The White Man.

3 Capítulo 3


Após uns quinze minutos, Ritsu começara a abrir os olhos lentamente, deparando-se com uma montanha a sua frente, com duas pequenas luzes brilhando. Levantou num pulo só com uma expressão visivelmente assustada, até que percebeu que era apenas Yuki enrolado em um cobertor. Também reparou na beleza de seus olhos, que brilhavam de uma maneira única. Antes que pudesse falar qualquer coisa, o dono da casa começou:

– Se já está bem, pode ir. – Disse, virando-se de costas ainda sentado numa cadeira.

– Não, espere!! Eu não me desculpei apropriadamente.

– Se desculpar pelo quê?

– Naquele dia, você deve ter entendido mal o que eu quis dizer e...

– Se fui eu que entendi mal, você não tem que se desculpar. – Yuki o cortou.

– Mas eu não quero que você pense mal de mim! Nós seremos praticamente vizinhos, e eu quero que sejamos amigos!

– Você não ganharia nada sendo amigo de alguém como eu. E não preciso de amigos. Estou bem assim. – Yuki tentava se manter o mais firme possível. Aquele estranho parecia ser muito teimoso.

– Se você diz isso porque sua pele é totalmente branca, Kaede-san já me contou sobre e eu não lig..

– Eu sei que é horrível, estranho e tudo mais. Não precisa tirar sarro de mim! Vá se divertir com uma coisa melhor! – O rapaz fechou os olhos com força, esperando palavras de deboche sobre seu problema, como as que recebeu durante toda sua vida. Vendo o estado de Yuki, que começava a tremer um pouco sob a coberta, Ritsu se levantou e caminhou até a frente do menor, que não sentiu o outro se aproximar tamanho o nervosismo (não ficava sozinho com outra pessoa desde que seu pai viajou). O maior agachou, e disse com uma voz suave, na tentativa de acalmar o garoto:

– Por que eu tiraria sarro? Eu achei lindo.

Yuki ficou extremamente surpreso com o que o outro havia dito. Nunca antes ninguém lhe disse algo assim. Abriu os olhos devagar e se deparou com uma cena típica dos mangás que ele tanto amava ler: cortinas ligeiramente fechadas, deixando um filete de luz entrar na sala escura, indo de encontro ao rosto daquele lindo rapaz a sua frente. O moço branco sentiu seu rosto esquentar mais ainda embaixo da coberta e não conseguiu pronunciar nada, assim como Ritsu. Os olhos que se encontraram, permaneceram ligados um ao outro até que o celular do maior tocou.

– Ah! Licença,eu tenho que atender.

– Uhn.

Enquanto Ritsu falava ao telefone, Yuki não conseguia deixar de pensar nas palavras que ouvira a pouco, mas se esforçava ao máximo para voltar ao seu normal. Depois de alguns minutos de conversa, o rapaz de cabelos negros desligou o celular e voltou, confiante de que conseguiria se aproximar aos poucos daquele moço tão diferente de todos que já conheceu, e não pensava isso somente por causa do branco de sua pele.

– Então, por que não me diz seu nome?

– Shimizu Yuki. – Disse num tom de voz bem baixo, ainda com vergonha.

– Eu sou Yagami Ritsu. Então, podemos conversar? – Tentava ser amigável.

– Uhn. – Assentiu com a cabeça.

– Poderia então tirar essa coberta? Por favor...

Yuki já mais calmo, pensou em recusar o pedido do outro mas mesmo não entendendo o por quê, sentiu que podia confiar. Ainda um pouco receoso, foi retirando vagarosamente a coberta de cima de si, revelando o que sempre se esforçava ao máximo para esconder. Ritsu não conseguia tirar os olhos do garoto, vestido com uma blusa branca leve, de mangas compridas e uma calça moleton preta, deixando a mostra suas mãos, pés e rosto... Tudo realmente branco, em contraste com seu cabelo castanho e seus olhos vermelhos. Ritsu, tentando não aparentar estar surpreso, deu início a conversa:

– Então, quantos anos você tem?

– Espera. – Yuki levantou-se e seguiu até a cozinha, voltando em seguida com a caixa amassada do bolo, dois pratos e talheres. – Tenho 17. Aqui. – Ofereceu então um pedaço de bolo ao outro.

– Obrigado. Eu tenho 24, apesar de não parecer... – Tentou animar o ambiente, sem sucesso. – E o que Shimizu-kun gosta de fazer?

– Pra que esse interrogatório?

– Apenas para nos conhecermos melhor. Quem sabe podemos nos tornar grandes amigos! – Sorriu. – Você também pode perguntar o que quiser.

Ritsu não entendia o por quê queria se tornar amigo de alguém como Yuki. Mas algo o fazia querer ganhar a confiança daquele rapaz tão fechado, tão sozinho. Não sabia se era pena, compaixão ou o que fosse, queria apenas ajudá-lo.

– Gosto de animes, mangás, vídeo games, computador, doces, TV, desenhar, refrigerante e...e... uhn... Não lembro mais. – Completou Yuki.

– Wow! Você gosta de muitas coisas!

– E você?

– Eu? Bem... Gosto de tudo o que você falou, mas também gosto de animais, andar pelos parques, conversar com meus amigos e... – Ritsu não conseguiu completar a frase. Alguma coisa dentro de si o impediu de dizer a última coisa que ele gostava de fazer. – É, acho que só também.

– E você tem muitos amigos?

– Não muitos, mas tenho alguns.

– Eu imaginei que você teria vários. Yagami-san parece uma pessoa que tem muitos amigos. – Disse Yuki, segurando uma mão com a outra entre os joelhos, visivelmente tímido.

– Bom, sempre é bom fazer amigos! Por isso mesmo eu quero ser seu amigo. – Respondeu Ritsu sorrindo, vendo que aquele garoto começava a se abrir, ao menos um pouco. – Você pode pelo menos tentar né? Se por acaso eu fizer alguma coisa que você não goste, pode bater na minha cabeça com aquela frigideira! – Sorriu novamente, apontando para o objeto que estava em cima do fogão, na cozinha.

– Uhn. – Yuki imaginou a cena e deixou um pequeno sorriso aparecer em seus lábios.

Ritsu olhou para aquele rosto mais branco que a neve, agora preenchido com um dos sorrisos mais doces que já viu. Por alguns segundos, as batidas de seu coração ficaram significativamente mais fortes. Queria poder ver aquela cena muitas e muitas vezes.

Conversaram durante um bom tempo. Yuki, com respostas curtas e às vezes perguntava algumas coisas, porém ainda tímido. Ritsu o questionava sobre coisas sem muita importância no momento, como cor favorita, filme favorito, se gostava de animais, etc. Tudo para que o mais novo ficasse mais a vontade na sua presença. Todavia, a noite chegou e Ritsu teve que ir embora.

– Shimizu-kun, posso voltar amanhã? – Perguntou, passando o cadeado no portão.

– Uhn. – Acenou com a cabeça, positivamente. – E obrigado pelo bolo, Yagami-san.

– De nada! Até amanhã.

– Até.

Yuki e Ritsu, naquela noite, dormiram do jeito mais tranquilo que já haviam dormido em todas as suas vidas.


Notas finais
Então, decidi tentar escrever um lemon, só que mais pra frente. Tenho que perder a vergonha >///< Esses dois merecem um lemon, nem que fique ruim...