The Wizards Tale: Choosen
6 Destino
(Tamora's P.O.V.)
Olhando atentamente pela janela do carro, percebi que nos aproximávamos da cidade.
Os ataques em si não eram a pior coisa em tudo aquilo, mas eu já estava cansada de todas as mudanças que vinham com eles. Tinha passado por pelo menos umas vinte escolas diferentes, mal conseguia ficar numa mesma cidade por mais de dois meses. Quase não fizera amigos nos vários lugares em que estivera e sempre perdia os poucos que tinha. Alguns mantinham contato por um tempo, então desapareciam, era sempre assim que acontecia.
Por mais que eu não gostasse da ideia, sabia que ali não seria diferente. Bom, seria um pouco. Eu estaria indo para Hogwarts ao invés de uma nova escola Trouxa e ao menos isso eu sabia que não mudaria.
Examinei meu medalhão. Não entendia porque tinham me deixado ficar com ele. O Sr. Potter o tinha examinado com vários feitiços, mas parecera se conformar de que, apesar de mágico, o objeto não era perigoso. Mas eu tinha certeza que fora isso que causara a tempestade, apesar disso não disse nada, nem mesmo aos meus pais, eles também não insistiram.
Eu não via a hora de chegarmos. Se tinha uma coisa que eu não gostava sobre os Trouxas eram aqueles veículos. Eram lentos demais comparados com viagens por Pó de Flu ou Chaves-de-Portal ou até mesmo Aparatação (na qual eu só tina acompanhado meu pai uma vez, quando tivera uma acidente e caíra em um poço), e confinados demais comparados a uma vassoura (se bem que eu não sei voar ainda). Mas meu pai estava no Ministério e minha mãe insistira que 'aparecer do nada' não era a maneira mais discreta de se mudar para um lugar novo.
Eu tinha que concordar com ela, mas ainda não gostava. Eu preferia estar me mudando para uma aldeia bruxa pra variar, sem ter que ficar duas horas presa naquele carro e onde eu talvez pudesse aprender a voar. Simplesmente queria que pudéssemos parar de nos esconder.
Será que os outros Aurores tinham o mesmo problema? Ou meu pai estava em algo mais profundo do que eu jamais poderia imaginar?
Bem, se eu fosse uma Auror, tenho certeza que já teria resolvido o caso de quem quer que esteja nos perseguindo. Mas tirando pelo meu pai e o Sr. Potter, os outros Aurores que conheço são um bando de incompetentes.
Só havia uma pessoa que eu tinha certeza que eu ainda veria e com quem eu mantinha contato depois de todas essas mudanças, alguém que só estava na minha vida graças ao meu pai e os outros adultos envolvidos, não sei direito quem foi o responsável, mas não podia reclamar, eu acabara concordando com isso depois e era até bom ter alguém fixo na minha vida além dos meus pais, apesar de eu preferir que os adultos não tomassem decisões por mim da próxima vez. Mas fazer o que? Acabava fazendo parte de vir de uma família Puro-Sangue e de já ter convivido com aqueles decididos a conservá-las.
Suspirei aliviada ao sentir o carro parar e me tirar dos meus pensamentos. Era outro dos motivos pelo qual eu gostava dos videogames Trouxa, eles evitavam que eu pensasse tanto em tudo que já me acontecera e estava acontecendo.
O caminhão que trouxera nossa mudança já aguardava na frente da casa. Eu observei o lugar sem descer do carro.
Era menor que a casa de onde tínhamos saído, meus pais sempre tentaram ser discretos quanto ao dinheiro que tinham, exceto na primeira casa onde moramos, a que ficamos mais tempo e que era próxima a outras famílias Bruxas.
A casa naquela época era grande, mas era estranhamente solene, vazia, eu ficava alerta com cada sombra, cada som. A casa era mais segura, mas eu não me sentia segura lá.
Ali parecia um lugar aconchegante e acolhedor. De certa forma sair de lá nos fizera bem.
Vendo que não precisariam da minha ajuda para colocar tudo para dentro e, uma vez lá um pouco de magia colocaria tudo no lugar, desci do carro e, avisando rapidamente minha mãe, decidi dar uma volta para conhecer a vizinhança.
(Felix's P.O.V.)
Eu acordei com um pouco de dor de cabeça naquela manhã e mais tarde do que era meu costume. Aquele tipo de situação tinha sido frequente desde que eu encontrar o medalhão. Bem, não a dor de cabeça, mas dormir até mais tarde e os sonhos... Eram sonhos estranhos, mas eu não tinha tido sinal dos outros medalhões ou tornado a ver a garota ou a Ordem da Fênix novamente.
Vanellope, Ralph e eu tínhamos ido ao museu logo após nossa última conversa (retornado, no meu caso), apesar de eu não gostar nada da ideia de estarmos invadindo (outra vez) mas era o melhor lugar que tínhamos para procurar mais pistas sobre os medalhões e as histórias por trás deles.
Me arrependi profundamente quando não encontramos nada.
Eu não contara muito aos outros, não queria que se envolvessem caso fosse perigoso. Os estranhos encapuzado não pareciam estar ali para brincadeira. No fundo eu estava com medo de que descobrissem os medalhões e viessem atrás de mim e de meus amigos.
Também haviam outros problemas, como a interação de Ralph ao grupo, que não saíra exatamente como eu e Vanellope esperávamos, mas estávamos trabalhando nisso.
Quando eu estava a caminho de me encontrar com meus amigos, vi a última pessoa que eu esperava ver por aqui e por um momento considerei que fosse uma ilusão ou outra visão, até eu ver Troy e Mark descendo a rua, vindos da direção oposta e em uma rota de colisão inevitável. Pressenti tensão e perigo no ar e tive poucos segundos para me decidir, atravessei a rua correndo e puxei a garota para o beco mais próximo, antes que ela pudesse reagir.
Eu sabia que a confusão seria grande se ela o fizesse. Embora fosse mais provável dos dois encrenqueiros saírem mais machucados, os danos poderiam ser graves com os medalhões envolvidos além do risco de sermos descobertos.
(Tamora's P.O.V.)
Foi a maior surpresa quando, algumas rumas pra cima de casa, senti uma mão agarrar a minha e me puxar para um beco próximo. À princípio estava chocada demais para reagir, mas logo parei e consegui me soltar com um puxão.
"O que pensa que está fazendo?" Perguntei, zangada.
Focalizei meu sequestrador. Era um garoto, alguns centímetros mais baixo que eu, não parecia ser uma ameaça, mas nem sempre parecia.
Ele apenas me fez sinal pedindo silêncio e correu de volta para a ponta do beco, espiou a rua, então soltou um suspiro aliviado.
"Sinto muito por isso, senhorita." Ele murmurou. "Estava apenas evitando encrenca."
"Não preciso que me protejam." Retruquei , no fundo surpresa com o gesto e sem entender do que ele estava me protegendo.
Resolvi ignorá-lo e sair dali, quando ouvi uma pergunta inesperada.
"Você é uma bruxa, não é?"
"Não seja bobo." Menti, me afastando.
Não fui muito longe, antes de ouvir a segunda coisa mais inesperada naquele dia.
"Espere, Tamora!" O garoto chamou.
Virei-me no exato momento. Como ele sabia meu nome? Ele suspeitava que eu fosse uma Bruxa, seria ele um também? Mesmo assim, isso não lhe dava razão para saber o meu nome.
Ele pareceu se arrepender no momento em que me virei. Deveria mesmo, pois se ele não se explicasse ele que fosse tentar se explicar com os médicos.
"Quem é você e como sabe o meu nome?"
O garoto engoliu em seco antes de conseguir se pronunciar novamente.
"Meu nome é Felix, senhorita. Desculpe por assustá-la mas..." Felix parou, olhou em volta, parecia incomodado. "...não dá pra explicar aqui." Ele parecia ter medo de que alguém o descobrisse. "Mas é sobre o medalhão."
Como ele sabia disso também? Mas dessa vez ele conseguiu atrair minha atenção. O que ele sabia sobre aquele estranho artefato? Seria assim que ele sabia de tanta coisas? Poderia me ajudar? Ou seria aquilo uma armadilha?
Lancei-lhe um último olhar de alto à baixo e decidi correr o risco.
"Tudo bem, Felix. Você me mostra o lugar e trate de se explicar. Não tentem nenhuma gracinha."
Ele assentiu, parecendo relaxar e retomando o caminho que eu fazia antes da confusão.
(Felix's P.O.V.)
Ela reagira melhor do que eu esperava, principalmente na parte de me pedir para acompanhá-la por um pequeno tour pelo bairro de forma a ouvir o que eu tinha a dizer em maior segurança e certamente num tempo de muito mais qualidade.
Fiz o possível para recontar a história que ouvira de Ralph e Vanellope, contei sobre minha aventura no museu e as estranhas visões, vez ou outra interrompendo a mim mesmo enquanto tentava manter também minha tarefa de guia.
Ela escutou sem fazer muitas perguntas, diferente da maioria dos meus amigos. Ela parou assim que terminei, pensativa.
Pela primeira vez para observá-la. Ela realmente lembrava um pouco Hellen. Uma descendente, talvez? Fora assim que fomos escolhidos? Ou será que tudo aquilo era apenas uma grande coincidência? Quatro medalhões na mesma cidade em um curto período de tempo, sendo que alguns, tanto medalhões quanto as crianças que agora os portavam, tinham viajado um grande caminho para chegarem aqui.
(Tamora's P.O.V.)
"Então você disse que existem sete medalhões, são antigos e estavam perdidos à muito tempo, mas que quatro deles coincidentemente estão nessa cidade agora? Tudo isso me parece fantasioso demais para ser possível, mas você não me parece estar mentindo. Mas essas pessoas atrás dos medalhões..." 'Era só o que me faltava! Eu provavelmente não ia durar uma semana ali, seria minha mudança mais rápida desde que elas haviam começado. Naquele momento me deu vontade de jogar aquele medalhão longe e deixar que outra pessoa lidasse com esses problemas. Mas eu, que sempre gostara de me considerar uma garota guerreira, seria o que se desistisse assim? Só porque eu só tinha onze anos não queria dizer que eu não podia fazer nada. Até porque não estaria sozinha. Eram sete medalhões por um motivo, e Hogwarts seria, tanto o lugar mais provável para encontrar os três medalhões que faltavam, quanto o mais seguro para aprendermos mais sobre como lidar com isso. Eu só me preocupava pelos amigos Trouxas de Felix.
Eu definitivamente não sabia o que dizer, mas percebi que Felix esperava uma resposta. Ao invés de responder eu o ignorei e entrei no prédio mais próximo de nós, um pequeno Arcade. Conferi os bolsos e encontrei um resto de dinheiro ali, perfeito para mim tentar clarear um pouco a minha mente, e talvez isso distraísse o garoto de mim e do assunto. Talvez eu devesse conversar com os meus pais... Não. Eu esperaria ver se algo mais iria acontecer antes de minha partida para Hogwarts.
Então eles entraram. Um rapaz e uma moça, por volta de vinte e vinte e quatro anos, roupas pretas, longas capas, seus olhares vigiavam atentos o Arcade, pareciam buscar algo, ou alguém.
No mesmo momento imaginei que estivessem atrás de mim. Já tinha tido péssimas experiências com os ataques à minha família, mas nunca tinham vindo diretamente até mim, e sempre usavam máscaras ou capuzes. Quem eram aquelas pessoas então?
Vi a dupla se aproximar, o homem trazia algo escondido sob a manga, eu podia perceber. Uma varinha, provavelmente. Ao menos eu imaginava que eram bruxos.
Mas eles não vieram até mim, na verdade se aproximaram de Felix, eu pressenti perigo no momento e vi-o fazer um movimento rápido, como e escondesse alguma coisa antes que a mulher se dirigisse a ele.
"Com licença!"
"Sim?" Felix perguntou educadamente.
"Você é um dos garotos que invadiu o museu. Sabemos que encontrou algo de valor. Venha conosco e nada de mal lhe acontecerá." Ela ordenou.
"E se eu me recusar?"
"Bem, estamos autorizados a utilizar quaisquer meios necessários para cumprir nosso objetivo!"
Eu instintivamente me coloquei entre eles, ninguém parecia ter notado ainda a confusão.
"Deixem ele em paz!" Ordenei firme. "Por que vocês dois não vão se meter com gente do seu tamanho?"
"Ela tem outro deles!" O homem sussurrou.
"É nosso dia de sorte, dois coelhos em uma única toca." A mulher riu.
Foi naquele momento que nossa discussão atraiu a atenção do dono do Arcade.
"Com licença, senhora, mas o que está acontecendo aqui?"
Não pude ouvir a resposta dela, no momento seguinte senti Felix novamente me puxar, dessa vez para fora do Arcade. Corri atrás dele, sem pensar muito no que estava fazendo. Mesmo que eu pudesse enfrentá-lo haviam testemunhas Trouxa de mais para qualquer coisa por lá. E de qualquer forma, rumávamos na mesma direção em que eu morava então eu estava no caminho de casa.
"São só crianças, não vão escapar de nós!" Ouvi a mulher gritar depois de corrermos por várias ruas.
"Se precisarmos matá-los, nós faremos."
Felix apertou mais forte a minha mão. Viramos uma esquina e senti-o fazendo uma curva brusca, a luz diminuiu e uma porta se fechou, estávamos dentro de uma casa.
"Felix?" A voz de um menino perguntou, então eu o vi.
Seu cabelo negro se espetava para todos os lados, seus olhos verdes tinham um brilho divertido e seu sorriso era o de um baderneiro, principalmente do tipo que gostava de viver a vida à toda velocidade e pregar peças nos outros.
"Quem é sua amiga gatinha?" Ele riu e tive vontade de bater nele.
Felix não respondeu, apenas fez sinal pedindo silêncio e espiou por uma fresta nas cortinas.
"Parece que eles já foram." Murmurou aliviado.
"Quem foi?" O garoto perguntou.
"Ninguém." Respondi rápido. "Isso não é da sua conta."
"Uau! Amiga nervosinha essa sua. Ela não roubou nada, roubou?"
Eu não consegui mais me segurar e dei um soco no braço dele.
"Cale a boca. Felix, vamos embora!" Chamei.
"Para que a pressa?" Jason perguntou, mas quando Felix voltou-se para ele, se calou. Eu não tinha percebido qualquer tipo de sinal, mas era claro que eles se entendiam pois no minuto seguinte estávamos de volta a rua.
(Felix's P.O.V)
Eu não queria ir. A verdade era que eu queria reunir meus amigos e tentar achar uma solução, embora eu achasse que a mais segura seria nos livrarmos dos medalhões. Mas eu não ia discutir com minha nova amiga. Além do mais, quanto mais cedo voltássemos para casa, mais seguros estaríamos.
Seguimos em silêncio. Não creio que algum de nós tinha algo mais a dizer, pois tínhamos muitas perguntas mas não íamos encontrar respostas um no outro. No fundo eu estava aliviado que podíamos encerrar o dia sem mais problemas.
Mas era cedo demais para comemorar, quando nossos perseguidores apareceram no fim da rua. Paramos. Eles ainda estavam longe e aparentemente não tinham nos visto, infelizmente não havia nenhuma opção de desvio, teríamos que voltar ou ficar e lutar.
"Precisam de ajuda?" Eu não sabia se ficava surpreso ou feliz por ouvir aquela voz. Virei-me para encarar uma menina pouco mais nova, cabelos ruivos, olhos azuis e um sorriso maroto. Uma amiga recente.
"Luna! O que faz aqui?"
"Estava passando," Ela deu de ombros "vi vocês, aquelas pessoas... Quem é sua amiga? Precisam de ajuda?"
Luna era sempre assim, aleatória e energética.
"Não. Vá pra casa!" Tamora respondeu, sem tirar os olhos dos inimigos que se aproximavam.
Luna ergueu uma sobrancelha como se perguntasse: Isso é sério?
Eu fiz sinal para as duas e nos protegemos na entrada de um café ali perto, não ia nos proteger se eles chegassem até ali, mas impedia que nos avistassem antes.
"Luna, não é uma boa hora. Tem duas pessoas vindo atrás de nós e não podem nos encontrar."
"Quer que eu me livre deles? Pode deixar, Felix, tô mesmo te devendo essa." E com isso ela saiu correndo.
"O que está fazendo? Por que deixou ela ir?" Tamora perguntou, zangada. "Quem é ela, a final?"
"Luna é outra amiga. Ela pode ser bastante convincente quando quer, se alguém pode desviá-los para chegarmos em casa, é ela."
De fato, a princípio o homem parecia prestes a puxar a varinha, mas a mulher fez sinal para ele esperar, o grupo trocou algumas palavras, Luna apontou algumas direções, provavelmente aleatórias e falsas e a dupla se afastou, minha amiga acenou para nós, indicando que estava tudo bem, com um sorriso alegre.
"Não confio nela." Minha companheira comentou, baixo, mesmo assim fizemos nosso caminho até onde Luna estava.
"Luna pode ser estranha no começo, mas para quem consegue passar pelos detalhes estranhos é uma boa amiga."
"Ela parecia natural demais com a situação, despachou-os muito rápido, e aquele sorriso é suspeito, quem é ela?"
(Tamora's P.O.V.)
"Estão falando de mim, não é?" A pequena ruiva riu, acabando de desfazer a distância entre nós. "Tudo bem, não me importo. Por que aqueles dois estavam perseguindo vocês? O que está acontecendo, Felix?"
Ela não parecia curiosa, preocupada ou assustada, apenas natural, mas também não neutra, aquele sorriso persistia. Definitivamente havia algo errado com aquela menina, não importava o que Felix dissesse. A final, por que eu deveria confiar nele, pra começar?
Fora o medalhão que atraíra minha curiosidade, mas eu decidira confiar em Felix porque nada nele parecia realmente suspeito, não havia nada de errado a dizer naquele primeiro momento em que nos conhecemos. Mas as atitudes daquela menina atraiam suspeitas, simplesmente não era possível existir alguém como ela.
As roupas e o cabelo simplesmente desleixados demais indicavam uma rebeldia que seu tom de voz e seu sorriso não carregavam, mas apesar do olhar infantil, seus olhos demonstraram certa força interna quando se oferecera para afastar nossos perseguidores.
E novamente o sorriso... Eu já conhecera outras crianças bastante alegres e amigáveis, nenhuma delas sustentava um sorriso daqueles por tanto tempo, era como se ela tivesse apenas aquela expressão e só seus olhos revelassem suas verdadeiras reações e sentimentos. Eu não podia realmente julgar antes de saber mais sobre ela, mas também não podia deixar que ela soubesse muito sobre mim ou sobre o que estava acontecendo até ter certeza se ela era amiga ou inimiga.
Mas antes que qualquer um de nós pudesse dizer alguma coisa ela já tinha voltado a falar, e mudado de assunto.
"Então, Felix, soube que vocês invadiram um museu... Pensei que tivesse mais juízo. Mas fiquei sabendo das visões... Sabia que tinha algo especial em você! Mas isso pode ser um pouco perturbador, como você tá?"
Eu sabia que Felix ia contar. Ele confiava nela, não fazia o tipo de quem mentia com frequência.
Mas ele não disse nada. Tentou, encarou a amiga um pouco nervoso, até que finalmente conseguiu responder:
"Quem disse isso? Bem, não importa, nós conversamos depois. Agora nós precisamos ir antes que aqueles dois retornem."
"Okay! Vejo vocês por aí!"
E foi assim que ela saiu correndo. Sem insistir, discutir ou se despedir, ainda sorrindo e tão naturalmente... Ela parecia mais uma espécie de máquina do que humana. Mas a verdadeira questão era:
"Por que você a mandou embora?" Perguntei a Felix. "Pensei que confiasse na menina?"
"Acho que sim... Mas você disse que havia algo errado com ela, e quando ela perguntou sobre as visões... Eu não contei a meus amigos sobre elas, ao menos não os que ela conhece."
Então era isso. A menina era uma espiã das pessoas que nos seguiam. Agora eu realmente tinha que contar ao meu pai.
"O que sabe sobre ela?" Perguntei, talvez tivesse alguma informação que pudesse nos ajudar.
"Não muito. Eu a conheci no parque ano passado. Feitiço acidental... Uma aranha gigante. Alguns meninos a estavam perturbando, deve ter perdido o controle, meus amigos distraíram a criatura e eu consegui acalmá-la. Quando a equipe do Ministério chegou já não havia muito trabalho para eles exceto apagar algumas memórias. Nunca soube de onde ela veio, quem é a família dela nem nada... Ela voltou alguns dias depois para me agradecer e então continuou voltando de vez em quando. Nunca fez muitas perguntas, não como hoje, nunca se interessa por mais do que jogos e as estrelas."
"Ou seja, inocente... Uma espiã perfeita." Com certeza um plano maravilhosos. Um adulto como espião de duas crianças seria suspeito demais, mas uma menina como Luna...
"É provável que ela esteja enfeitiçada. Isso está indo longe demais! Eu tenho que avisar meu pai! Você devia fazer o mesmo. E tome cuidado o que vai dizer para essa sua amiga, esconda esse medalhão e se cuide!" Foi tudo o que lancei como despedida. Já estávamos perto da minha casa. Normalmente eu tinha o costume de apresentar meus novos amigos aos meus pais, principalmente em uma situação como aquela, mas eu via dali que tínhamos visita e eu preferi deixar isso para depois.
(Felix's P.O.V.)
Era apenas coincidência que duas crianças tivessem chegado a cidade em dois dias e que quatro medalhões tivessem sido encontrados? Se Luna era mesmo uma espiã, o que ela sabia sobre o que estava espionando? Se bem que eu não queria acreditar que Luna faria uma coisa dessas, ela era minha amiga? Mas podia estar enfeitiçada... Mesmo assim, como aqueles estranhos podiam saber das visões? E porque parecia que eles ainda não sabiam dos outros dois medalhões na cidade?
Por que o mundo de repente se tornara tão complicado? Nenhuma criança devia passar por isso. Mas aqui estávamos, eu e meus amigos, e em algum lugar três outras crianças deviam estar enfrentando problemas também.
Mas naquele momento eu só pensei em um detalhe: Eu realmente deveria contar ao meu pai o que acontecera, mas como se eu não podia contar sobre o museu? Eu tinha prometido aos meus amigos que não contaria, não queria metê-los em problemas.
"Sua amiga não gosta de mim." Luna comentou. Estava para logo atrás de mim, eu não a vira nem ouvira. A quanto tempo estava ali? Teria ouvido alguma coisa? "Queria que nós tivéssemos tempo pra brincar, mas eu tenho que ir pra casa, passei pra me despedir." Eu tentei não suspirar aliviado quando ela me abraçou. Mas não tive tempo sequer para reagir.
"Você o matou!" Eu ouvi o grito. O mundo havia mudado em um piscar de olhos. Eu estava em uma floresta escura, mas diferente das outras visões, eu não estava ali como uma outra pessoa, eu simplesmente estava vendo
Hellen, furiosamente encarando uma mulher pouco mais nova, com uma juba de cabelos ruivos e brilhantes olhos verdes.
"Acho que não, querida." A voz da ruiva era um ronronar maroto. "Veja bem, você o trouxe para essa floresta, você se descuidou do seu trabalho. Eles não eram páreo pra você, mas você se deixou ser pega de surpresa. Você o matou."
Hellen puxou a varinha, apontando-a para o peito da inimiga e disparou um feitiço silencioso, a ruiva não foi pega de surpresa, ergueu sua varinha e conjurou um escudo.
"Vai mesmo me matar?" Ela ronronou. "O que seus amigos diriam disso?"
"O que você entende sobre amizade?" Hellen rosnou. "Você traiu seus amigos!"
O tom seguinte da ruiva foi mais normal, até mesmo um tanto ressentido.
"Eu fui obrigada a escolher. Eu ganho que escolher agora. Sinto muito."
Dois feitiços colidiram e eu me vi de volta a realidade. Luna ainda mantinha as mãos nos meus ombros e olhava para mim, pela primeira vez verdadeiramente preocupada.
"Você está bem?" Ela perguntou inocentemente.
Eu não gostava de mentir, mas me vi forçados assentir.
"Isso foi..." Eu sabia o que ela ia perguntar, mas para minha surpresa eu a vi baixar os olhos e vi a mesma expressão da ruiva na minha visão. Eu tive que esolher... ela dissera. Eu não tinha ideia de quem morrera, mas vi minha amiga lançar um olhar à casa atrás de nós e senti que ela também vira algo, e sabia de algo. "... Isso foi assustador." Luna finalmente murmurou. "Bem, vejo você depois."
Ela saiu correndo também, e pela segunda vez naquele dia eu era deixado para trás, com perguntas sem respostas e uma estranha sensação de vazio.
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