The Whispers Inside My Head
1 Can you feel my hate? 'Cause I can feel yours.
Notas iniciais
Despertando de um pesadelo, Menma levantou-se num sobressalto de sua cama. Estava com a camisa encharcada de suor, então a tirou rapidamente e a atirou no chão do quarto. Sua cabeça latejava. E como em todos os dias anteriores das últimas cinco semanas, ele sentiu uma forte dor em seu abdômen. Ao olhar para seu torso, encarou a tão familiar marca em barriga. O selo responsável por prender a Raposa dentro de si. Havia poucos meses desde aquilo ocorrerá e ao aceitar, Menma ficou contente por poder fazer algo por sua mãe, poupa-la de ter que carregar a besta. Mas então, os pesadelos começaram, e com eles, as dores e as vozes. Ah, as vozes. Na primeira vez que Kurama falou com ele, Menma pensou que estava louco. Ou que estava gravemente doente. Pensou em contatar os pais no mesmo minuto, mas como se tivesse ouvido seus pensamentos, Kurama o impediu. Ele sentiu uma dor imensa no local do selo, quase que no mesmo segundo em que se moveu, em direção à sua casa. A voz gélida, por que era assim que soava em sua cabeça, o disse para ficar quieto. Para parar de ser um bebê chorão e de importunar os pais. Ele deveria lidar com aquilo por conta própria. Menma sentiu que não deveria ouvi-la, que seus pais o amavam e ficariam felizes de lidar com seus problemas, mas aquele pensamento foi se afastando e em seu lugar, um sentimento amargo ficou. E aos poucos, ele foi se acostumando com isto.
Levantou-se com cuidado, sentindo a cabeça girar. Uma pontada no estômago quase o fez cair. Ele respirou fundo e caminhou até o banheiro. Tirando o restante de suas roupas, caminhou até o chuveiro. A água quente o acalmou, mas não levou a dor embora. E com a toalha na cintura, ele foi até o espelho. A imagem o fez ir para trás, tropeçar no tapete e quase cair. Apoiando-se no armário do cômodo, Menma levantou as mãos tremulas em direção ao seu olho esquerdo.
Vermelho. Como um demônio.
No primeiro momento, ele sentiu desespero. Mas, então, ele a ouviu. Aquela voz gélida preencheu sua mente e em um segundo, o medo se transformou em ódio. E um sorriso macabro surgiu em seu rosto. Com a mão que tocava o rosto, Menma socou o espelho a sua frente. O som ecoou no pequeno cômodo, mas não foi suficiente para alertar seus pais. Enquanto encarava seu reflexo no vidro quebrado em cima da pia, Menma assistiu seu olho voltar a cor normal.
—-/--
O outono chegou à Konohagakure relativamente cedo naquele ano. Menma caminhava ao lado dos amigos, Kiba Inuzuka, Sakura Haruno, Shikamaru Nara, Ino Yamanaka, Chōji Akimichi e Hinata Hyūga. Todos foram colegas de academia e Sakura, era sua colega de Time. Menma era, em seus melhores dias, amigável e bastante sociável. Embora quieto, sentia conforto em sair com seus amigos, socializar como um garoto normal de sua idade. Naquele momento, eles discutiam sobre comida. E Menma não estava nem um pouco interessado. Ele não se interessava por muito ultimamente e devaneios eram constantes. Ele continuo seguir os amigos por entre as ruas, sua mente distante. Ao cruzarem em direção ao centro, o grupo esbarrou em Sasuke Uchiha.
Sasuke era colega de time de Menma. E diferente do irmão, Itachi Uchiha, ele era irresponsável e imaturo, buscando saídas fáceis e gastando seu tempo em seduzir as garotas. Embora raramente pratica-se ou possui-se qualquer disciplina, as coisas viam fáceis para Sasuke. Ele era um shinobi habilidoso e até os tempos de chunin, fora superior a Menma. Mas isto havia mudado, pois agora eram todos Jōnin. E diferente de Sasuke, Menma treinava arduamente, todos os dias. Era um prodígio, de fato, mas merecia créditos por suas habilidades.
Ao olhar para Sasuke, que estava cercado de garotas, Menma revirou os olhos. Ele caminhou a frente dos amigos, que após cumprimentarem Sasuke com um aceno, continuaram a caminhar.
Hinata alcançou Menma e agarrou seu braço. Ele sabia dos sentimentos da garota, mas nunca lhe deu esperanças. Por isso, se soltou do aperto. Ela no entanto, não se abalou e pôs-se a falar.
—Você está distante, Menma. Há algo errado? Tem algo que posso fazer para você se sentir melhor? — Ela disse com malícia e Menma revirou os olhos. Ela era sempre assim; promíscua. O olhando como se fosse um pedaço de carne.
—Estou ótimo. -Respondeu frio, aumentando a velocidade de seus passos, na tentativa de afasta-la.
Mas Hinata não desistiu, como sempre. O acompanhou e começou a tagarelar. Menma respirou fundo, mas não se afastou. Eles foram parando aos poucos, e ele fingiu prestar atenção no que ela dizia, enquanto olhava diretamente para ela. Hinata era muito bonita, com aqueles olhas perolados e o longo cabelo preto. Mas era tão fútil, que a aparência não lhe valia em nada. E então, a voz dela foi ficando distante e distante.
Corte a garganta dela.
Uma voz fria ecoou em sua mente. Transparecia ódio. Mas não era igual a nada que Menma tivesse sentido antes. Era puramente cruel. Mas, como em todas as outras vezes, Menma ignorou e sorriu, focando-se no monólogo de Hinata."
Corte a garganta dela.
Ele sentiu o estômago embrulhar. Cada célula do seu corpo lhe dizia para agarrar a kunai em seu bolso e acabar com essa falação. Menma sentia ódio. Ele só não sabia do que exatamente. E quando sua mão desabotoava seu bolso esquerdo, quase agarrando a kunai, Shikamaru se jogou entre eles. Hinata o olhou mortalmente e Menma sentiu um alívio estranho no peito. Parte dele, agradeceu Shikamaru por sua inconveniência, mas outra a parte, queria matar os dois. Ele sentiu o estômago queimar novamente e despediu-se rapidamente dos amigos, correndo em direção a sua casa.
Enquanto corria, ele esbarrou em algumas pessoas. Não recebeu xingamentos, porque toda a vez que a pessoa no qual ele esbarrou o reconhecia como o atual jinchuuriki da nove caudas, um olhar de receio lhes tomava o rosto e estes não falavam nada.
Ao encarar esses rostos, o olhando como se ele fosse algum tipo de demônio, Menma sentiu um estranho prazer lhe preencher.
Você é melhor que todos.
Os sussurros gélidos o acompanharam durante todo o caminho de volta à sua casa.
Eles o temem porque você é poderoso.
Menma abriu a porta de casa em um estrondo, assustando os pais. Ofegante, alguma coisa na cena familiar de seus pais na sala de estar sorrindo lhe deu nauseas e ele dirigiu-se ao seu quarto sem dizer uma palavra.
Alguns segundos depois, Minato bateu a porta.
—O que foi? — Sua voz saiu mais como um rugido. Menma suava frio e sua cabeça latejava.
—Filho, aconteceu alguma coisa? — Respondeu preocupado.
Minta.
—Não, pai. -Ele forçou a voz, fazendo-a sair tranquila e doce. Ele caminhou até a porta e encarou seu pai. Ele tinha uma expressão séria no rosto. — Estava apenas treinando. Terei uma missão de manhã.
O rosto de Minato suavizou. Ele sorriu e bagunçou os cabelos do filho. O toque do pai aqueceu o coração de Menma.
—Apenas venha jantar, certo? — Disse Minato sorrindo.
Menma concordou e caminhou até a sala de jantar.
Sua última memória daquele dia, foi a de seus pais sorrindo enquanto jantavam todos juntos.
—/-
Com um tempo, Menma percebeu que podia controlar o ódio de Kurama se aprendesse a controla-la. Então ele passou a realizar um intenso treinamento. Todas as vezes que se sentia estranho novamente, corria para junto dos pais, por que eles lhe traziam uma paz verdadeira. Mas qualquer um que lhe conhecesse, podia dizer que o garoto estava mais sombrio. Quase sempre perdido em pensamentos, distante e treinando mais do que o necessário. Com o tempo, parte do ódio que Kurama compartilhou com ele, tornou-se parte de Menma. E por conta disto, foi fácil para Tobi convence-lo sobre o Plano Olho da Lua. Quando ele o propôs, Menma havia acabado de deixa Konoha. Desacreditado de como as pessoas que lhe cercavam eram idiotas. Inferiores. Adotara o pseudônimo de Homem Mascarado, por que planejara algo maior para quando revela-se sua identidade. Enquanto isto, Tobi lhe propôs a fusão.
Foi numa tarde nublosa. Menma estava sozinho em seu esconderijo. Os sussurros de Kurama ecoavam baixos em sua mente.
Tobi apareceu de repente e tentou lhe golpear, para lhe testar a força. Quando Menma se defendeu do ataque, Tobi sorriu. Eles começaram uma pequena luta de Taijutsu e quando Tobi o derrubou ao chão, Menma se preparou para lançar um rasengan negro. Mas Tobi riu e disse que não seria necessário, porque estava aqui para ajuda-lo. E então passou a lhe contar sobre o plano. Menma concordou, porque acreditava neste ideal; um mundo sem dor ou sofrimento.
E a partir dali, Menma passou a possuir um Sharingan.
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