Notas iniciais
Mais um capítulo!
Eu estou conseguindo postar rápido essa semana :)
Por favor, se vc está lendo a fic, não se esqueça de comentar.
Ain tenho que agradecer pelas recomendações também.
Se vc gosta dela, me deixei uma recomendação, eu vou ficar tão feliz *>*
Espero que gostem do cap!

Quando Damon a deixou sozinha no quarto, a primeira coisa que Elena fizera foi livrar-se de todos os anéis que possuía em seus dedos, afinal, aqueles objetos não tinham nada a ver com ela. Ela não era aquela pessoa, ela não era casada e ela não conhecia nenhum Damon, disso era tinha certeza.


Suspirou profundamente ao ver o brilho sedutor dos diamantes contidos naquela belíssimos anéis, mas não podia deixar se levar apenas belo resplandecer cativante de uma pedra preciosa. Talvez, não pudesse se deixar levar um estranho e envolvente magnetismo que fazia com que ela se sentisse atraída por aqueles dois anéis. Precisava ignorar aquela sensação porque ela parecia ser quase um sentimento, algo doce, algo que lhe acalmava.


Precisava ignorar porque não entendia isso, porque, num nível mais racional, desconhecia tudo aquilo, afinal, foi-lhe imposto que desconhecesse, sem, ao menos, consultá-la. Fechou os olhos e inspirou o ar denso de hospital profundamente, como se fosse o último que respirasse.


Aquilo era perturbador demais. Como ela poderia ser casada? Não fazia nenhum sentido. Revirou os olhos e meneou a cabeça, tinha que parar de pensar naquela loucura. Fechou os olhos novamente e os manteve fechados por algum tempo e quando os abriu viu o belo par de olhos verdes de Stefan fitando-na carinhosamente.


–Stefan...-Sussurrou o nome dele com delicadeza e abriu um sorriso doce, afinal, ele era a última memória romântica que ela possuía. Não pudera afirmar que o amava, mas gostava dele o suficiente para alegrar-se ao vê-lo.


–Você parece bem melhor.-Falou atenciosamente enquanto estudava a expressão da garota.


–Sim, eu me sinto ótima-A garota respondeu da mesma forma carinhosa enquanto deixou a mão procurar pela dele, fazendo com que ele a olhasse surpreso. Não esperou aquela atitude dela, mas correspondeu acariciando-na suavemente.-Por que você não estava aqui quando eu acordei? –Perguntou magoada, afinal, até onde ela sabia eles eram noivos, ela gostava dele e queria sua companhia.


–Porque você estava com ele, Elena. –Stefan respondeu gentilmente, mesmo sem entender porque ela poderia fazer tanta questão de presença dele, afinal, ela o tinha largado no altar e casou-se com Damon. Ele não sabia do que acontecera, não sabia que a morena havia perdido suas lembranças. –Você não queria estar com ele?


–Não, eu não queria. –Falou com uma naturalidade admirável, afinal, para ela, Damon era apenas um estranho. Eles não possuíam nenhuma ligação, ela não tinha nenhum sentimento por ele, na verdade, ela nem gostava muito dele, mesmo mal o conhecendo. Por que iria querer ficar com ele? Nem teria sentido se ela quisesse.-Eu quero ficar com você. –Abriu um sorriso afetuoso.


...


Damon ainda não conseguira absorver as duras palavras de Elena. Não, não fazia nenhuma diferença se ele a amava ou não, porque ela definitivamente não sentia nada, absolutamente nada. Tudo que ela queria era ficar afastada dele. A garota não se lembrava de nada, não lembrava do quão intenso era o amor deles, das inúmeras vezes que dissera, com todo seu coração, que o amava e, também, não se lembrava das outras milhares de vezes que ele dissera que a amava e fizera sorrir com essas palavras.


Ela não era mais a sua Elena, nunca mais seria. Damon não conseguia tirar de seus pensamentos a forma como ela o olhara. Olhou-no como se ele não fosse nada para ela, como se tivesse raiva. Seria assim daqui para frente e ele não sabia como iria suportar conviver com isso. Caminhou pesadamente pelo corredor do hospital e por um instante, não soube para onde ir. Sentia-se perdido, todo seu corpo doía como se cada parte de seu ser tivesse sido afetado por ela, ou melhor, pela falta dela.


–Ei, Damon. – Uma voz familiar o chamou, era Alaric. O vampiro ignorou, não queria ver ninguém, não queria falar com ninguém. Alaric insistiu chamando mais uma vez. –Damon...


–O que foi? –Perguntou rispidamente, seu humor não estava muito bom, ou melhor, estava péssimo.


–Whiskey? –O professor abriu um sorriso amistoso e estendeu o braço oferecendo a garrafa num gesto de amizade.


–É exatamente disso que eu preciso. –Pegou a garrafa e bebeu num longo gole. Realmente, precisava de uma bebida, na verdade, precisava de muita bebida, afinal, precisava embriagar-se o suficiente para parar de pensar em Elena nem que fosse por alguns minutos apenas.


–Então, a Elena não se lembra mesmo? –Alaric perguntou já imaginando a resposta, afinal, era só olhar para a expressão arrasada de Damon para saber.


–Não...-Deu um gole e depois mais outro. Já havia bebido uma boa quantidade do Whiskey que parecia não fazer qualquer efeito, mas não iria fazer mesmo, não havia nada que pudesse curar o vazio que existia dentro dele, não havia nada que sequer pudesse amenizá-lo. –Ela não se lembra de nada. – Completou.


–Vocês conseguiram, ao menos, conversar? –Perguntou enquanto pegava a garrafa para dar um gole e depois a devolveu para Damon.


–Não, nem isso. –Lamentou. Só de lembrar da expressão dela, sentiu seu corpo todo pulsar num sofrimento quase palpável, podia sentir a tristeza correr por suas veias, alastrando-se até atingir sua alma em um só golpe. –Ela falou para eu deixá-la em paz.


–Ela deve estar confusa. –Tentou amenizar a situação.


–Isso não importa, afinal, ela nunca mais vai se lembrar de mim. –Suspirou profundamente. –Ela se lembra que iria se casar com o Stefan, isso é tão irônico, não é mesmo? –Abriu um sorriso que não possuía nenhum divertimento, era apenas um desenho entristecido em seus lábios. –Ela...-Iria continuar o raciocínio, mas sua mente não deixou que ele continuasse. Não podia nem imaginar que ela pudesse amar seu irmão de novo, aquilo já era demais. –Eu preciso falar com ela, a Elena precisa lembrar. –Exclamou. Eles eram casados, ela tinha que se lembrar, porque ele não aguentaria ficar sem ela.


–Não é melhor você esperar um pouco para falar com ela? Até que ela esteja menos confusa? –Alaric ponderou.


–Não, eu não posso esperar, eu não posso ficar sem ela. –E não podia mesmo, só aquele mínimo tempo sem a garota já era dolorido demais.


–Ela está conversando com o Stefan agora...


...


Stefan demorou um pouco para processar o que Elena acabara de dizer. Ela queria ficar com ele, repetiu aquela frase diversas vezes para si mesmo. Ele ainda a amava e queria ficar com ela. –Você quer ficar comigo? É isso mesmo, Elena?


–Lógico que é isso. –Abriu um sorriso tão espontâneo que fez com que ele acreditasse no mesmo instante. –Eu te amo, Stefan. –Falou num tom tão meigo e melodioso.


Elena deixou seu rosto aproximar-se do dele, levou as mãos ao rosto masculino, acariciando-no afavelmente. Os lábios róseos buscaram os dele com ansiedade, a língua abriu caminho entre os lábios, iniciando um beijo doce. A morena não pode definir exatamente o que sentiu enquanto o estava beijando, era um beijo gostoso, é claro, mas, não sentia seu corpo arrepiar-se, não sentia seu coração acelerar. Aquele não era o beijo, pensou.


Damon entrou no quarto bem no momento em que os dois se beijavam, no momento em que os lábios estavam selados e as mãos passeavam no corpo um do outro. Não pode acreditar, ela o estava beijando, ela beijava Stefan da forma como costumava beijá-lo.


Não poderia existir imagem mais dolorosa do que esta, do que ver a própria esposa beijando outra pessoa da forma como ela estava fazendo. Sentiu uma dor excruciante invadir seu âmago e naquele instante sentiu-se vulnerável e ele nunca se sentia daquela forma, mas ter visto Elena beijando Stefan na sua frente foi doloroso demais.


Era uma sensação terrível, era como se tudo que ele tivesse fosse arrancado e não sobrasse mais nada apenas o vazio, a dor e a decepção. E a garota continuou da mesma forma quando notou sua presença, era como se ele não fosse nada para ela, ou melhor, ele não era nada, era apenas um estranho e ela não tinha motivo para respeitar alguém que nem conhecia e por quem nada sentia.


Ao mesmo tempo, sentiu uma fúria imensa percorrer sua espinha e fazer com que todo seu corpo se agitasse numa raiva que não podia conter. Sentiu tanto ódio de Stefan, ele estava se aproveitando da garota, ou melhor, ele estava beijando a garota que não era nada dele. Elena não pertencia a Stefan, mas sim a Damon. E ele não iria permitir que aquela situação perdurasse, não iria ver aquilo nem por mais um minuto. No instante seguinte, avançou na direção do irmão, forçando que ele se afastasse de Elena. Desferiu uma série de socos em Stefan, iria matá-lo e nem se arrependeria depois.


–Como você tem a coragem de beijá-la? -Seu tom era incrivelmente agressivo. Nunca sentiu tanto ódio em toda sua existência e, ao mesmo tempo, nunca sentiu tanta tristeza, nunca imaginou que seu coração poderia ser partido daquela forma como se fosse feito de um material tão frágil.


–Foi ela que me beijou. -Stefan reagiu e passou a atacá-lo. -Elena disse que me ama. -Abriu um sorriso satisfeito, sentia-se quase vingado. -Ela é minha agora.


A fúria queimou ainda mais intensa nas veias de Damon, impregnavam-se em cada músculo, em cada fibra, em cada entranha. Jogou Stefan com toda a sua força contra a parede e apertou-lhe o pescoço fortemente.


–Ela nem sabe o que sente. Ela perdeu parte da memória-Gritou. -Mas você não perdeu a oportunidade de ir se aproveitar dela mesmo assim.


–O que? A Elena perdeu a memória? -Stefan pareceu verdadeiramente surpreso, ele não sabia. -Por que você não me contou?


–Cala a sua boca! — Damon ordenou irado, havia perdido completamente a razão, a imagem do beijo o havia perturbado mais do que se poderia imaginar. Sentia-se traído, desrespeitado e principalmente não se sentia amado. Elena não o amava e isso era o que fazia tudo ser tão difícil. Olhou para a morena e viu que ela o olhava com raiva, com desprezo. Ela não sentia nenhum afeto mesmo.


–Ele não me usou, eu o beijei porque eu quis beijar. -A morena falou em um tom firme. -Eu amo o Stefan e você tem que parar com essa obsessão louca por mim. Eu não sou casada com você, nós não temos nada e nunca tivemos. -As palavras eram tão afiadas quanto lâminas e tão familiares. Elena soou quase como Katherine


Damon sentiu seu corpo inteiro enfraquecer num baque emocional. Ela não era nada parecida com a sua doce Elena. Sentiu-se tão decepcionado, sua alma pareceu ser castigada, atingida completamente. Sua alma estava partida, estraçalhada.


–Por que você não acredita quando eu digo que nós dois somos casados, Elena? -Perguntou em um tom afetado. Ele a amava tanto e ainda conseguia se lembrar de como ela o olhava, de como ela sorria quando ele lhe dizia isso, ainda conseguira lembrar o volume e tom exatos que ela usava quando também dizia que o amava. Ela tinha que sentir alguma coisa, se recusava a acreditar que o sentimento tinha simplesmente desaparecido, que tivesse sido arrancado do coração dela. Isso não podia ter acontecido.


–Porque eu jamais me casaria com alguém como você. –Respondeu friamente, não importou-se se poderia magoá-lo ou não. Estava sendo sincera e era isso que bastava, precisava acabar com isso de uma vez, não iria aguentar viver com alguém atrás dela. Ela não o amava e ponto. Ele precisava entender, aliás, não sabia como ele poderia achar que ela sentiria diferente, ela não sabia quem ele era. – Eu vou dizer de novo, eu não te amo e eu quero que você me procure novamente. Nunca mais!


Damon fechou seus olhos tentando conter as lágrimas que neles brotavam. Não podia chorar, só fracos choravam e ele não era fraco. E ele não iria chorar na frente dela, muito menos na frente de Stefan, afinal, aquilo seria humilhante demais. Naquele instante, desejou não sentir nada, desejou que todos seus sentimentos por ela desaparecessem, seria mais fácil assim. Seria bem mais fácil se ele não a amasse, mas ele amava, amava demais para conseguir deixar de amá-la ou para simplesmente seguir em frente e nunca mais olhar para trás.


–Se eu te der alguma prova que mostre que o que eu estou falando para você é verdade, você iria pelo menos tentar acreditar? –Perguntou já imaginando qual seria a resposta da garota, ela não iria nem querer olhar o que quer que fosse que ele lhe trouxesse.


–Eu não sei. –Elena respondeu confusa, não sabia o que dizer. O que ela faria se ela realmente fosse casada com ele e não se lembrasse? Aquela hipótese até a apavorava. Sentiu um medo percorrer-lhe a espinha, não queria falar sobre isso, não queria falar sobre nada. Não queria falar com ele, ele a incomodava, a fazia se sentir estranha.


–Será que agora você pode deixá-la em paz? Ela quer ficar comigo e não com você. –Stefan falou num tom vitorioso. Por mais que a ideia de que ela perdera a memória pudesse incomodá-lo e ele soubesse que ficar com ela naquelas circunstâncias fosse totalmente errado, não conseguiu se afastar, não naquele instante, pelo menos.


Aquilo fez com que a briga recomeçasse. Damon perdera o controle novamente, não aguentava ouvir aquelas palavras. Elena era dele e não de Stefan. E conforme ele atacava o irmão mais novo, mais a reprovação de garota, ele ganhava, mas não conseguiu pensar sobre isso. Não conseguiu se conter, estava com tanta raiva, com tanto ódio e principalmente estava frustrado.


Além de frustrado, estava triste, abalado, não conseguia manter sua razão, apenas toda a fúria em seus punhos possuíam algum movimento lógico. Não soube dizer como aquela luta foi apartada, as únicas palavras que se gravaram em sua mente e maltrataram sua alma foram as de Elena, dentre todas, a última frase foi a mais dolorosa; “Eu te odeio”.


...


Elena tinha ido para a casa de Caroline, iria ficar lá, pelo menos por enquanto. Até que ela conseguisse organizar seus pensamentos e se sentisse melhor em relação a tudo. Já era fim de tarde quando Elena decidiu se deitar, precisava descansar um pouco, afinal, estava emocionalmente desgastada. Sua vida parecia ter virado um inferno.


–Ei, Elena..-Caroline a chamou suavemente enquanto entrava no quarto. –Você está mais calma agora?


–Acho que sim, eu só estou um pouco confusa, Carr. – A morena desabafou. –Eu nem sei como eu me sinto. –Ela nem sabia mesmo, afinal, ouvir que você era casada com alguém e que não se lembra de nada ou é loucura ou é algo terrível só de imaginar e ela não sabia em qual caso ela estava encaixada.


–As coisas vão se acertar, você vai ver. –A loira abriu um sorriso incentivador.-Aliás, eu nem consegui dar parabéns pelo seu aniversário, Elena! –Falou num tom animado. –Eu comprei um bolinho. –Falou num tom envergonhado. – Não é bem um bolo, tá mais para um cupcake, mas eu juro que eu vou te fazer uma outra festa, você não pode completar 20 anos e ficar sem festa.


Elena abriu um sorriso afetado, mas estava verdadeiramente agradecida pela preocupação da amiga.


–Eu vou lá buscar, tá bom?


–Tá.


Quando Caroline foi na cozinha pegar o cupcake para dar a Elena, a campainha tocou. Era Damon, ele estava tão abalado e tão descontrolado emocionalmente que não tinha nem como a loira pensar em impedir que ele fosse ver Elena. Na verdade, Caroline achava que os dois precisavam, sim, conversar, afinal, o que tinha acontecido a eles era incrivelmente triste.


Damon foi na direção de onde Elena estava já temendo como ela se comportaria, não sabia como faria para suportar a raiva da garota, porque aquilo machucava demais, preferia mil vezes ter uma estaca em seu peito do que isso. Girou a maçaneta cuidadosamente e quando a porta abriu-se viu que assim que ela o reconhecera, sua expressão se modificara.


Elena estava cheia de raiva, estava com raiva porque tinha medo que qualquer coisa do que ele dizia fosse verdade e porque o viu brigando com Stefan e mesmo a atitude de Stefan ao corresponder seu beijo fosse errada, se ela e Damon fossem mesmo casados, era mais fácil odiar a Damon do que Stefan, porque simplesmente ela não o conhecia, não tinha nenhuma ligação com ele.


–De novo? –A garota perguntou num tom cansado. Já não estava mais aguentando aquilo. Não queria saber de nada, não queria conversar, não queria tão pouco ouvir. Só queria ficar sozinha, queria viver a vida dela sem isso. Ela não podia ser casada com ele, não acreditava nessa hipótese.


–Elena...-Sussurrou o nome dela com tanto carinho que até mesmo ela pode sentir. Damon sentia todo seu coração se dilacerando por ela, porque a amava tanto e não podia tê-la, porque ela simplesmente não o queria, não se lembrava dele. E porque ele a tinha visto beijando seu irmão. A sua vontade era nunca mais se preocupar com ela, nunca mais vê-la, afinal, ela o tinha traído, mas não conseguia. Ela não era totalmente culpada de sua própria traição, uma vez que ela não se lembrava de que era casada e então não poderia nem pensar que estava fazendo algo errado, mas isso não fazia com que doesse menos, na verdade, só fazia doer mais. –Eu trouxe o seu diário, se você ler, você vai poder acreditar em mim.


Aproximou-se cuidadosamente da garota para entregar-lhe o diário. Elena ficou muda por um instante, estava cansada de ser pressionada a se lembrar de algo que não existia, estava com tanta raiva porque ele tinha iniciado uma briga com Stefan no meio do hospital e ela odiava brigas. Resumindo, ela não gostava dele e ainda estava furiosa.


–Eu não quero diário nenhum, eu não quero saber. – Gritou. Pegou o diário com raiva e jogou contra ele, torcendo para que o machucasse e ele a deixasse em paz de uma vez. –E se algum dia nós fomos casados, eu até já imagino porque eu esqueci, porque eu já deveria te odiar.-Falou sem medir o quanto aquelas palavras poderiam machucá-lo, ela não acreditava. Elena não gostava dele, talvez quando Ever a enfeitiçou para esquecê-lo, também fez com que ela se sentisse assim em relação a ele, fosse tão hostil.


–Quer saber? Eu estou tão cansado de você, Elena. –Desabafou. –Estou cansado de tentar ser melhor, de tentar ser alguém que eu não sou só para te agradar. Você tem razão, eu nunca deveria ter vindo de procurar novamente. –Estava decepcionado, tão ferido, tinha sido machucado mais do que o suficiente para um dia só, não poderia continuar com aquilo, mas a verdade é que não poderia continuar sem Elena.


Damon foi embora, não havia mais nada que ele pudesse tentar. Ela nem queria ouvi-lo, não conseguia falar por mais de cinco minutos sem começar a gritar. Aquilo era muito mais difícil do que poderia ter previsto, muito mais.


–Ai, Elena. –Caroline falou num tom pesaroso. –Coitadinho, não precisava falar com ele desse jeito. Ele te ama.


–Carr, eu não aguento mais isso.-A morena desabafou. –Se eu der corda para isso eu não vou ter mais paz, eu quero viver minha vida com Stefan, eu vou me casar com ele, e você ficou de organizar o casamento, lembra?


A loira baixou o olhar e suspirou pesadamente como se procurasse uma forma de falar o que tinha que falar. –Elena você e o Stefan não vão mais se casar. –Fez uma pausa buscando coragem para continuar.


–Como assim nós não vamos mais nos casar? –Perguntou surpresa, aquilo não fazia sentido.


–Você abandonou o Stefan no altar, Elena. –A loira abriu um sorriso. – E também abandonou a festa linda que eu demorei meses organizando para você, mas eu te perdoo, tá bom?


–Eu me lembro de uma festa e eu estava correndo e...-Elena fez uma longa pausa. –Eu não sei porque eu estava correndo, eu não lembro de mais nada.


–Essa deve ser uma das suas memórias “defeituosas”, Lena. –Riu. –Você saiu correndo do seu casamento para encontrar com o Damon.


–Então é verdade? –A garota perguntou surpresa, assustada. Não sabia o que fazer, não sabia mesmo.- Eu e o Damon somos casados?


–Sim, vocês são. –Caroline afirmou. –E o Stefan e o Damon são irmãos.


–O que? –Aquilo pareceu perturbá-la ainda mais. –E eu fiquei com os dois? Ao mesmo tempo? Ai que coisa horrível.


–Não, você não ficou com eles ao mesmo tempo, você não é “dessas”, Lena. –Um sorriso divertido se desenhou nos lábios da loira.


–Eles sempre brigam daquele jeito por minha causa? –Perguntou envergonhada, não gostou da ideia de ter namorado os dois irmãos e de ser o motivo da briga deles.


–Às vezes, mas se isso serve de consolo, eles já não se davam muito bem antes.


Elena ficou um bom tempo em silêncio, nunca sentiu-se tão confusa em toda sua vida. Seu coração apertou-se de uma forma estranha, doída. Ela tinha sido injusta o dia inteiro com ele, afinal. Não deveria tê-lo tratado tão mal, mas também não iria conseguir amá-lo. Não, ela não iria. Toda sua vida parecia ruir. Ela era casada e não se lembrava, ela achava que ia casar com outra, mas havia abandonado o noivo no altar e também não se lembrava e para piorar os dois eram irmãos. Que confusão, ela pensou! Não sabia o que fazer, estava completamente perdida e não sabia se iria encontrar seu caminho de volta.


–Eu o amava, Caroline? –Elena estava aflita, encolheu-se na cama, tentando procurar alguma forma de sentir-se melhor.


–Se você amava o Damon? –Ela fez uma pausa. –Sim, você o amava demais, quando você me ligou para avisar que tinha ido para Las Vegas e se casou com ele, você parecia ser a garota mais feliz do mundo.


Ela tinha se casado em Las Vegas, isso era uma informação importante, ela não podia esquecer.


–Mas se eu o amava tanto, por que eu o esqueci? –Falou confusa, ela jamais esqueceria alguém que amava tanto. –Por que eu perdi a minha memória?


–Você se lembra a parte sobre vampiros, bruxas, doppelgangers, não é?


–Sim, eu lembro. –Fez uma pausa. –Eu sou a cópia da Katherine. Você e o Stefan são vampiros, acho que o Damon também deve ser um. A Bonnie é uma bruxa...


–Isso! Você vai ganhar uma estrelinha dourada! –As duas riram.


–Você estava morrendo de uma maldição...


–Eu lembro vagamente de estar passando mal, alguém me levou até o hospital...mas as imagens não são muito nítidas na minha mente.


–Mais memórias defeituosas, Lena. Acho que toda a vez que você lembrar de algum momento onde o Damon esteja, sua memória vai estar desse jeito.


–Por que eu o esqueci? –Estava curiosa.


–Você ia morrer da maldição que eu te falei e só havia uma bruxa que poderia desfazer . O Damon foi até ela para salvar você e ela exigiu algo em troca para salvar a sua vida. Ela quebraria a maldição, mas você não se lembraria dele. –Caroline fez uma longa pausa. –Ou seja, ele iria te perder de um jeito ou de outro, mas ele escolheu salvar você mesmo sabendo que você se esqueceria.


–Isso é tão fofo. –Elena sussurrou,sentindo-se incrivelmente culpada por tê-lo tratado tão mal. Se Damon tivesse feito isso por ela, bem, ele não merecia que ela o tratasse assim, no mínimo, não merecia a ingratidão dela.


–É sim, é fofo mesmo. –Concordou.


–O que eu faço agora? Eu me sinto tão perdida.


–Eu não sei, Elena, eu não sei o que eu faria se eu estivesse no seu lugar.


–Eu nunca vou me lembrar, não é? –A garota falou sentindo o aperto em seu coração se intensificar. Não sabia como se sentia agora e também não sabia como se sentia antes, quando ainda tinha todas as suas memórias. De repente, sentiu-se vazia.


–Eu não sei dizer. – Na verdade, sabia. Elena não iria se lembrar, pelo menos, era o que ela achava. –Talvez, você se lembre, eu não sei.


–Eu preciso saber o que eu pensava e o que eu sentia, Carr, eu nem sei mais o que eu estou vivendo.


–Talvez, se você procurar sobre o passado, você pode lembrar alguma coisa. –Abriu um novo sorriso incentivador.


...


Elena vestiu qualquer roupa e saiu correndo. Todos diziam que ela não poderia dirigir até que tivessem certeza que a sua memória não estava tão comprometida assim. Não soube quanto tempo o percurso iria demorar a pé e por um instante, sentiu-se confusa.


Ela não sabia onde Damon morava, mas concluiu que deveria ser na casa de Stefan, uma vez que eles eram irmãos. Ela precisava falar com ele. Percorreu uma boa distância até chegar, exausta, na mansão dos Salvatore. Tocou a campainha e não precisou esperar muito até que o próprio Damon atendesse a porta.


Ele estava sem camisa, os músculos bem definidos revelavam-se tão convidativos, ele era muito bonito, Elena não pode deixar de observar. Bonito não, lindo, pensou. Mas a expressão dele não era tão bonita, os olhos tão azuis como o mar possuíam um brilho opaco, sem vida. Ele parecia triste, muito triste e embora estivesse tentando disfarçar não estava dando certo. Elena sentiu-se mal, afinal, sabia que ele estava assim por sua causa.


–Oi, Damon. – Falou quebrando o silêncio sepulcral.


–Você veio aqui para ver o Stefan? –Perguntou no tom mais indiferente que conseguiu achar nas sombras de sua alma. Não iria mais se humilhar por ela. –Eu vou chamá-lo. – Falou dando as costas, quanto menos tempo perdesse olhando para ela, mais fácil, ou melhor, menos difícil seria.


–Não, eu vim falar com você. –A garota abriu um sorriso delicado, um pouco tímido, mas muito bonito e doce. Quando ela sorria daquela forma, ela lembrava a Elena que ele tanto amava.


–O que você quer? –Continuou falando de forma fria, era a melhor coisa que ele podia fazer. Não queria mais continuar sentindo, não podia continuar com aquele amor doentio.


–Eu vim para me desculpar...-Iria continuar falando mas Damon a interrompeu.


–Não precisa se desculpar. –Falou secamente e fez o movimento de fechar a porta, mas a garota usou sua mão para segurá-la e ele decidiu recuar, mesmo sabendo que poderia ter forçado para fechar a porta.


–Na verdade, eu preciso muito me desculpar. –Elena afirmou, entendia porque ele a estava tratando daquela forma, ele estava ressentido, magoado. –Nós realmente fomos casados...


–Você se lembra?-Perguntou deixando com que um fio de esperança dominasse seu tom de voz e o fizesse muito mais carinhoso do que havia desejado.


–Não, eu não me lembro. –Balançou a cabeça negativamente. –A Caroline me contou e eu acabei acreditando. –Sorriu. –Eu queria pedir desculpas por ter te tratado tão mal, eu não quero ferir seus sentimentos, eu nunca quis isso. Eu só estou muito confusa.


–Tudo bem, eu entendo, Elena. –Falou tentando manter uma distância, não queria mais se envolver, mas na verdade a sua vontade era abraçá-la e beijá-la e dizer o quanto a amava e que a amaria para sempre mesmo se ela o continuasse tratando daquela forma.


–O acordo com a bruxa...-Fez uma longa pausa. –É verdade isso? –Perguntou enquanto o olhava diretamente nos olhos e por um instante perdeu-se naquele mar azul, sentiu-se estranhamente bem, como se fosse familiar, mas não era. Ela não o conhecia.


–Sim, é verdade.-Respondeu enquanto também a olhava, sentia falta do brilho dos olhos dela. Sentia falta de quando ela o olhava da forma como ela estava olhando agora.


–Você não tem ideia do quanto isso soa romântico. –Abriu um sorrisinho meio envergonhado e achou estranho quando seu coração acelerou-se sem ela entender muito bem porquê.


Damon divertiu-se ao ouvi-la falar daquela forma, lembrava-no de quando ela assistia aqueles filmes melosos e ficava tão sensível. –Isso não é romântico, Elena, é horrível. –Voltou a sua postura de seriedade, mas ele estava realmente falando sério, aquilo era terrível, mas ainda assim, não preferia vê-la morta.


–Eu sei mas...-Fez uma pausa, sentindo-se mais envergonhada do que antes. –Continua sendo romântico. –O sorriso delicado acentuou-se nos lábios róseos. Céus, como ela é linda, ele pensou. –Você me ama...


–Elena, eu... –A garota o interrompeu.


–Não precisava falar, eu já sei. –Ela falou. –Eu consigo sentir o quanto você me ama. –Fez uma longa pausa, sentiu uma dor horrível percorrer seu corpo. –E eu queria te amar o quanto você me ama...-Não conseguiu falar de uma vez, as lágrimas que vertiam de seus olhos não a deixaram. –Mas eu não sinto o mesmo. –Mais uma pausa, tentou conter inutilmente o choro. Sentia-se muito mal por isso. –Eu sei que eu sentia, eu sei que eu te amava, mas, agora, eu não sinto nada. Eu sinto muito.


Não sentir nada era algo muito forte e ela sentiu todo seu corpo reagir quando o abraçou. Era aquela reação involuntária que ela tinha cada vez que estava com ele, o coração acelera, a respiração ofegava, sua alma parecia se acalmar. Aqueles braços tão protetores e tão fortes eram tão familiares quanto estranhos.


Ficou assim por alguns momentos, no calor do abraço dele, mas depois, já não sentia nada, seu corpo pareceu adormecer, mas é claro que ela não percebeu tudo que aconteceu de forma consciente, mas em um nível inconsciente, cada mínima sensação foi percebida como deveria ser.


Damon também sentiu seu corpo reagir ao dela só que de uma forma extremamente acentuada, afinal, ele não havia se esquecido que a amava. Seu coração martelou em seu peito, em mente, em sua alma. Ele a amava muito e era ótimo ficar abraçado com ela, sentir seu corpo colado ao dela, era com toda a certeza o melhor momento daquele dia.


Ou melhor teria sido o melhor se ela não tivesse dito antes que não sentia o mesmo, que não sentia nada. E aquela era a realidade, ela não se lembrava e por mais que ela pudesse ser menos hostil, ela não tinha suas lembranças, ela não podia amá-lo como ele a amava, ou, melhor, ela não o amava.


Elena se desvencilhou-se timidamente do abraçou e sorriu tentando fazer com que o clima ficasse menos pesado. –Eu também sinto muito por ter jogado o diário de você. –Ela riu, agora de uma forma mais descontraída. – E eu gostaria muito de ler o que quer que esteja escrito lá, talvez, isso me ajude a me lembrar, eu preciso das minhas memórias de volta.


–Então você quer se lembrar de mim? –Perguntou-na carinhosamente enquanto ajeitava uma mecha de cabelo castanhos que caía sobre a face dela, depois acariciou-lhe com muito cuidado a face e surpreendeu-se ao perceber que ela não rejeitou seu toque.


–Sim, eu quero. –Elena sorriu docemente.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar. ;p
Muito obrigado por acompanharem!