The Woman Who Changed Me
16 Capítulo 16
Notas iniciais
– Vamos, atenda, Emma... alguns dias já tinham se passado desde o dia na delegacia, e Emma estava evitando Regina em todas as tentativas de aproximação. Era a quinta vez que Regina ligava para Emma aquele dia, na esperança de Emma se irritar e atender o telefone para a prefeita parar de ligar.
Regina jogou o telefone com força sobre a mesa quando ele parou de chamar, a xerife a ignorava de novo. Pensava no que poderia fazer para se aproximar de Emma quando foi interrompida por alguém entrando em seu escritório. Ergueu os olhos e viu quem era, imaginando se seu dia poderia ficar ainda pior do que já estava.
– Saia daqui, por favor, eu não estou com paciência para suas gracinhas, Gancho. disse, sem rodeios.
– Estes não são os modos de uma rainha, majestade. O pirata tinha o rosto machucado, um pequeno corte acima da sobrancelha e outro nos lábios, além de um belo olho roxo, em um tom já esverdeado. Mancou até uma cadeira e deixou-se cair sobre ela. Não se preocupe, eu quero apenas conversar.
– Você foi ver um médico, Killian? O pirata aparentava sentir dor com todo que fazia, e Regina sentia-se satisfeita com isso. Era bom saber que dessa vez ele saíra machucado.
– Eu passei tempo o suficiente no hospital quando aquele homem me atropelou, não tenho intenção de voltar lá. Essa não foi a primeira vez que eu levei uma surra, rainha. Mas devo admitir que seu namorado foi o primeiro em anos que conseguiu fazer isso e sair com vida.
– Ele não é meu namorado.
– Ele parecia um namorado...
– Mas não é. Um amigo, talvez. Nos conhecemos há pouco tempo, na verdade. E, sejamos sinceros, você mereceu.
– Eu sei. E eu sinto muito, desculpe. Hook suspirou e mudou a posição na cadeira, procurando uma menos dolorosa. Quando estávamos lá, você disse algo sobre sua mãe. Ela..?
– Ela morreu. Alguns dias depois da sua partida. E, queira ou não, você tem um papel na orte dela.
– Tenho?
– Você esfaqueou Gold, envenenou-o. Ele e Branca fizeram algum tipo de feitiço no coração da minha mãe e me enganaram para colocá-lo de volta. Quando eu fiz, ela... a ferida de Rumple passou para ela e... ela se foi. Gancho conseguia ver o quanto doloroso era para Regina falar sobre isso. Apesar de tudo, Cora era sua mãe, a mulher quem lhe deu a vida.
– Eu sinto muito.
– Eu também.
– Ela estava tentando se redimir, Regina. Mantenha isso nas suas memórias sobre ela. Ela queria conquistar você e Henry...
– Ela ia matar metade da família do meu filho, não é assim que se conquista uma pessoa... eu aprendi da pior maneira.
– Seus métodos não eram os certos, mas a intenção sim. Regina se levantou com um suspiro e foi até o bar que ficava no canto do cômodo. Encheu dois copos com whisky e voltou, entregou um a Gancho e depois voltou para sua cadeira. — Eu nunca quis mal a Cora, ela foi minha única companhia durante muitos anos. E agora, ela se foi e Rumplestiltskin ainda está vivo.
– Killian, eu sei que você está indo atrás desta vingança por muito mais tempo do que estou pela minha, mas, se você me permitir te dar um conselho, pare. Desista. Como eu fiz.
– Essas são palavras que eu jamais imaginaria vindo de você, Regina.
– Nem eu. Mas eu acho que eu só percebi que, depois de tantos anos, essa sede por vingança não me trouxe nada além de mais e mais raiva. E então eu percebi que minha vida pode ser muito melhor se eu parar de ser a odiada e começar a mostrar para os outros que eu sou uma pessoa, não um monstro.
– Eu quero matar Rumplestiltskin e você está dizendo que eu sou o monstro?
– Ambos sabemos que Rumple não é um doce de pessoa, mas se você mata-lo, não vai ser melhor que ele. Talvez seja hora de pararmos, Gancho.
– Talvez.
**************
A prefeita estava em frente à escola de Henry, ansiosa esperando pelo filho. Ele ia passar a tarde com Emma, e Regina descobriu um jeito de conseguir falar com a xerife, através de Henry. O sinal para o primeiro intervalo tocou e alguns segundos depois ela pôde ver o filho saindo com alguns amigos, respirou fundo e foi até ele.
– Henry, posso falar com você por um minuto? O menino olhou para ela com um ar confuso e concordou em acompanha-la. Andaram alguns metros, para ganhar um pouco de privacidade. Foi Henry quem quebrou o silêncio.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não, querido, não aconteceu nada. Eu só queria falar uma coisa com você.
– Bem, o que é?
– Henry, você sabe que eu e Emma estamos tentando nos entender, por você. Manter uma boa relação. Mas ainda não esquecemos tudo o que aconteceu antes da maldição ser quebrada. Eu quero mudar isso. Então queria saber se você não gostaria de chamar sua mãe para jantar conosco, hoje.
– É claro! Seria ótimo. E eu tenho certeza de que Emma vai adorar, ela já disse para mim que quer ter uma relação amigável com você.
– Ela disse?
– Sim. Eu acho que ela gosta você, mãe. Acho que vocês podem se tornar grandes amigas um dia.
– Eu espero que sim. Bem, não quero tomar todo seu tempo. Apenas diga à Emma que estarei esperando por ela para jantar com a gente, ok?
– Claro. Te vejo mais tarde. gritou Henry, antes de sair correndo. E pela primeira vez em dias, Regina sentiu como se estivesse um passo mais próxima a Emma.
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– Usar o garoto foi covardia. Até mesmo para você, Regina. Emma ligou para Regina com os nervos à flor da pele. Estava mais que irritada com Regina, ela simplesmente achou um jeito de controlar Emma através de Henry, obrigando-a a vê-la.
– Você está dizendo que eu sou uma covarde?
– É exatamente o que estou dizendo. Você sabe que não teria como eu recusar, não para Henry. Você tem ideia do que está fazendo com ele? Dando a entender que nós duas nos transformaremos em melhores amigas e viveremos uma vida perfeita enquanto dividimos nosso filho. Dar a ele falsas esperanças não vai ajudar em nada, Regina.
– Falsas esperanças? Então você está dizendo que não há uma chance sequer de pazes? Regina ouviu Emma suspirando no outro lado da linha, e quando ela voltou a falar sua voz era suave e magoada.
– Eu dizendo que você me machucou. E você vai machucar ele também se continuar assim, e isso eu não vou perdoar.
– Eu mudei por vocês, Emma. Nós só... nós só precisamos conversar.
– Mudou? Olhe para o que você está fazendo, Regina. Isso é exatamente o que a antiga Regina faria. Só porque você quer algo, você acha um jeito de obrigar os outros a fazer exatamente o que quer. Manipula elas para conseguir o que está procurando.
Regina se manteve quieta por um bom tempo, assim como Emma. Tudo o que queria, o que precisava, era uma chance com Emma. Depois de um tempo quebrou o silêncio, com a voz já afetada pelo começo do choro.
– Eu tentei, Emma. Mas você me evita há dias, não atende minhas ligações...
– Por um motivo. Você não pode me forçar a fazer algo. Digo, pode, mas não é algo que devesse fazer...
– Você vai? Hoje à noite?
– Eu vou. Mas por ele, não por você. E você, Regina, só... pense, da próxima vez, pense antes de envolver Henry.
A ligação ficou muda e as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Regina. Mal ela sabia que a xerife fazia a mesma coisa do outro lado da cidade.
**********************
Eram oito horas quando Emma chegou com Henry. O jantar já estava pronto e Regina estava na sala com uma taça de vinho, se contorcendo de ansiedade, quando a campainha tocou. Ela correu até a porta, parou e respirou fundo antes de ir em frente.
Abriu-a e Henry correu à frente, abraçando-a com força enquanto começava a contar tudo o que fez com Emma aquele dia. Mas era na xerife que a atenção de Regina estava concentrada, e vice-versa. Emma vestia um jeans básico e uma camiseta verde de botões, que combinavam com seus olhos. A xerife fez o mesmo, encarando a rainha que vestia um simples vestido preto, de caimento leve.
– Boa noite, Srta. Swan. disse Regina, quando Henry entrou e subiu as escadas para guardar a mochila.
– Oi, Madame Prefeita.
Elas entraram e terminaram de preparar a mesa em silêncio, Henry voltou e começaram a jantar. O menino estava animado e não parou de falar sobre tudo que fizeram aquele dia, poupando Regina e Emma de muita interação. Quando terminaram de jantar os três tiraram a mesa e limparam a louça, e então, a pedido de Henry, sentaram todos na sala para ver um filme.
Regina sentou-se no sofá grande, com Henry ao seu lado e Emma na poltrona. Na metade do filme o garoto já estava deitado no colo de Regina, que afagava seus cabelos, e antes de terminar ele já estava há muito adormecido. Emma levantou-se em silêncio e pegou Henry no colo, subiu as escadas com Regina logo atrás.
Colocou o menino na cama e se afastou, enquanto Regina ajeitava os travesseiros e cobertas. Quando a prefeita terminou e olhou para trás Emma não estava mais lá. Um leve desespero assumiu sua mente, imaginando que ela havia ido, já que Henry dormia.
Desceu as escadas correndo, mas encontrou Emma na sala, sentada no sofá. A xerife estava com o rosto entre as mãos, parecendo chorar. Regina se aproximou lentamente e tocou no ombro de Emma, que enrijeceu e se endireitou no mesmo instante, passando as mãos pela face. Se ela realmente chorara, Regina não podia dizer.
A prefeita contornou o sofá e sentou-se ao lado de Emma, levou suas mãos até as dela, mas a xerife recuou, afastando-se de Regina.
– Eu te vi com ele. começou Emma, depois de alguns segundos.
– Eu já disse que..
– Não estou falando sobre aquela noite na rua interrompeu Emma. Eu não consigo decidir se tenho mais raiva do Gancho, do Andrew, ou de você. Regina podia ver, sentir, o ódio e a mágoa na voz de Emma e o tom sombrio e triste que ela assumira. Eu conseguiria aceitar, sabe? O que você fez com Andrew. Foi idiotice minha não entender isso na hora, é só que tudo o que você disse... Mas eu estava indo para a prefeitura, falar com você. Pedir desculpa, dizer que eu nunca te deixaria. Só que você não tem problemas para substituir companhias, tem?
– Não é o que você imagina...
– Pare de repetir isso, Regina! Não vai mudar o que eu vi. Você estava lá, com Gancho, prensada contra uma parede. E eu realmente não me lembro de nada que te obrigue a ficar com ele, como com Andrew.
– Ele estava bêbado, ou algo assim. Eu estava dizendo para ele me soltar! Se ele continuasse eu usaria mágica, mas...
– Mas seu novo amigo apareceu para salvar o mundo, é claro. Emma quase cuspiu as palavras seguintes. E então você o pega pela mão e leva ele para o restaurante, como se nada tivesse acontecido entre vocês!
– Porque não aconteceu! Emma, não há nada, nada, entre nós, e você sabe disso! Você sabe sobre tudo, sabe o motivo dos meus encontros com Andrew. Regina baixou a voz e sussurrou, com as lágrimas manchando sua face. Se você quiser ir, vá. Eu não vou te obrigar a ficar aqui. Mas você tem que saber... eu te amo mais que tudo, Emma. Você e Henry são meu ar, minha luz, eu não consigo viver sem vocês. Eu sou um nada, sem vocês.
– Então por que você continua me machucando? a voz de Emma era fraca, falhando, Regina pôde perceber as lágrimas se misturando a ela.
– Eu... Eu nunca quis. Emma, eu faria tudo por você. Nós podemos fazer isso funcionar...
– Como, Regina, como? Como poderíamos viver felizes e contar para todo mundo se não conseguimos ficar sem brigar nem quando nossa relação se resume só a nós duas? Emma ergueu o rosto e fitou Regina, deixando a prefeita ver como estava quebrada.
– Esse é o problema, Emma. Nós estamos brigando por motivos externos quando nós duas ainda somos segredo. Quando deixarmos as pessoas entrarem... vai ser diferente. E mesmo que não mudemos, eu prefiro brigar com você todo santo dia do que ficar sem você.
Emma já não lutava contra as lágrimas, permitia que elas viessem à tona sem esforços. Regina estendeu os braços e abraçou-a, laçando seu corpo com seu toque. Trouxe-a para perto e lentamente Emma deslizou nos braços de Regina, até estar deitada no seu colo, com a rainha curvada sobre si. Regina afagava seus cabelos enquanto Emma soluçava, sem dizer uma palavra.
E ali mesmo, durante aquele silêncio profundo, sendo apenas quebrado pelo som do choro, ambas souberam que tudo estava bem. Que não importava o que acontecesse, elas venceriam.
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Ela estava no banheiro do Granny's quando escutou seu nome vindo de uma voz estranha, mas ao mesmo tempo não totalmente desconhecida. Concentrou-se e desligou a torneira, mantendo-se no mais profundo silêncio. Andou até a porta e colou o ouvido na madeira, esforçando-se para entender os murmúrios que vinham do outro lado.
– ... Você já está há muito tempo nisso, está na hora de mudarmos os planos...
– Não é como se pudéssemos tocar a campainha e simplesmente pedir que... — a voz se abafou, a pessoa tinha se afastado ou diminuído o tom, mas Regina já sabia a quem ela pertencia. — ela nunca faria isso, você sabe disso. — disse ele.
Lentamente, Regina abriu a porta e olhou para fora, podia ver a sombra dos homens na parede um pouco mais à frente, em uma salinha que ficava junto a recepção do hotel. Saiu do banheiro e se aproximou, cuidando para não fazer nenhum ruído. Podia ver as sombras e saber onde eles estavam, mas manteve-se fora do campo de vista dos dois, que ainda conversavam.
– Seu plano incrível de seduzi-la não está funcionando, Andrew. — Ela se lembrava de quem era a outra voz agora, pertencia a Greg Mendell. Ele e Andrew estavam falando sobre ela, mas por que?
– Bem, ela aparentemente tem mais do que um caso com aquela xerife. Elas realmente se amam, eu acho. Não conseguirei nada com Regina enquanto a loira estiver no jogo.
– E se ela deixar de estar?
–Certo, vamos sequestra-la. Quem sabe mata-la, Regina não ficará de luto nem preocupada, virá correndo para meus braços.. isso não tem lógica, Greg!
– Quem falou sobre machuca-la? Aquela mulher tem um filho, com o filho do Rumple, não é?
– Sim, Henry. Ele é o filho adotivo da Regina, você sabe isso... mas o que isso tem a ver com o plano?
– O que você acha que aconteceria se alguns... antigos sentimentos, digamos, voltassem à tona?
– Entre eles? Impossível. Ambos estão comprometidos, e Neal está noivo da Tamara, ou acha que está, tanto faz.
– Tamara está reclamando há meses, quer acabar com tudo o mais rápido possível. Nós podemos fazer isso, ela fica livre e Neal é abandonado, vai buscar consolo na única pessoa que conhece na cidade...
– ...que é Emma. É, isso poderia funcionar. Mas ela o odeia, o cara a abandonou na cadeia.
– Não há nada no mundo que não possa ser perdoado, Regina e Emma são uma prova disso. Se ela voltar a sentir algo por Neal, incontáveis dúvidas aparecerão para ela. Afinal, ficar com ele seria dar ao seu filho uma família, algo real, e não a mentira que estão vivendo hoje. E uma vez que ela escolha Neal...
–... Regina estará vulnerável e de coração partido. Com mais nada a prendendo. Um pouco de encenações e palavras bonitas que ela dirá um ''eu te amo'' para mim tão fácil quanto consegue arrancar um coração.
Os homens continuaram discutindo, mas Regina já havia parado de ouvir. Sua indignação era absurda, assim como a surpresa. Andrew, Andrew estava armando para ela? E para o que? O que eles queriam?
Enquanto tentava assimilar todas as ideias, apoiou-se na parede. Antes que pudesse impedir, seu braço bateu em um quadro, que foi ao chão causando um barulho mais que alto. Soube que estava perdida no momento em que sentiu a moldura em contato com sua pele.
A última coisa que viu foi a raiva no rosto de Andrew, que segurou-a pelos braços e pôs uma mão sobre sua boca antes mesmo da prefeita conseguir esboçar um ruído. Apertou-a com força, até que tudo ficou escuro, e mais escuro...
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