Notas iniciais
Heeey, minha primeira fanfic (postada) vinda de um surto psicótico de escrita. Escrevi essa oneshot durante a madrugada, já que eu não conseguiria dormir depois do vídeo.Recomendo, a vocês que ainda não viram, assistir o clipe que serviu de inspiração. https://www.youtube.com/watch?v=B9tc9R_Y3FY&feature=youtu.be

E lá se vai mais um dia de trabalho. Metade dele, para ser mais exata. As entregas do dia já haviam sido feitas, porém, ainda havia trabalho para fazer. Algumas flores ainda precisavam ter seus arranjos finalizados. Um dia comum, se não fosse pelo simples fato: ela não estava lá hoje.

Todos os dias, mais especificamente, todas as segundas em que Killian fazia a entrega das flores, ela sempre estava lá, e ele sabia disso. Não sabia ao certo, o que ela fazia lá todas as segundas, mas isso não o impediu de dar um jeito de sempre chegar na loja enquanto ela estiver lá.

Alguma coisa o atraía naquela bela dama. Talvez seu jeito meigo e educado que conquistava a todos a sua volta, ou aqueles olhos verdes que assemelhavam a duas esmeraldas brilhantes, mas com um olhar tão penetrante, que Killian não arriscou encara-los por mais que poucos segundos. Também poderia ser culpa de seu inebriante cheiro de canela, oh sim, mesmo com todas aquelas flores em sua volta, o cheiro d’ela se destacava. Nenhuma flor conseguia ofusca-la, nem em beleza, nem na delicadeza, em nada.

Todas as luzes repousam em você

O resto do mundo some da vista

E todo o amor que eu vejo

Por favor, por favor, diga que você sente isso também

Killian se sentia como um adolescente ansioso a cada entrega, só por saber que ela estaria lá. O que tornou ainda maior a decepção de não vê-la naquele dia. Uma centena de pensamentos passaram por sua mente. Será que havia acontecido algo a ela? Ela estaria bem? E até uma mais radical ainda: ela iria voltar?

Eram tantas as perguntas que Killian ficou perdido por um instante. Algo que não pôde durar muito, já que havia trabalho a ser feito. Muito trabalho.

O dia estava frio e um pouco nublado. Apenas o motor da caminhonete estacionando e alguns pássaros quebravam o silencio. Vizinhos? Killian já nem sabia mais o que era isso. A calmaria daquela casa de campo o deixava tão relaxado que ele nem hesitou ao se mudar para lá. Já fazia anos que vivia sozinho e aquilo nunca o incomodou. É claro que sentia falta da família, que vivia em outro país, mas nada que o fizesse voltar para a cidade grande.

Ali era muito mais fácil para se trabalhar. Flores são coisas delicadíssimas, e para trabalhar com elas é necessário ter total atenção naquilo, sem nada em volta que possa servir de distração.

O silêncio tão reconfortante estava, dessa vez, incômodo. Quanto mais tentava se concentrar, mais distraído ficava. Seus pensamentos o transportando sempre para a mesma pessoa. Ela.

Nem um nome? Não. Killian não fazia ideia de como a garota se chamava. Nem ao menos teve coragem de dizer “Olá” a ela ainda, e se sentia um idiota por isso. No momento em que amarrou seu próprio dedo num galho da orquídea, foi que percebeu que não conseguiria mais trabalhar desse jeito.

E todo o barulho que ouço aqui dentro

Inquieto, ruidoso, implícito, selvagem

E tudo o que você precisa dizer para fazer tudo desaparecer

É que você se sente do mesmo jeito também

Precisava de ar. Sim, um pouco de ar não faz mal a ninguém. O vento frio batendo em seu rosto o fez relaxar novamente, o cheiro de orvalho o fazia querer se deitar ali mesmo e adormecer. Quem sabe poderia até acabar sonhando com a garota? Tudo o que ela mais queria no momento era que ela estivesse ali com ele. Em seus braços.

Seria uma semana torturante. Por mais que tentasse esconder isso de si mesmo, ela era a fonte de inspiração dele, era imaginando seu sorriso, sua leveza e delicadeza, que ele cuidava das flores. A lembrança da semana passada já estava ficando desgastada. Já não tinha o mesmo efeito. Killian daria qualquer coisa para vê-la novamente.

O frio começou a se intensificar, então o rapaz percebeu que já estava na hora de entrar. Pensou em ver algo na TV, mas seu estômago reclamou. Preparou um chocolate quente e algumas panquecas e se sentou a mesa, folheando alguma revista qualquer de jardinagem. Killian fechou os olhos e permitiu que o aroma de canela que saía do chocolate dominar seus sentidos. Por um momento era como se ela estivesse ali.

E eu sei que a parte mais assustadora é desapegar

Porque o amor é um fantasma que não se pode controlar

Te prometo que a verdade não pode nos ferir agora

Por isso deixe as palavras escaparem de sua boca

Certo, provavelmente ele estava enlouquecendo. Como uma estranha pode mexer tanto assim com alguém? Isso não tinha a menor lógica. Não fazia o menor sentido.

Depois de seu banho, Killian resolveu se deitar. Uma boa noite de sono era sempre útil. Poderia fazê-la esquecer do resto do mundo. Isso SE ele estivesse com sono. Apesar do pouco rendimento, o dia havia sido bem exaustivo. A viagem de carro até a floricultura era longa e o trânsito da rodovia só piorava as coisas. Num dia normal, Killian já estaria em seu vigésimo sono, mas não dessa vez.

Estava começando a se irritar com o fato daquela mulher não sair de sua cabeça. Não era algo cem por cento ruim, se ele ao menos falasse com ela... Não, Killian sempre foi tímido. Desde o colégio, eram raras as vezes que chegava em alguma garota. E se a loira da floricultura não quisesse nada com ele? O que faria depois? Pareceria um idiota, com certeza, e essa impressão ela já teve dele. Justamente no primeiro dia em que a viu.

“Era sua primeira entrega numa loja maior e de cara já havia recebido um pedido razoavelmente grande. Mesmo tendo se perdido durante o caminho, parado numa loja errada e quase ter batido em outro carro, Killian estava animado com a entrega. A loja era muito bonita e até bem elegante, porém não mais do que a moça que estava na sessão de rosas. Killian se distraiu tanto admirando a beleza da dama, que acabou derrubando dois vasos no balcão. “Parabéns, imbecil” – pensou. A senhora da loja apenas o olhou feio enquanto ele ajeitava os vasos novamente. Não poderia ter começado melhor. Quando estava saindo, viu a bela jovem sorrindo para ele, que até hoje não sabe se conseguiu corresponder ou se apenas ficou com cara de bobo a admirando.”

E todos os passos que me levaram até você

E todo o inferno que tive que percorrer

Mas eu não trocaria um dia para ter a chance de dizer

Meu amor, estou apaixonado por você

Uma lembrança que sempre o faz se sentir um idiota, e ao mesmo tempo mal por não ter falado com ela naquele dia... E nem nos outros.

Seus pálpebras começaram a pesar e Killian se deixou vencer pelo sono.

“Ele estava em um campo. Uma plantação de rosas. Todas elas num tom tão vermelho que fazia sua visão embaçar com tanta beleza. Procurou seu celular em seus bolsos para poder registar aquele lugar, mas não o encontrou. Uma pena... Mas... O que ele estava falando ali? Não se lembrava nem de ter saído de casa. Uma suave voz melodiosa começou a ser ouvida e Killian soube no mesmo momento.

Eu sei que nós dois estamos com medo

Nós dois cometemos erros

Um coração aberto é uma ferida aberta para você

E nos ventos de uma escolha difícil

O amor tem uma voz calma

Acalme sua mente, estou aqui para que me escolha

Era ela.

Mesmo sem nunca ter ouvido a voz dela, o rapaz tinha certeza. O que só foi confirmado quando um cheiro de canela invadiu seus sentidos. E lá estava ela. Tão serena. A metros de distancia, caminhando entre as roseiras. Nada além de um sorriso saía por seus lábios, mas Killian continuava ouvindo a voz melodiosa.

Começou então a se aproximar da garota. Ela sorria e as vezes se afastava um pouco a medida que ele se aproximava. Quando finalmente a alcançou, estremeceu, ao ver o quão perto estavam. Pensou em dizer alguma coisa, mas era como se ele tivesse esquecido cada palavra. Ela pareceu perceber seu nervosismo e sorriu mais ainda. E dessa vez era ela mesma falando.

Eu sei que a parte mais difícil é desapegar

Deixe que meu amor seja a luz que lhe guia para casa

A loira esticou a mão para Killian, e quando ele foi toca-la sua imagem desapareceu. A voz doce foi substituída por um som irritante. O rapaz tentou ignorar o som e tentar procurar a garota, mas aquele só ficava mais alto e tudo ficou escuro.”

Killian acordou suando. O desespero de não ter conseguido tocar a dama ficando ainda maior. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Ele estava apaixonado. Não adiantava mais tentar negar. Do mesmo jeito que também não podia guardar para si mesmo.

O rapaz se levantou às pressas, fez sua higiene matinal, colocou uma roupa apresentável e saiu. Não sem antes pegar uma rosa de seu jardim. A mais vermelha, guardada para uma ocasião especial. Alguém especial.

Killian entrou na caminhonete e dirigiu até a cidade. O que ele estava pensando? Era uma terça feira e não segunda. Eram praticamente nulas as chances d’ela estar lá. Outra situação sem lógica. Mas agora eu te pergunto: Desde quando o amor é racional ou tem alguma explicação? É simplesmente algo que se sente. Que não se pode e nem se deve controlar.

Estacionou em frente a loja e se sentiu perdido. Tomado pela adrenalina e pela promessa de que seria “agora ou nunca”, entrou na loja, sendo, logo de cara, surpreendido. Ela estava ali. E pareceu tão surpresa quanto ele.

— Hey, não esperava ver você aqui hoje. — ela diz

— Eu também não. Só vim trazer uma coisa. — tirando a coragem de alguém lugar, Killian entregou a rosa a ela.

— Pra mim, sério? Obrigada... Nem sei o que dizer. — diz sorrindo, seus olhos quase lacrimejantes.

— Eu vi essa rosa e pensei que ela merecia ser de alguém com mesma beleza, se não mais, se me permite dizer.

A jovem sorri novamente, suas bochechas ficando levemente avermelhadas.

— Como sabia que eu estaria aqui?

— Eu não sabia. Fiquei o caminho todo cruzando os dedos para que as duas horas de viagem valessem a pena.

— Duas horas?

— O transito ajuda.

— Caramba. Bem, o mínimo que posso fazer agora, é um café para o rapaz que viajou duas horas para me dar uma rosa. Aceita?

— Se não for incomodar...

— Claro que não. Venha, pode entrar. — a loira diz, enquanto abria uma porta nos fundos da loja.

— Você trabalha aqui?

— Sim, na verdade minha mãe é dona da loja.

Claro! Era por isso que ela sempre estava lá!

— Como não pensei nisso antes? — Killian pergunta a si mesmo

— O quê?

— Nada... A propósito, me chamo Killian Jones. — diz estendendo a mão para ela, que prontamente a aperta.

— Emma Swan.

Porque o amor é um fantasma que não se pode controlar.

Notas finais
A ideia inicial é apenas uma oneshot, porém, eu não marquei como terminada para o caso de pedirem uma continuação, mas provavelmente acaba aí mesmo.Comentem, toda e qualquer opinião é importantíssima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.