The Wedding Date
5 Desejo Indesejado
Notas iniciais
– Meu Deus, pra que tanta mala? — Finn disse reclamando enquanto subia as escadas com a última mala (e muito pesada) de Rachel.
– Rachel como sempre exagerada... — Leroy implicou rindo e ela revirou os olhos.
– Então... — ela tentou cortar o assunto. — Onde Finn irá dormir? Sabe, meus pais têm uma regra antiga... Casais não podem permanecer no mesmo quarto. — tentou explicou ao seu suposto namorado. Finn levantou uma das sombracelhas.
– Que isso! Nós não somos tão chatos assim... Século XXI, minha filha, alô! Você já está crescidinha. — Hiram falou estalando os dedos perto do rosto dela. — Fiquem com seu antigo quarto. É o último, no final deste corredor. — apontou para que Finn carregasse as malas até lá.
– Ai, meu Deus! — Rachel sussurrou. Estava com medo, nem lembrava-se do estado de seu quarto. Devia estar como? Cheio de pôster, bonequinhas e... Ela nem queria imaginar o resto. Que vergonha! — Se você me zoar, Hudson. — falou baixinho apontando para ele ao perceber que seus pais já estavam descendo as escadas.
– Ah, vamos lá! Nem deve ser tão péssimo assim... — Ele riu.
Rachel girou a maçaneta. Seu quarto, como seus pais disseram, estava exatamente como ela havia deixado. Eles apenas limpavam o recinto sem remover os objetos do lugar. O quarto tinha um papel de parede do qual o Finn neste momento já devia estar rindo...
– Eu estava em uma fase meio floral da minha vida.
Finn apenas riu. Ela estava morrendo de vergonha. Na cama haviam bonequinhas de quando era pequena e o Sr. Steven... Ai, que saudades dele. Era o bichinho de pelúcia preferido dela. Tinha um significado muito especial. Ganhou quando tinha uns sete anos.
– Então, fico com esta parte do armário? — Finn disse enquanto abria uma das portas do mesmo. — Meu Deus, o que é isso? — ele segurou uma gargalhada alta. Era um pôster de um homem apenas de calça jeans, sem blusa e com os braços no pescoço. Devia ser algum modelo aí da vida... Rachel nem pensou duas vezes, praticamente correu em direção ao pôster e o arrancou de uma vez só.
– O que eu disse sobre você fazer piadinhas, Hudson? — olhou com aquele olhar fuzilador para ele. O mesmo de quando ele se engraçou com a atendente da loja. Ela estava perto demais e transparecia raiva. Ele apenas riu e saiu de perto enquanto desabotoava sua camisa. A garganta de Rachel começou a secar, sua respiração começou a falhar. Meu Deus, o que era aquilo? Parecia até coisa de filme, onde a garotinha fica babando pelo amor platônico enquanto ele começa a se despir. Rachel observava a cena em câmera lenta. Finn foi revelando cada centímetro de se abdômen detalhadamente definido. Ela tentava desviar mas estava ficando cada vez mais impossível. Quando Finn percebeu deu uma risada discreta, mas a mesma fez Rachel acordar do pequeno surto mental que teve para começar a retirar suas roupas de dentro de sua mala.
– Pode olhar, faz parte do acordo. – Finn deu um sorriso safado e passou por Rachel seguindo em direção ao banheiro. Ela corou imediatamente e perdeu a fala. Emitiu um som de raiva e bateu os pés no chão. Resolveu continuar arrumando suas coisas, porque era o melhor a se fazer. Mas com certeza iria ter uma conversinha com Finn. Ficar atiçando ela definitivamente não estava no acordo. Quem estabelecia as regras era Rachel e ponto final. Nunca iria admitir que gostou do que via. Até porque não precisava, né. Que raiva sentiu de si mesma. Ele jogaria isso na cara dela até a morte. Também não era para menos. Antes tivesse colocado um babador na mala...
Após colocar todas as suas roupas no ármario se jogou na cama e abraçou o Sr. Steven. Que saudades sentia dele. Parecia até coisa de criança, mas sentia muitas saudades de sua infância, de brincar com Quinn no jardim de casa, de ser mais próxima dela. Sentia falta das brincadeiras, de quando aprontavam e até daquelas brigas que não duravam mais de 5 minutos. As duas eram inseparáveis. Hoje, cada uma tomou seu rumo, Quinn está casando e Rachel está aí... Ficando pra titia. Não que esteja invejando sua irmã, é óbvio que não. Desejava toda felicidade do mundo para ela. Puck é um ótimo homem, totalmente companheiro e divertido além de fazer muito bem a ela. Mas sentia falta de alguém. Sentia falta de se sentir amada, como Puck faz com Quinn. Os olhares que eles trocam, as carícias e as palavras de amor. Eles, definitivamente, eram aqueles casais de filmes de romance.
Um barulho de porta batendo fez com que despertasse de seus pensamentos.
– Ah, é você! – virou e observou Finn que estava apenas com uma toalha acobertando as partes íntimas. – AI, MEU DEUS! É VOCÊ! – quase caiu da cama com o susto. Finn só podia estar querendo que Rachel tivesse uma síncope, não é mesmo? Por que ele insistia em ficar aparecendo sem roupa na frente dela, hein? Isso só poderia ser algum tipo de joguinho dele. Ela tinha certeza de que ele usaria isso contra ela. Finn não perdeu a oportunidade de rir dela, com uma cena daquelas, qualquer pessoa iria rir.
– Dá para você parar com isso? – Rachel levantou-se da cama alterando o tom de voz. – Isso não faz parte do acordo.
– O que não faz parte do acordo? – Finn fez a cara mais cínica do mundo.
– Idiota! – Rachel revirou os olhos.
– Docinho, — ele sabia que aqueles apelidos a irritavam, e justamente por isso, era mais interessante fazê-lo. – acho melhor você se controlar. Ou será que você já quer se questionada por brigar tanto com seu namoradinho?
– Eu vou é sair daqui, adeus. – Rachel nem deu oportunidade de Finn falar alguma coisa. Retirou-se rapidamente do quarto antes que continuasse aquela conversa super constrangedora. A visão do Finn apenas de toalha fora uma das melhores que já tivera o prazer de ter. Mas é claro, que nunca mencionaria isso na frente dele. Nunca nunquinha, nem nesta vida, nem em outra.
Procurava por seu chinelo, mas que droga, com certeza deixara no quarto. Mas como poderia voltar lá? Não poderia ao menos que quisesse ter novamente a visão privilegiada indesejada. Aquela conversa fora tão constrangedora que não conseguia sequer imaginar em como falar com ele novamente e o pior: ela não era assim, nunca fora de perder o controle sobre as situações e essa atitude típica de adolescente não combinava nem um pouco com a mulher madura e bem sucedida que era. Estava tão concentrada devaneando sobre a tão atípica postura em relação a Finn que nem notou que o pai havia se aproximado.
– Ei Rachel, procurando o que? – Ela se assustou ao ouvir seu pai Leroy chamá-la despertando de seus pensamentos.
– Ai, que susto, pai! Estava procurando meu chinelo, mas acho que deixei no quarto... – Rachel percebeu que o pai a olhava meio desconfiado, mas como não achou nada na postura da filha apenas deu de ombros. — Ah, sim!
– Nós já vamos jantar? Eu estou com fome.
– Vamos sim, daqui a uns vinte minutos. Seu pai está terminando de fazer a lasanha.
– Ah, ótimo, então. Eu vou tomar meu banho e volto.
– E o Finn, não vai jantar?
– Vai sim, irei chamá-lo. Ele estava no banho.
– Ok, não demore.
Dito isto, Rachel foi em direção ao quarto novamente. Mal sabia o que pensar, quanto mais ter controle sobre a situação.
– Finn, posso entrar? – deu três toques na porta.
– Pode sim, docinho. – E lá vem os apelidinhos novamente. Como Rachel odiava isso. Abriu a porta e ao observar a cena fechou-a rapidamente.
– Finn, você disse que eu podia entrar. – tentou não alterar muito o tom de voz, seus pais não poderiam saber que ela estava com ‘medo’ de ver seu namorado sem camisa, não é? Tendo em base a idade dela e que já namorava há algum tempo, isso beirava o ridículo.
– Ué? Até parece que nunca viu um homem sem camisa. Meu Deus, quanto drama! Pronto, já pode entrar. – Ele riu ao observar Rachel abrindo a porta lentamente em receio de vê-lo sem roupa. Ela procurou cortar o assunto, não queria falar sobre isso novamente. Sentia-se uma adolescente.
– Eu vou tomar um banho, você já pode ir. Meu pai desceu. Cuidado com o que irá falar, Hudson. Meça suas palavras e pense bem em tudo o que repassamos no carro.
Certificou-se de que ele saísse do quarto para tomar seu banho tranquilamente. Um banho morno e relaxante era tudo o que precisava. Escolheu um vestido e optou por prender os cabelos em um rabo de cavalo no alto. Desceu as escadas indo em direção a cozinha onde Finn estava com Hiram e Leroy. Tentava conter o seu nervosismo e agir da maneira mais normal possível. Lançou um olhar significativo para seu suposto namorado e passou as mãos nos cabelos. Era agora...
– E então, já podemos comer?
– Podemos, mocinha. A lasanha já está pronta há dez minutos. Você demorou um pouco. Talvez se arrumando para ver um tal de Finn, é? – Leroy riu e ela riu mesmo que forçadamente tentando conter o nervosismo. Não sabia exatamente como agir. Aquilo já estava ficando ridículo demais.
Finn abraçou-a por trás e deixou um beijo em seu pescoço, causando arrepios nela.
– Você está linda. – Rachel apenas riu e se soltou do abraço.
Sentaram-se a mesa. Finn, Leroy e Hiram conversavam sobre algo que Rachel mal sabia do que se tratava. Mantinha sua atenção na comida e olha lá.
– Você está muito quieta, Rachel. O que houve? – um de seus pais lhe dirigiu a palavra.
– Eu só tive um dia cansativo, eu estou bem. Terminando o jantar vou me deitar.
– Ah! Nós pretendíamos assistir um filme. – Finn percebeu o desconforto de Rachel e se pôs a dar uma desculpa.
– Não querendo fazer desfeita, mas a viagem foi muito cansativa. Pretendo deitar-me também.
– Tudo bem. Então deixamos o filme para outro dia. – Leroy lenvantou-se da mesa recolhendo os pratos. – Amanhã começam as aulas de dança para o casamento. Não levantem muito tarde, pois será logo cedo.
– Aula de dança? – Finn tentou não transparecer o desespero em sua voz, o que foi impossível já que o mesmo era um péssimo dançarino. – Eu não sei dançar. – Finn sussurrou para Rachel para que seus “sogros” não ouvissem.
– Por isso é aula de dança, docinho. – Rachel também sussurrou bem perto da orelha de Finn provocando um leve arrepio e se afastou com um sorriso de vitória estampado no rosto.
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