The White Man.

5 Capítulo 5


Yuki não contou nada do que Yura havia lhe dito, pois queria ser o mais agradável possível. Durante a visita, a moça ainda disfarçadamente disse algumas coisas que feriram o rapaz branco, mas que ele tentou ao máximo ignorar. Porém, não conseguia olhar mais no rosto de nenhum dos dois. Ritsu, quando percebia que sua namorada dizia algo desnecessário, dava um leve beliscão em seu braço. No fim e já anoitecendo, não sabia como agradecer a Deus quando ela disse que precisava ir embora.

– Bom, acho que preciso ir. Vamos Ritsu?

– Ah, não posso ir junto. Quero ficar mais um pouco...

– Você vai deixar eu ir até o ponto de ônibus sozinha?

– Yagami-san, acompanhe-a por favor. – Yuki disse, mesmo odiando a ideia.

– Shimizu-kun, eu quero conversar com você! – O homem de cabelos negros insistia.

– Podemos conversar amanhã, não é?

– Claro que não! Ritsu prometeu passar o dia comigo! – Yura olhou para Yuki como se fosse asfixiá-lo com os olhos.

– Se não me deixar ficar hoje, eu virei aqui amanhã. Decida-se Yura.

– Isso é realmente tão importante assim? – A jovem falou com desprezo.

– Sim.

– Tudo bem então. – Virou de costas indo embora, fazendo uma pausa logo após, encarando-os. – Ah sim, amanhã não precisa aparecer em casa. – Se foi.

– Yagami-kun, vá atrás dela. Isso não está certo...

– O que não está certo é o fato que eu escondi isso de você! Me perdoe, por favor.

– Não tenho o que perdoar. Isso não me diz respeito.

– Claro que diz! Você é meu amigo, e quero ter a sua confiança! – Ritsu segurou Yuki pelos ombros, os apertando, causando um leve incomodo no outro. – D-desculpe... te machuquei?

– Não sou tão fraco... e não seria uma coisa dessas que abalaria minha confiança.

Após mais um pouco de conversa, Yuki preparou um chá qualquer e sentaram no sofá, prosseguindo o diálogo. Ritsu começou contando sobre o namoro entre ele e Yura. Ele a conheceu há dois anos, durante um serviço de meio período como ajudante de um fotografo. Ela era uma modelo ainda iniciante e se apaixonaram uns três meses depois. Desde então começaram com o relacionamento que dura até hoje. Porém, como ele teve que mudar de cidade, agora eles moram longe um do outro.

Enquanto escutava tudo o que Ritsu dizia, na cabeça de Yuki apenas vinham lembranças da voz do mais velho dizendo ‘amigo’, ‘namorada’, ‘apaixonados’... Não conseguia se concentrar em mais nada e quando Ritsu terminou de falar, Yuki percebeu o quão tarde era.

– Yagami-san, já está tarde. Podemos conversar mais depois de amanhã?

– Shimizu-kun, esta noite quero dormir aqui. Posso?

– P-por que?

– Nada, simplesmente quero ficar mais perto de Shimizu-kun . Eu durmo no sofá mesmo...

– Como quiser... – Corou.

– Obrigado! Só vou tomar um banho em casa e já volto.

– Uhn.

Enquanto Ritsu não voltava, Yuki começou a preparar o sofá. Colocou um lençol, travesseiro e uma coberta leve. “Talvez seja melhor deixá-lo dormir na cama e eu aqui... Mas, ele disse que queria o sofá então talvez ele prefira... ah não sei que fazer!!”– pensou. Seus pensamentos foram interrompidos pelo som da campainha.

– Que rápido, Yagami-san... – Yuki levou um grande susto.

– Você roubou minha carteira?! Ladrãozinho ordinário!! – Yura empurrou Yuki, entrando na casa.

– Eu juro que não fiz nada!!

– Como não, ela sumiu quando vim aqui! Me devolva, seu fantasma nojento! – Yura havia derrubado o menor no chão, subindo em cima dele, lhe desferindo socos pelo rosto.

– Eu... ai... eu juro que não peguei nada! – Tentava se defender com muito custo. Aquela mulher não era fraca.

Ritsu percebeu a porta aberta e achou muito estranho. Yuki nunca deixara daquele jeito antes. Correu com medo que fosse algum ladrão ou coisa pior e, entrando na casa, deparou-se com Yuki já com a boca e nariz sangrando, e Yura espancando-o.

– YURA! O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTA FAZENDO???? – Tirou a mulher de cima do outro, empurrando-a para longe.

– ESSE MALDITO ROUBOU MINHA CARTEIRA!

– SHIMIZU-KUN NUNCA FARIA UMA COISA DESSAS! – Se abaixou, colocando Yuki em meio aos seus braços.

– VOCÊ AINDA OUSA DEFENDE-LO? E EU QUE SOU SUA NAMORADA E FUI ROUBADA SOU A VILÃ??? COMO PODE?!

– Já disse que Shimizu-kun nunca faria isso. Talvez você a deixou cair na rua e nem sabe. Olhe o que você fez com ele. – Depois de uma pequena pausa, olhou para Yura com os olhos mais enfurecidos que ela já viu. – SUMA JÁ DAQUI.

– Tudo bem... Fique com esse fantasma ridículo... Aproveita e esquece que eu existo! – Bateu a porta com força e saiu correndo.

– Você está bem, Yuki? – Perguntou, segurando o rosto do mais novo com as duas mãos.

– Uhn. Vá atrás dela Yagami-san! É um mal entendido... Eu preciso fazer ela acreditar que...

– Shhhh... Deixe-a esfriar a cabeça. Vamos cuidar de seus ferimentos primeiro, Yuki. Posso te chamar assim? – Sorriu ternamente.

– Uhn.

Ritsu e Yuki foram ao banheiro e após alguns curativos, o maior foi até o sofá dormir. O moço branco ainda tinha que tomar banho e havia insistido para que fizessem os curativos depois, mas Ritsu estava muito preocupado. Enquanto um tomava banho, o outro já estava deitado e perdido em pensamentos. Queria ligar para Yura e mandá-la ao inferno, tamanha raiva que ficou... Mas não tinha coragem. Não enquanto não organizasse seus sentimentos em relação a tudo. Logo adormeceu.

Yuki terminou o banho e se vestiu, perguntando-se se devia ir ou não na sala. Talvez Ritsu não queria ser incomodado, ou talvez queria dar boa noite... Depois de se questionar um pouco, foi. Olhou para o sofá e viu aquele belo homem dormindo profundamente, como da primeira vez que esteve deitado ali (só que desmaiado). O menor sentou no chão, se encostando no sofá, fitando aquele rosto do homem que conseguira entrar no seu tão fechado mundo. Sem dúvida alguma, ele admirava aquele homem demais. O seu jeito, sua voz, seu sorriso, o balanço do seu cabelo, seus olhar... Tudo o que vinha de Yagami-san, fazia Yuki se sentir melhor. Pensando coisas assim, acabou sendo evado pelo sono.

No meio da madrugada, Ritsu acordou com o barulho da chuva, que começara a cair muito forte. Percebeu algo do seu lado e pode enxergar que se tratava de Yuki. “Mas o que esse menino faz aqui assim?”. Pensando isso, pegou a coberta e colocou em volta do pequeno, entrando com sua mão por baixo, o abraçando. Voltou a dormir em seguida.


Notas finais
EU QUERO MATAR A YURA!!!!!!!!