The Week
3 Terça-feira - Sanduíche
Notas iniciais
POV TAYLOR
Eu tinha chegado atrasada de propósito por causa do comentário dele de ontem. E porque eu não queria correr risco de chegar e ele estar ocupado demais se despedindo sexualmente da garota. O que foi bom porque quando eu saí do meu apartamento ela já estava entrando no elevador. Uma fã? Pela idade e pelo sorriso no rosto, era bem provável que fosse.
Você deve estar se perguntando o porquê de eu ter que ir ao apartamento dele e não ele no meu. Bom, foi uma condição minha. Mais fácil eu sair do apartamento dele se me sentisse incomodada do que eu expulsá-lo do meu, certo? Só por precaução, já que o motivo de ficarmos no mesmo apartamento por uma tarde inteira era fazermos a tal música. Coloquei o primeiro vestido que vi em minha frente, minhas botas mais confortáveis (se é que aquilo podia ser chamado de confortável) e peguei minha jaqueta de couro preta.
Agora eu estava sentada na mesma cadeira da cozinha e com a mesma caneca com desenhos de barras de chocolate, com café dentro. Tenho que admitir que o café dele é bom.
Estávamos trabalhando na música fazia uma hora inteira, mas o que estava escrito no papel parecia mais um roteiro de filme pornô de uma só cena.
- Isso tá uma merda Ronnie, olha essa parte aqui: I need toplay tennisand Ineed youwithmy penis Que porra é essa? Jogar tênis e foder não combina na mesma frase. — Eu reviro os olhos e tomo mais um gole de café enquanto risco a linha inteira do papel.
- Tem razão, não está dando certo. Já sei o que podemos fazer. — Ele sorri maliciosamente.
- Caralho Ronnie, eu aqui tentando arrumar nossa música e você pensando nisso? — Ok, minha paciência com esse jeito dele estava acabando.
- Na verdade eu estava pensando em irmos á uma lancheria. Mas não me importaria se você preferisse ser o meu lanche. — Ele sorri. Eu reviro os olhos e ignoro sua última frase.
- Ir em uma lancheria? Fazer o que exatamente? — Pergunto desconfiada.
- Comer, é claro. E conversar também. — Ele sorri de um modo normal, sem malícia. O sorriso dele é bem bonito. Seus dentes eram tão brancos e... Droga, eram só dentes! Não tinha motivo para encará-lo. Eu pigarreio.
- Conversar sobre...? — Eu ainda estava desconfiada, não podia evitar.
- Sobre a vida ou qualquer outra merda, anda, vamos! — Ele levanta e me puxa pela mão. — Você já deve saber que eu não mordo...
- A não ser que eu queira. Tá, já saquei. Vamos antes que eu me arrependa. — Eu levanto também e pego meu casaco. Reviro os olhos quando o vejo sorrindo como uma criança. E então ele nos leva de carro até um lugar bem grande, limpo e bem arrumado. Podia jurar que ele me levaria para o bar da esquina. Ele estaciona em frente à calçada.
- O quê? Tem certeza que é aqui? — Eu digo, não podendo conter o sorriso ao ver a careta que ele faz.
- Que foi? Achou que eu te levaria para um motel? — Ele ri se divertindo. — Você precisa relaxar, Taylor. Nem todo mundo que você conhece quer te levar pra cama a força. — Ele ri e sai do carro, dando a volta e abrindo a minha porta antes que eu possa abri-la. — Eu prefiro esperar a garota me procurar. Elas sempre procuram. Agora, por favor, madame, deixe-me levá-la para comer um sanduíche de bacon. — Ele faz uma reverência.
- Ah, claro isso foi muito elegante da sua parte. Esqueci que você era um perfeito cavalheiro. — Eu saio sem a sua ajuda e bato a porta do carro. Ele continua se divertindo enquanto eu ando à sua frente até o quase restaurante. Nós entramos e escolhemos a mesa mais próxima da janela, que tinha vista para a calçada.
- E então, o que você vai comer? — Eu pergunto olhando o cardápio e tentando decidir o que comer. Eu não tinha almoçado direito porque eu mesma fiz a comida, e confesso que ficou horrível. Então eu estava com fome.
- Vou querer um sanduíche de bacon com palmito. Falei sério lá fora. — Ele sorri. — E você? Vai comer alguma coisa verde com sal em cima? Ou você nem coloca sal? — Ele pára de olhar o cardápio e me encara sorridente.
- Porque você acha que eu vou pedir uma salada? Pareço vegetariana? — Olho para ele com os olhos apertados, tentando aparentar uma ameaça mortal.
- Não tinha pensado nisso. É só que você é magra e, bem, é uma garota. — Ele me olha confuso.
- Pois eu vou querer o mesmo que você. — Eu sorrio. — Se eu comesse só salada não teria forças para me equilibrar nesse salto quase que 24 horas por dia.
- Ok então, garota do bacon. Ei, garçom! — Um homem vestido com um avental e um boné com o logotipo do lugar aparece em nossa mesa. — Dois sanduíches de bacon com palmito. Parece que a senhorita aqui gosta de sustância. — Eu abro a boca espantada e o garçom só ri.
- Dez minutos, no máximo. Ele arranca uma folhinha e coloca em cima da mesa. — O que vocês vão tomar?
- Coca-cola. Quer Algo diet, light ou um suquinho Taylor? — Ele ri sabendo da minha resposta.
- Não, coca ta bom. — O garçom sai.
- Então. — Ele coloca o cardápio na mesa e cruza as mãos em cima. — Qual a sua cor favorita?
- Isso é mesmo necessário? Nós poderíamos falar sobre a mús...
- Primeiro perguntas simples, depois perguntas pessoais. Não quero constranger você perguntando primeiramente qual a cor da calcinha que você está usando. — Ele sorri de orelha a orelha, se divertindo com a própria afirmação. Ele era um idiota. E eu aprendi a adorar quando esse idiota sorria. E com isso, era eu que estava sendo idiota.
- Tudo bem, só me espere ficar bêbada então para fazer perguntas pessoais, se não eu não garanto que responderei honestamente. — Agora é a minha vez de sorrir. — Minha cor favorita é o azul, apesar de todos acharem que é preto. Tentei passar uma sombra azul uma vez, mas não ficou tão bonito quanto a preta. Agora, qual a sua cor favorita?
- Vermelho. Mas isso eu acho que todo mundo sabe. Agora você me diz a cor da calcinha que você está usando? — Eu realmente achava que ele poderia ficar cinco minutos sem falar nenhuma merda, mas eu estava errada. Lembrei de um ditado Já que estamos no inferno vamos nos agarrar com o diabo, algo assim. Bem, eu iria entrar no jogo dele então.
- Só se você me disser a cor da cueca que você está usando.
- Ahá! Já quer ver minha cueca não é? — Ele ri e me deixa com raiva. Ele SEMPRE tem que fazer isso?
Continuamos conversando por um longo tempo até depois de já termos comido o nosso lanche super calórico. Ele falou milhares de besteiras, eu falei também, nós rimos e, por incrível que pareça, eu me diverti. Quando chegamos ao apartamento dele de novo já estava escurecendo e então deixamos para terminar a música no outro dia. O produtor nos deu apenas quatro dias para escrever uma música, porque ele queria que nós tocássemos no show que estava marcado para o sábado. Faltavam apenas dois dias e não tínhamos feito absolutamente nada.
- Amanhã você escolhe o lugar. — Ele disse parando em frente á minha porta.
- O quê? Pensei que trabalharíamos na música. — Eu disse confusa.
- E vamos, mas primeiro vamos comer em algum lugar decente. Eu juro que se eu comer mais de uma vez no dia uma comida feita por mim eu vou acabar com meu estômago. — Nós rimos.
- Eu não posso te ajudar porque minha comida é tão ruim quanto. Então certo, vamos à um lugar que tenha sushi amanhã.
- Sushi? Amanhã eu vou comer bem, então. — Ele sorri. — Mesmo horário?
- Sempre. — Eu entro e faço que vou fechar a porta.
- Tem certeza que não quer que eu entre? Eu poderia saber a cor da sua calcinha sem você precisar falar.
- Tchau, Ronnie. — Eu bato a porta e vou em direção ao meu quarto.
- Se não conseguir dormir é só aparecer na última porta do corredor usando apenas uma calcinha! Ou nada, se preferir.
Eu entro no meu quarto rindo.
POV RONNIE
Eu escuto a risada da Taylor e vou rindo até o meu apartamento. A tarde foi muito divertida, eu tenho que admitir. Apesar de às vezes eu me pegar admirando o sorriso dela que nem um idiota. Ela tinha um sorriso lindo, mas não tinha a necessidade de ter feito aquilo. Eu esperava que ela não tivesse reparado.
Amanhã nós vamos sair de novo, e eu tenho medo de não me controlar. Hoje eu não só admirei seu sorriso como quis beijá-la cada vez que ela revirava os olhos em protesto à algum dos meus comentários idiotas. Ela ficava linda quando fazia aquilo.
Mas o que eu estava pensando? Eu não queria dormir com aquela garota. Não mesmo. Nossa relação era estritamente profissional e ela era uma boa companhia. Eu não ia colocar o nosso trabalho em jogo por causa de uma atração física idiota. Não dessa vez.
Dormi tentando tirar da cabeça as cenas em que ela fazia suas melhores expressões. Hoje não haveria garota nenhuma comigo, eu não estava com vontade de ficar com ninguém. Estava cansado e estressado por causa do trabalho e então eu não tinha vontade de passar a noite em claro com uma desconhecida hoje. Pelo menos era o que eu dizia a mim mesmo.
POV TAYLOR
Eu fiquei acordada por um longo tempo até conseguir dormir. E nesse tempo todo eu não ouvi elevador abrindo, passos no corredor ou alguém batendo na porta do outro lado do corredor. E, de uma forma que eu não pude explicar pra mim mesma, eu fiquei feliz com aquilo. Ronnie não passava todas as noites com alguém, afinal.
Dormi enquanto tentava tirar da cabeça as caretas e os sorrisos que ele fez hoje. Nós estávamos nos dando tão bem que a música sairia maravilhosa, eu tinha certeza. Mesmo demorando para ser feita. Amanhã eu sairia de novo com aquele idiota, só esperava que a tarde fosse tão divertida como tinha sido hoje.
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