The Woman Who Changed Me
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eram duas da manhã e a casa de Regina Mills estava mais sombria que o normal, a frieza parecia estampada em suas paredes e o sofrimento correndo por seus cômodos. O silêncio dominante era apenas quebrado por alguns soluços que escapavam da boca daquela que um dia já havia sido rainha. Regina se encontrava deitada em sua cama há horas, mas o misto de sofrimento e angústia que se encontravam dentro de si nesse momento a impedia de dormir. Depois de muito tempo ela pensou que havia encontrado a felicidade, depois de incontáveis anos duvidando do amor da mãe, ela havia tido certeza de que essa a amava, mas, como anteriormente, Snow havia destruído tudo o que lhe restava. Seus pensamentos eram tristes e sua mente se enchia de flashes dos últimos dias.
A lembrança mais linda, e também a mais triste, que possuía de Cora era aquele último sorriso que a mãe havia lhe dado. Diferente dos outros que ela havia visto durante os anos, ele não possuía ironia, mentira ou sarcasmo, apenas o mais puro dos sentimentos e o mais doce amor. Agora ela se culpava pela morte da mãe, sabia que jamais deveria ter confiado em Mary Margaret, sabia que a mãe teria reprovado sua decisão. Mas a esperança, de poder provar o seu amor materno, fez com que ela acreditasse em Mary. E isso havia novamente a arrastado para o fundo do poço.
Pensando em todas essas coisas o aperto que possuía em seu coração aumentou, e ainda mais lágrimas escapavam de seus olhos. Tudo o que ela mais desejava nesse momento era seu filho ao seu lado. Aconchegando-a e consolando-a. Outra coisa que ela jamais conseguiria possuir, — novamente seu coração doeu — seu filho. Graças a Emma, Henry já estava fora de sua vida. E por mais que a mágoa tomasse conta dela ao pensar isso, o que ela mais desejava era a felicidade do filho, mesmo sendo essa ao lado de outra pessoa, e mesmo sendo essa sua ruína.
Lembrando de tudo isso ela não conseguia mais ficar ali, parada, encarando a parte da cama onde a mãe tinha se sentado ao lado dela, onde elas haviam conversado de uma maneira que ela não conversava com ninguém há anos, em um tempo que achava que nada as iria impedir, e que finalmente ela seria feliz. Levantou-se de repente, precisava fugir e correr dessas lembranças, se esconder de sua própria mente. Colocou um robe sobre o vestido preto que estava usando desde o dia anterior. Desceu as escadas devagar. Seus olhos estavam inchados, sua visão turva por causa das lágrimas que ainda lhe escapavam, por isso precisou de um cuidado especial nas escadas e seguiu para seu escritório, seu refúgio. Adentrou naquela sala que a lembrava de sua época de rainha, completamente decorada em tons de preto, cinza e branco. A única coisa que se destoava dessa coloração era uma grande fruteira de vidro que ficava sobre a mesa, onde havia várias maçãs, todas de um tom de vermelho intenso.
Ela andou até o balcão que ficou no canto de sua sala e se serviu de uma boa dose de sua cidra caseira. Após beber o primeiro copo ali mesmo, o reabasteceu e foi até sua mesa, sentou-se e depois de um tempo seus olhos focalizaram um objeto, um porta-retrato, onde ela possuía uma foto antiga de Henry onde ele tinha cerca 6 anos quando foi tirada, época onde ela ainda era a heroína de seus pensamentos, e não a vilã.
Apoiou o copo na mesa e pegou o porta-retratos em suas mãos, era bonito. Tinha uma margem prateada, com detalhes de ferro que lhe fugiam as bordas. Foi um presente de Henry, ela soltou um leve sorriso ao se lembrar disso. Ela o colocou de volta no lugar e pegou novamente o copo, deu mais um gole e em seguida se levantou e contornou a mesa, com a intenção de se dirigir a porta. Deu mais dois passos e foi obrigada a parar. Já estava em fronte sua mesa, sentiu-se tonta, sua visão escureceu. Apoiou-se na mesa, caindo por cima dela, derrubou parte das coisas que ali se encontravam, colocou parte de seu peso sobre sua mão livre, sentia suas pernas fraquejarem e estava fazendo um esforço para se manter em pé. Soltou o copo que carregava — qual seguiu até o chão e se quebrou em mil pedaços pois sentiu uma dor forte. Levou a mão ao peito, ela não conseguia identificar da onde vinha a dor, sentia que todo seu corpo estava entrando em colapso. Não conseguia respirar, estava sufocando. Era como se a cada suspiro uma faca fosse lhe cravada no peito. Suas pernas não aguentaram e ela caiu com os joelhos expostos sobre os cacos do copo quebrado, causando-lhe mais dor ainda, ela conseguia sentir os pedaços do vidro cortando sua carne, mas não se importava com isso, era irrelevante comparado ao resto que sentia. Soltou um grito. Não conseguia parar, não conseguia pedir por socorro, se sentia incapaz de fazer qualquer outra coisa. Levou as mãos às têmporas, e mais um grito escapou de sua boca.
Então seus gritos cessaram, como se algo tivesse preso em sua garganta ou suas cordas vocais simplesmente pararam de produzir qualquer ruído. Lágrimas escorriam loucamente por sua face, estava agachada, quase caída no chão de seu escritório, se apoiava com os antebraços sobre os cacos de vidro, sem se importar com a dor física que os cacos lhe causavam. Abaixou a cabeça sobre seus braços cortados e arranhados.
- Deus, faça isso parar — murmurou com o resto de suas forças.
Olhou para baixo e viu que os joelhos e toda a extensão dos antebraços até palmas das mãos estavam cortados por causa do vidro, uma pequena quantidade de sangue se alojava no chão. Olhou para o lado e viu que havia derrubado o porta-retrato que a poucos estantes roubava seus pensamentos. O vidro havia se rachado com a queda, e ela pode identificar uma parte da moldura que também havia sido afetada com o impacto. Agora a foto de Henry "olhava" diretamente para ela. Agora a foto ficava dividida, a rachadura separando o abraço dos dois. . Depois de mais algumas lágrimas ela sussurrou, mais para si do que para qualquer um. Era uma pergunta, uma pergunta que a muito procurava por uma resposta.
- Porque eu não consigo ser feliz? — o sussurro que escapou de seus lábios sofridos foi tão baixo que não seria nem audível para alguém a um metro de distância dela, isso se ela possuísse alguém para estar ali.
Regina perdeu todas as suas forças e sentiu seu corpo ficar leve e cair. Sua visão foi escurecendo e logo tudo ficou escuro. Regina foi invadida por uma sensação de tranquilidade. E então ela perdeu os sentidos e tudo se apagou.
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Há várias quadras de distância Emma se encontrava sentada diante da mesa na delegacia. Já era de madrugada, duas? Três da manha? Não importava. A cidade inteira estava silenciosa e escura, todos deviam estar dormindo. Apenas um abajur ao canto de sua mesa estava aceso, dando a Emma um pouco da claridade. Diante dela se encontrava uma garrafa de whyski. Como sempre fez durante sua vida, Emma havia aderido a bebida tentando fugir de seus problemas. Mas nem essa foi o suficiente para afastar seus pensamentos, talvez Emma não quisesse, de fato, afasta-los. Em outros tempos ela teria bebido a garrafa toda, ou até onde seu corpo aguentaria, mas hoje ela já estava sentada no mesmo lugar há horas, e ainda estava com a segunda dose a sua frente, quase intocada.
Por mais que se esforçasse, Emma não conseguia botar em ordem os ocorridos daquele dia. Eram muitos pensamentos, muitos fatos e muitos sentimentos misturados para serem organizados. A única coisa que ela conseguiu foi classificar os fatos mais importantes para o momento. Neal estava na cidade. Gold estava vivo. Cora esta morta, e... Regina, a havia matado? Ou essa seria Mary? Após ter conseguido sair da floresta com Neal, e ter encontrado o caminho de volta da cidade, a única satisfação que conseguiu arrancar de Gold foi uma breve explicação do que havia acontecido.
Era impossível para Emma se sentir mais confusa do que estava naquele momento, ela não sabia se devia culpar ou agradecer a Mary. Se deveria consolar ou afastar Regina. Seu coração quase pulou para fora de seu peito quando ela escutou o telefone tocando. "Aparentemente — pensou ela — não são exatamente todos que estão dormindo." Olhou em volta — com o efeito do whisky a atrasando — até localiza-lo sobre a mesa, atendeu rapidamente, na esperança de ser alguém de casa com notícias.
- Alo? — ela atendeu em um misto de ansiedade e preguiça, sem imaginar que as palavras que estavam prestes a escutar basicamente mudariam sua vida.
...
Emma dirigia que nem louca durante a noite sombria da cidade, em menos de 5 minutos havia recebido 4 ligações, todos se queixando da mesma coisa. Os moradores reclamavam que acordaram em meio à noite com gritos, gritos de terror, dor, fúria e todos falavam que tinham certeza absoluta que eles viam da casa de Regina. Primeiramente Emma achou que era algum trote ou brincadeira de mau gosto, mas na terceira ligação já estava completamente convencida, e a quarta serviu apenas para despertar nela mais terror.
O telefone continuou a tocar na delegacia quando ela saiu em disparada ao encontro da noite de uma cidade que parecia sem vida. Sensações de terror, ansiedade, preocupação e desespero tomaram conta dela. A única coisa que conseguia pensar era em Regina, e no fato de que aparentemente ela estava gritando no meio da madrugada. Sua mente estava em conflito, sua alma estava desesperada. Pensamentos corriam a mil, assim como o carro que dirigia, chegou em frente a casa da prefeita em poucos minutos.
Saiu correndo e bateu a porta do carro com uma força desnecessária, e de repente congelou. Estava tudo... Silencioso demais. Ela esperava chegar ali e se deparar com os tão falados gritos, como um sinal de vida. Mas agora, ela sentia como se uma manta de silencio houvesse caído sobre a cidade. Correu até a porta de entrada e já ia entrando quando hesitou, e se fosse, realmente, uma brincadeira de mau gosto? Ela não havia se preocupado nem em perguntar o nome dos denunciantes, não tinha informação alguma. Se fosse um mal entendido, Regina não gostaria nada do fato de ela arrombar sua casa desse jeito. Emma se respirou fundo, em uma tentativa perdida de se controlar, tentar se recompor. Pôs-se de forma ereta. Ergue o braço. E começou a bater na porta daquela casa que escondia tantos segredos.
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