The White Man.
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Vou tentar não demorar tanto novamente...
Com o nascer do sol, Ritsu despertou e após esfregar um pouco os olhos, pode ver Yuki ainda dormindo do mesmo jeito que estava antes. “Como pude te deixar dormir assim? Sou muito idiota...”. Pensando nisso, o mais velho se levantou devagar e, com todo cuidado do mundo tentou segurar o adormecido em seus braços, sem acordá-lo. Fazendo isto, deitou-o no sofá onde estava antes.
Sentou-se então no outro sofá menor que se encontrava ao lado, observando o garoto em seu profundo sono. Aquela pele branca, os cabelos castanhos, os cílios longos e escuros, a boca semi aberta respirando de um jeito que deixava Ritsu hipnotizado... “Se fosse uma garota, com certeza não conseguiria me segurar!”. Ainda perdendo-se em devaneios, sem perceber, foi se aproximando mais e mais de Yuki, pensando coisas como: “essa pele parece tão macia” ou “será que ele já se apaixonou?” ou ainda “por quem essa pessoa poderia se apaixonar? “. Quando deu por si, estava agachado a frente do outro, acariciando-o os cabelos.
– Por que eu quero tanto ficar perto de você? – Sussurrou.
Lembrou da cena em que flagrou Yura espancando Yuki e, olhando para o mesmo, sentiu que queria protegê-lo, que se pudesse, desejava ficar vinte e quatro horas por dia ao seu lado. Queria simplesmente abraçá-lo e não soltar mais. Após mais alguns minutos perdido em pensamentos, sonhos e desejos, se pôs de pé e calmamente, deitou ao lado do menor no sofá, colocando um braço por baixo do tronco e o outro trazendo a cabeça do mais novo de encontro ao seu peito. O espaço no sofá era muito estreito, ainda mais com duas pessoas deitadas ali mas, naquele momento, Ritsu apenas queria sentir que Yuki estava em seus braços, e só ali. Depois de uns vinte minutos, Yuki acordara.
– Yagami... YAGAMI-SAN?! Me desculpe!! Não percebi que dormi aqui... Por favor me perdoe! – O menor levantou assustado, sentando-se no sofá. Ritsu sentou-se tranquilamente, puxando o outro e novamente o abraçando.
– Não se preocupe. Você não se deitou ali... Fui eu que te coloquei. Agora, por favor, me deixe te abraçar.
– Y-Yagami-san... – Yuki, ouvindo o pedido do mais velho, relaxou o corpo um pouco mais, e abraçou a cintura de Ritsu.
– Então você gosta de abraços, Yuki? – O coração do maior estava mais acelerado após o rapaz branco corresponder ao abraço e, mesmo sabendo que ele poderia notar, não se importava nem um pouco com isso.
– Acho que sim.
– Acha?
– Sim. Este é o primeiro que recebo, que eu me lembre. – Yuki respondeu com um pequeno sorriso no rosto, que acabou por partir o coração de Yagami, que não pode se controlar mais.
– Então você vai receber abraços todos os dias a partir de hoje, até que você não possa mais ficar sem. E também tem isso... – Após soltar o corpo de Yuki, colocou as duas mãos no rosto do garoto e, olhando-o nos olhos foi se aproximando cada vez mais, até que os lábios se encontraram.
O rosto de Yuki parecia queimar e o de Ritsu não estava muito diferente, mas nenhum dos dois ousava separar uma boca da outra, nem aprofundar o beijo. Yuki por não saber como fazer e Yagami para não assustá-lo mais ainda. Quando finalmente se separaram, Ritsu tomou a palavra antes que o menor pudesse tentar falar qualquer coisa.
– Isso é um beijo. Se você quiser, também poderá receber todos os dias. – Disse com a voz suave, acariciando o rosto do outro.
– Yagami-san, isso não é o que você deve fazer com a sua namorada? – Perguntou com a voz baixa, ainda envergonhado.
– A partir de agora eu não tenho namorada. Não posso namorar alguém que acusa e bate em outra pessoa sem prova alguma. E ainda mais... Nunca senti nada verdadeiro por ela.
– Então por que estavam juntos?
– Nem eu sei. Agora que penso, nunca devíamos ter saído. Mas, todos cometemos erros, não é? – Sorriu.
– Sim...
– Mas, Yuki... Eu quero te beijar. Quero te abraçar também. Eu posso?
– Sim. E-eu gostei dessas coisas. É bom.
– Eu quero te ensinar muitas coisas. E também vou te proteger. Então, eu pensei em uma coisa e queria te perguntar.
– Pode dizer.
– Você não quer tentar ao menos, trabalhar na cozinha da padaria? Não tem muito contato com as pessoas, e eu te levo e busco, então também não terá problema em andar na rua... Como já disse, eu vou te proteger.
– Mas Yagami-san, eu não sei se...
– Tente, pelo menos um dia. Eu posso pedir ao chefe, aliás, ele é uma pessoa muito gentil. Tenho certeza que pode te dar uma oportunidade. Você gosta de cozinhar, certo?
– Sim. Eu acho que posso tentar...
– Perfeito! Vou pedir a ele amanhã mesmo! Agora, posso te dar outro beijo?
– Sim. – Yuki sorriu.
Na manhã seguinte, Ritsu chegou ao trabalho e foi diretamente fazer o pedido a Saitou, o dono do local. Era realmente um homem gentil, de 33 anos, alto, cabelos negros e olhos dourados. Nada tirava seu bom humor, nem quando derrubavam acidentalmente um de seus doces no chão.
– Saitou-san! Posso falar com você? Tenho que pedir uma coisa muito importante.
– Claro. Pode falar! – Respondeu com o sorriso que todos estavam acostumados.
– Tenho um amigo... – Ritsu contou toda a história, desde que conheceu Yuki. O “problema” de sua pele, a timidez do garoto, a morte repentina de Kaede e finalmente perguntou se ele podia conceder um emprego na cozinha do local. Depois de pensar um pouco, Saitou respondeu:
– Nossa, é uma história que me surpreendeu... Traga ele daqui três dias e verei o que posso fazer. Ele é realmente bom na cozinha?
– Sim! Uma vez comi um bolo e poderia jurar que era comprado!
– Se é assim, não precisa se preocupar que ele conseguirá o emprego. – Vendo a ansiedade de Ritsu, Saitou tentou acalmá-lo um pouco com as palavras.
Enquanto trabalhava, mal podia esperar para que o expediente terminasse logo para levar a notícia a Yuki. Quanto mais queria que o tempo passasse rápido, mais demorava. Não conseguia tirar o sorriso do rosto ao perceber que poderia tirar o amigo daqueles cômodos. Queria poder mostrar-lhe o mundo, porém sabia que teria que ir aos poucos. Mais algumas horas e finalmente pode sair do serviço, indo direto à casa do mais novo.
– Yuki!!!! Abra a porta, tenho que te contar uma coisa!
– Já vou! – Respondeu, abrindo a porta em seguida. Ritsu sem pensar muito o beijou, sem aprofundar o beijo novamente. Yuki ainda ficava meio constrangido com a situação, mas não conseguia recusar.
– Eu consegui falar com Saitou-san! Ele disse que é pra você ir lá em três dias..
– Yagami-san é incrível. Obrigado, mas você contou a ele sobre... você sabe... minha cor?
– Primeiro, deve agradecer ao Saitou-san, não a mim. E claro que contei. Ele não tem problema nenhum com isso. Eu te disse que ele é uma boa pessoa.
– Eu vou dar meu melhor!
Três dias passaram voando para Yuki e ao mesmo tempo vagarosamente para Ritsu. Mas enfim, o dia esperado chegou. O rapaz de pele mais branca que a neve procurou alguma roupa boa e encontrou uma camisa azul marinho e uma calça jeans preta. Não querendo mostrar muito o rosto na rua, colocou um boné, achando que poderia ajudar a esconder um pouco. Logo sua campainha tocou.
– Yagami-san...
– Yuki, tudo bem? Você está tremendo?! – Notou de imediato.
– Eu só estou um pouco nervoso, mas vai dar tudo certo, não é? – Conforme ia falando, cruzou os braços e cada vez se encolhia um pouco mais.
Ritsu, vendo o extremo nervosismo do garoto, tomou o rosto do mesmo em suas mãos, beijando-o com um pouco mais força. Cada vez que fazia isso, tinha que se segurar ao máximo para não invadir aquela cavidade com sua língua. Mas desta vez, tentaria dar um pequeno passo a mais. Ainda pressionando os seus lábios nos do outro, passou sua língua de leve no lábio inferior de Yuki, que se surpreendeu um pouco com a ação.
– Na próxima vez que eu fizer isso, abra sua boca ok? – Ritsu dizia, alegremente.
– Sim.
– Está mais calmo?
– Uhn. Obrigado, Yagami-san.
Saíram em direção a padaria. Pela primeira vez em muito tempo os pés de Yuki caminhavam sobre o asfalto. Ele estava conhecendo o mundo pela segunda vez, e tudo graças ao homem que estava ao seu lado. A poucos metros dos dois, Yura os seguia com o olhar, e em suas mãos se encontrava seu celular com uma mensagem aberta:
“Yura, me perdoe por fazer isso assim, mas realmente não quero olhar na sua cara nesse momento. Estou terminando nosso relacionamento. Pensei sobre isso e percebi que nunca deveríamos ter começado com isso. Espero que seja feliz.”
– Maldito monstro nojento... Ritsu é meu! – Resmungava enquanto apertava com força o celular em sua mão.
– Chegamos. É aqui onde trabalho. Está preparado? – Perguntou Ritsu.
– Estou. Não vou voltar atrás.
Entraram na padaria e o dono do local veio recebê-los. Viu o pescoço e as mãos do rapaz e levou um grande susto. Era muito diferente do que tinha imaginado. Havia pensado em um garoto clarinho, mas não literalmente branco. Apesar de tudo, conseguiu disfarçar bem sua surpresa.
– Então este é Shimizu-kun? Poderia tirar o boné para que eu possa ver seu rosto? – Perguntou.
– Claro. – Yuki tirou o boné com as mãos trêmulas. Saitou olhando nos olhos vermelhos do rapaz sentiu seu coração falhar por alguns segundos. Era estranho, não podia negar, mas de alguma forma também era belo.
– Não precisa ficar nervoso, Shimizu-kun. Vamos para a cozinha então? – O homem de olhos dourados o convidou.
– Sim!
E os três partiram para o local em que, ainda que Yuki não soubesse, passaria a ser parte de sua vida.
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