobre mim, pela aparência ele era pai desse indivíduo chamado de ‘’Carl’’.

–Porque se estiver me ameaçando... – Ignorei o que me cortou, e continuei me aproximando com meu olhar mortal. Estávamos tão próximos que eu já conseguia sentir seu halito quente bater em meu rosto, ele provavelmente também sentia o meu. –Você não me conhece querido. – Sorri debochadamente, sem desviar o olhar por nem um segundo. Mas foi ele que desviou, começando a encarar minha boca. Come on esse idiota acham que eu beijaria alguém como ele? Isso esta pior do que eu pensava.

–Ela é mesmo uma Dixon. – Disse uma voz atrás de nós que eu não consegui identificar, me preocupava apenas em encarar aqueles olhos azuis que iam e voltavam entre minha boca e meus olhos.

–Se beijem logo! – Alguém gritou. –Aposto que vão acabar namorando daqui algum tempo. – Disse a mesma pessoa, só que em um tom mais baixo.

–Minha mão é que vai namorar a sua cara, de um jeito nem um pouco agradável. – Respondi sarcasticamente, tendo o silencio como resposta. Isso parece que foi o bastante para esse tal de Carl parar de encarar minha boca e voltar seus olhos aos meus... estavam em fúrias. –O que foi, ficou sem resposta Carl? – Disse eu, com um enorme desprezo na voz quando dizia seu nome.

–Ei! – Beth puxou meu braço para trás e empurrou o otário na direção contraria. –Vamos parar com isso aqui ok? – Finalmente voltei meu olhar a ela, com uma cara de ‘’Really?!’’ e ela me respondeu com seu olhar de ‘’Sorry.’’ O pouco tempo que passei com ela e já tínhamos nossos olhares secretos. –Carl é uma pessoa muito legal Jessie, aposto que vão ser amigos daqui a um tempo. – Revirei os olhos, mexendo a boca em um ‘’ mpossible’’. –Jessie é uma pessoa adorável Carl, aposto que vai gostar dela daqui a um tempo. – Ele bufou.

–Jessie... – Disse Daryl, em um tom... repreendedor? Ah tá, ele acha mesmo que depois de anos pode vir agindo como um irmão mais velho super protetor, faça-me o favor.

–Nem vem você. – Me limitei a dizer, para não começar mais uma discutição ali na frente de todo mundo de novo. Fui me sentar em uma parte mais afastada do vagão, onde não tinha ninguém. Enquanto andava pude sentir o olhar de varias pessoas queimarem nas minhas costas.

***

‘’-Eles pareciam boas pessoas, mas eu estava pronto pra ir. Tínhamos acabado de chegar aqui, mas já era hora de ir. Quando falei de D.C, com uma piscada e um sinal do babaca no comando eles sacaram suas armas e tínhamos voltado ao caos.’’

‘’-Antes de te colocarem aqui você viu Tyreese?’’ ‘’-Não.’’ ‘’-Que bom.’’

‘’-Era um carro preto com uma cruz branca pintada. Eu tentei segui-lo, eu tentei.’’ ‘’-I’ts ok Dary, i’m fine now.’’

Eu escutava atenta enquanto todos falavam, estavam contando o que aconteceu antes de chegarem aqui, no tempo em que ficaram separados quando a prisão caiu, como contou Beth. Estávamos nos preparando, todos faziam alguma coisa. Quebravam lascas de madeira da parede, afiavam as pontas de aço de cintos no chão, pegamos tudo o que podia ser usado como arma. Eu havia tirado meus brincos de argola, que tinha tirado de uma morta no caminho até aqui, entornei-os e os coloquei em minha mão, como um soco inglês com as pontas para cima. Arrastava-os de um lado pro outro no chão do vagão, no intuito de afiar.

Começamos a escutar vozes vindas de fora do vagão, ‘’Cale a boca’’falou uma delas.

–Ok, tem quatro dos putos vindo. – Avisou meu irmão, que vigiava a fresta da porta. Todos voltaram seus olhares para um cara que eu tinha descoberto se chamar Rick, ele definitivamente era o líder aqui.

–Vocês sabem o que fazer. – Disse ele enquanto se levantava. –Ataquem os olhos primeiro. Depois as gargantas. – Agora todos já estavam de pé. Sua frase me deu um certo arrepio, está certo que nos prenderam em vagões e pretendem nos matar e depois pelo que eu entendi nos comer, mas matar nunca é fácil. Ele fala com tanta naturalidade que me pergunto quantas vidas ele tirou, e quantas terei que tirar para poder falar nisso tão natural quanto ele.

–De costas para as paredes nas pontas do vagão. Agora! – Ordenou uma voz do lado de fora, mas fizemos justamente o contrario. Estávamos todos voltados em posição de ataque para a porta do vagão, mataríamos qualquer um que entrasse. Mas não foi isso o que aconteceu.

Ouvimos um barulho acima de nossas cabeças, eles abriram uma portinha lá. Como eu não tinha reparado nisso antes? E então, foi muito rápido. Jogaram uma latinha de bomba de fumaça. Escutei alguém gritar para nos mexermos, mas não foi o que eu consegui fazer. Eu me virei para correr para a ponta do vagão, porém não consegui. Pelo que me parece todos tiveram a mesma ideia, acabei esmagada contra a porta.

Em um estrondo enorme o negócio explodiu e logo o vagão inteiro estava cheio de fumaça. E então me veio uma ideia. Prendi a respiração e me agachei, procurando pela latinha. Quando a encontrei já estava quase vazia, mas ainda não tinha acabado. Estava quente, fervendo e provavelmente queimaria toda a minha mão. Vire-me para a porta do vagão e percebi que estava aberta, porém não por muito tempo. Alguém que eu não consegui identificar puxava devagar a porta, e por reflexo joguei a latinha nele. Consegui acertar a cabeça eu acho, já que ele caiu pra trás. Enquanto corria até a porta pude ver que todos dentro do vagão estavam agachados tossindo, mas faltava algumas pessoas ali, e um deles era o meu irmão. Quando finalmente saí, a claridade cegou meus olhos e quando me dei conta alguém tinha se jogado sobre mim e me derrubado no chão. Sem pensar duas vezes, enfiei as pontas do meu brinco em seu olho direito. A pessoa me soltou e começou a gritar, com a mão no olho atingido. ‘’Ataquem os olhos primeiro. Depois as gargantas.’’ Lembrei-me da frase de Rick, e assim o fiz. As pontas ensanguentadas de meus brincos já estavam perfurando o homem de novo, só que agora no pescoço. O sangue jorrou pelo meu rosto e pescoço, estava para passar a manga da blusa na cara no intuito de limpa-lá quando meus dois braços foram agarrados. Dois homens enormes me seguravam, um deles arrancou os brincos de minhas mãos. Eu estava indefesa. Olhei em volta procurando qualquer coisa que me tirasse dali e avistei homens carregando Daryl, Rick, Bob e o japinha pra longe. Meus olhos arderam e fui jogada no chão, batendo a cabeça. Fiquei completamente zonza.

–Droga, essa aqui é feita do que? – Escutei uma voz feminina falar, parecia tão distante e ao mesmo tempo tão perto. Parecia quando eu ficava chapada, mas eu sei que dessa vez é efeito do gás e da batida de cabeça.

–O que fazemos com ela, mãe?

–Levem-na com os outros antes que cause mais problemas. – Olhei pras pessoas acima de mim e tentei levantar-me, mas acabei jogada contra o chão e batendo com a cabeça de novo.

Me senti ser carregada, eu já não tinha mais forças para revidar. Tentei forçar a vista para enxergar pra onde me levavam, mas não consegui. Quanto mais tentava mais minha cabeça doía e meus olhos ardiam. O cheiro de sangue e álcool invadiu minhas narinas e foi o suficiente para me fazer despertar. Abri meus olhos rapidamente e percebi que estava em uma espécie de barracão. Avistei os quatro que tinham sido levados mais a frente, junto com mais quatro que eu nunca tinha visto. Estavam todos ajoelhados e amarrados de frente para um negócio de metal, parecia uma bacia enorme. Pessoas atrás deles afiavam facas e testavam bastões de baisebol(pesquisar como se escreve essa porra no Google) no ar.

–Esperem. – Disse um dos que me seguravam.

–Essa aqui da muitos problemas, matou mais um dos nossos. Gerda disse para trazermos ela também.

–Amarre-a naquele canto ali. – E o que segurava um bastão apontou para uma mesa com um corpo em cima. Os brutamontes me empurraram até lá, me amarraram no pé da mesa e saíram. Daryl tinha seu olhar preso em mim, eu o encarava também, enquanto tentava me livrar das amarras que me prendiam a mesa.

–Está bem. – Disse um deles, não prestei atenção se foi o da faca ou o do bastão, estava mais interessa em livrar minhas mãos. Eles se dirigiram até o final dos enfileirados e pararam diante de um loiro de regata. O que estava com o bastão o acerto em cheio na cabeça, o fazendo desmaiar. Com isso o outro passou o facão em seu pescoço, fazendo o sangue jorrar no negócio de metal. E assim como foi o primeiro, aconteceu com os outros dois depois dele.

–Pessoal, qual foi a contagem de balas? – Disse Gareth enquanto passava pela porta. Ele anotava alguma coisa no caderninho em suas mãos e falava com tanta naturalidade que me deu vontade de vomitar. Agora eu entendo, agora eu entendo que o jeito que Rick falou nem se comparou a isso. Gareth acabou de ver quatro pessoas com a garganta cortada e o sangue escorrendo, que ele pretende usar para se alimentar depois e age assim? Me pergunto o que essas pessoas passaram para começarem a agir deste jeito. Não importa. O que importa é que estão prestes a matar meu irmão e as pessoas que ele gosta.

Não vou deixar isso acontecer.

–38. – Respondeu o do bastão enquanto acertava a cabeça do quarto. O do facão logo cortou a garganta dele e o sangue começou a escorrer. Fiquei olhando aquilo, um tanto que hipnotizada. Como diabos eles conseguiam fazer isso tão naturalmente assim? Eles são monstros... e merecem que alguém aja como monstro com eles também.

E esse alguém vou ser eu.

–Espera... – A voz de Gareth interrompe meus pensamentos e para a sorte do japa, os atos do cara do bastão também. Ele estava prestes a atingi-lo na cabeça com o bastão quanto parou. –O que ela faz aqui?

–A trouxeram e disseram que da muito problemas, por isso vai hoje também.

–Já? – Ele mordeu o lábio inferior parecendo pensativo. –Não, não, já temos o suficiente por hoje. A coloquem em um vagão vazio, depois que meu turno acabar vou fazer uma visitinha a ela. Não é Jessie? – Perai o que? Que merda é essa que eu acabei de ouvir? Rolei os olhos incredu-la e escutei o conhecido grunhido de Daryl.

–Isso mesmo, venha que eu mato você nem que seja com meus próprios dentes. –Falei com o tom mais ameaçador que eu cosegui, que não teve muito efeito por causa de meu estado ‘’grogue’’. Ele e ignorou.

–Hey! — E o japa foi salvo pelo gongo, pela segunda vez. –A sua contagem?

–Foi mau cara, era a minha primeira vez.

–Depois que terminar aqui, vá contar os cartuchos. Kaylee os recolherá amanhã.

–Hey! – Bob conseguiu falar através da amordaça no mesmo momento que minhas amarras afrouxaram um pouco. Essa era minha chance. –Quero conversar com você! –Isso Bob, continue os distraindo, please.

–Quatro do A, quatro do D.

–Isso.

E Bob voltou a falar. Gareth revolveu dar uma chance e o deixou falar. Ele veio com um papo de que ele não precisava fazer aquilo, que um deles tinham a cura. Até parece. Deixei de escutar a conversa e foquei minha atenção em meus pulsos sangrantes quase livres. Eu os puxava das amarras o mais disfarçadamente o possível, mais a dor também não ajudava. Não duvido que para solta-los vou acabar sem as mãos.

–Vocês entraram na floresta com uma sacola e saíram sem ela. – Gareth agora estava agachado na frente de Rick e falava com ele. Então quer dizer que foram espertos o bastante para fazerem isso? Eu realmente preciso melhorar. –Precisei recuar os batedores antes de encontrar. O que tinha dentro? Vocês esconderam, não é? Caso algo desse errado. – Nem uma resposta. O grupo do meu irmão é forte, não revelariam assim tão fácil. Que ironia eu pensar isso justamente quando estão amarrados de joelhos, prestes a serem mortos. –Inteligente. Vamos achar mesmo assim, mas está perigoso demais para sair agora.

Acho que ele deve ter percebido que Rick e Daryl não revelariam nada, pois puxou uma faca do cinto a colocou apontada para o olho de Bob. Rick até tentou uma de ‘’Posso te levar lá’’ mas foi sem sucesso, ameaçar os outros é definitivamente o fraco deste grupo.

Mas não o meu. Não mais.

Ele acabou por revelar que são armas e fazer uma ameaça sobre uma em especial. Mais precisamente um facão de cabo vermelho, que ele prometeu usar para matar Gareth. Gostei desse Rick, e essa é uma cena que eu definitivamente irei assistir. E se duvidar até ajudar, com o maior prazer.

Thanks. – Disse Gareth rindo, após Rick terminar. –Tem duas horas para colocá-los na secadora. Preciso voltar. Agora é a hora de se sujar, parem antes do anoitecer.

Um ‘’Entendi’’ e um ‘’Sim, senhor’’ foram respondidos. Mas assim que o líder do Terminus se virou para ir embora escutamos barulhos que pareciam ser... tiros? Oh Yeah, se são tiros temos um anjo da guarda que devo agradecer mais tarde.

–Ei Chuck? – Ele chamou alguém chamado Chuck no alkie tokie. Mais tiros. E esses interromperam mais uma vez a ida de Glenn para o inferno, acho que não sou só eu que terei que agradecer essa pessoa depois. Meus pensamentos foram interrompidos por uma explosão. O chão tremeu e minhas mãos ficaram livres. Elas ardiam muito e sangravam, mais não importa. Agora é a hora.

***

A fuga do Terminus não foi fácil, mas pelo menos ninguém do grupo do meu irmão morreu. Sem falar que eu realente agi como um monstro. Não sei quantas pessoas matei, mais foram muitas. O que mais me assusta é eu não me sentir mal com isso. E sabe do que eu me orgulho? Termos deixado aquele lugar em chamas.

Daryl caminha ao meu lado desde que saímos de lá, acho que ele quer reparar todo esse tempo que estivemos longe um do outro. Não vai ser tão fácil assim, por mais que eu queria que fosse. Acabamos de chegar onde Rick tinha enterrado as armas, ele e o filho idiota já estava cavando.

–Porque diabos ainda continuamos aqui? – Perguntou o ruivo grandão, que se eu não me engano se chama Abraham. Eu não sei porque, mas não fui com a cara dele.

–Armas e suprimentos. – Disse Rick sem dar muita atenção. –Vão pelas cercas, usem os rifles. Acabe co o resto.

–Eles não sobreviverão. – Vou me dar bem com esse Rick.

–Rick nós escapamos, acabou. – Japa estraga prazeres.

–Só acaba depois que todos estejam mortos.

–Aquele lugar esta um caos. Cheio de walkers.

–Eu concordo com ele, temos que voltar. – Finalmente me manifestei e a atenção de todos se voltou para mim, provavelmente por eu ser nova aqui. –Vocês não querem ir atrás deles, mais com toda a certeza eles viram atrás de nós!

–Não estou brincando nessa porcaria, acabamos de fugir.

–As cercas caíram. Eles morreram ou fugiram.

–Se fugiram virão atrás de nós! É óbvio que vão querer vingança. – Falei e novamente todos olharam para mim. Sorte a deles que não ficarei por muito tempo, ou teriam que se acostumar por bem ou por mal. – Franzi as sobrancelhas e escutei um farfalhar de folhas. Tem alguém vindo. – Eu não disse. – Dei de ombros e apontei a arma em minhas mãos, que eu tinha roubado no terminus para uma mulher magricela que se aproximava. Antes que eu pudesse disparar Beth de vagarzinho abaixou meu braço, e logo percebi que ela sorria para a mulher. Será essa a misteriosa pessoa que eu estava pensando em agradecer?

E o que veio a seguir meus olhos não acreditaram. Daryl saiu correndo do lugar que estava ao meu lado, parando na frente da mulher de cabelos curtos. Ele ficou um tempo apenas a encarando, mas logo seus braços passaram a rodear a mulher. Eles passaram longos segundos se abraçando, tanto que ele até a tirou do chão. Parou apenas por um segundo para encara-la, dando espaço para eu notar que seus olhos estavam marejados. E de repente toda a vontade de agradecer a mulher sumiu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.