The Weapon

24 Capítulo 26


POV Annie

Tudo parecia perdido.

Encarei o céu, frustada.

Nós mau começamos a missão e já fomos derrotados.

-Não — Disse uma voz familiar em minha mente. — Ainda não.

Eu não tinha idéia de que voz era esta, mas estava certa. Ainda não.

-Acsa. — Chamou uma voz feminina ao meu lado.

Olhei para cima.

Ela deveria ter 17 anos, no máximo. Tinha cabelos castanho-escuros que ultrapassavam a cintura e vestia uma delicada túnica de linho. Estava um pouco afastada de nós, entre duas árvores.

-Então está com os gregos, hum? — Sorriu. Parecia que toda o amor do mundo estava naquele sorriso.

Acsa olhou-a.

-Por favor... — Foi parada por um gesto da outra.

-Não se preocupe. Eu não sou como os outros.

Olhou para o moreno e, murmurando alguma coisa, ela uniu ambas as mãos junto ao corpo e fechou os olhos.

Olhei para ele, que estava sendo envolvido por uma luz azul-clara. Quando a luz tomou conta de todo seu corpo, desapareceu e o garoto caiu no chão.

-Ele está morto? — Perguntou Melanie que, pelo visto, havia acabado de acordar.

-Não. Ele acordará daqui a pouco, não se preocupe, querida. — Tornou a sorrir. Voltou-se para Acsa, que em momento algum tirou os olhos da maior. — Quanto a você... Saiba que sempre será bem vinda.

Acsa sacudiu a cabeça.

-Eles deixaram bem claro o contrário.

-Não deveria ligar para eles.

-Asenet...

-Pense. — Cortou — Vai saber como voltar.

Okay, acho que elas esqueceram que estamos aqui...

-Obrigada. — Acsa sorriu cansada.

-Que é isso! — Sorriu novamente. E desapareceu.

É isso aí, uma hora a garota está ali, em pé, e na outra, puft, se transforma em vento. Vai entender.

-Quem era? — Perguntou Johan, direto.

-Asenet. — Respondeu — Uma... amiga... antiga... — Parecia estar escolhendo as palavras certas.

-Ei, gente, ele está acordando! — Avisou Petter.

Acsa e Johan correram até onde Petter e o moreno estavam.

Melanie ajudou-me a levantar, mas eu ainda não conseguia ficar de pé.

Estou com certo medo de olhar para baixo, pois quando Mel o fez, sua careta foi impagável.

Por fim, ela ajudou-me a andar até onde eles estavam e sentou-me no chão.

-O que...? — Começou o moreno, tentando se levantar. Petter o impediu.

-Calma aí. Primeiro nos diga seu nome.

Após encarar a cada um de nós por um momento, um brilho de compreensão surgiu em seus olhos.

-Desculpem-me, semideuses. Meu nome é Aeron. Eu realmente não queria machuca-los.

-O que houve com você? — Perguntei.

-Uma moça encapuzada esteve aqui. Ela tentou jogar a mim contra vocês, e assim eu jogaria minha irmã também. Eu não acreditei nela, então creio que ela tenha feito um feitiço... Bem, eu só sei que perdi o controle dos meus movimentos. Assim que ela foi embora, vocês chegaram. Eu tentei gritar para que vocês fugissem, mas minha voz parecia não sair. Eu sinto muito.

-Não tem problema, entendemos que não foi culpa sua! — Sorri, sendo prontamente retribuida.

Mas o sorriso dele se apagou ao olhar meu pé.

-Acho melhor eu os levar para minha vila, lá vocês poderão se recuperar. Eu posso carrega-la.

Certo, talvez eu deva dar uma espiadinha...

Droga. Tinha uma adaga enterrada bem no meio do meu pobre e inocente pé. A imagem não estava muito bonita...

-Acho que seria uma boa. — Sorri sem graça, tentando ignorar a dor que pareceu ter ficado ainda maior.

Sem esperar, ele pegou-me no colo e começou a andar por entre as árvores, os demais nos seguindo de perto.

Irei pular a conversa que rolou no caminho, pois tenho certeza de que você não quer saber sobre a poluição e o desmatamento — sim, Aeron fez questão de comentar sobre isto, e de algum modo todo mundo resolveu comentar.

Ah, mas preciso comentar que Aeron tinha um belo tanque, se é que me entendem.

Quando chegamos, uma ninfa apareceu de sabe-se-lá-onde. Eu hein...

-Aeron! — Acenou com a mão, em seguida olhou para mim. — Ar le? (Quem é você?)

-O que? — Olhei confusa para Aeron.

-Élfico. Semideuses, essa é Nessa. Ela fica de vigilancia por aqui, e quando vê algo estranho avisa nosso ancião. — Explicou, em seguida voltando-se para a loira de orelhas pontudas. — Ú-hanyantë (Eles não entendem.)

A loira pareceu compreender, acenou novamente e voltou para a copa de uma árvore.

-Todos aqui só falam élfico? — Perguntei.

-Não. Alguns falam inglês, outros falam grego, outros russo, e por aí vai. — Sorriu — O ancião vai entender vocês, então não se preocupem.

E assim tornamos, digo, tornaram, a andar. Após mais um pouco chegamos à uma casa. Não era como as modernas, que tem janela de vidro e tudo mais. Sabe aquelas casas de lenhador de um bom tempo atrás? Desse tipo aí.

Fui colocada em uma poltrona preta. O lugar não era o que eu chamo de iluminado. Vai uma lâmpada aí?

Aeron entrou em um outro cômodo, voltando pouco depois com um velho sátiro. Suponho que este seja o ancião. Por que não estou surpresa?

-Olá. — Disse o velho com uma expressão carrancuda.

-Oi. — Respondemos.

Silencio. Por fim, Aeron pôs fim naquele clima estranho.

-Eles são os semideuses. Acredito que sejam aqueles que Tatiana tenha visto em sua visão.

-É. — Ainda nos fitava com a expressão carrancuda. — Báh, eles parecem serem uns fracotes! — Resmungou.

Devo socar esse velhote agora ou esperar um pouco mais?

-Eles são mais fortes do que parece.

Só aí eu fui lembrada. Aeron chamou uma ninfa... elfa... bem, ele chamou uma orelhuda chamada Nina para cuidar do meu pé. Nada demais, a não ser pelo fato dela ter uma aparencia de onze anos.

Eu deveria ter feito um seguro de vida.

-Sabe, se minhas costas não doessem a cada movimento que faço, eu iria no lugar de todos vocês. Sim, por que, sem dúvida, eu conseguiria. Já vocês? Rá, só com muita reza e...

Mesmo que eu quisesse, eu não tive a intenção de interrompe-lo com meu grito quando Nina puxou com tudo a adaga.

-Vai com calma aí, baixinha! — Resmunguei. Ela olhou-me irritada.

-Não sou baixinha! — Tirou uma esponja de um balde com líquido avermelhado e pressionou contra meu pé. Ardeu como o diabo, não pude conter um ofego e um palavrão em grego.

-Continuando. — O velho tossiu — Eu podia acabar com dois dragões de uma vez! Podia lutar contra titãs e deuses sozinho, acabar com ciclopes e cães infernais...

-Certo! — Cortou Mel. — O que isso tem haver?

-Tem haver que eu vou com vocês. Serei a salvação do grupo!