Notas iniciais
Pessoaaaaaaaaaaaal! Primeiramente: desculpa, desculpa, desculpa e desculpa. Sabemos que demoramos muito pra atualizar, mas foi com motivos. Alguns problemas pessoais afetaram a gente e nosso desempenho, além de umas falhas de comunicação que sofremos, desculpa. T_T
De qualquer jeito, alteramos esse capítulo umas dez mil vezes, tentando deixar ele o melhor possível. A versão final não tem nada a ver com a original.
Espero que gostem, e que tenhamos alcançado a expectativa de vocês.
PS.: Lemos os reviews e AMAMOS o fato de como vocês estão montando teorias e dando sugestões. Isso é muito legal, sério. Como dissemos, a fic não segue nada o contexto da série, então... quem sabe não podemos pegar inspiração em uma sugestão ou teoria de vocês? hehehe
Hoje já está tarde e eu to caindo de sono, por isso não vou respondê-los agora, mas juro que faremos isso logo logo e todos terão sua devida resposta.
Espero que gostem do capítulo, beijinhos.

- Gancho? – Emma estava atordoada e sua cabeça girava em torno de tudo o que acontecia. Uma dor latejante atingia seu braço, um pouco abaixo do ombro. Desceu o olhar e viu que era onde ele havia a segurado com força, impedindo-a de cair. Percebeu também que ainda estava extremamente próxima ao pirata. Recuou alguns passos antes de continuar. – O que está fazendo aqui? – aparentemente, ele conseguiu encontrar o caminho de volta a Storybrooke. E pensar que Emma estava imaginando que ele ficaria por mais algum tempo em Nova York.

- É assim que uma dama salda seu salvador? – aparentemente, a ironia e a piada em sua voz continuava a mesma.

- Você não é meu salvador. – uma rajada gélida de vento os atingiu, e Emma tremeu mesmo por baixo de seu casaco. – E tenho quase certeza de que também não sou nenhuma dama.

- Isso, querida, podemos descobrir de maneira extremamente fácil. – disse ele, com um sorriso galanteador e uma expressão que beirava a sedução. – E prazerosa, é claro.

Emma fez uma careta diante da cena, mas não pode deixar de pensar em Regina, jantando com Andrew. Na maneira de como a rainha olhava e sorria para ele, o toque das mãos do homem nas suas. Da maneira como desejara que Regina sentisse um pouco do mesmo que Emma.

E então Gancho apareceu...

Não. Foco, Emma, disse para si mesma, você está com raiva e cheia de ciúmes. Mas ama Regina, do mesmo jeito que ela te ama. Lembre-se disso. Foi com olhos diferentes que encarou o home à sua frente desta vez.

Ele tinha os cabelos bagunçados e vestia a mesma roupa que usava desde o dia que conhecerá, a roupa de pirata. Tudo o que Emma conseguia pensar era em como e quanto tempo ele usava os mesmo trajes, e no quanto ele deveria desejar um banho quente e relaxante. Por um momento, quase sentiu pena e se arrependeu de tê-lo deixado para trás em Nova York, preso em um armário.

É verdade que ele apunhalara Mr. Gold no peito durante aquela viagem, e que esse quase morreu. Mas todos tinham que admitir que Gold, ou Rumplestiltskin, não era uma pessoa amigável, digamos. Regina explicou à Emma a história que os dois compartilhavam, o motivo da sede de vingança que Gancho possuía.

Enquanto Emma escutava, não pode deixar de pensar no quanto Regina se assemelhava a ele. Ambos com amores perdidos. Ambos buscando vingança por algo que não poderia ser desfeito. E agora Gancho estava ali, encarando-a com aqueles olhos azuis e profundos, esperando que Emma fizesse algo. Ela esperou mais alguns segundos antes de quebrar o silêncio pacífico que se instalara entre eles.

- Você está bem? – questionou. – Eu digo, a viagem e tudo mais... o mundo real.

- O que a faz ter tanta certeza de que esse é o mundo real, e não a fantasia?

Para isso, Emma não tinha resposta. Pensou por um instante antes de encara-lo novamente e responder.

- É aqui que ficam as coisas que eu conheço.

- Exato. Vale o mesmo para mim. – ela limitou-se a assentir com um movimento da cabeça. – E sim, estou bem. Obrigado por perguntar.

- Certo... Você tem onde ficar? Por que se não, eu posso falar com a vovó e tenho certeza que um quarto no Granny’s seria...

- Eu estou bem, obrigada. – interrompeu o pirata, com um certo desapontamento no rosto. – Eu tenho meu navio, não tenho?

- Sim... é claro. Eu... eu tenho que ir. – disse, olhando-o pela última vez. Virou-se e continuou andando, com o passo ainda mais apressado dessa vez.

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Regina não tinha ideia de quando aconteceu, só sabia que quando olhou para sua mesa, Emma não estava mais lá. Presumiu que ela tinha ido até o banheiro, mas os minutos se passaram e nenhum sinal da xerife.

Ela fora embora.

Isso significava que provavelmente se irritou com algo e decidiu ir. O ciúmes era algo pelo qual elas enfrentavam constantemente. A partir do momento que ninguém sabia que eram comprometidas, não era de se estranhar que pretendentes continuavam surgindo. Lembrou-se de quantas vezes já fora ela a sentir ciúmes da xerife, e tentou pensar o que Emma estava sentindo essa noite.

Afinal, Regina estava em um encontro.

Tentara acalmar Emma dizendo que era apenas um jantar, mas ambas sabiam que aquilo era um encontro. Regina sentia-se horrível internamente, mesmo não deixando demonstrar seus sentimentos para Andrew. Sentia como se estivesse traindo Emma, a mulher que realmente amava. Mas era necessário, todos precisavam de respostas, e Regina bem sabia que esse era o melhor jeito de consegui-las.

Apesar de todos os contras, a conversa com Andrew era agradável. Descobriu que tinham vários interesses em comum, e mesmo quando discordavam em algo, discutiam racionalmente e sempre chegavam a uma conclusão que agradava a ambos. De uma maneira geral, a noite foi agradável e descontraída.

A prefeita repassava mentalmente todo o jantar enquanto colocava seu casaco e esperava por Andrew à porta do restaurante, que logo se juntou a ela. Juntos, eles saíram do local para o frescor do ar livre. As ruas da cidade estavam molhadas, devido a leve chuva que caíra antes, mas agora a noite estava serena e gélida.

- Então, você está de carro? – perguntou ele. Regina rapidamente recordou-se que ele estava hospedado no Granny’s, sem motivo para ir embora. A não ser por ela.

- Oh, não. Minha casa é apenas a algumas quadras daqui, vou andando.

- Bem, nesse caso, eu vou te acompanhar. – respondeu ele. A prefeita preparava-se para recusar, mas antes que ela pudesse dizer algo, ele completou – Não se deixa uma dama andar sozinha durante a noite. – Calando-a. Estendeu seu braço, Regina sorriu e aceitou a companhia.

Andaram em silêncio, olhando para o céu e as diversas estrelas que cobriam aquela imensidão. Regina viu que era noite de lua cheia e pensou em Ruby. A jovem estava sendo obrigada a ficar em casa, coberta pela capa mágica há um bom tempo. Era muito perigos que ela saísse como lobo com os visitantes na cidade. Regina compreendia sua situação mais que ninguém. Por anos esteve na mesma posição, desejando aquele liberdade e sendo impedida de desfruta-la.

Já avistava sua casa quando Andrew finalmente falou, quebrando o longo silêncio que se instalara entre eles, pela primeira e única vez aquela noite.

- As noites aqui... são sempre assim tão lindas? – questionou, olhando para Regina.

- Quase todas, mas também temos bastante chuva e tempestades. Mas quando as nuvens se vão... é incrível. Com as estrelas brilhando intensamente contra o céu límpido. Sabe, antes de Henry, eu chegava a passar noites inteiras no cais – um sorriso tênue e pacífico se formou em seus lábios, e relembrando aquelas memórias que agora pareciam pertencer a outra vida, continuou andando enquanto falava. – Olhando o céu, com a lua refletindo na água e sentindo o vento no rosto... me fazia sentir uma liberdade inexistente.

- Por que mudou? – recebeu um longo suspiro antes da resposta.

- Eu me tornei uma mãe. Minhas noites passaram a ser reservada a Henry, cuidando e zelando por ele. Assim como todos os dias e minutos de minha vida. O sorriso daquele bebê se tornou minha lua refletida no mar. E isso era tão perfeito quanto. Então, as coisas mudaram novamente. Eu tive que passar a ficar mais tempo na prefeitura e Henry cresceu o suficiente para saber que “adotado” significa que alguém o tinha abandonado. Os problemas começaram e quando eu percebi estava intercalando todo o meu tempo entre trabalho e Henry. Enquanto ele intercalava o dele entre escola, terapia e tentativas de pôr a maior distância possível entre nós. E então, ‘’a verdadeira mãe do meu filho’’ chegou à cidade. Ou era assim que ele gostava de chama-la. – Era doloroso lembrar desse passado, mas não deixava de ser verdade. Henry a odiou por um longo tempo. E hoje, a cada dia que se passava ela agradecia pôr as coisas estarem começando a mudar novamente. Agradecia, também, por ter Emma em sua vida. Eles já estavam em frente à casa da prefeita, e Andrew a observava atentamente. – Minha linda lua foi esquecida.

- Eu sei de algo que é ainda mais lindo. – Regina virou-se para ele e não pôde impedir antes que seus lábios se colassem.

Andrew a beijou de maneira delicada, carinhosa, mas também avassaladora. Regina queria recuar, impedi-lo, mata-lo, mas não conseguia. Alguma coisa nele a prendia. Ele levou as mãos até sua cintura e trouxe-a para perto. Uma mão manteve-se lá, enquanto a outra subiu pelas suas costas. Passou pelos ombros e nucas, até chegar ao seu rosto, afagando-o.

Regina finalmente retomou o controle e afastou-o com um empurrão forte, repleto de ira. Rapidamente a raiva surgiu e tomou conta de si, fechou as mãos em punhos ao lado do corpo. Tinha raiva de Andrew, por tê-la beijado. Tinha raiva de Greg por tê-lo trazido até ali. E acima de tudo tinha raiva de si mesmo por ter permitido que ele chegasse a beija-la.

Por um momento tudo o que quis foi gritar a verdade, estapear Andrew com todas as suas forças e jogar aquele disfarce que era obrigada a usar fora. Mas não podia. Viu a confusão no rosto do homem e fechou os olhos, respirando fundo, na tentativa de se acalmar. De fato, controlou-se. Quando olhou para ele demonstrava uma expressão quase arrependida, enquanto sua mente trabalhava em alguma desculpa que pudesse dar a ele.

- Regina, me desculpe, eu...

- Você não tem que se desculpar. – interrompeu ela. – Eu só... estou cansada. Eu... eu vou para casa.

Virou-se e andou rapidamente pelo caminho do jardim, sem nem um relance para trás. Sabia que Andrew provavelmente estava confuso com o que ela fez, mas não tinha nenhuma explicação que pusesse dizer a ele. Entrou e fechou a porta, trancando-a imediatamente. Suspirou e apoiou-se contra ela, com as costas contra madeira.

De repente exausta, deixou-se escorregar até o chão. Teria de se explicar para Andrew no dia seguinte, sabia disso. Ninguém sai em um encontro com alguém e foge desse jeito quando é beijada. Mas não era agora que pensaria nisso. Estava tarde, e ela ficou de ir até a delegacia contar as novidades à Emma... Emma. Teria de se explicar para ela também, e isso seria o pior de tudo.

Depois de dias flertando e fingindo ser alguém que não era, tudo foi por água abaixo. Continuar fingindo interesse em Andrew exigiria mais beijos, dentre outras coisas, e nisso Regina não estava nem um pouco interessada. Suspirou pela explicação que teria de dar para Emma no dia seguinte. Suspirou pela chance de mais respostas que se fora. Mas o terceiro suspirou se passou quando ela percebeu que não ligava.

Continuar com isso significaria agir como se Emma não existisse, pensou, enquanto se levantava e se dirigia para as escadas, e eu não vou perder Emma para uma farsa.

***************************

Emma estava caída em sua cadeira, encarando alguns papeis a sua frente, sem estar de fato trabalhando em algo, quando escutou aquele barulho que outra época significaria terror e ódio, mas agora tornara-se reconfortante. Regina apareceu alguns segundos depois, com os barulhos do salto no piso ecoando por todo o corredor. Parou quando chegou à porta e ficou encarando Emma, com um sorriso sedutor no rosto.

Vestia uma calça em tons de cinza, extremamente justa, com uma blusa branca igualmente apertada. O tecido colava-se ao seu corpo, fazendo o contorno dos seios e da cintura fina, mostrando todas as suas curvas. Caía sobre seus ombros uma jaqueta preta, assim como o clássico salto alto. A produção monocromática era apenas quebrada pelos lábios e o lenço que usava ao redor do pescoço, ambos vermelhos.

Emma encarou Regina de cima a baixo e sentiu-se momentaneamente desleixada dentro de seu jeans e camiseta. Parecia à Emma que não importava quando, a prefeita estava sempre sedutora e elegante. Ela conseguia ser assim até mesmo quando vestia seus pijamas ou uma das várias camisetas de Emma que havia confiscado e agora usava para dormir, dizendo que gostava de seu cheiro e fazia-a sentir-se mais próxima a xerife.

Mas, mesmo com a aparência perfeita de Regina, Emma manteve-se impassível na sua mesa. Parte de si desejava correr para os braços a prefeita. Outra, desejava manda-la embora. Via-a olhando para ela, mas tudo o que conseguia enxergar era a Regina da noite anterior, no jantar com Andrew. Ou melhor, depois do jantar. O encontro com Gancho havia a deixado mais transtornada do que esperava, e em vez de ir direto para casa decidiu andar um pouco, para tentar refrescar os pensamentos. O que conseguiu com isso? Uma visão perfeita de Regina aos beijos com Andrew, em frente à sua casa. A prefeita manteve o silêncio com os olhos atentos em Emma, a xerife questionava se tudo o que acontecia entre elas não vinha da mesma atuação que Regina praticava com o homem. Questionava se não era ela o Andrew da história, e ele quem possuía o verdadeiro afeto de Regina. Emma baixou os olhos e voltou a olhar para seus papéis, sem realmente prestar atenção neles. Regina percebeu que havia algo errado e andou até Emma, devagar. Manteve o tom firme quando finalmente falou.

- Emma, como está seu dia?

- Com certeza não tão bom quanto sua noite, Senhora Prefeita. – respondeu Emma, em um tom frio. Regina ergueu as sobrancelhas e pareceu atordoada por um momento. Andou até a mesa de Emma e puxou para perto a cadeira de outra, sentando-se bem ao lado de Emma.

- Por que minha noite seria boa se não estava com você?

- Por que não perguntamos para o homem com quem a senhorita estava aos beijos, ontem à noite?

Dessa vez o choque foi mais evidente no rosto de Regina. A prefeita inspirou profundamente e fechou os olhos. Mais alguns segundos de silêncio ficou entre elas até que voltasse a falar.

- Você viu.

- Eu vi.

- Não é o que está pensando.

- É claro que não é... nunca é.

- Eu não beijei ele!

- Regina, eu vi! – Emma gritou, chegando a assustar Regina. Emma sempre controlava seus gritos quando brigavam, mantendo a voz raivosa mas baixa. Normalmente era a prefeita que aumentava o tom. – Com meus próprios olhos, eu vi vocês andando juntos e então ele te beijou e você não fez nada.

- Exato, ele me beijou. E é claro que eu fiz algo! Você pensa que eu fiquei lá parada, deixando que me beijasse?

- Na verdade, é exatamente o que eu penso. Na verdade, eu consigo imaginar o que aconteceu depois do beijo! Por que não aproveitar que Henry não está em casa, não é?

- Emma! – Regina chegava a se sentir ofendida com o que a xerife dizia. – Você, claramente, não viu como terminou.

- É claro que não vi. Eu só saí andando, ou você acha que eu sou tão idiota ao ponto de me torturar assistindo enquanto a mulher que eu amo se agarra com outro homem?

- Não foi assim, e você sabe disso. Eu afastei ele, Emma.

- Depois de quanto tempo?

- Quando consegui. E eu o empurrei tão forte, com tanta raiva, que se ele nunca mais quiser olhar para mim, eu não vou ficar surpresa. – jogou-se para trás, apoiando todo sua exaustão no encosto da cadeira. Suspirou e continuou a falar – Eu estraguei tudo. Eu poderia ter acabado com aquilo gentilmente e ter enrolado ele por mais um tempo, mas ninguém age como eu agi. Eu basicamente fugi dele.

- E isso seria uma coisa ruim? – questionou Emma, com a voz carregada de ironia.

- Para você, talvez não. Mas para a segurança de toda a cidade, sim! A verdade é que eu não consegui muitas das respostas que queria. Eu sei que eles ainda estão aqui apenas porque Greg pareceu gostar da cidade e decidiu ficar aqui por mais um tempo. Andrew veio até aqui para busca-lo, já que seu carro está destruído por conta do acidente, mas quando chegou ele disse que eles ainda não iam embora. Parece que enquanto o misterioso turista não cansar de nossa modesta Storybrooke, eles não vão a lugar algum.

- Você está dizendo que todos aqueles sorrisos, toques e beijos não serviram pra nada a não ser confirmar o que já sabíamos? – um risada seca que era quase cruel escapou de sua garganta. – Tenho certeza que você vai adorar continuar a fazer dele um fantoche.

Emma magoava Regina cada vez mais a cada frase. Todas as palavras que saíam de sua boca pareciam estar programadas perfeitamente para machucar a prefeita, e cada uma daquelas insinuações sobre o que ela estava fazendo eram como uma faca a mais em seu coração.

- Você acha mesmo que essa sou eu? – a mágoa e raiva de Regina cresceram e conforme a prefeita falava, sua voz aumentava. Emma abriu a boca para falar, mas Regina não deixou. – Não. Agora você vai me escutar. Primeiro de tudo, você sabe muito bem que estou fazendo isso por você. Pela desgraçad... pela sua mãe. – conforme o relacionamento delas evoluía, Regina se controlava e se esforçava para mudar sua história com Branca. Não critica-la na frente de Emma tinha sido o primeiro passo, e ela não desistiria agora. – Pelo nosso filho. Por todos. Você pode dizer que eu estou gostando, mas eu digo que não estou, e eu realmente achava que você é a única que acredita em mim, Emma. Mas aparentemente eu estou enganada.

- Eu acreditava em você. – murmurou a xerife. Regina ignorou o fato de que Emma falou que acreditava, no passado.

- Não é o que está parecendo! Sim, saímos em um encontro. E sim, nos beijamos. Mas eu só fiz tudo isso porque tinha que ser feito. Eu não retribuí seus toques, mas tive que aguentar ele me tocando. Você acha que foi fácil?

- E você acha que foi fácil para mim? Saber que você estava com ele em algum lugar e não comigo? Ver vocês dois lá. Ver os sorrisos que você dava a ele, idênticos a aqueles que você dá para mim e diz que são especiais? – sua voz se falhava e ela podia ver como estava descarregando tudo aquilo que tanto a incomodara sobre Regina, mas não conseguia parar. – Eu vi uma cópia da minha Regina lá. O seu lado, que até agora eu só tinha visto comigo, acreditado que era só meu, igualmente representado para ele. E você se lembra do nosso primeiro beijo? Dá maneira de como você me empurrou com força e raiva, exatamente como diz que fez com ele? Então me diga, Regina, me diga o que isso significa.

- Significa que eu sou uma boa atriz! – Não sabiam como, nem quando tinha acontecido, mas no meio da discussão ambas se ergueram, e agora estavam de pé, frente uma pra outra. – Que eu sei como conquistar algo apenas com mentiras. Que eu sei como fingir que amo alguém e fazer a pessoa agir exatamente igual, mas sem fingimentos por parte dela. Significa que eu posso dizer meia dúzia de palavras bonitas e transformar minha mentira na realidade de alguém. Significa que eu posso fingir tão bem ao ponto de fazer alguém acreditar em meu amor quando eu nunca senti algo por ela. Significa que eu consigo colocar alguém para viver sob uma farsa sem nem ao menos desconfiar da verdade.

Quando terminou de falar e viu as lágrimas nos olhos de Emma, enxergou o que tinha feito. Percebeu como machucara-a com suas palavras. Palavras que deveriam servir para explicar como agia em relação a Andrew, mas que também fariam sentido se aplicadas em relação a Emma e ela. Sua expressão se transformou de irada a transtornada, e logo o desespero chegou a sua mente.

- Saia daqui. – sussurrou Emma sobre as lágrimas, quais ela lutava para impedir de virem à tona.

- Não.. Emma, é diferente...

- Ah, é? É mesmo diferente? Porque você apenas acabou de contar como manipula as pessoas, de como faz elas acreditarem que você as ama quando na verdade... você está brincando com elas.

- Não, não.. Não, Emma! Eu te amo. – suas próprias lágrimas já escorriam por sua face. Ela estava fazendo tudo por Henry, por Emma, não podia perde-la. – Eu te amo, eu realmente amo. Se você não acredita em mim, pense em Henry. Você acha mesmo que eu o faria sofrer, te usando desse jeito.

- Você já o magoou antes. – a voz de Emma era baixa e rouca, transpassando toda a dor que tinha nela. – E ele nem ao menos sabe sobre nós, como poderia afetá-lo?

- Emma, você tem que acreditar em mim. Eu te amo, com todo o meu coração. Eu não posso... eu não posso te perder. Eu não posso viver sem você. – Regina aproximou-se de Emma, que recuou mas deixou-se ser tocada por Regina. A prefeita levou as mãos até o rosto de Emma, afagando-o e enxugando suas lágrimas com os dedos macios. – Tudo o que eu disse, isso era sobre Andrew, não sobre você. Eu te amo de verdade e eu...

- Pare. – Emma recuou e desvencilhou-se do toque de Regina, afastou-se alguns passos, querendo manter alguma distância entre elas. Olhou para Regina novamente e viu as lágrimas em sua face, tentando descobrir se elas seriam verdadeiras ou tão falsas como todo o resto. – Saia daqui. – murmurou novamente.

O seu olhar desolado a fez querer correr para Regina e confortá-la em seus braços. Mas manteve-se quieta enquanto a prefeita desistia e endireitava-se. Limpou as lágrimas e pegou sua bolsa, olhou mais uma vez para Emma e saiu, com o coração tão despedaçado que quase parava de bater.

***********************

O café estava vazio quando entrou, olhou ao redor e viu que não havia ninguém que de fato conhecia lá, exceto por Ruby. Agradeceu por isso. Havia feito um bom trabalho com a maquiagem, mas Regina sabia que seus olhos provavelmente ainda estavam inchados, revelando para todos o choro que a assolou toda a manhã.

Andou até o balcão e pediu um café para viagem, precisaria de algo para aguentar todo o trabalho que ainda a aguardava na prefeitura.

- Regina... – deu um salto de susto ao ouvir seu nome sendo pronunciado tão perto. Estava tão concentrada em seus pensamentos que não havia notado Andrew se aproximando.

- Andrew, oi... – isso era mais constrangedor do que imaginara. O que mais lhe incomodava não eram de fato o que aconteceu na outra noite, mas sim sua situação com Emma. A última coisa que queria fazer era falar com Andrew depois de tudo.

- Veja, sobre ontem à noite... eu não quis...

- Não, pare. – Regina o interrompeu. Sabia o que estava por vir, e não queria ter essa conversa. – Você não tem que se desculpar. O erro foi meu, eu provavelmente te dei esperanças para algo que não é possível existir. Eu tenho mesmo que ir, desculpe. – pegou seu copo sobre o balcão e saiu, torcendo para que Andrew não a seguisse.

Estava andando até seu carro, estacionado na pequena ruela ao lado do Granny’s, quando o viu de relance. Virou-se e ergueu as sobrancelhas em surpresa. Bem à sua frente estava Gancho, vestindo os mesmos trapos de sempre, com o mesmo olhar insolente de sempre e cambaleando bêbado, como sempre. O pirata parou e olhou-a igualmente surpreso.

- Vossa Majestade! – cumprimentou ele, curvando-se em uma reverência desajeitada. Em seguida endireitou-se e andou até Regina, que não pode impedir um sorriso divertido nos lábios.

- Killian. Vejo que você já encontrou os bares dessa cidade...

- Com certeza, foi a primeira coisa que fiz, depois de esbarrar na loirinha da xerife... mas eu me desapontei, para ser sincero. Eles não tinham rum, só vodka e cerveja. Que bar não vende rum?

- ‘’ Loirinha da xerife’’? Você encontrou Emma? – Regina de fato parou de escutar nessa parte de sua conversa. Era interessante o fato de Emma não ter mencionado isso nem ao menos uma vez antes de brigar com Regina.

- Sim, nos esbarramos quando eu tinha acabado de chegar. – Gancho deu mais alguns passos, até estar tão próximo de Regina que podia sentir sua respiração. – Mas devo dizer que se eu tivesse me encontrado com você... teria sido muito mais interessante...

- Para trás. – disse Regina, empurrando-o. – Eu não estou interessada em piratas bêbados, Gancho. Não mais. Me desculpe. – deu as costas para o homem e continuou andando até seu carro, mas foi impedida de continuar.

Gancho a agarrou pelo braço, segurando firmemente com a mãe que ainda tinha, Regina se advertiu por achar que ele desistiria tão fácil.

- Me solte..

- Um pirata bêbado? Isso é tudo o que você tem a dizer sobre mim?

- Eu poderia adicionar traidor a lista, mas no final o fato de você não ter matado minha mãe me foi útil... – falar sobre Cora ainda machucava Regina, mas não podia se mostrar fraca perante Gancho. – Agora, deixe-me ir.

Como provocação, o pirata aproximou-se ainda mais de Regina e começou a guia-la para trás, até a prefeita ficar com as costas colada à parede.

- Você não quer realmente ir. Se você quisesse, já teria usado mágica...

- Eu prometi Henry que não faria isso. Eu estou tentando mudar, Gancho. De novo, e espero mesmo que dessa vez funcione. Agora saia daqui, e me deixe ir embora.

- Tentando mudar? – disse ele, ignorando completamente o pedido de Regina e prensando-a ainda mais contra a parede. – O que sua mãe fala sobre isso? Cora não é do tipo que aceitaria isso.

- Ela está morta! Ela... – Regina não chegou a completar sua frase. Gancho sumiu de sua frente e tudo o que ela pode ver era o pirata contorcendo-se no chão com Andrew sobre ele. O homem desferia socos fortes e firmes. Killian estava muito bêbado e fraco para defender-se, mas Regina sabia que se ele conseguisse dar um único golpe com o gancho acabaria com tudo.

Retomou o folego e deu dois passos em sua direção, tentando chamar a atenção de Andrew.

- Pare... Andrew, pare! – o homem olhou-a e se levantou, ofegante.

- Você está...

- Eu estou bem. — ainda assim ele a olho de cima a baixo, procurando por algum machucado. — Estou ok, não se preocupe. Venha, vamos sair daqui.

- Quem é esse cara?

- Alguém do passado. – Regina olhou para Gancho, que ainda lutava para se levantar. Andrew estava ao lado da prefeita, ainda olhando-a intensamente. Levou uma mão até seu rosto e pôs uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. – E também alguém que não importa. Vamos voltar lá para dentro, vamos. – Levou sua mão até a de Andrew instintivamente, entrelaçou seus dedos e guiou-o de volta para a lanchonete.

Nenhum deles viu a xerife, parada do outro lado da rua, com as mãos fechadas em punhos firmes e lágrimas queimando em seus olhos.

Notas finais
Deixem reviews, eles tem gostinho de maçãs...