The Woman Who Changed Me
19 Capítulo 19
Notas iniciais
– O que vocês vão querer? – perguntou Ruby, olhando com aqueles grandes olhos claros para mim e Andrew, sentado ao meu lado. Fizemos nossos pedidos, eu escolhi um pedaço de torta, enquanto ele pedia panquecas. A moça saiu, e nós ficamos sozinhos, em silêncio.
Era sempre assim. Sentávamo-nos em uma mesa no canto do restaurante, que permitia uma visão completa do local, fazíamos nossos pedidos, e então o silêncio caía. Tenho certeza de que ele adoraria conversar comigo, mas não é como se eu ainda tivesse vontade de compartilhar coisas com ele, como fazia antes. Então ficávamos lá, eu encarava minhas mãos e às vezes ele passava seu braço ao redor de meus ombros e trocávamos algumas palavras e sorrisos, tentando criar uma situação que mostrasse um pouco mais de vida para quem observava.
Mas, no geral, era o silêncio que prevalecia. Esses eram um dos poucos minutos do dia em que eu podia realmente me desligar do mundo e pensar, pensar no que estava acontecendo e em como sairia disso. Todo o resto do tempo era ocupado com o trabalho na prefeitura – que agora eu tinha que fazer em apenas metade do tempo normal – e as aulas de magia – totalmente inúteis – que estava dando para eles. Eu analisava todas as opções, passava por todos os detalhes mil vezes, esperando ver um caminho despercebido, mas não encontrava nada.
Eu não podia desistir, porque além de me machucarem, eles tinham Emma e Henry. Eu sabia que Tamara fazia parte do grupo deles, mas com certeza tinham muitos outros lá fora. E, de qualquer jeito, ela já estava próxima o suficiente da minha família para colocar tudo abaixo. Eu não podia contar à ninguém o que acontecia, pelo mesmo motivo.
Eu não podia usar mágica contra eles, graças a esse bracelete estúpido que colocaram em mim. Era uma peça de couro, fortalecido por magia, deixando-o impenetrável para meus poderes. Eu podia realizar mágica normalmente, mas ele impossibilitava que eu fizesse qualquer coisa contra Andrew ou Greg.
Depois dos primeiros dias eu desisti de tentar manter minha pose de nova Regina. Joguei todos aqueles pensamentos de não-me-rebaixar-ao-nível-deles fora e voltei-me totalmente aos meus antigos métodos pra me livrar de problemas. Eu imaginava-os queimando, mas o fogo não vinha. Imaginava-os sufocando, mas nada chegava até suas gargantas. Em um momento de desespero, tinha até mesmo tentado envenená-los, apenas para descobrir que o bracelete impedia o líquido de sair do frasco. Tudo o que consegui foi fazer com que Greg percebesse e ficasse enraivecido. Ele me agarrou pelo braço com força, e eu juro que ele parecia a ponto de me espancar, antes de Andrew pará-lo.
Ele era mais gentil que o amigo, e eu tinha que agradecer ao fato de não ter sido Greg o enviado para cuidar de mim. Enfim, o ocorrido do veneno me fez ver que partir para a luta física também não era uma opção. Mesmo que, por algum motivo, o bracelete não me impedisse de machuca-los, eu jamais conseguiria ganhar deles. Andrew era musculoso, e Greg havia se mostrado mais forte do que eu imaginava.
É claro que também existia a possibilidade de eu simplesmente entrar no meu carro e ir embora. Eu não sabia se os braceletes me impediriam, provavelmente não, por eu não estar fazendo algo diretamente contra eles. Eu não estava sob efeito da maldição, podia sair de Storybrooke a qualquer momento. Mas então tudo voltava para Emma e Henry, novamente. Não gosto nem de pensar o que fariam com eles caso eu fosse embora.
De todas as maneiras possíveis: eu estava perdida.
Eu podia sentir os olhos de Andrew cravados em mim enquanto eu mexia na pulseira que pendia de meu braço. Era delicada, com a pulseira de ouros branco e dourado, intercalando-se entre os elos, formando um padrão de cores encantador. De toda a corrente, pendia um único pingente, um pequeno cisne de cristal. Eu tinha encontrado ela na loja do Gold, alguns dias atrás, quando fui verificar se ele ainda possuía algum dos materiais que minha mãe usava antigamente. Se ela tinha alguma coisa parecida com o livro de encantos, isso podia me ajudar a ensinar magia para os dois, e a desculpa de estar procurando por objetos que possuíam valor sentimental para sua querida filha era ótima.
Ele não tinha nada, mas a viagem não fora totalmente perdida. Eu lembrei de Emma no momento em que vi a joia, devido ao sobrenome um tanto peculiar que ela lembrava. Em tempos difíceis como os de agora, eu precisava de alguma motivação, e um lembrete do amor que eu tinha lá fora era ótima.
– Você devia se livrar disso. – disse Andrew, tirando-me de meus devaneios.
– O que?
– A pulseira. É ligada a ela. O melhor seria você só... esquecer. Você sabe que quanto mais longe ficar, melhor. – eu continuei encarando a mesa, sem coragem de olhar em seus olhos. – Eu posso ser mais compreensivo que Greg, mas isso não quer dizer que não possa realizar todas as ameaças que são feitas.
– Eu não falo com ela desde aquele dia. Quase não vejo meu filho, que está voltando a se afastar, bem quando começávamos a nos entender novamente. Eles são a única família que eu tenho, e eu sou obrigada a afasta-los e machuca-los. Vocês tiraram de mim, tudo. Mas não podem tirar as minhas memórias, nem meus sentimentos. Eu estou bem ciente do que você faria, mas eu não vou abrir mão da única coisa que me faz querer continuar. É uma pulseira, é inofensiva.
– Greg pode não pensar assim.
– Greg poderia morrer, também. E levar você junto. Mas não acontece. – respondi, com a voz amarga, e ele entendeu que era hora de ficar quieto. Quase no mesmo instante, a porta do restaurante se abriu, fazendo com que aquele sino irritante ressoasse por todo o lugar.
Ergui meus olhos e a vi, com meu coração saltando dentro de meu peito. Ela usava aquela estúpida jaqueta vermelha, em que ficava tão bem, e tinha os cabelos soltos, caindo em grandes cachos. Seus olhos encontraram os meus, olhos cansados mas ainda assim cheios de vida.
Não tínhamos nos visto desde que eles me forçaram a terminar com ela. E isso era bom, quanto mais longe melhor, para sua própria segurança. Andrew percebeu o que acontecia e se mexeu e suspirou no meu lado. Eu quebrei o olhar dela e olhei para ele, sorrindo. Logo em seguida Henry, que estava com Emma, algo bem comum ultimamente, chegou na nossa mesa.
– Oi, mãe!
– Oi, querido. – eu respondi, abraçando-o com todas as minhas forças. Eu temia nunca mais poder ter Emma e seu amor em minha vida, mas temia ainda mais perder meu filho. Eu realmente não acho que poderia viver sem ele.
– Olá, Andrew. – ele disse quando se afastou, com um enorme sorriso. Isso era outra coisa que me irritava, os dois se davam incrivelmente bem. Eu queria manter a maior distância possível entre Henry e qualquer coisa relacionada à eles, mas era impossível. Andrew conquistara-o na primeira vez que se viram – o que era normal, já que ele praticamente se mudou para minha casa.
Os dois trocaram algumas palavras animadas sobre videogames ou algo do tipo, e Henry voltou para junto da mãe. Emma abraçou-o e foi até uma mesa no outro canto do restaurante, o mais longe possível de mim, e eu voltei a encarar minhas mãos.
– Você disse para ela que estava terminando tudo por causa de mim. Acho que devíamos fazer algo mais convincente do que olhar para a mesa o café da manhã inteiro. – sussurrou Andrew, muito próximo de meu ouvido.
– Eu não vou te beijar, se é isso que você tentando dizer. – respondi, olhando para ele e dando o sorriso mais doce que conseguia, desde que Emma nos visse interagindo, estava ótimo.
– Eu só acho que poderíamos conversar um pouco, para variar.
– Sobre o que, exatamente?
– Eu não sei. Sobre algo que você goste.
– Eu gosto da minha família. Não, espere, eu não tenho mais uma família, graças a você. – encarei-o enquanto falava, com o tom ácido da minha voz de Rainha Má atacando. – É, acho que não é uma boa ideia.
– Por que você é tão negativa?
– Eu tenho mesmo que responder?
– Eu gostaria que sim.
– Bem, porque você é uma pessoa terrível. E, acredite em mim, quando o assunto é pessoas horríveis eu sei o que estou falando. Você destruiu tudo o que eu construí aqui. Eu finalmente achei algo pelo o que valesse a pena mudar, e você tirou isso de mim. Você me sequestrou, me machucou, me ameaçou e me obriga a fazer coisas que eu não quero. Então sim, eu sou muito negativa. – Ele manteve-se quieto por alguns segundos, e eu podia sentir a respiração dele contra a minha pele, calma e tranquila. Essa era outra coisa que me assustava terrivelmente nele, sua calma. Até nos piores momentos, ele se mantinha pacífico.
– Você não era assim quando nos conhecemos.
– Você não ameaçou matar meu filho quando nos conhecemos.
– Não precisa ser assim. Tudo o que queremos é sua ajuda, Regina. E quando tudo isso acabar...
– Vocês irão embora daqui, e eu vou poder começar a juntar os cacos em que minha vida se transformou. – interrompi. Não queria ouvir o que ele tinha para me dizer, não queria ele falando que poderíamos ter um futuro ou algo assim. Minha meta era simples, dar a eles o que queriam, e me livrar de todos o mais rápido possível.
– Você parece bem motivada.
– É claro que estou motivada. Quanto antes vocês se forem, melhor.
– Se quer que seja tudo tão rápido, por que não tivemos nenhum resultado até agora?
– Você sabe o porquê! Não é como se eu estivesse tentando, Andrew. Mas acontece que isso leva tempo. Eu precisei de semanas até conseguir congelar alguma coisa ou me tele transportar, embora eu já tivesse mostrado mais resultado no ponto do treinamento em que estamos. Sempre me disseram que eu era poderosa, que me tornei tão forte quanto meu professor, isso deve afetar algo. Mas eu realmente acredito que nem mesmo com todo o treinamento do mundo vocês...
Ruby me interrompeu, chegando com nossos pedidos. Pôs as panquecas na frente dele e a torta com o café na minha. Eu agradeci mais que tudo pela interrupção. Não queria continuar naquela conversa. Não queria conversa nenhuma.
– Nós o que? – perguntou Andrew, quando a moça se retirou.
– Nada. Vamos só comer e ir embora, eu tenho muito trabalho pela frente.
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– Foque na raiva, não em mim! – Eu disse, pela décima vez.
– Você é quem causa a raiva, então... – me respondeu Greg, pela décima vez.
Era inútil.
Eu já tinha ensinado mágica antes, sabia o que estava fazendo. Mas não importa o quanto eu os treinasse, nada acontecia. Já eram quase duas semanas de aulas, e eles não conseguiam nem acender uma vela. Eu tente até mesmo um dos feitiços no livro da minha mãe, mas não adiantava.
– Por que não está funcionando?
– Vocês sabem porque não funciona! – eu gritei, com minha voz ressoando por todo o galpão. Eu estava farta, não aguentava mais ser tratada como um objeto. Não aguentava mais as lágrimas que pareciam me seguir 24 horas por dia. Não aguentava mais toda a pressão. Eu sabia que não ia funcionar, e eles precisavam entender isso. – Vocês. Não. São. Criaturas. Mágicas. – disse, pronunciando cada palavra separadamente. – Não são! Não adianta a quantidade de encantamentos que eu faça, ou tanto treino vocês tenham. Não vai funcionar, é impossível!
Os dois se encararam em um olhar longo, e eu juro que parecia como se eles estivessem conversando sem pronunciar uma única palavra. Depois de alguns segundos, Andrew quebrou o silêncio.
– Me diga uma coisa. Na antiga terra, todas as pessoas possuíam poderes?
– Não. – eu respondi, não falando nada além do essencial. Havia aprendido há tempo que quanto menos falasse e revelasse, melhor.
– Então a maioria das pessoas eram comuns, exatamente como nós?
– Sim, elas eram. Mas...
– O que significa que elas só se tornavam capazes de mágica se alguém os ensinasse. – interrompeu Greg, cada vez mais próximo de mim. – Você não querer nos ajudar não é novidade, Regina. Mas nós não vamos embora até que conseguirmos o que queremos.
– Você acha mesmo que eu estou manipulando isso? Quanto antes vocês aprenderem e saírem desse lugar melhor! Por que eu atrasaria as coisas?
– Com esperança de que nos cansemos de ficar aqui e desistimos, talvez. Ou talvez você queira que fiquemos. Andrew iria adorar isso....
Antes que eu pudesse me conter, senti o atrito da minha mão contra seu rosto. Um único tapa, certeiro e com todas as minhas forças. Ao mesmo tempo um grande complexo de sensações apossou-se de minha mente. Eu não conseguia isolar um único sentimento, tudo parecia bagunçado e um imenso asco me atingiu, no momento em que percebi qual seria a repercussão de tudo isso.
Greg agarrou meu braço, que ainda estava no ar, pelo pulso, esmagando-o com força, explodindo em ira. Eu tentei me soltar, mas era inútil, ele me tinha presa.
– O que você pensa que está fazendo? – gritou, com seu rosto assumindo uma vermelhidão.
– Você não chega aqui, destrói minha vida e ainda insinua que eu estou gostando da situação. – soltei em algo que mais se assemelhava a um rosnado.
Pense em raiva. Pense em ódio. Pense em medo. Pense em desespero. Era nisso em que eu pensava.
Greg me empurrou para trás e eu recuei até bater de costas contra a parede. Tinha alguma coisa presa lá, um gancho, disjuntor, qualquer coisa. O objeto não identificado prensou-se nas minhas costas, enquanto Greg me forçava mais e mais contra a parede, e a dor me invadiu lentamente. Alojou-se em meus músculos, entrando sem pedir minha permissão, como a velha amiga que era.
– Você não me diz o que fazer ou não. – ele sussurrou, próximo ao meu ouvido. – Você já deu ordens e causou dor o suficiente nessa miserável e cruel vida que levou. Mas agora, Rainha, você não tem poder sobre ninguém. — Eu deixei minha cabeça cair para trás e cedi às lágrimas, que insistiam em me perseguir, enquanto percebia que Greg não poderia estar mais certo.
Eu não tinha poder algum sobre a situação.
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