Notas iniciais
Oi pessoal, como vão? Sim, eu sei, eu sumi, eu sei, minha culpa. ME DESCULPEM Sério, me desculpem mesmo, pra quem continua acompanhando a fic aqui, meus sinceros agradecimentos, ela não seria nada sem vocês. Enfim, esse capitulo é dedicado para todos vocês que continuaram aqui, junto comigo. Beijos a todos

Que.

Ultimamente, essa parecia minha única indagação. Na verdade, resumia perfeitamente todas as outras.

— Ah... – Tentei não parecer nem soar muito estranha.

É CLARO que não deu certo.

Estava tentando claramente passar uma postura autoconfiante, esperta e não surpresa com tudo isso.

E claramente não estava funcionando.

Avery riu.

— Olha, acho que você já está bem o suficiente para um tour. – Olhou-me com expectativa.

— Não foi você que disse a uns 10 minutos atrás que eu tinha que repousar?

— Foi, mas também sou eu que estou dizendo agora mesmo que acho que você já esta bem o suficiente para um tour.

Ok, tenho que admitir, bom argumento.

— Tudo bem então, afinal, um tour ia ser realmente muito bom. – Na verdade essa havia sido, até agora, sua MELHOR IDEIA.

Eu definitivamente estava perdida. Muito, mas muito, mas muito fodidamente perdida.

— Então tá, eu vou sair um pouquinho para você ter tempo de se trocar, providenciei uma roupa para você. – Deu de ombros. – Espero que sirva, separei especialmente para você, era minha.

Era aquele vestido branco que vi quando acordei.

Avery era mais alta que eu, era magra, apesar de eu também ser, mas tinha um pequeno detalhe. Ela tinha mais peito que eu. Muito mais. Achei difícil ela ter alguma coisa que, em mim, não parecesse um verdadeiro saco de batata.

Ela me deu um último sorriso, se virou e saiu, fechando a cortina atrás de si. Olhei ao redor novamente. A luz no recinto estava ficando avermelhada, era já o final da tarde. Perguntei-me como poderia haver algum tipo de luz do sol se tecnicamente estávamos no fundo do lago... Talvez estivéssemos em alguma espécie de limbo, ou algum lugar separado do continuo espaço tempo, como uma outra dimensão, mas onde o sol ainda reside.

Acordei de meu devaneio e me sentei na maca. Não estava tonta nem com qualquer outro sintoma, então me levantei e inspecionei melhor o que havia no criado mudo; um livro e o vestido que Avery me deu, só então vi que o livro era o que Alex havia me dado sobre a minha família. Voltei minha atenção para o vestido. Ele era bem simples, branco, liso, curto e bem soltinho, tinha as mangas largas que paravam na metade do braço.

Tirei a camisola e me troquei rapidamente. Não tinha nenhum espelho ali, por isso não tive certeza de como ficou exatamente, mas serviu e era isso que importava. Ainda usava meu colar, que pareceu estranhamente fora de lugar naquele vestido branco, parecia que era a única coisa ali que tinha cor, então o coloquei por dentro do vestido.

Nesse exato momento ouvi Avery me chamando do outro lado da cortina.

— Luuuuuucy. – Sua voz soou melodiosa. – Posso entrar?

— Sim.

Ela entrou segurando um par de sandálias igualmente simples e delicadas. Só então reparei que meus sapatos também não estavam lá e que também, Avery só usava branco. Ela estava com uma blusa justa e simples e uma calça larga. Brancas.

— Sim, tudo aqui é branco. – Respondeu ela lendo minha expressão. – Inclusive, esse vestido ficou ótimo para você.

Ergueu o par de sandálias que estava em sua mão e jogou gentilmente na minha frente.

—Espero que sirvam também.

Peguei-as, sentei na maca e as calcei. Por sorte, serviram.

— Ótimo, podemos ir.

Assim que disse isso, se virou e saiu andando sem ver se eu a estava seguindo. Tive que correr para alcançar ela, já que ela andava rápido.

— Essa é a Ala Hospitalar.

Virou-se para mim e continuou andando de costas enquanto fazia um grande gesto para mostrar o lugar. Ergueu uma sobrancelha e deu um sorriso divertido.

—Nome chique para: Enfermaria.

Eu ri. Ela virou para frente novamente e continuamos andando. Saímos da enfermaria e fomos parar em um corredor.

— Este aqui é o primeiro andar, logo em frente à ala hospitalar, temos o jardim e o lago. – lançou-me um olhar misterioso e sorriu divertida. – O outro lado do portal.

Havia uma porta de vidro nas paredes de concreto brancas que estavam em frente a enfermaria. Nela dava para ver um jardim simples, porem muito bonito e bem cuidado, com a grama cortada e algumas flores silvestres e no meio dele havia um lago. O lago tinha um tamanho considerável e mesmo olhando pela porta de vidro dali onde estava, pude ver que tinha aguas muito limpas.

Continuamos andando e logo dobramos uma esquina, onde tinha uma escadaria comum.

— Essa escada da para o segundo andar. – disse ela gesticulando para escada sem parar de andar.

Lancei um olhar cortante para suas costas, mesmo sabendo que ela não poderia ver.

AVÁ.

Viramos a esquina novamente e nesse corredor tinha uma porta. Notei que em cada corredor havia apenas uma sala, então presumi que essa sala deveria ser igualmente grande assim como a ala hospitalar.

— Esta é a sala da coordenação da sede, ela é coordenada por três pessoas para ter mais equilíbrio e razão nas decisões. – Ela fez uma careta. – Algo assim. – Deu de ombros.

Caminhamos mais e viramos mais uma esquina.

— Essa aqui é a última sala do primeiro andar. – Ela abriu um largo sorriso. – E a melhor, é o refeitório.

Andamos até a escada novamente. Avery parou e olhou para mim.

— Lá em cima temos a sala de treinamento a esquerda e a livraria a direita e ainda no terceiro andar, temos os dormitórios.

Franzi o cenho, ela continuava me encarando. Intimidante.

— Não acho uma boa ideia você subir agora, você deveria ir descansar já esta de noite e não, não deixaremos você sair daqui agora, você inalou muita fumaça, vai passar pelo menos a noite conosco. – Ela falava muito rápido, como se estivesse tentando se explicar.

Ela me lançou um olhar incisivo. E muito intimidante, diga-se de passagem.

Assenti com a cabeça pela firmeza do seu olhar, ela não iria admitir ser contrariada.

Virei-me para andar de volta para a enfermaria e de repente fui tomada por uma tontura muito forte, cabaleei para o lado e tive que me apoiar na parede. Avery se moveu com tamanha rapidez que não consegui nem acompanhar todos seus movimentos e no momento seguinte ela já estava apoiando meu braço em volta de seu pescoço e segurando minha cintura, para que eu não caísse.

— Lucy, o que houve? – Ela estava alarmada.

— Não sei... Fiquei tonta, mas acho que já está tudo bem.

Dei mais um passo e a onda de tontura persistente voltou só que dessa vez veio junto com náusea. Então eu caí no chão e ouvi Avery gritando o nome “Heyes”. Pude ainda ouvir passos de alguém correndo antes de minha visão escurecer. De novo.

~’’~

Dale andava impacientemente de um lado para o outro em sua casa.

Droga, onde você se meteu Lucy?

Já tinha ido a sua casa e observado seu quarto por um bom tempo, mas não tinha nenhuma movimentação, nenhum barulho, nada. Tinha até mesmo tocado a campainha e conversado com seus pais, que disseram que Lucy saira mais cedo naquela manhã e até então não tinha voltado.

Ele tinha um pressentimento muito ruim.

Por volta do meio dia foi quando aconteceu. O incêndio na biblioteca.

Dale estava voltando para sua casa no mesmo trajeto que sempre fazia quando viu as chamas a um quarteirão de distância. Correu até a biblioteca e quando chegou lá, percebeu que o fogo já estava em um estagio avançado e que nesse ponto, a biblioteca inteira estava tomada em chamas e começava a cair. Nesse instante, o corpo de bombeiros chegou e mais pessoas avistaram o fogo. Alguma delas deve ter chamado o corpo de bombeiros. Elas também começaram a se juntar na frente da biblioteca.

Não havia muito mais o que resgatar da biblioteca, sinceramente. Se houvesse alguém naquela biblioteca na hora que o fogo começou, provavelmente já saira dali, ou então estaria morto ali dentro.

Foi só quando o corpo de bombeiros começou a entrar naquela estrutura decadente, que Dale percebeu que essa era biblioteca que Lucy ia todos os dias.

~’’~

A primeira coisa que Catelyn fez assim que a tiraram daquele buraco onde estava foi ajoelhar na grama, fechar os olhos e respirar fundo o ar da floresta. Tinha passado tanto tempo trancada, que quase esqueceu qual era a sensação dessas simples coisas.

Max parou na frente dela e agachou a um metro de distancia.

— Não pense que está livre ainda, nós estaremos aqui, nós somos sua sombra. – Levantou, foi para trás das arvores, aparentemente sumiu.

Cat então se levantou consciente de que eles ainda estavam ali. Eles sempre estariam.

Ela teria que fazer um plano muito bem feito. Ela teria que achar Lucy sozinha, senão seria morta. Junto com Lucy.

Já era 1h da manhã domingo. A noite não tinha lua e não se ouvia barulho algum. Até o vento parecia não querer se manifestar. Não havia melhor hora para encontrar Lucy sem ser notada.

Saiu da floresta e se esgueirou pela sombra dos postes de luz até a casa da Lucy. Não levou muito tempo, ela morava relativamente perto da floresta. Conveniente.

Assim que Cat chegou na rua da casa dela, viu carros de policiais parados em frente a porta. Um policial magro e alto tomava notas do que a mãe chorosa de Lucy falava, em um bloquinho. O pai dela estava abraçado a mãe da Lucy também com uma expressão muito triste, porém tentando consola-la. Enquanto isso outro policial robusto rondava a casa com uma lanterna procurando qualquer vestígio de qualquer coisa.

Lucy não estava lá. Assim como Cat, Lucy estava desaparecida.

~’’~

A distancia, ele pode observar os policiais tomando nota em frente a casa da Lucy.

Ignorando tudo o que estava sentindo, conseguiu ainda, sorrir para si mesmo. Acabou, ele conseguiu, cumpriu sua missão. Então por que sentia que tinha morrido por dentro?

Luke andava de volta para sua casa tentando se convencer de que o que fizera fora o certo, ignorando qualquer outro tipo de pensamento. Tentava ignorar a imagem da biblioteca em chamas e como pareceu que ele próprio estava em chamas, a imagem da mãe da Lucy chorando e o pai da Lucy abraçando sua esposa. Mas acima de tudo, tentava ignorar o fato de que havia morrido naquela tarde. Havia morrido quando parou em frente a biblioteca. Havia morrido quando colocou fogo em um amontoado de livros.

Havia morrido no exato momento em que acendera aquele fósforo. Que iria matar Lucy.

Notas finais
Deixem o que vocês acharam nos comentários, ajuda muito. você são demais!! Beijos e até o próximo capitulo.