Notas iniciais
Heey!!! Desculpem a demora, mas estive meio sem tempo nos últimos dias... Espero que gostem :)

Me preparava para a chegada dos selecionados, que seria naquela tarde. Eu deveria recepcioná-los apenas pela manhã do dia seguinte, mas resolvi mudar um pouco a tradição. Minha garganta estava seca, como acontecia sempre que eu ficava nervosa por algum motivo. E nesse dia o nervosismo era superior aos que eu já tinha sentido antes.

Fui até a porta da frente do palácio. O vento batendo em meus cabelos e fazendo algumas mechas caírem do coque. Olhava para a direita o tempo inteiro, esperando ver um carro como os participantes da Seleção.

Minhas mãos estavam geladas de nervosismo, e eu mexia nas mechas que caíam pelo meu rosto, tentando me conter. Essa era a forma como eu agia quando estava nervosa, e Mika, que estava ao meu lado como uma dama de companhia, observou o gesto.

– Senhorita Aghaté, gostaria de um chá? Um suco de maracujá, talvez? — perguntou, tentando me acalmar.

– Não, obrigada. Bom, talvez, quem sabe um chá... Não, melhor não... — passo a mão no rosto e enxergo as luzes dos carros adentrando os portões do Palácio. Minha excitação aumenta e quase perco o controle de tudo. Por sorte consigo manter minha coluna ainda ereta e a expressão indiferente. Vejo que Mika percebeu minha quase alteração de estado e me repreendo silenciosamente por não ser mais discreta. Como poderei controlar minhas emoções diante de 30 garotos? Isso acabará um desastre de eu não for mais cuidadosa.

Um carro branco estacionou na frente do palácio. O motorista, vestido com o uniforme do palácio, saiu e abriu a porta de trás, de onde saíram quatro rapazes, de províncias próximas, provavelmente.

Um deles tinha cabelos e olhos castanhos. Era bonito e parecia simpático. Não o reconheci logo, mas ele parou em minha frente, e fez uma reverência.

– Senhorita Aghaté, que prazer em conhecê-la. — murmurou. Sua voz era rouca e realmente bonita. Seus olhos se fixaram em mim quando continuou: — Eu sou Vicent Derose.

Assenti. Eu ainda levaria um tempo para decorar todos os nomes.

– Olá, Vicent. — falei, de forma séria. Eu era uma princesa, não poderia perder a postura, de forma alguma. Ao menos não antes de conhecê-los.

Vicent andou para o lado, parando ereto ao meu lado. Outros dois entraram, um ruivo de olhos azuis, chamado Tyler Rossve, e um de cabelos negros e olhos acinzentados, cujo nome era Bryan Chevalier.

Mas dentre eles, o que mais me chamou a atenção foi um rapaz de cabelo loiro-escuro e olhos azuis. Eu lembrava-me dele do anúncio. Jared Moore, um Três. Ele parecia tímido, de alguma forma. Suas maçãs do rosto estavam rosadas e seus olhos pareciam viajar para lugares distantes. Quando ele enfim olhou diretamente para mim, seu sorriso me prendeu. Era um sorriso fraco, mas ao mesmo tempo acolhedor. No momento em que ele sorriu para mim, tudo em volta desapareceu. Todos os rapazes que ainda estavam para chegar, os que estavam desembarcando no momento, e os que estavam parados ao meu lado. Tudo o que eu conseguia pensar era em como aquele sorriso era conhecido por mim, mas no momento eu não conseguia lembrar do porquê.

Senti um braço se encaixar no meu, me puxando novamente para a realidade e afundando meus pensamentos. Papai estava me levando para o Salão Principal, onde tinha exatamente 30 cadeiras para cada um dos rapazes e mais 3 a frente deles, onde eu, ele e minha mãe nos sentaríamos para conversar um pouco com todos.

Sentei-me, com a postura rígida, como de costume. Minhas feições estavam duras, e eu não tinha a menor pretensão de mudá-las. Observava o modo como cada qual agia na mesa. Para me casar com alguém, eu teria que conhecê-los plenamente, em cada hábito, por menor que fosse.

– Por favor, não seja tão dura, abra um sorriso. — sussurrou minha mãe, seus olhos brilhavam com a chegada de cada garoto na sala.

– Tentarei. — respondi relaxando um pouco os músculos das costas.

Amberly assentiu, voltando seu olhar para algum dos garotos, o qual lhe lançou um sorriso. Levei cerca de meio minuto para perceber que esse era Jared, o que sorrira para mim antes, o que lembrava o primeiro amor da minha vida.

Ou ao menos que eu achava que tinha amado.

– Sabe, eu realmente não gosto da ideia de escolher meu futuro genro dessa maneira, Aghaté deveria se casar com um príncipe. — reclamou o meu pai.

– Por favor, façam silêncio! Já estão quase todos aqui. — exclamei, baixinho.

– Clarkson, você sabia que ela tinha esse direito de escolha. — murmurou minha mãe. — Você não pode prendê-la para sempre aos seus cuidados, como se Aghaté fosse um pássaro enclausurado em uma gaiola, o qual você espera cantar todos os dias pela manhã. Sua filha merece a liberdade que você e eu tivemos.

Não consegui conter o riso, o que acabou atraindo a atenção de todos em mim e minhas bochechas levemente coradas. Fiquei ereta novamente, com um olhar sério para todos.

Quando todos os garotos chegaram, as criadas serviram as refeições. O modo de se portar de cada um variava. Vicent comia de forma elegante, conhecia o requinte, claro, por ser um Dois. Já Jared levava o garfo à boca de forma descontraída, o que não deixava de fora sua boa educação à mesa. Suspirei. Eu não devia reparar tanto em apenas dois. Não enquanto não tinha o prazer de conhecer os outros 28.

No momento em que todos terminaram o jantar, eu pude me retirar, voltando ao meu quarto. Joguei-me na cama, ignorando o fato de ainda estar de sapatos. Os jogos da minha vida estavam prestes a começar. Mas não havia vencedor ou perdedor. No meu jogo, eu competiria comigo mesma, em busca da felicidade.

O cheiro de rosas advindos dos lençóis brancos invadia as minhas narinas, me fazendo lembrar onde eu estava. Andei até a varanda, observando as flores do jardim que se moviam com leveza à medida que a brisa lhes tocava. Aquilo era convidativo e multiplicava a minha vontade de descer até lá.

Arrumei a fivela do meu sapato e desci, tentando ao máximo evitar o barulho de meus passos. Chegando ao jardim, sentei-me em um banco bem ao centro, observando as flores iluminadas pela luz da lua. O vento fraco batia em meus cabelos ainda presos em um coque, movendo algumas mechas soltas. O leve aroma das flores inundava o jardim, fazendo com que eu me sentisse livre. Ao menos, livre por alguns minutos. Levaria um tempo antes que eu pudesse experimentar tal sensação de liberdade novamente.

Ouvi passos se aproximando, e logo imaginei que fosse algum dos guardas. Não se podia ficar muito tempo sozinha naquele palácio...

Mas quando me virei, percebi que estava errada. Não havia nenhum guarda por ali. Quem eu vi, na verdade, foi Jared, um dos Selecionados.

– O que faz aqui? — perguntei, tentando ser firme, mas um sorriso involuntário surgiu em meu rosto.

– Ouvi o barulho de sapatos femininos, imaginei que fosse a senhorita. — falou, de forma simples, olhando para o horizonte.

– Estou apenas sentindo o sabor de liberdade pela última vez. — murmurei, encarando o chão.

– Por que pela última vez? — questionou, agora olhando para mim.

– Em breve estarei ocupada demais para saber o que é liberdade.

– Desculpe, senhorita Aghaté, mas estar ocupada demais não é desculpa para se privar da liberdade.

Encarei o chão, não sabia o que responder. Percebi que ele se levantou e andou alguns metros. A princípio, pensei que ele iria entrar no palácio novamente, mas percebi que a direção era oposta à da porta. Quando ele voltou, segurava uma flor em sua mão. Uma tulipa vermelha. Sentou-se novamente ao meu lado, entregando-me a flor.

– Sei que isso é um pouco fora das regras, mas... bom, sou eu quem faço as regras desse jogo. — murmurei. Ele esperou que eu continuasse. — Quais motivos te trouxeram pra cá?

Jared suspirou, encarando a flor em minha mão.

– Bom... a minha família achou a ideia horrível. Eles são muito conservadores, coisa que eu acho estranho na profissão deles... Se eu não tivesse pego a ficha antes, provavelmente não estaria aqui.

– Desculpe, Jared, mas acho que não entendeu a minha pergunta. O que te levou a preencher aqueles papéis?

– Bom... eu percebi o quão inteligente você é em todos os Jornais que assisti... e é muito bonita, além disso. Qualquer um imaginaria uma princesa como uma garota fútil e mimada...

A risada que dei a seguir teria ecoado por todo o espaço se estivéssemos em algum lugar fechado.

– Posso perceber que não sabe muito sobre princesas... — murmurei.

– O que eu devo saber?

– Uma princesa é criada desde o nascimento para ser considerada perfeita por todos no reino. Claro, é impossível agradar a todos... Mas com isso eu quero dizer que devemos ter um porte perfeito, saber dançar com perfeição, sermos bonitas, demonstrar erudição nas palavras, saber um pouco sobre todos os assuntos que poderiam ser pautados em alguma conversa... Em resumo: Nós não podemos ser fúteis, Jared. A futilidade seria uma fraqueza.

Jared encarou o horizonte novamente. Suas maçãs do rosto, iluminadas pela lua cheia, estavam avermelhadas.

– Desculpe, senhorita... Eu não quis...

– Tudo bem, a maioria deve ter essa visão. — murmurei. — Voltarei para os meus aposentos agora. Conversamos mais amanhã.

Subi novamente até o quarto, para só então perceber que a tulipa que Jared tinha me entregado ainda estava em minha mão. Abri uma gaveta e a coloquei lá dentro, por coincidência sobre a foto de Anthony, na qual dei mais uma olhada, percebendo cada vez mais semelhanças entre os dois.

Notas finais
O que acharam? Reviews?