The White Man.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Passada uma semana do ocorrido, a vida de Yuki continuava a mesma coisa. Ritsu já havia terminado sua mudança, porém ambos não tiveram nenhum contato. O moço de cabelos negros foi então se apresentar a seus novos vizinhos e, quando saiu na rua, viu a senhora Kaede na porta da casa do ‘menino branco’. Fora bem recebido em todas as casas até então, até que uma pequena dúvida apareceu em sua mente... “Será que devo ir na casa daquele rapaz? Afinal, já nos falamos... Mas não sei nem o nome dele...” Pensou.
- JÁ SEI! – E sorrindo, dirigiu-se à casa daquela senhora.
Antes de tocar a campainha, refletiu um pouco sobre como perguntar à ela sobre aquele moço. Sem nenhuma boa ideia, resolveu improvisar na hora, uma vez que já começava a surgir a noite e ele estava muito cansado. Tocou então a campainha.
- Sim. No que posso ajudar? – Perguntou com um leve sorriso no rosto a senhora, abrindo a porta.
- Sou seu novo vizinho, Yagami Ritsu. Me mudei a pouco e espero que possamos nos dar bem!
- Claro! Pode me chamar de Kaede. Você é tão jovem... Esta morando com seus pais?
- Não, vim aqui morar sozinho. Ah, Kaede-san, aquele rapaz que a senhora visitou hoje mais cedo, está tudo bem com ele? – Resolveu perguntar antes que a conversa terminasse e ele tivesse que ir embora.
- Ah, Yuki-kun? Não sei e nem ninguém sabe, mas ele deve estar bem. É um bom garoto... E realmente uma pena que.. Ah, não, deixa pra lá...
- A senhora iria mencionar a cor da pele dele?
- Como você viu? Ele realmente não tem contato físico com ninguém! – Perguntou a senhora um tanto assustada, já que Yuki não comentou nada.
- Há uma semana atrás ele me ajudou com um papel que caiu em seu quintal. Eu acho que posso ter dito algo que ele entendeu mal e queria me desculpar, mas ele parecia estar com muita raiva de mim.
- Yuki-kun não é uma pessoa má e duvido que guarde algum ressentimento. Ele somente não está acostumado com as pessoas. Eu realmente queria que ele tivesse amigos, mas não posso fazer nada quanto a isso.
Depois de conversarem mais um pouco, Ritsu foi embora ainda mais curioso sobre Yuki. Decidiu ir visitá-lo no dia seguinte e se desculpar. Pensou em levar algum presente mas achou forçado demais.
Chegando em casa, tomou banho e se deitou. Ficara pensando em como esclarecer o mal entendido com aquele rapaz. Mesmo com Kaede dizendo que Yuki não é do tipo de pessoa que guarda mágoas, Ritsu ainda estava inquieto. Era quase como se não quisesse que o moço com pele branca como a neve o odiasse. Até imaginou que talvez um dia pudesse ser amigo daquele cara... “Quem sabe”.
Logo quando amanheceu Ritsu foi trabalhar. Era seu primeiro dia de trabalho em uma padaria a algumas quadras dali. Era um trabalho de meio período, já que foi o único serviço que ele conseguiu encontrar. No meio da manhã, eis que Kaede aparece pedindo um dos bolos da vitrine.
- Kaede-san! Bem-vinda.
- Yagami-kun, você então vai trabalhar aqui!
- Sim, a partir de hoje. O que vai querer?
- Yuki-kun me pediu para comprar um bolo de chocolate ou um de laranja. Não consigo me decidir... O que Yagami-kun sugere?
- Que tal Kaede-san levar o de laranja e mais tarde eu levo o de chocolate, como forma de desculpas? – Sorriu
- Sério?! Fico tão feliz de ver alguém se preocupando com Yuki-kun.
- É porque Kaede-san tem um ótimo coração!
Ritsu comprou o bolo mas não sabia como entregar. Não era tímido nem nada desse tipo, mas alguma coisa o deixava realmente inquieto. Chegou em casa ainda ansioso e não quis comer nada, saindo para correr. Queria se ocupar com algo para evitar aquilo que estava sentindo, que nem mesmo ele sabia direito o que era. Exausto depois de correr por mais de duas horas, abriu a porta de casa, pegou o bolo e se dirigiu à casa de Yuki, tocando a campainha. O rapaz, sem abrir a porta, perguntou quem era.
- É seu vizinho, Yagami! Por favor, me deixe falar com você.
- Não temos nenhum assunto para conversar. Por favor, vá embora.
- Não vou sair daqui, mesmo que o bolo se desmanche. – Ritsu se mantinha firme.
- Não vou abrir a porta por causa de um bolo.
- Ok, ficarei aqui.
Yuki olhou pela janela e viu o moreno em pé, do lado de fora do portão, com uma caixa nas mãos. “Mas o que esse idiota está pensando?”. Passados 20 minutos e Ritsu permanecia em pé, encostado no muro ao lado do portão sem dizer uma só palavra. Depois de meia hora, Yuki voltou a olhar pela janela e não viu mais ninguém.
- Sabia que era apenas questão de tempo para este idiota ir embor... – Então, ele conseguiu ver metade do corpo de Ritsu caído em frente à sua casa, na melhor das hipóteses, desmaiado. Se cobriu por inteiro e saiu correndo em direção a entrada.
Viu o corpo de Ritsu estendido no chão com a caixa do bolo jogada perto de si. Sem pensar duas vezes foi conferir se aquele homem estava vivo, percebendo então que era apenas um desmaio. Sem alternativa, levou o novo vizinho para dentro de casa, deitando-o no sofá. Não podia deixá-lo jogado no meio da calçada já que ele estava lá por culpa sua, nem podia chamar alguém para ajudá-lo. Nem mesmo a senhora Kaede, que não aguentaria o peso. Nem lembrou que existia ambulância.
Os minutos passavam e Yuki, ainda totalmente coberto, observava o rosto de Ritsu que parecia tão calmo. De fato ele era lindo, tal como aquelas pessoas que ele via na TV e no computador. “Deve ter muita gente que gosta dele... Ele deve ser bem feliz”. Esses pensamentos passavam e passavam pela cabeça do rapaz branco enquanto ele, silenciosamente, esperava o despertar do outro.
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