The Wolf Blood
1 O Lobo

Já era noite, a lua estava cheia e totalmente branca. A sua luz se espalhava pelo céu estrelado. Eu estava admirando-a, era tanta beleza. Assistia ao espetáculo da natureza, meus olhos não piscavam. Tudo estava tão tranquilo, o silêncio me acalmava. Apenas eu e a lua, só nós duas. A floresta era a mesma, as árvores estavam se movimentando com o passar do vento. Os vagalumes voavam e as suas luzes iluminavam a grande e solitária floresta.
Eu permaneci no meio de duas árvores. Minha cabeça estava inclinada olhando a bela noite que havia se formado. Barulhos de grilos e cigarras me alegravam, formava um concerto musical perfeito. Que paz eu sentia naquele instante. Mas algo interrompeu o belo momento. Ouvi uivos que se aproximavam em grande velocidade. A única coisa que passou pela minha mente era correr o quanto pudesse. As árvores no meio do caminho se tornaram barreiras para mim. Não encontrava uma saída, até que por um instante decidi olhar a lua e ela não estava mais lá. O cansaço tomou conta de mim, já respirava ofegante.
Em meio ao desespero escorreguei na vegetação rasteira da floresta. Quando fui tentar me levantar vi uma sombra em minha frente. Então veio se aproximando e vi um enorme tigre. Ele parecia faminto, vi seus dentes afiados, então ele correu. Fechei os meus olhos esperando o pior acontecer, aquele animal não ia me atacar. O tigre foi ao encontro do lobo que estava atrás de mim, iniciou-se uma luta violenta. Ambos eram fortes. Aproveitei a situação e me levantei rumo à fuga desesperada.
Então de repente outro lobo aparece rapidamente em minha frente, seus olhos eram amarelos bem vivos. Em meio à escuridão seus olhos eram luz. Fiquei imóvel, sem reação nenhuma e ele ficou parado me olhando. Ele veio em minha direção e senti que algo me atacou. Vi sangue escorrer em meus braços.
Nada daquilo era real, foi apenas um sonho. Catherine ouviu os meus gritos e acordou desesperada. Acendeu a luz do quarto e foi saber o que aconteceu.
– O que aconteceu agora? Não me vai dizer que teve aquele pesadelo de novo!
Ela estava mal-humorada, não gostava que ninguém interrompesse o seu sono. Olhei o relógio ainda meio atordoada e vi que eram 4h08 da manhã. –Não é nada, pode ir dormir! Disse tranquilizando-a. Então ela me ouviu e foi até ao seu quarto.
Não era a primeira vez que tive esse sonho. Ele se tornou frequência. Em todas as noites, eu acordava alguém da casa. Na noite anterior minha mãe se preocupou comigo e disse que se eu continuasse assim, me levaria a um psicólogo.
Na verdade, eu não me sinto tão bem há algum tempo. Esses sonhos que tenho me deixam assustada. Não quero ficar paranoica. O pessoal aqui de casa acha que estou muito estressada, é uma hipótese.
Não consegui dormir mais. Eu estava transpirando muito. Meu rosto estava todo molhado, acho que era o medo, pois tudo parecia tão real. Era como se eu estivesse realmente ali.
As horas passaram e o despertador tocou exatamente às 6h30, justo na hora em que realmente consegui pegar no sono, isso não era justo. Decidi: só mais três minutos. O tempo passou logo, porque ouvi minha irmã me chamar, dizendo que era para eu levantar. De três minutos se passaram quinze, eu estava atrasada.
Espreguicei-me e calcei minhas pantufas. Fui até o guarda-roupa. Separei uma blusa branca, uma calça jeans e minha sapatilha. O tempo estava razoável, apesar de estar nublado. Fui ao banheiro, lavei o meu rosto e me olhei no espelho. Na minha face dava para perceber que tive uma noite mal dormida.
Continuei olhando para mim mesma e de repente no espelho, não me vejo. Do nada apareceu um lobo de olhos bem amarelos. Era o mesmo que havia no sonho. Gritei em alta voz e caí no chão. Cobri os meus olhos com as mãos, eu não queria vê-lo novamente. Estava sem coragem.
Minha mãe, Catherine e meu pai subiram até o meu quarto e se depararam comigo aos prantos, chorando muito. Minha mãe se aproximou de mim e me ajudou a levantar. Repeti várias vezes que o lobo estava lá, mas todos diziam que não havia nada ali.
– Me deixem a sós com Meghan. –Disse minha mãe fechando a porta do quarto.
Sentei-me na cama e ela então começou a falar e eu prontamente a ouvi com muita atenção.
– Filha, eu estou muito preocupada com você ultimamente. O seu comportamento não é mais como antes. Você tem ficado isolada nesse quarto quase o dia todo, não conversa muito conosco. O que está acontecendo? Vamos conversar de mãe pra filha.
Enquanto ela falava eu concordava com cada palavra dita. Nem eu mesma sabia o que estava ocorrendo comigo. Algo estava errado e eu tinha consciência disso. Tentei tranquiliza-la, mas não adiantou.
–Hoje eu vou te levar ao psicólogo Harry. Ele é um excelente profissional, tenho certeza de que ele irá te ajudar. Você vai descansar nada de escola.
Eu não queria ir ao psicólogo, neguei a mim mesma. De tanto minha mãe insistir, eu decidi ir. Fomos até o consultório dele que ficava no hospital HealthCare em Atlanta. Eu e minha mãe ficamos sentadas esperando a consulta. Tinha dois pacientes na minha frente. Um desses pacientes tinha ataque de riso, ficava olhando pra minha cara e soltava altas gargalhadas. A minha vontade era perguntar para ele se eu tinha cara de palhaça.
Os dois pacientes passaram e chegou a minha vez. Ouvi uma voz calma chamar meu nome.
– Meghan Hills, por favor entre!
Senti um frio na barriga de entrar naquele consultório. Minha mãe entrou junto comigo e lá o médico fez um interrogatório comigo. Fiquei a maior parte do tempo, deitada na poltrona. Minha mãe sempre se intrometia nas perguntas do doutor.
– E esses sonhos que ela tem?
– É a fantasia da mente ou está associado à infância dela. Aconteceu alguma coisa que envolvesse lobos e tigres?
Eu, infelizmente não me lembrava de nada. Minha mãe ficou pensativa com essa pergunta. Na sua face estampou-se algo que eu não podia decifrar. Logo, ela mudou de assunto.
– Não! Nada aconteceu. São só esses calmantes?
Nunca tinha visto ela daquele jeito. Parecia que ela queria sair logo dali. Eu não entendi o motivo para ela se comportar daquela maneira. O psicólogo me receitou alguns calmantes, mas eu não achava necessário tomá-los.
No caminho de volta para casa, minha mãe permaneceu em silêncio. Foi a primeira vez que vi uma pessoa voltar pior depois de uma consulta com o psicólogo. O semáforo ficou vermelho, o trânsito estava caótico em plena segunda-feira de manhã.
Olhei os carros, as pessoas andando. Mas algo me chamou a atenção e especial uma pessoa, era uma mulher. Ela tinha cabelos vermelhos e quando a olhei, ela me encarou e pude perceber seus olhos acenderem como o fogo. Fiquei espantada, decidi não demonstrar qualquer sinal de medo, não queria que minha mãe percebesse.
Chegamos em casa. Minha mãe me deu ordens para descansar e tomar os calmantes. Ela foi trabalhar e eu fiquei sozinha. Minha casa ficava praticamente do lado da floresta da cidade de Atlanta. No verão se via muitos esquilos no quintal.
Mesmo não querendo, tive que obedecer a minha mãe. Fui até a cozinha, peguei um copo com água e ouvi um barulho. Fui até a sala e não havia vestígio algum de algo ter caído. Voltei para a cozinha, quando olho no vidro da janela, percebo que algo está atrás de mim. Quando virei-me, eu o vi. Era o lobo dos meus sonhos olhando para mim. Seus olhos eram os mesmos., vivos e acesos. Ele ficou parado me olhando. Deixei o copo cair no chão e a água espalhou-se pela cozinha. Vi tudo girar e escurecer ao meu redor, eu desmaiei.
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