The Way You Fall Asleep
10 Capitulo X – I Need A Drink
Notas iniciais
Saiu da sala de aula. Foi a pior aula de Literatura inglesa que ela já tinha assistido. Seu professor estava começando a entediá-la. Ela poderia dar aulas melhores para toda a turma e ainda assim ter resultados melhores. Ela quis dormir a aula toda, mas infelizmente teria que se formar e conseguir um diploma para montar sua tão sonhada editora. Assim promover livros incríveis e ficar famosa com tudo isso.
Estava começando a pensar melhor nisso.
Sempre gostou muito de escrever, e depois dos imensos elogios que recebeu de Rachel quando a ajudou com um trabalho, Quinn começava a pensar em fazer Jornalismo. Seria interessante começar algo que realmente gostasse.
Talvez outro dia fosse conversar com alguém para transferir de curso. Agora, tudo que queria era se encolher na cama e dormir até amanhecer. Era terça, e ainda tinha o feriado de Ação de graças que começava a amanhã. Tinha que falar com Santana sobre isso.
Colocou a mochila nas costas e caminhou tranquilamente até a saída do prédio. Teve uma surpresa quando viu a quantidade de pessoas reunida em uma parte do campus. As pessoas gritavam loucamente. Quinn usou sua incrível curiosidade e foi até o lugar onde as pessoas estavam.
Era uma gritaria muito alta. Quinn começou a se sentir agitada. Respirou fundo e se aproximou mais ainda, seu sangue gelou ao ver o cabelo loiro no meio de todas as pessoas.
Rezou para que não fosse quem ela pensava que era. Não podia ser ela, se fosse... Porque ela estaria no meio dessa gente? Seu sangue gelou mais ainda quando escutou... "briga! briga!" Pareciam macacos adolescentes. E isso certamente irritou Quinn. Jogou as coisas no chão e correu até a roda que estava formada.
Lá estava ela. Quinn temia isso.
Meredith estava sendo segurada por um cara que era o dobro da altura dela, enquanto ela se debatia dos braços do cara, tentando atacar a outra garota de cabelos pretos que estava com eles todos desarrumados e ela tinha um corte no lábio que sangrava terrivelmente, sem falar na falta de roupas decentes, a garota estava só com um short curto e um top. Quinn começou a temer que a garota tivesse algo mais sério.
– Mais que merda é essa? — Esbravejou e Meredith a olhou com os olhos arregalados. Quinn virou para a garota de cabelo preto e viu que ela chorava desesperadamente. Todos pararam de gritar e Quinn foi até a loira e tirou-a dos braços do garoto que a segurava. — O que merda você está fazendo?
Meredith não respondeu apenas se encolheu e Quinn agarrou seu braço com força e puxou-a para longe do tumulto. As pessoas começaram a se dispersar, e algumas pessoas ajudaram a garota morena a se levantar e levá-la para algum lugar, ou procurar suas roupas.
– Quer me explicar o que estava acontecendo? — Rosnou para Meredith que gemeu com o aperto da mão de Quinn em seu braço.
– Por favor... está me machucando... — Gemeu baixinho e Quinn percebeu, nos olhos azuis que estavam brilhando de medo, que ela realmente estava machucando a loira, então soltou.
Respirou fundo e deu as costas para ela. Estava nervosa, por causa da gritaria e da cena que tinha presenciado. Quinn não lidava bem com brigas. Respirou fundo mais uma vez.
– Desculpa. — Pediu, passando os dedos pelo cabelo e virou para Meredith que estava com a mão em cima do machucado. Quinn sentiu seu peito apertar. Foi até Meredith e seu peito doeu mais quando a loira se encolheu. — Eu não vou te machucar. — Sussurrou e Meredith assentiu.
Tocou o machucado e rosnou para si mesma internamente. Acariciou o avermelhado e escutou Meredith suspirar baixinho. Tocou o queixo da loira e levantou o rosto, vendo os olhos vermelhos cheios de lágrimas que se derramavam pela bochecha pálida.
– O que aconteceu? – Sussurrou e Meredith recuou do toque e caminhou até um banco, sentando-se logo em seguida. Quinn a acompanhou e sentou ao lado dela. Esperou até que Meredith estivesse pronta para começar.
– Era minha colega de quarto. – Falou baixinho e Quinn a olhou com o cenho franzido, mesmo que a outra loira não estivesse vendo sua expressão. – Enquanto eu estava na aula, ela... ela chamou seus amigos idiotas e fizeram uma... argh!
– Não precisa continuar. — Quinn disse baixo e tocou a perna da loira. — Você não precisava ter dado esse show. — Disse e Marie riu baixinho, amarga.
– Ela mereceu, ela é uma puta que não tem o que fazer, e resolve dar para três caras na minha cama enquanto eu estou tendo aula. — Rosnou e Quinn riu um pouco alto.
Colocou um braço sobre os ombros de Meredith e trouxe-a para perto do seu corpo, acolhendo-a. Estava frio em Nova Iorque, e Meredith estava sem agasalhos usando uma blusa de manga curta.
– Deveria estar se protegendo, está frio. — Disse baixo e Meredith assentiu brevemente.
– Minhas coisas ficaram na sala. Uma colega minha veio me avisar o que aquela puta estava fazendo. — Rosnou novamente e Quinn levantou puxando Meredith pelo braço.
– Vamos pegar nossas coisas e vamos embora.
__
Entraram no café e Quinn as guiou para uma mesa perto da janela. O café estava quente, e elas tremiam de frio. Sentaram e se encolheram com o frio. Estava começando a esquentar. As pessoas do café não se importaram com elas. Quinn estava feliz por ter encontrado um café próximo a Columbia. Assim podia beber quantas xícaras quisesse. Sem que Rachel tomasse toda a garrafa de café. Pelo menos era a morena que fazia e ela mesma tomava.
Pediu um frappuccino e Meredith pediu um Latte. Não tinham falado nada desde que entraram no café. Quinn ainda tinha a respiração curta pelo frio, mas já começava a se aquecer. Enquanto Meredith brincava com o guardanapo, rasgando-o em vários pedaços, Quinn parou para olhar o lugar.
Era pequeno e aconchegante. Quente e tinha várias poltronas para quem quisesse sentar e ler algum livro interessante. Teria mais um lugar para estudar, já que não era nada legal tentar se concentrar, sem sucesso já que Rachel fazia questão de ficar andando de toalha pela casa depois de se exercitar. E tem feito isso, principalmente, nos últimos dias.
Quando seus cafés chegaram, Quinn apreciou o quão grande seu copo era, e também era barato. Tomou um gole e sorriu feliz com o gosto bom que ficou em sua boca. Olhou para a loira na sua frente e sorriu quando viu que Meredith parecia bastante feliz com o seu Latte.
– Isso é muito bom. — Gemeu e Quinn riu com isso e tremeu de frio quando alguém abriu a porta do café. — Beber café no frio é a melhor coisa do mundo.
Quinn assentiu concordando e riu quando Meredith gemeu novamente tomando um gole de café. Ela imaginou se Rachel iria gostar de ir ali, esvaziar o estoque de café. Provavelmente.
– Aqui é um bom lugar. — Quinn comentou e Meredith assentiu. — E não é tão longe de Columbia, poderíamos vim aqui nos intervalos entre as aulas.
– Claro. — Meredith assentiu animada. Então sorriu docemente. — Nós poderíamos sentar nesses sofás e curtir um pouquinho o tempo que teríamos.
As segundas intenções fizeram Quinn querer engasgar. Então a lembrança de Rachel em cima de si fazendo maravilhas em seu pescoço fez com que Quinn quisesse choramingar e chorar até dormir. Ela não queria confundir tudo que já estava confuso o bastante na sua cabeça.
– Hmmm, claro. — Sorriu forçadamente e Meredith saiu do seu lugar para sentar ao lado de Quinn.
– Poderíamos fazer isso agora. — Sussurrou e sorriu para Quinn que choramingou.
– Está tarde. — Tomou um longo gole do seu copo e viu que já estava acabando.
– Não somos crianças, podemos chegar tarde. — Desdenhou e Quinn deu de ombros.
– Rachel está me esperando. — Não era uma total mentira, Rachel estava no apartamento, só que não realmente esperando por Quinn. Ou poderia estar, mas Quinn não tinha ideia.
O sorriso de Meredith saiu do seu rosto e Quinn se arrependeu do que disse. Tinha quase certeza de que a loira tinha sentimentos por ela, e isso a fez, também, se sentir muito mal. Não gostava de machucar sentimentos de outras pessoas.
– Claro que estará. — A loira disse baixinho e levantou para ir sentar no outro lugar que estava anteriormente.
O clima ficou estranho depois disso. Elas pagaram os cafés e saíram do lugar para enfrentar o frio. Quinn fez questão de ir caminhando com Meredith até Columbia.
Entraram no campus indo até o dormitório feminino quando Quinn se cansou do silencio constrangedor.
– Então... Agora você tem um motivo para poder mudar novamente de colega de quarto. — Brincou rindo baixo quando viu que Meredith parecia não ter achado graça.
– Você gosta dela, né? — Perguntou com a voz um pouco tremida.
Quinn franziu o cenho e olhou para o lado, Meredith não estava lá, olhou para trás e viu que ela tinha parado de andar.
– O que?
– Rachel. Você gosta dela. — Não era mais uma pergunta, e sim uma afirmação. Quinn respirou fundo e percebeu que ela não iria conseguir mentir para Marie.
– Estou confusa. — Admitiu e Meredith assentiu lentamente.
– Você poderia me explicar melhor, Quinn? — A voz saiu até um pouco debochada e Quinn tremeu. Tanto de frio quanto de outra coisa que ela não entendeu.
Estava escuro, Quinn chutava que fosse umas oito horas da noite, somente as luzes dos postes iluminavam o local. Quinn começou a ficar com medo de voltar para casa.
– Eu não sei como te explicar melhor, Marie. — Quinn respirou fundo e viu a fumacinha branca sair da sua boca. — Isso é algo que eu não entendo.
Meredith balançou a cabeça e respirou fundo. Virou de costas para Quinn e cruzou os braços. Quinn não quis saber o que ela estava pensando, mas mesmo assim ficou curiosa. Esperou até que Marie estivesse pronta para falar algo. Não demorou muito para acontecer.
– O que pode ser difícil? — Disse baixo e Quinn franziu. Meredith não escutou sua resposta e virou de frente para Quinn. — Não pode ser tão difícil.
Respirou fundo e mirou seus olhos nos azuis. Eles pareciam mais brilhantes e foi quando Quinn percebeu que tinha lágrimas não derramadas ali. Seu coração afundou e ela quis abraçar Meredith . Se conteve.
– Eu não quero ter que escolher. — Sussurrou dolorosamente e Meredith suspirou. — Não quero fazer isso.
– Você não tem que escolher...
– Então o que eu faço?! — Exclamou e Meredith se encolheu, Quinn não se deixou amolecer. — Eu não posso sair ficando com duas garotas se eu não faço a mínima ideia do que sinto por elas!
Meredith sorriu e Quinn ficou confusa. Aquele não era um momento para sorrir, aquele era um momento tenso, onde Quinn sentia seu coração martelar contra suas costelas e a vontade de sair correndo para os braços da sua mãe era gigantesca. Ou poderia ser os braços de Santana.
– Eu queria tanto dizer "eu te vi primeiro" — Marie disse baixinho e Quinn olhou para o chão. De repente seus tênis pareciam incrivelmente atraentes. — Eu gostaria e te puxar e subir correndo para o nosso quarto. — Suspirando Quinn mantém o olhar para baixo. — Mas eu não posso... Porque eu praticamente te joguei nos braços dela quando te coloquei para fora do dormitório.
Ela não pôde dizer mais nada depois disso. Sentiu todas as suas defesas ruírem. Ela novamente quis sair correndo e voltar para os braços de Santana. Não queria tomar decisões assim, tinha acabado de chegar a Nova Iorque e já tinha que fazer isso. Quando foi que tudo saiu dos seus planos. Tudo o que queria era se formar montar sua editora e só. Não precisava de alguém ao seu lado. Era feliz solteira. Pelo menos até Meredith e Rachel aparecerem.
– Eu...
– Não precisa dizer nada, eu entendo. Infelizmente, eu entendo. — Respirou fundo e Quinn novamente se sentiu horrível. Olhou para cima e viu os olhos azuis derramarem lágrimas. — Eu gosto de você, Quinn. — Admitiu e Quinn choramingou baixinho. — Gosto muito, e eu entendo que você goste da Rachel. Eu só... — Parecia hesitante, Quinn franziu o cenho, confusa e Meredith se aproximou dela. — ... uma ultima vez...
E segurou o rosto de Quinn beijando os lábios finos e rosados. Mesmo escutando a voz de Emily no fundo da sua mente, Quinn deixou que Meredith a beijasse, deixou que ela fizesse o que quisesse em seus lábios. Ela gostava muito de beijar Meredith, e seria a ultima vez, ela queria que isso acontecesse. Não era certo que aquela fosse a ultima vez. Mas Quinn permitiu que a língua de Meredith entrasse na sua boca e explorasse-a.
O gosto forte e salgado de lágrimas fez com que Quinn se separasse da outra e sentiu o peito aperta ao ver que Meredith chorava, muito.
– Marie...
O corpo da loira se chocou contra o seu, apertando o rosto contra o pescoço de Quinn. As mãos de Meredith apertava o casaco de Quinn. Novamente ela se sentiu péssima. Era terrível fazer alguém chorar. Enrolou os braços ao redor da loira e apertou-a contra si. Meredith tremia contra seu corpo, soluçava alto e o coração de Quinn se partia.
– Desculpe... Eu... — Meredith separou de Quinn e enxugou as lágrimas. — Eu... não consegui evitar. — Disse baixo e Quinn colocou as mãos nos braços de Meredith e aproximou-a do seu corpo, para poder abraçá-la novamente. Meredith voltou a chorar e Quinn deixou que ela soltasse tudo que tinha preso.
Não passou muito tempo até que Meredith dissesse que tinha que ir para seu dormitório. Quinn apenas observou a loira ir cambaleando até o prédio e a porta se fechar atrás dela. Depois foi andando lentamente até a saída de Columbia e pegou um taxi. Não ia voltar para o apartamento. Ligou para quem sabia que iria acompanhá-la.
– Santana? Eu preciso seriamente de um drink.
– Fez merda de novo?
– Ainda não sei bem, mas acho que sim.
– Me encontre no bar aqui perto. – E desligou.
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