The Wrong

15 ASSUNTO: Hard to Explain


Notas iniciais
Boa tarde, gente.
Eu postei mais um olha aí! ~que feliz*
Espero que gostem.
Boa leitura.
Ah, a música é Hard to Explain, do The Strokes. Acho que a maioria conhece, né? Bom, de qualquer forma tá aqui: www.youtube.com/watch?v=hfDTkxV-X2w

Saímos do carro em frente a casa de Emy (ou Spencer, que seja) na vila.

– Edward, você tem certeza do que está fazendo?

Dessa vez ele olhou bem fundo nos meus olhos e eu entendi o recado. Significava "cale a boca, por favor".

Ele tocou a campainha e esperamos um tempo. Edward, impaciente, voltou a tocá-la repetidamente.

– Edward!

– Victoria!

Logo Emy abriu a porta e pulou em cima de mim.

– VIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIC!

– Oi, Emy. — Ri.

Ela me soltou e me olhou com seus olhos negros brilhantes.

– O que fizeram com você?

– Eu não sabia que estava tão ruim. — Rimos.

– Entrem!

Entramos e todos sentamos no sofá, Edward não dizia uma palavra e Emy dizia todas. Não parava de perguntar e eu já estava me incomodando com o silêncio dele. Até que o pior aconteceu.

Spencer desceu as escadas e quando chegou ao mesmo nível que nós, me olhou assustado (e eu tinha certeza que era por causa da minha aparência, porque até onde eu saiba, ele não sabia de nada) e Edward pulou em cima dele, agarrando a gola de sua camisa Lacoste.

– Você tem algum problema?!

Spencer ainda não estava entendendo. Um ser de mais ou menos sua altura só que mais fraco (não que Edward seja fraco, ele não era, mas Spencer era bem mais forte) pendurado em seu pescoço fazendo interrogatório. Vendo que Spencer não estava entendendo, Edward resolveu explicar melhor.

– A Victoria foi sequestrada pela sua namorada louca só porque você disse que vocês tinham se pegado.

Ele primeiro voltou a me olhar assustado, e depois soltou uma gargalhada. Edward não aguentou e deu um soco nele. E aí começou. Chutes, socos, pontapés, tapas, murros, cabeçadas e até jogo de cintura para brigar. Eu e Emy corremos para apaziguar a situação, e Spencer até ficou quietinho, mas Edward queria voltar a bater no irmão de Emy e, vou te dizer, foi um custo para conseguir segurá-lo.

– Fala, seu bosta! — Edward gritou.

– Lucy? Sequestrar? Ela não consegue nem apanhar uma mosca!

– É? Pergunte isso para ela então! — Edward conseguiu se soltar e quando eu iria segurá-lo de novo, ele pegou na minha mão. — Vamos embora, acho que já fiz o que queria fazer.

Spencer voltou a rir e por pouco Edward não volta à brigar com ele.

– Tchau, Emy — acenei.

– Tchau. Me liga.

Ela parecia muito preocupada. Foi só nós dois sairmos que eu ouvi gritos vindo da casa e percebi que era Emy gritando com seu irmão, com "Você tá maluco?" e "Eu vou matar aquela vaca loira!".

Entramos no carro e Edward respirava com dificuldade, talvez porque seu nariz sangrava. Me virei para ele.

– Você é doido sabia?

– Sou?

– É.

– É, acho que eu sou sim.

– Você não era assim antes...

– Do quê?

– Da gente se... conhecer.

– Isso é verdade. Mas quer saber de uma coisa?

– O quê?

Ele abaixou o tom de voz.

– Eu gosto mais assim.

Edward me fazia feliz. Eu me sentia segura, protegida. Me sentia bem. Nada no mundo me aflingia e nada poderia me machucar, porque ele sempre estava lá. Eu o conhecia há muito tempo, mas acabei conhecendo-o por acaso, e este acaso virou destino. E por que raios eu teimava tanto em ficar longe dele? Talvez eu gostasse de sofrer.

Ele me deixou em casa e eu o beijei. Queria começar a aproveitar todo o tempo que eu tinha junto a ele. Abracei-o bem forte e repeti "Obrigada" várias e várias vezes.

Entrei em casa puxando Edward também e meus pais estavam sentados no sofá com olheiras.

– Minha filha! — gritou mamãe, me abraçando, e logo veio meu pai.

Minha mãe começou o interrogátorio de "Você está bem?" repetidas vezes, mas eu estava mesmo é prestando atenção na conversa de Edward com meu pai.

–... É, a menina é louca. Acho que ela precisa de um psicólogo urgente, senhor.

– Mas obrigado mesmo, viu, Edward? Você salvou a minha filha e isso não tem preço.

Edward apenas olhou para mim e piscou.

– Ela vai ficar bem.

– Vai, sim. Quer ficar para o jantar?

– Não, obrigado. Mas eu posso voltar amanhã?

– Claro que pode, será um prazer.

Eles se cumprimentaram, Edward veio até mim, me deu um beijo na bochecha, cumprimentou minha mãe e saiu.

Sentei no sofá e tirei o tênis. Os dois olhavam para mim.

– O que foi?

Minha mãe pulou no sofá ao meu lado.

– Me conta tudo! — Rimos.

– Bom, isso já é conversa de mulher. — Disse meu pai saindo da sala.

Eu e minha mãe conversamos, colocamos o papo em dia e eu lembrei do meu celular. Liguei para Edward na hora.

– Alô?

– Oi, Edward.

– Oi, Vic. Você esqueceu alguma coisa?

– Meu celular. Está com você?

– Está sim. Eu te dou amanhã, pode ser?

– Pode.

– Ah, deixe-me falar com sua mãe.

Estranhei, mas passei a ela.

– Sim. — Pausa– Ah, oi Edward. — Pausa– Sim. — Pausa — Claro, senhor.

Ela riu e desligou.

– O que foi?

– Ele ordenou que eu deixasse você ficar em casa amanhã e sexta, sem ir para a escola.

– Ah, mas eu quero ir!

– Não, minha filha! Ou você esqueceu que uma das meninas é da sua escola?

– E o menino também.

– Olha aí!

– E sobre eles... O que vamos fazer?

– Seu pai já está tomando as providências.

– Quais?

– Marcar uma reunião com os pais e o diretor da escola, claro.

– Ah, sim. Mãe.

– O que foi, filha?

– Você se importa se eu for tomar um banho?

– Claro que não filha, eu já ia pedir isso mesmo. — Rimos.

Subi as escadas e senti o cheirinho de casa. Eu nunca tinha dado tanto valor a isso. Sempre tive casa, comida, pais que me amam, amigos (por mais que verdadeira fosse só uma, agora eu tinha um monte) e tudo mais que é necessário. E eu nunca agradeci. Tomei banho, me sequei, coloquei um pijama e ajoelhei ao lado da cama.

– Deus, eu sei que eu não faço muito isso, e eu te peço desculpas, mas acho que agora é uma boa hora. — Comecei. — Obrigada por me dar a vida, em primeiro lugar. Obrigada por mamãe, papai, toda a família. Obrigada por Emy, Antorelo, Brenda e os outros. Obrigada por Edward. E obrigada por nada ter acontecido comigo. De certa forma sei que o Senhor mandou Edward para ser meu anjo da guarda. E obrigada por ele ser tão paciente. Amém.

Deitei na cama e dormi que nem um anjo. Acordei já de madrugada e minha barriga roncava. Fui até a cozinha, abri a geladeira e não achei nada. Liguei para a Pizzaria que ficava aberta 24 horas e chamei uma pizza metade pepperoni e metade mozarela.

Esperei chegar no sofá, paguei e fui até a mesa comer. Só havia uma lâmpada acesa (a em cima da mesa) e na metade do primeiro pedaço de pepperoni vi que alguém tinha acendido a luz da escada e descia-as.

– Oi pai.

Ele usava seu pijama xadrez favorito e uma pantufa-mocassim que eu lhe tinha dado.

– Oi minha filha.

– Quer? — Ofereci um pedaço de pizza e ele balançou a cabeça em um "sim".

Comemos em silêncio como sempre fazíamos em nossos momentos juntos. Mas não era um silêncio "solitário". Era um silêncio aconchegante, acolhedor e significava tudo e nada ao mesmo tempo. Depois de comer, subimos as escadas: ele com o braço em volta da minha cintura e eu tentando fazer o mesmo, mas ele era bem mais alto e eu não conseguia. Subimos desajeitados e nos separamos para ir cada um ao seu quarto.

– Boa noite, pai.

– Boa noite, filha.

Notas finais
Beijos!
Rafa.