The Woman In The Chair

4 The One With the Ciborgue Boy


Emma acordou com uma tremenda dor no corpo, era como se um trator tivesse passado por cima dela e voltado várias vezes,ela lembrava-­se de flashs do transplante e principalmente da dor que foi enfiar aquela agulha gigante atrás dela. A loira olhou para o lado esquerdo e viu Henry deitado numa maca ao lado lendo histórias em quadrinho enquanto Regina Mills estava sentada ao lado dele com um óculos de leitura incrivelmente sexy na ponta do nariz, lendo um livro.

Mr. Cuddles estava ao lado de Emma, envolto em seu braço, braços que ela sentia como se fossem gelatina graças a morfina.

“Ei, menino­ ciborgue” Emma cumprimentou Henry, meio grogue, ela tinha pedido morfina para a enfermeira depois do transplante e estava começando a parecer uma má idéia ter tomado aquilo “Sentindo­-se melhor?”

O menino largou a HQ do Batman e sorriu para Emma “Ei Emma, você sabia que baba enquanto dorme?” Só pela forma entusiasmada que ele estava dizendo aquilo era óbvio que ele estava melhor.

“Uh.. babo?”

“Baba, querida” Regina deu um riso baixo, ainda com os olhos no livro.

“Você dormiu assim que eu cheguei aqui, mamãe conseguiu pedir para Robin que nos colocasse no mesmo quarto juntos, assim não iríamos ficar sozinhos.. ah, e sua mãe veio aqui mais cedo e foi para o trabalho, ela queria ficar mas a mamãe disse que ela poderia ir trabalhar porque ela cuidaria de nós dois!” Henry falou tão rápido que quando parou, soltou o ar que estava prendendo, bochechas rosadas “Sua mãe é legal”

“É, ela é..” Emma murmurou, muita informação para poucos minutos, ela ainda estava grogue. Espera, Regina disse que iria cuidar dela? “Eu estou morrendo de sede.. como é que chama uma enfermeira aqui, em?” Resmungou, olhando para cima e vendo o botãozinho para chamar uma enfermeira, infelizmente ela não podia levantar, motivos óbvios, então ela pediu “Regina, aperta esse botãozinho pra mim por favor”

A morena fechou o livro e colocou­ de lado “Eu posso te dar água, Miss Swan, temos uma garrafa de água gelada aqui” resmungou, caminhando até uma bancada para pegar uma jarra de vidro com água, colocando­-a em um copo de vidro e caminhando até Emma. Aquela maldita mulher até cheirava a canela e maça, meu Deus, ela era uma deusa grega? “Você pode tomar sozinha ou quer que eu te ajude?”

“Meus braços tão que nem gelatina por causa da morfina” Resmungou “Será que você pode..” Abriu a boca, olhando pelo canto dos olhos.

Regina revirou os próprios e ajudou Emma a sentar antes de colocar a taça fria contra os lábios avermelhados da loira, deixando­-a beber. Assim que Emma acabou, ela lhe agradeceu com um sorriso no rosto e Regina voltou até Henry, embrulhando-­o direito nos lençóis “Qualquer outra coisa que você precisar, Miss Swan, eu estou aqui.”

Emma concordou com a cabeça, aceitando pelo simples fato de sua mãe e seu pai ainda não estarem ali. Ela sabia o que Regina queria fazer, queria pagar ela de alguma forma por ter salvo a vida de Henry.. o problema era que ela não queria pagamento, ela não tinha feito aquilo esperando nada em troca.

“Emma, depois leia isso” Henry disse, apontando para a HQ do Batman “Você vai ver como devemos nos vestir para o Halloween, minha mãe dá uma festa enorme todo ano lá em casa, com o pessoal do trabalho. Emma pode ir, certo mãe?”

Foi a primeira vez que Regina não evitou concordar “Claro, é a fantasia.. você já pensou em alguma?” Perguntou casualmente, como se elas fossem melhores amigas ou coisa do tipo, Emma devia estar muito drogada mesmo com aquela morfina.

Henry foi que tomou a frente, como sempre, e respondeu “Você vai de Mulher gato, mamãe, eu vou de Damien Wayne, o Robin que é filho do Batman, e a Emma vai de Batman” Deu um longo sorriso “Legal, não é?”

Regina deu um olhar nervoso para Emma e Emma não perdeu aquele olhar, em seguida ela mordeu o canto do lábio, concordando com a cabeça quando era óbvio que tinha algo sobre aquilo que a incomodava, obviamente o fato de que se ela fosse como Mulher gato e Emma como Batman, elas seriam a porra de um casal na festa.

“Talvez eu devesse ir de outra coisa Henry, tipo.. sei lá, o Coringa, eu sempre preferi o palhaço de qualquer maneira” Emma resmungou, tentando tirar da sua cabeça uma visão de Regina Mills em couro.

“Não estrague meus planos, Emma!” Ele usou o mesmo tom da mãe, parecendo irritado, mas ela sabia que ele estava só brincando.

Emma resolveu não discutir com um menino que estava na fila da morte a menos de cinco horas atrás, então ela resolveu fechar os olhos para dormir de novo, iria ter funcionado perfeitamente, ela poderia passar os quatro dias ali dormindo, e ela iria fazer aquilo se não fosse a voz estridente de Ruby anunciando sua chegada “Emmaaaaaa!” Ela anunciou­-se, Emma abriu um olho e deixou o outro fechado, franzindo o cenho “Ai está você, seu pai está lá em baixo estacionando o carro, olha só o que eu te trouxe” Apontou para uma sacola rosa cheia de DVD’s e revistas e provavelmente outras coisas que Emma gostava, era uma sacola grande , então ela olhou para o lado e viu Henry e Regina encarando­-a “Uh, pensando bem, tem muitos filmes aqui que eu acho que você não vai poder assistir na frente da criança ..” Brincou “Olá,Henry!”

“Olá, que filmes são?” Henry perguntou animado.

Ruby aproximou­-se da cama de Emma para dar­-lhe um beijo na testa, manchando a testa branca da loira com batom vermelho “Não acho que é uma boa ideia te dar os nomes, garoto.. daqui a oito anos você fala comigo” Ela disse, bem humorada.

Emma abriu a sacola e viu três filmes muito violentos, três filmes muito safados, uns dois que ela provavelmente poderia assistir com Henry porque era Tarzan e Toy Story e calcinhas limpas, chiclete, revistas que ela provavelmente deveria esconder de Henry também e um livro para colorir “Por que você me trouxe um livro para colorir?” Emma perguntou, pegando um saquinho menor com giz de cera dentro.

“Pra passar o tempo, você fica entediada rápido” Explicou, dando outro beijo na bochecha de Emma, beijos demais pro gosto da loira.

Regina coçou a garganta, provavelmente ainda achando que as duas eram namoradas e não querendo que Henry visse.. sei lá, interação lésbica? “Então, Ruby.. certo? Você poderia deixar essas coisas longe de Henry.. eu não quero que ele veja qualquer coisa inadequada” Pediu.

Ruby franziu o cenho “Hm,só tem uma playboy aqui.. eu só trouxe uma playboy, né Emma?”

“Na verdade foram duas” Emma corrigiu “Mas acho que ela está se referindo aos beijos..” Disse, sussurrando em seguida “Ela acha que nós somos namoradas”

“Oh!” Ruby deu um riso malicioso, antes de segurar o rosto de Emma e dar-­lhe um beijo na boca, de novo. Ruby não tinha vergonha nenhuma e Emma sabia que ela estava fazendo aquilo só pra ter certeza se Regina era realmente homofóbica ou não.

Assim que seus lábios se separaram, Emma arregalou os olhos, assustada “Ruby!”

“O que?” Então ela virou­-se para Regina, um sorriso ‘inocente’ “Desculpem, é que eu não consigo manter as mãos longe do meu amorzinho..”

Regina engoliu em seco, voltando a concentração para o seu livro, e Henry franziu a testa confuso, antes de completar “Emma, você me disse que ela não era sua namorada” Resmungou para a loira “Mas você tem uma namorada muito bonita, de qualquer jeito!” O garoto não parava de flertar com Ruby.

Emma riu e Ruby como sempre, corou e deu-­lhe uma piscadela. “Já disse, quando você tiver 18 me procure.”

David chegou logo com uma canja de galinha que ele tinha feito, Emma adorava a canja de galinha do seu pai, ela dividiu metade com Henry, que também adorou e Ruby deu cada colherada em sua boca, fazendo comentários altos sobre como ela ‘amava’ Emma e queria que ela melhorasse logo. Ela não gostou das provocações de Ruby com uma mulher que deveria não gostar da comunidade LGBT ou seja lá o que fosse, mas ela certamente gostou de receber comida na boca, aquilo era algo com o qual ela poderia se acostumar.

Sua mãe veio visitar depois do almoço e ficou umas duas horas com ela antes que os médicos viessem reclamar que tinha muita gente no quarto e que apenas uma pessoa poderia ficar lá cuidando dos pacientes, e é claro que quem ficou cuidando foi Regina. Ela era uma ótima mãe, aquilo ninguém poderia negar, ela realmente estava lá atenta sem nem piscar, perguntando se o filho estava bem, se ele precisava de algo, Emma admirava o fato dele não ser um riquinho mimado como a maioria seria se tivesse tais cuidados dados por Regina.

Quando a noite do primeiro dia chegou e Henry já estava roncando enquanto Emma lia a HQ que ele tinha, Regina foi até ela para ajeitar o travesseiro “Ei!” Emma resmungou.

“Sua mãe me pediu para cuidar de você também” Regina murmurou, ajeitando o travesseiro de Emma para que ela ficasse mais confortável “Se você ficar assim a noite toda vai acabar acordando com dor na coluna”

“Minha coluna já é toda fodida, nem faz diferença” rebateu.

“Linguajar, Miss Swan!” Repreendeu-­a como se ela fosse sua filha “Eu não quero esse tipo de coisa sendo dita na frente do meu filho”

“Claro, claro.. você não quer que seu filho veja muita coisa” Revirou os olhos.

“O que você quer dizer com isso?” Franziu o cenho, pegando o lençol de Emma para embrulhá-la melhor, deixando-­a quentinha.

“Você sabe.. o negócio com Ruby, ela não é minha namorada mas ela me beijou porque você parece ser meio que .. homofóbica e eu sou gay, tipo .. bem gay mesmo.. super gay, acho que é perceptível pelo tanto de flanela que eu uso, quer dizer, eu já namorei uns homens, meu último namorado foi um homem o que deveria me tornar bissexual mas eu realmente gosto de mulheres.. como você, não que eu goste de você, Deus, não, mas .. você é atraente e é provavelmente meu tipo, mas eu não gosto de você e ..” Regina colocou um dedo sobre os lábios de Emma, fazendo-­a calar a boca.

“Eu entendi, você me acha atraente mas não gosta de mim.. acredite, Miss Swan, eu sei quando alguém fica olhando pros meus seios ou para a minha bunda” Debochou, dando uma risada “E não, eu não sou homofóbica, muito menos meu filho.. eu não estou incomodada por vocês duas se beijarem e nem nada, de verdade, o que me incomoda é o jeito que aquela mulher se veste! É .. vulgar! Na hora que ela sentou eu achei que os olhos de Henry fossem saltar para olhar para os seios dela naquela blusa decotada que mostrava a barriga.” Explicou “Eu sei que ele é um menino e que meninos a maioria das vezes se atraem por meninas.. não que tenha algo errado em meninos se atraírem por meninos, obviamente, se Henry quisesse eu não me importaria... enfim, o que eu quero dizer é que toda vez que Ruby está aqui ele fica olhando para ela com desejo, e eu acho que meu bebê é muito novo para olhar para uma mulher assim!”

“Oh.. Ooooh!” Emma gargalhou “Esse é o problema? Ohhh

“Você é muito idiota, Miss Swan.” Regina revirou os olhos “Agora durma, eu li que para uma recuperação saudável a pessoa deve dormir ao menos oito horas por dia.” Disse, pegando a HQ da mão de Emma.

“Ei!” Resmungou “Você é pior que a minha mãe”

“Sua mãe parece ser .. adorável, querida.” Foi o que Regina disse-­lhe “Agora feche os olhos e durma, conte carneirinhos se quiser.. eu vou tomar um banho”

Emma observou Regina pegar uma muda de roupas e sair para o pequeno banheiro com chuveiro que tinha para os pacientes, ela e Henry, banharem, não para as visitas, mas Regina não pareceu se importar nem um pouco quando Emma ouviu o barulho do chuveiro.

Novamente ela fechou os olhos e tentou contar carneirinhos, querendo bloquear qualquer imagem da mulher nua no banheiro. Por que como ela tinha estupidamente confessado a morena, a latina era uma mulher extremamente atraente.

....No segundo dia cuidando de Emma e Henry os dois pareciam estar mais tranqüilos, ao menos quando eles não estavam conversando sobre Super Mario Bross ou comendo, eles estavam dormindo. Regina nunca pensou em ter dois filhos, principalmente depois da morte do seu marido, mas era o que parecia agora, que ela tinha dois filhos, Miss Swan era um bebê de 29 anos de idade, não a assustava o fato de que a loira morava com os pais.

Agora eles estavam dormindo, Mary Margaret, a mãe de Emma, estava tricotando algo. Regina sentou ao lado dela e entregou-­lhe um copo de café quente, ela sabia que assim como ela, Mary Margaret não tinha saído um segundo só de perto da filha quando saia do trabalho, era do trabalho para o hospital.

Regina Mills conhecia uma mãe dedicada quando via uma.

“Obrigada” Mary Margaret deu­-lhe um pequeno sorriso, pegando o café para beber “Uh, eu estava precisando”

“Não há de quê” Regina agradeceu-­lhe “ Eu não sei como agradecer o suficiente pelo que sua filha fez pelo meu filho.. foi muito corajoso”

“Emma sempre foi do tipo que entra em um prédio em chamas para salvar os outros, puxou ao pai dela nesse aspecto” A morena menor murmurou a Regina, olhando pelo canto dos olhos a filha dormir pacificamente na cama “Acho que dar uma de heroína é o que mais ela sente falta por conta do acidente.. as pessoas que a conheciam antes costumavam chamá­-la de salvadora.”

Emma tinha sido a salvadora do seu filho, não era de se assustar que esse apelido tinha feito um pequeno sorriso surgir nos lábios vermelhos de Regina “Sua filha é .. única, isso eu tenho que confessar” Respondeu “O jeito dela no começo chegou a me lembrar um pouco de meu marido.. Daniel, ela tem o jeito dele.. é até meio doloroso ficar perto dela mas sinceramente, eu não sei como agradecer, qualquer coisa que vocês precisarem.. dinheiro.. ajuda nos remédios, eu já ofereci a ela e ela negou então..”

Mary Margaret segurou a mão de Regina,interrompendo-­a , aquela família tem alguma coisa por mãos? Regina questionou-­se, antes de Mary Margaret falar “Se Emma negou então não é certo que eu aceite por ela, entretanto acho que você paga o suficiente deixando-­a ficar perto de Henry, essas últimas semanas tem deixado­-a mais feliz, ela só se encontrou com seu menino três vezes e já se sente melhor, eu gostei de ver que ela parece mais viva.. então eu tenho que agradecer a você e Henry por isso também,ele é um ótimo garoto.”

Regina estufou o peito como a mãe orgulhosa que era, adorando ouvir elogios direcionados ao seu filho, então ela sorriu e retirou sua mão da de Mary Margaret.

Os outros dois dias felizmente passaram rápido, ela pôde levar Henry para casa e ele parecia tão mais animado e forte, ele tinha até convidado dois amiguinhos para brincar com ele, talvez agora, depois de tudo, ela devesse pensar em colocá-­lo em uma escola, acabar com o estudo em casa, mas isso era algo para se pensar no futuro, quem sabe quando o próximo ano começasse, ele ainda teria que ir para o hospital por causa de sua prótese e para as reuniões de sábado, aquelas reuniões eram ótimas para ele.

Henry estava na sala lendo livros do Harry Potter pelos quais ele estava fascinado quando a morena ouviu a campainha, ela não estava esperando ninguém e ela odiava receber visitas sem que fossem anunciadas antes então provavelmente devia ser Zelena que nunca se anunciava, infelizmente quando ela abriu a porta ela se deparou com sua mãe, Cora Mills, usando um vestido preto, um óculos escuro sobre o rosto e um riso falso sobre os lábios, erguendo uma caixa com embrulho “Olá querida”

“Mamãe..” Regina engoliu em seco, dando espaço para que sua mãe entrasse.

“Quantas vezes eu terei que repetir que não se deve atender a porta assim, Regina?” Cora perguntou dura, olhando de cima a baixo para a filha com desdém. Regina usava pantufas e um roupão em volta do corpo, mas porque ela deveria estar sempre apresentável? Ela não estava esperando ninguém, muito menos sua mãe.

“Eu não sabia que você viria” Murmurou.

“Outra prova de que você deve estar apresentável sempre, querida.. eu trouxe um presente para o meu neto, Zelena me contou sobre o transplante mas eu estava ocupada, onde ele está?” A mulher quis saber, andando até a sala e encontrando Henry lendo livros “Olá, querido!”

“Vovó” Henry forçou­se um riso, ele não gostava muito da avó, mas é claro que ele era um menino muito doce para tratar qualquer um mal.

Cora caminhou até onde o neto estava, inspecionando a casa a procura de alguma coisa errada, como ela sempre fazia, procurando alguma coisa para punir Regina como se Regina ainda fosse uma criança e Regina tinha muito medo da mãe para fazer qualquer coisa, principalmente para falar que não precisava mais da mulher mais velha para controlar seu passos. “Harry Potter, Regina?” Ela pegou o livro da mão de Henry, torcendo o nariz “Ele deveria estar lendo clássicos e não algo.. infantil e estúpido”

“Henry, vá lá pra cima” Regina pediu antes que Cora pudesse destruir mais os sonhos do garoto.

Henry assentiu com a cabeça, pegando seus livros “Tchau, vovó”

“Calma, calma.. olhe só o presente que eu comprei para você” Cora entregou a ele a caixa grande “Tenho certeza que você vai adorar”

Henry pegou a caixa e encarou a mãe, como se pedisse permissão para abri­lo, Regina fez um leve aceno com a cabeça e Henry começou a abrir o embrulho achando uma caixa de sapatos ajustáveis de couro, sapatos que um garoto não usaria, e sim um empresário. Regina suspirou, sua mãe realmente não perdia a oportunidade.

“Mamãe..” Regina começou “ O que é isso?”

“Ora, o que? É um sapato de couro caríssimo que eu pedi para fazer especialmente pro meu neto, para que quando ele ande ele não fique mancando.. é muito feio mancar” Resmungou como se Henry mancasse porque ele quisesse e não porque ele não tinha uma maldita perna.

Regina estava começando a perder seriamente a paciência com Cora “Obrigada Vovó.. eu .. vou lá para cima terminar de ler” Disse, Regina ofereceu-­lhe um sorriso e observou-­o subir as escadas para o segundo andar com cuidado, direto para o seu quarto.

“O que? Ele não gostou?” Cora virou­-se para Regina, confusa “Ele deveria ter gostado, logo que você se aposentar ele irá assumir os negócios.. não podemos deixar que nosso império se destrua”

“Mãe, você sabe que Henry não gosta dessas coisas, ele gosta de livros.. ele quer ser escritor, ele já disse isso para mim e eu não vou ser quem vai dizer que ele não pode” A morena deixou bem claro enquanto via sua mãe fazer­-se confortável na poltrona da casa, mexendo no celular.

“Você está criando­-o muito errado, Regina! Ele vai se tornar tão imprestável como aquele seu maridinho..”

“MÃE!” Dessa vez Regina gritou, fazendo Cora encará-­la como se ela tivesse perdido a noção e logo um arrepio de medo passou pela morena “Mãe.. por favor, não cite Daniel” Pediu, tentando suavizar a voz, não querendo demonstrar o quanto a mãe falar de Daniel a incomodava.

Cora revirou os olhos dramaticamente, pegando o porta­-retrato na mesinha ao lado da poltrona, uma foto de Regina com Henry e Daniel, e então ela bufou “Se você tivesse se casado com aquele homem rico com quem eu quis que você noivasse.. quem sabe ele ainda não estaria vivo?” Regina engoliu em seco o comentário da mãe, lábios trêmulos “De qualquer maneira .. acho que Henry deveria ser educado como eu eduquei a você e sua irmã, ambas são mulheres super sucedidas..”

“Educá-­lo como você me educou? Me dando uma surra sempre que eu fizesse algo que você considerava errado? Me punindo por qualquer coisa que não saísse do jeito que você quisesse?” A morena debochou “Muito obrigada, eu pretendo criar meu filho sobre os meus termos..”

Cora pareceu não se importar nem um pouco com as acusações que a filha estava fazendo, ela apenas descruzou as pernas e levantou-­se para servir­-se de cidra “Mudando de assunto, Zelena me disse sobre essa loira que voluntariou-­se para doar a medula para o meu neto.. Emma Swan, correto? Ela parece bem o seu tipo, querida.. vocês duas não são..amantes, são?”

“Mamãe!” Regina repreendeu-­a. O primeiro de tudo era que Emma Swan agia como uma criança e de jeito nenhum que Regina Mills se apaixonaria por uma criança, ela era um pouco mais refinada do que aquilo, e segundo.. se ela tivesse ou não, aquilo nunca seria da conta de Emma “Você sabe muito bem que .. eu não desenvolvo esse tipo de sentimento por mulheres a muito tempo.”

“Excelente! Eu não tenho uma filha lésbica, que fique bem claro, você se lembra do que aconteceu da última vez, não é?” Como esquecer­-se? Foi antes de Daniel, ela tinha se apaixonado por uma garota de sua escola, a mãe é claro, tinha descoberto e a dado uma surra e logo depois tentado a empurrar para cada homem rico que encontrava, Cora a tirou da escola, a fez estudar em casa e deixou bem claro se voltasse a se repetir ela se arrependeria. Regina era uma mulher maior de idade, por que depois de tudo ela ainda não conseguia enfrentar sua mãe? Ao menos ela tinha conhecido Daniel, casado­-se com ele escondida, Cora nunca pôde impedir, mas nunca aprovou “Eu fiquei realmente preocupada quando vi que a mulher era loira de olhos claros .. exatamente o tipo de pessoa que você gosta, fiquei horrorizada! Eu odeio loiras”

“Como..” A espinha de Regina gelou “Como você sabe como Miss Swan é?” Não que ela se importasse com Emma Swan mas ela sabia que Cora era um inimigo que ninguém desejaria, e obviamente a mulher loira não tinha feito nada para merecê­-la como inimiga, ao contrário, Regina agora devia Emma.

“Oh, Regina.. Zelena me contou o nome dela, descobrir quem a garota é é super fácil,pessoas com dinheiro e poder podem qualquer coisa, eu quis saber quem foi a boa alma que salvou meu netinho querido . Ex Policial, e está paralítica .. outra aleijada “ Sua mãe revirou os olhos “Cuidado para o que quer que essa mulher tenha com a sua família não se torne algo mais.. você não gostaria que acontecesse com ela o mesmo que com Daniel, certo?”

Aquilo soou tanto como uma ameaça clara, como se a mãe dela tivesse algo a ver com a morte de Daniel.. Não, Cora nunca faria isso, faria?

“Uau, como essa conversa ficou sombria de repente” Cora deu um riso falso “Enfim, querida.. eu vim informar também que eu marquei um encontro para você com um homem excelente, você precisa arrumar um namorado e eu sou a mais qualificada para escolhê-lo para você.. não se preocupe, você vai adorá-­lo.”

E então sua mãe foi direto para a cozinha, provavelmente caçar alguma coisa que pudesse continuar atormentando a vida de Regina.

A morena estava arrepiada, tremendo de raiva. Por quanto tempo ela ainda deixaria aquela mulher dominar a sua vida? Ela era sua mãe, tudo bem, mas ela não devia ter medo da sua mãe, ela devia respeitá-­la.

Regina fechou os olhos, resolvendo acalmar-­se.

Tudo ficaria bem.

....

“Eu estou falando sério” Killian resmungou, sábado tinha chegado, e com sábado, a babaquice do cara que achava que estava seduzindo todo mundo com calças de couro super justas “Eu falei com um pescador e ele disse que pode arrumar um gancho para mim, um gancho real.. já me chamam de Capitão Gancho, então porque não literalmente?”

Ele estava contando a história para todos de como ele tinha viajado com uma de suas ficantes para uma praia, porque pelo visto ele ainda pegava muitas mulheres mesmo sem uma mão, e que lá achou um pescador que tinha oferecido essa ‘maravilhosa’ proposta de um gancho real.

Todos estavam encarando-­o como se ele fosse maluco, menos é claro, Harry, que esquecia de cada parte da história a 60 segundos que passava e ria apenas das partes que lembrava momentaneamente.

“Henry, feche os ouvidos” Emma pediu.

“Mas Emma..”

“Fecha os ouvidos, garoto” Dessa vez ele obedeceu, contra vontade, então ela virou­-se para Killian e perguntou “Se você colocar... esse gancho.. não vai ficar meio perigoso de você machucar sua .. namorada.. você sabe? Quando tentar segurar ela ou algo assim? Vai que você esquece e enfia a mão errada!”

Killian gargalhou com a pergunta enquanto o Doutor Robin estava desconfortável com a pergunta, um careca, chamado Matt, começou a gargalhar com a pergunta também “Oh Emma, não se preocupe.. a não ser é claro que você está muito curiosa porque quer o posto.. eu não me negaria em dá-lo a você!”

Emma fez som de nojo, então deu uma cutucada para que Henry destampasse os ouvidos, Killian deu-­lhe uma piscadela maliciosa e Robin interrompeu-os “Tudo bem, tudo bem.. vamos mudar de pessoas, Jessica, sua vez..”

Jessica começou a contar como tinha sido sua semana, Emma não tinha visto Jessica até então, ela não fazia idéia se aquela garota já tinha ido lá alguma vez ou se era a primeira mas ela resolveu focar-­se na história contada.

Depois que Jessica terminou, Robin passou a vez para Emma “Não sei se todos aqui sabem mas nossa companheira doou a medula para Henry nessa semana.. uma salva de palmas para Emma”

Todos começaram a bater palmas e Henry deu-­lhe um sorriso incentivador, Emma odiava ser o centro das atenções e o que era odiava mais era ser o centro das atenções por algo que não era grandioso, não foi um ato heróico .. ela fez aquilo porque ela gostava de Henry e porque por muita sorte era compatível com o menino, aquela era a obrigação dela e não algo para se gabar.

“Não foi nada demais” Emma murmurou “De verdade”

“É claro que foi” Robin disse-­lhe “A maioria não teria feito o mesmo”

“É verdade, Emma” Henry concordou com Robin “É por isso que você é minha melhor amiga, e é tipo uma mãe pra mim também”

Quando o garoto disse isso os olhos de Emma quase se encheram de lágrimas e ela deu-­lhe um sorriso sincero, segurando­-o pelo ombro e dando-­o um beijo na testa, aquele garoto que merecia palmas só por existir, ele era incrível, ele era o verdadeiro herói.

“Ótimo” Robin deu uma piscadela encorajadora para os dois, virando­-se para Harry “Então, Harry.. como é sua história?” Harry sempre contava a mesma história,a única que ele lembrava, e ele nunca parava porque bem.. ele esquecia que tinha começado, mas do mesmo jeito todos prestavam atenção nele durante todo o tempo.

No final da reunião, Henry sentou no colo de Emma para que ela pudesse dá­-lhe uma carona até onde Regina estava esperando­os e Killian caminhou até eles, entregando­-os dois convites para sua festa de aniversário “Eu espero que vocês apareçam, até o nosso doutor preferido vai..” Ele fez um gesto para Robin.

Emma analisou o convite com o número de Killian e a boate onde aconteceria “Isso é .. apropriado para crianças?" Perguntou.

“Eu definitivamente vou” O garoto mais novo disse, sem dúvidas.

“Ei garoto, é uma boate..eu não acho que seja apropriado” Emma comentou com Henry, em seguida lançando um olhar feio para Killian “Killian!”

“Calma, Swan.. não vai ser tão inapropriado assim ok? Eu fechei a boate, vai ter dança, música, bolo.. Henry pode ir, ele faz parte da turma. Minha semana é realmente muito chata, vocês animam meu sábado” Deu aquele sorriso de boca aberta mostrando os dentes perfeitamente brancos, encarando-a com tal malícia que ela sabia que ele provavelmente estava imaginando-­a nua agora. Ew. “Vamos lá, eu quero vocês lá, Swan.. você me deve uma dança!”

Emma deu um riso seco “E como você pretende dançar comigo? Vai sentar no meu colo e deixar eu dar piruetas na cadeira?”

“Nós vamos descobrir um jeito” Piscou para ela, claramente flertando.

Depois que Killian deixou-­os e Henry guardou os convites Emma começou a empurrar as rodas de sua cadeira para ir até o hall de entrada onde Regina sempre esperava por Henry, quando não ia buscá-­lo lá dentro, lá estava a morena, como sempre, deslumbrante, falando algo no celular, parecendo realmente estressada sobre algo. “Ei mamãe” Henry acenou para ela, ainda no colo de Emma.

Regina olhou para os dois e ofereceu um pequeno sorriso antes de dizer algo no celular e desligá-­lo, caminhando em direção aos dois. Ela deu um beijo na testa de Henry e um ‘tapinha’ no ombro de Emma coberto pela sua jaqueta de couro vermelha “Olá, vocês dois.. como foi hoje?”

“Divertido” Henry pulou da cadeira, ajeitando­-se no chão, ele realmente gostava de tirar onde com aquela prótese, achando­-se meio robô e tudo mais “Killian convidou eu e Emma para uma festa!” Sorriu, mostrando o convite.

“Aquele playboy em calças de couro?” Regina analisou o convite, dando uma risada baixa “Bem, tenho certeza que a festa será maravilhosa mas o endereço é de uma boate e você é muito novo pra isso, príncipe.”

“Mas Emma vai” Ele fez bico “Não posso ir com ela?”

Regina encarou o papel e negou com a cabeça “Vou pensar no seu caso, obrigada por trazê­ lo até aqui Miss Swan”

“Claro, sem problemas..”

“Emma, quer ir jantar lá em casa?” Henry perguntou “Mamãe é uma ótima cozinheira”

A loira observou Regina corar com o elogio, e também esperou ela recusar o convite que o filho tinha feito mas seu único comentário foi “Você poderia ir realmente jantar lá qualquer dia, um agradecimento pelo que fez com Henry” É claro que a morena ainda estava tentando achar um jeito de pagá-­la “Leve seus pais, eu farei o meu melhor para dar um bom jantar, entretanto hoje não vai dar, você vai ficar com a Zelena querido.. sua avó resolveu me marcar um encontro..” Bufou, a maneira como falou a última frase fez ela perceber que Regina não parecia nem um pouco disposta a ir a um encontro.

“Posso ir pra casa da Emma então? Mary Margaret disse que eu poderia ir lá sempre que quisesse” O menino ofereceu­-se.

Regina tinha um olhar pensativo, em seguida suavizou a expressão e concordou “Se não for incomodar você..”

“Claro que não” Disse “Vai ser divertido passar um pouco mais de tempo com meu parceiro” Ela e Henry deram um ‘hive­five’, fazendo a mulher mais velha revirar os olhos e murmurar algo. Será que ela já poderia considerar Regina uma amiga ou só alguém que realmente suportava ela?

“Então eu .. vou me arrumar para... isso..” Regina murmurou o isso como se fosse um xingamento terrível “Se eu demorar eu peço para Zelena buscar-­lhe,ok? Miss Swan,Henry tem horário para comer e não deixe-­o assistir muita TV e ..”

“Eu explico pra ela tudo mãe” Henry cortou-­lhe “Pode deixar”

“Ótimo, tchau pequeno príncipe, eu te amo” Beijou-­lhe a testa “Não dê trabalho.”

Regina saiu apressada, espera.. demorar.. então ela planejava dormir com o cara do encontro? Ela ainda não estava sofrendo pelo pai de Henry que tinha morrido ou .. sei lá o que? Bem, ela resolveu focar-­se em cuidar do menino sem irritar a Mills, Deus a livre caso a mulher achasse que ela tinha feito alguma coisa de errado e resolvesse deixar de ser civilizada.

David buscou­-os no hospital e deixo­-os na casa, colocando Emma sentada no chão com meias confortáveis e calça moletom “Então, o que vocês querem assistir?” David perguntou, sentando-­se no sofá, ajeitando Emma na poltrona preferida dela enquanto Henry deitava-­se ao lado dele, embrulhado “Futebol? Desenhos? Do que você gosta garoto?”

“Eu não assisto televisão, na verdade..” Henry explicou.

“Oh” David disse, como se o garoto fosse um ET, e Emma riu. Henry com certeza tinha uma criação bem diferente da dela, quando ela era criança ela só fazia duas coisas: correr com seus amigos na rua vandalizando-­a e fazendo pegadinhas ou assistir TV o dia todo, ela tinha puxado completamente ao seu pai, qualquer um que olhasse para os dois sabia disso, eles torciam para o mesmo time, eles faziam barulho, xingavam, saiam para correr.. quando ela podia andar. “O que você faz então?”

“Regina acha que TV o deixa demente” Ela repetiu o que Henry tinha o dito, sorrindo “Ele lê livros..”

“Um monte de livros” Henry completou.

“Nossa,Emma.. eu te criei tão errado” O homem pensou, fazendo a filha bufar e em seguida rir “Eu vou buscar nachos com queijo para a gente.. procure algo para assistir garoto” Ele entregou para Henry, que começou a passar os canais.

“Ei ei .. pare ai.. PAI, TÁ PASSANDO JOGO DOS GIANTS VS DALLAS COWBOYS “ Ela gritou para avisar ao pai que começou a cantar o hino do time deles, Dallas Cowboys, desde pequenininha David tinha ensinado­-a a torcer para aquele time, e ela simplesmente adorava “Você já assistiu futebol americano antes garoto?”

Henry negou com a cabeça “Mamãe disse que eles parecem homens da caverna machucando um ao outro” Respondeu-­lhe.

“Bem,então você vai precisar esconder duas coisas dela.. que vamos comer Nachos e que vamos assistir futebol americano..” Brincou “Ela vai achar que eu sou uma terrível babá”

“É nosso segredo” O garoto prometeu, começando a assistir ao jogo como se entendesse alguma coisa,pequeno nerd.

“Então garoto.. sua mãe parecia nervosa com o encontro, você acha que ela quer começar a namorar de novo?” Ela não fazia idéia de onde aquela pergunta tinha surgido mas ela realmente estava com fome e o queijo derretendo estava começando a cheirar realmente bem, ela precisava se concentrar em outra coisa que não fosse seu estômago.

Henry negou com a cabeça “Foi minha avó que marcou, mamãe tem medo dela e faz tudo que ela quer”

“Por que?”

“Minha avó é bem rígida, você teria medo se a conhecesse também” Henry respondeu “Mamãe provavelmente vai achar a desculpa mais rápida pra escapar do encontro e vir direto me buscar e depois a vovó vai ligar brigando com ela..”

“Nossa, parece dureza , minha mãe tentou parar de me arrumar namorados quando eu tinha 15 e disse para ela que eu preferia meninas” Riu.

Sua conversa parou quando David chegou com os nachos e queijo derretido, realmente animado com o jogo na TV, e é claro que ele e Emma tomaram cerveja enquanto Henry parecia mais do que satisfeito com coca-­cola, algo que Emma desconfiava que ele nunca tinha tomado na sua vida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.