The Witchcraft

1 Crepúsculo


Notas iniciais
Tudo bem vamos lá! Eu realmente acho que nem vão terminar de ler este capitulo, eu me acho muito maçante hehehe, mas ainda assim, espero que possam viajar nas minhas primeiras palavras. Boa leitura pessoal. o/

O Sol começava a adormecer, seus raios laranja pintavam o céu e as nuvens enquanto ia desaparecendo preguiçoso entre o aglomerado de pequenos edifícios, sempre naquele horário as pedras das precárias construções daquela parte da cidade ganhavam um brilho especial por causa do crepúsculo, e dava aos seus moradores uma rápida sensação de felicidade ou nostalgia, porém bastava olhar mais atento ao redor que os sentimentos ruins sufocavam qualquer outra emoção.
Pequenos prédios bem parecidos entre si brotavam de um mar de areia e escombros, eles tinha uma arquitetura bem quadrada e seca, tinham no máximo três andares que eram divididos por famílias marginais e na maioria das vezes sem esperanças.
Em uma dessas casas, no ultimo andar, havia um pequeno quarto em que a luz do sol poente preenchia todos os seus cantos, dele podia-se ouvir as preces de uma mulher em uma língua muito antiga e esquecida pela história, ela estava ajoelhada de frente a um altar bem simples em uma das paredes sem pintura do quarto, era apenas um batente de cimento com algumas velas, flores e uma antiga e bruta estatueta feita por mãos não muito hábeis. O quarto tinha aberturas bem grandes e quadradas nas paredes, na verdade seriam espaços para janelas, mas elas nunca foram colocadas, e era por essas clareiras que a luz solar entrava tingindo tudo e dando aos cabelos ruivos, cacheados e incrivelmente longos da mulher uma linda e viva cor cobre. Ela estava de olhos fechados e as mãos juntas postas em oração, uma figura angelical, mesmo com sua aparência grossa e personalidade rude a beleza sempre a acompanhava... Então finalmente abre seus olhos e respira fundo, agora com os braços abertos e as mãos voltadas para cima o seu olhar é distante.

– Oh Minha Senhora, sei que o meu futuro é doloroso... Sei que o meu sangue já não me pertence. Então nestes tempos difíceis me daí forças, me daí coragem Oh Andrasta, para me tornar cada fez mais firme!

Boadiceia sempre se sentia melhor depois das suas preces, como se recarregasse o corpo cansado, ela levanta-se do chão e limpa os joelhos, neste momento uma brisa fria bate naquele quarto quase vazio e já escuro, o vento faz seu vestido de tecido fino e colorido esvoaçar, revelando a forte perna da mulher, ela da mais uma olhada ao redor e desse pela escada improvisada de madeira no canto do quarto.
A mulher caminha pelas ruas da favela onde mora, eram ruas estreitas a iluminação feita por poucas lâmpadas fracas em amontoados de fios, pelas alamedas havia sempre sucatas de veículos quebrados, carcaças de microjatos e peças velhas pelo chão. Ela caminha rápida e a cada esquina cumprimenta alguém, parece ser uma mulher respeitada. Depois de poucos minutos caminhando pelas ruas arenosas, escuras e iguais, ela chega a um salão pavimentado com pedras e mais iluminado do que o resto do local, algumas poucas árvores com galhos retorcidos ousavam crescer ao redor do salão, as peças e sucatas de veículos e maquinas que viviam espalhadas pela favela, existiam em maior número naquele local, e formavam pilhas por toda a parte. No meio do salão havia um pequeno coreto enferrujado onde um grupo de pessoas se reunia, eles usavam roupas sujas de couro escuro e a maioria estava carregando pesadas armas e munições. Um homem alto de cabelo curto e prateado se afasta do grupo de pessoas e vai em direção a ruiva que se aproximava deles, sua barba por fazer e vestes surradas e rasgadas indica que este era um homem que a muito tempo já não se preocupava consigo mesmo, ele sorri pra ela e estende as mãos em sua direção, os olhos castanhos da mulher, da cor de um escuro mel, apertam-se enquanto ela também sorri.

– Boadiceia, sabe que não gosto quando fica sozinha por muito tempo! – Ele beija a testa dela e passa o seu polegar pela sua bochecha.

– Meu querido você sabe que não sou este tipo de mulher, sabe que preciso do seu amor e não de sua proteção. – Ela coloca a sua mão sobre a mão do homem que estava sobre o seu rosto e a aperta com carinho, enquanto mantém seus olhos firmes.

– É eu sei... Mas não consigo pensar em mim sem você.

– E nem precisa, porque eu sempre e em qualquer situação estarei com você, Govannon. Agora vamos, já devo está a muito atrasada.

O casal volta para o coreto de mãos dadas, lá um grupo de três pessoas os espera, havia uma mulher madura com um vestido pesado roxo e uma capa com capuz que lhe cobria a cabeça e escondia o seu rosto em sombras, ela usava um cinto feito de cobre e bronze com algumas pedras sem brilho cravejadas; do seu lado havia outra mulher mais nova que a anterior, tinha cabelos pretos bem volumosos e cacheados, olhos verdes pintados com uma maquiagem escura e sobrancelhas bem fortes, usava uma calça de couro preta e coldres com armas e munição, vestia uma bata bordô de tecido leve e usava brincos grandes, colar e muitas pulseiras, ambos feitos de cobre e bronze como o cinto da outra mulher; a sua esquerda um grande homem escorava-se nos ferros da grade, tinha uma aparência bruta, o ralo cabelo loiro dividia a sua cabeça com a calvície, os braços musculosos estavam cruzados sobre o peito, ele vestia um sobretudo marrom, usava luvas rasgadas e do seu lado uma enorme arma estava encostada. Parecia que o grupo sempre estava atento a tudo.

– Que bom que chegou Boadiceia, por mim começamos tudo agora mesmo! – Exclamou o homem loiro.

– Pra você tudo é assim não é Bran? Tudo é muito fácil – a figura encapuzada diz ao homem virando-se a sua direção. – Mesmo vivendo de maneira perigosa, o que estamos planejando é algo muito arriscado... Você pode não ter medo de morrer, mas eu preso por minha vida!

– Calma Sin. Essas discussões que você anda tendo com o Bran ultimamente, só atrapalham as coisas irmã! – A mulher morena coloca sua mão no ombro da outra e a afasta um pouco para trás. – Por mais que você tenha nos guiados com seus ensinamentos, você sabe que todos nós temos um bom conhecimento em magia, principalmente agora nesta nova era, que tudo está mais fácil... Não somos tolos, conhecemos os perigos, eu entendo o Bran e sua sede por mudanças!

– Sede que cega Sulis... – Disse Sin.

– Que bom que você não está amolecendo como sua irmã Sulis, parece que os demônios do governo central conseguiram dominá-la. – Enquanto o forte homem fala, Sin solta o sorrisinho de desdém e se cala virando o rosto para o outro lado.

Govannon que escuta os seus amigos calados, se posta no centro do circulo, segurando a correia que passa pelo seu peito na qual uma arma é presa em suas costas e diz em um tom mais alto do que os demais.

– Meus amigos, a única coisa que não precisamos agora é deste clima. Todos nós queremos o mesmo... Ou melhor, todo nosso povo quer o mesmo, quer liberdade, e nós somos a ferramenta para isto! Entreguei a minha vida a esta causa, para pelo menos ter uma nobre razão de viver nesta nossa realidade miserável. Mesmo assim nossas vidas são preciosas, temos que assegurar um futuro suportável para nosso povo, por isso que te peço calma Bran, pelo menos até que eu possa criar armas mais poderosas, ultimamente não consigo encontrar muito material bom por ai...

– E triunfaremos! – Boadiceia da um passo a frente de maneira imponente. – Não vou mentir que também estou com medo de fazer o que estamos planejando, mas oro para que este medo se transforme em coragem, não vou desistir agora, e se conheço cada um, sei que vocês também não vão. Também não gosto de esperar muito, mas por hora vamos nos arriscar a conseguir os ingredientes que faltam para realizar o feitiço que nos trará a liberdade. – Ela agora olha para cada um com os olhos mais abertos e atentos. – Daqui a dois dias, quando a noite cair, Bran e Sulis irão comigo e mais alguns outros homens atrás desses ingredientes, sei que pode ser um caminho para a morte, mas conseguirmos voltar com o que precisamos. – Boadiceia segura no ombro de Sin e a olha com uma doce expressão na face. – Minha velha amiga, preciso de você aqui junto com o Govannon quando partirmos, só você pode ajudá-lo com seus conhecimentos e também irá proteger nosso povo!

– Confio em você e sei que voltará sã e salva! – Sin sorri por detrás do capuz.

* * *

Muitos anos se passaram desde o findar do velho, tudo quanto físico e etéreo mudou ou misturou-se, e desde então o mundo conhece um novo e onipotente império... Um reinado de sangue e injustiça é decretado, um reinado usurpador e sujo, um reinado das trevas. As pessoas vivem suas vidas sobrevivendo às inúmeras dificuldades que lhes são impostas, seus sonhos já não existem mais, vivem apenas para mover um grande sistema que abastece a maquina do governo com suas energias e pouco dinheiro que conseguem, em outras palavras, são escravos modernos. Mas existem aqueles que resistem, são chamados de rebeldes. Um povo nômade e marginal que sobrevive em uma eterna batalha contra o governo, escondendo-se da morte e aprendendo a lutar, alimentar-se e construir tudo o que tem com o que para muitos é lixo. Um povo que vive das sombras.
O governo tem sua cede na chamada Cidade do Meio, na qual a maioria da tecnologia se encontra concentrada na região, a economia de todas as nações é ditada pela cede. A Cidade do Meio é o monopólio de tudo. Os políticos, ou como algumas pessoas preferem “Os Imperadores”, vivem na Cidade do Meio, as outras nações que agem como várias colônias são dirigidas e observadas por militares, que por sua vez são submissos aos políticos, esta pirâmide social imutável é a nova forma de política de todas as nações, que foi estabelecida após o final de uma longa era.

A noite já caíra, o vento frio cortava a pele, era uma noite manchada de nuvens mal agourentas vermelhas e pesada, ao lado dos pequenos edifícios abandonados que os rebeldes estavam usando como um lar havia um terreno vazio, um campo arenoso em que um mato seco crescia-lhe ao redor, peças mecânicas enferrujadas estavam espalhadas em pequenos montes, e as poucas luzes do local vinham de fogueiras feitas pelos grupos de pessoas que estavam espalhadas por lá. Govannon estava encostado em uma carcaça de um mini-helicóptero de guerra tombado a algum tempo naquele campo, os braços cruzados ajudavam-lhe a aquecer um pouco mais o corpo, seu olhar era distante, por vezes ele olhava pra umas crianças que estavam brincando com os resto de um androide destruído a pancadas forte, normalmente Govannon iria reclamar com as crianças com o seu discurso batido de que elas podiam está desperdiçando o que poderia ser precioso, e iria levar o androide pra sua oficina improvisada e ver o que poderia criar com aquelas peças, mas ele não faz nada disso, continua parado e introspectivo, parecia exausto e talvez receoso. Faltavam poucas horas para a sua mulher tão amada e seus amigos partirem em uma viagem perigosa, mas perigosa do que as coisas que eles costumavam passar para sobreviver diariamente.
Govannon precisava está com os outros, não podia haver margens para erros, depois de respirar fundo, ele dá um último olhar nas crianças e um sorrisinho leve e cansado toma seus lábios, então ele se desencosta da superfície enferrujada e caminha de cabeça baixa em direção a sua "casa", onde seus amigos estavam reunidos.
O homem de cabelo prateado passa por cortinas amarelas rasgadas com estampas já bem desgastadas, um corredor escuro com paredes de cimento sem pintura, e finalmente chega a uma sala com uma mesa improvisada de madeira e arames, muitas peças mecânicas e ferramentas sobre a mesa e ao seu pé, e uma fraca luz alaranjada deixava tudo em penumbras, quatro silhuetas ao redor da mesa eram bem conhecidas por Govannon, eram seus amigos.

– Venha querido não podemos perder mais tempo. – Boadiceia estende a mão para o seu marido, que se posiciona ao redor da mesa como os outros. – Hoje é um dia decisivo para nós, o futuro de nosso povo está em nossas mãos, porque se tudo dê certo, finalmente poderemos lutar de igual para igual contra os cães do governo.

– Então vamos nos apressar! – Sin diz com uma voz forte, abrindo um livro que parecia existir a séculos, sobre a mesa. – Estamos prestes a realizar algo que vai abalar a energia deste planeta de uma maneira significativa, mas do que já está abalada... Um feitiço de conjuração de animal totem necessita de que todos os que estiverem fazendo-o, tenha um bom nível de experiência, sem contar que se considerarmos a quantidade de pessoas envolvidas que participaram desse rito, o feitiço precisara de uma quantidade elevadíssima de energia, em outras palavras, precisaremos de feiticeiros verdadeiramente fortes para isso. Por isso que sempre insistia para que todos estivessem sempre estudando... Como o planejado, iremos fundir este rito com os ritos de transfiguração, e é essa a parte mais perigosa, se o corpo de quem está conjurando o totem não estiver em um nível de energia alta, a transfiguração para está pessoa será letal, e é ai que entramos. – Sin passa alguma página do velho livro com as pontas dos seus dedos. – Como todos sabemos, após o fim da antiga era este mundo mudou completamente, a nova era não veio precedida apenas de catástrofes naturais, mas também de novas energias e realidades, o novo ciclo mudou nosso planeta e o fundiu com mundos desconhecidos por muitos, portais para outros planos e dimensões foram naturalmente abertos, fazendo com que a essência da magia em si tomasse nossa realidade, essa magia despertou como uma consciência coletiva nas pessoas, alguns tidos como bruxos já sabiam da existência da magia e de seus seres, que é o meu caso, mas hoje todos estão cientes de sua veracidade. – A mulher de idade mais avançada do que as dos demais, continua falando com um tom de voz épico. – Após estes acontecimentos quase todos podiam conjurar algum tipo de feitiço, para que a sociedade não perdesse o controle com o uso demasiado da magia e para preservar o sistema político, o governo passou a proibir certos tipos de magias, tornando a aquisição de materiais para estes feitiços quase impossíveis. Vocês sabem que existem três fontes principais na qual a magia retira suas forças para poder projetar-se: a Fonte do Poder Divino; a Fonte do Poder Pessoal; e a Fonte do Poder do Planeta, mesmo que as duas últimas retirem suas forças da primeira, é a Fonte do Planeta que nos interessa. Este poder reside nos próprios produtos naturais e geralmente é o que intensifica um feitiço ou protege dos seus perigos, é isto que vai nos ajudar em nosso rito de conjuração e transfiguração totem.

– Em resumo, é essencial termos todos os materiais para que nosso ritual tenha alguma chance de dar certo. – Diz Sulis, que antes estava ouvindo tudo um pouco afastada.

– Por sorte venho guardando alguns ingredientes mágicos e tenho a maioria dos materiais que precisaremos, mas ainda assim, não possuo os dois mais importantes. — Sin agora volta seus olhos para o livro. – Eu preciso que nesta noite vocês me tragam o cristal branco do esbat da Lua Cheia e raízes de mandrágora, mas como eu disse, o governo passou a proibir certos tipos de ervas e cristais, e como esses exemplares são de um imenso poder, será bem difícil sua aquisição, mas volto a afirmar, é de extrema importância vocês conseguirem o cristal e a raiz para que possamos fazer o ritual...

Boadiceia, então, passa a mão pelo pescoço, nesse jeito que lhe era costumado, e voltando-se bruscamente:

– Há meses tenho ordenado nossos homens investigarem essas terras tidas como proibidas, esse tempo de espreita nos rendeu um mínimo de conhecimento territorial, perdi alguns homens com isso, mas graças ao sacrifício deles, não estaremos totalmente no escuro. – Os olhos castanhos de Boadiceia conservaram-se por um momento em Sin. – Desde que eu e a Sin começamos a pensar na ideia do ritual, eu sabia que precisaríamos de ingredientes proibidos, então me adiantei... Agora temos as coordenadas de como chegar lá.

– Mas antes de partirem, devo-lhes prepararem. – Interviu Govannon.

Notas finais
Bem é isso pessoal, já tenho boa coisa para os próximos capítulos, a um tempo atrás escrevi roteiros e desenhei as personagens. Não me faltará ideia, espero que só me falte preguiça mesmo, hahaha.