The Way You Fall Asleep
6 Capitulo VI – Being A Friend
Notas iniciais
Capitulo VI – Being A Friend
Estacionou o carro e desceu. Não tinha encontrado Rachel ainda, Central Park não era muito pequeno e isso irritava Quinn, ela nunca sabia onde realmente estava. Desde que chegou a Nova Iorque, tinha se perdido oito vezes no Central Park, Santana a chamava de idiota por isso, mas Quinn ainda não entendia o porquê de nunca decorar por onde anda.
Mesmo assim ela teve que se esforçar.
Rachel não estava em nenhum dos bancos, então Quinn foi mais para dentro do parque. Não tinha ninguém, provavelmente porque era três horas da manhã de sábado, e geralmente as pessoas estão em festas a essa hora.
Viu que tinha alguém sentado sob uma arvore, completamente encolhido. Se Quinn não estivesse tão atenta. Aproximou-se lentamente para não incomodar o que quer que Rachel esteja fazendo.
– Rachel? — Quinn chamou baixinho. Rachel levantou a cabeça, parecendo confusa. Estava escuro, mas Quinn sabia que os olhos da morena estavam inchados e vermelhos de tanto chorar e, isso a fez tremer de raiva, queria ir até onde quer que Brody esteja e dá uma surra nele, mas apenas respirou fundo. — Hey, o que ouve?
Rachel balançou a cabeça e riu amarga.
– Você estava certa... — Disse o tom de voz triste e amargo. — Eu não deveria ter dado uma chance para ele, não mesmo, eu fui idiota, eu fui... Estúpida. Argh! — Levou as mãos até a cabeça e apertou os fios castanhos.
Quinn grunhiu e bufou. Respirou fundo antes de sentar ao lado de Rachel. A morena tremia, foi ai que ela percebeu que Rachel ainda usava o vestido preto, curto, e uma blusa leve por cima. Quinn tinha avisado, ela tinha lhe alertado sobre o frio, queria dizer "eu te avisei" sobre Brody e sobre o frio, mas vendo a morena tremer fez seu coração doer. Então ela passou um braço pelos ombros de Rachel e trouxe-a para seu peito.
Rachel não estava mais chorando, apenas ainda soluçando. Quinn acariciava suas costas tentando aquecê-la e a morena estava agarrada em sua jaqueta como se sua vida dependesse disso.
Ela não queria perguntar onde estava Brody, e o que realmente aconteceu, bem, sim ela queria, mas ela não queria ver Rachel chorando mais uma vez, não queria ver o quão partido estava o coração dela. Quinn jurou para si, que um dia — não importa qual — ela iria dá uma surra em Brody, e com a ajuda de Santana. Charlie iria assumir seu lugar de uma maneira diferente, e ela queria isso, muito.
– Quer me contar o que aconteceu? — Quinn perguntou. Sim ela não estava se aguentando de curiosidade. Queria saber o que aconteceu para que Rachel ficasse tão devastada.
A morena suspirou pesadamente e enterrou o rosto no peito de Quinn. A loira tentou não sentir nada com isso, mas seu coração pareceu acelerar e seu estomago deu algumas voltas. Talvez fosse a metade da garrafa de vodca que tomou na festa. Ou até os drinks estranhos que tomou, ou várias outras coisas que ela não queria pensar agora.
– Desculpa por ter te tirado da sua festa. — Rachel sussurrou e o coração de Quinn afundou.
– Estava um tédio. — Quinn disse com a voz um pouco divertida e Rachel riu pelo nariz, uma risada curta que fez a loira sorrir de canto. Pelo menos ela fez a morena rir.
– Não acredito em você, tem muitos homens bonitos em NYU, aposto que todos eles deram em cima de você.
Quinn quis rir. Nunca que um homem teve coragem de dá em cima dela. Não com mulheres ao seu redor. Quinn tinha esse olhar superior que fazia os homens quererem recuar e às vezes chorar encolhidos. E ela adorava isso.
– Nah, não mesmo. — Disse e Rachel riu novamente, do mesmo modo.
– Claro. — Zombou.
Ela queria contar. Agora. Uma imensa vontade de dizer para Rachel o que ela era. Tinha medo de como ela iria reagir, não queria que a morena se afastasse dela. E também não podia perder a amizade que tinha com ela, mesmo que seu corpo gritasse para algo a mais que amizade, isso era importante para Quinn.
– Tenha certeza disso, nenhum homem deu em cima de mim, e mesmo se acontecesse, eu nunca iria retribuir. – Disse com firmeza. Seu sangue começou a gelar quando Rachel se afastou um pouco de Quinn para olhá-la.
– O que quer dizer com isso? – Perguntou docemente, sua voz cheia de curiosidade.
Quinn sentiu-se confiante para dizer a verdade. Mesmo que a verdade lhe fizesse com que ela se mudasse para outro lugar, ou fosse viver na rua. Deve ter algum lugar confortável para deitar debaixo da ponte do Brooklin.
– Eu sou gay. – Disse simplesmente e Rachel a olhou com as sobrancelhas franzidas.
Passou um curto tempo apenas olhando para ela. Quinn não a encarava de volta, apenas olhava fixamente para algum ponto do outro lado do parque. Ela estava com medo do que Rachel diria. Mas o que saiu da boca da morena foi o que a surpreendeu:
– Oh, bem, isso é , certamente, um grande desperdício. – Quinn virou a cabeça para olhá-la e Rachel sorriu abertamente e o coração da loira acelerou. – Os homens devem estar querendo morrer depois disso. – E riu baixinho voltando a se aconchegar nos braços de Quinn.
– O que...?
– Ah, eu meio que desconfiava. – Rachel deu de ombros e Quinn arregalou os olhos quando a morena riu. – Não é todo dia que uma garota fica olhando para suas pernas por mais de meia hora.
Quinn corou fortemente. Como ela fora tão idiota?
– Desculpe. – Pediu e virou o rosto para o lado oposto, deixando-se corar, ela não podia evitar. Sentiu raiva de si mesma, agora Rachel iria expulsá-la do apartamento e ela teria que implorar para conseguir um dormitório em Columbia. Ou como pensou antes, debaixo da ponte do Brooklin não podia ser um lugar tão ruim assim.
– Não precisa se desculpar por ser quem é. – Rachel disse baixinho e Quinn olhou para ela, mas a morena não estava a olhando.
– Eu deveria ter te dito quando nos conhecemos.
– Seria rude, não pode chegar em alguém e dizer “Hey, eu sou gay”. – E riu fazendo Quinn acompanhá-la. – Não se preocupe com o que eu acho, — Disse sorrindo suavemente, levantou a cabeça para olhar para Quinn e sorriu. – eu nunca iria lhe julgar por ser quem você é.
– Não vai ser estranho agora que você sabe que eu sou gay? – Perguntou temerosa e Rachel riu pegando a mão de Quinn que estava em seu ombro e brincando com os dedos frios.
– Eu vivi com homossexuais a minha vida toda. – A morena disse e entrelaçou seus dedos nos de Quinn. – Eu irei viver o resto da minha vida com eles. – Continuou e Quinn sentiu seu coração palpitar. – Além disso, eu me considero bissexual. – Então Quinn congelou.
Então ela estava certa? Mesmo que fosse só um palpite sem provas, ela simplesmente chutou que Rachel talvez fosse bissexual e acertou. Agora só faltava esfregar isso na cara da Santana.
– Você...
– Eu nunca tive nenhuma experiência com mulheres, mas sinto atração por elas, tanto quanto sinto por homens. – Explicou e Quinn ainda estava congelada. E Rachel percebeu. – Você está bem?
– Uh, sim, só um pouco chocada. – Respondeu e a morena riu apertando seus dedos.
– Vamos voltar para casa, está ficando muito frio agora. – Sugeriu e se desvencilhou do abraço de Quinn para levantar. A loira apenas levantou e olhou ao redor, ela não lembrava onde tinha estacionado o carro.
Rachel a olhou, confusa. Quinn se sentiu mais desesperada. Onde merda ela tinha colocado a porra do carro da Santana? Porque porra ela não tinha um mapa do Central Park. Eles deveriam ter uns mapas, que nem em zoológico. Bem, eles tinham, mas Quinn nunca aprendeu.
– Algum problema, Quinn? — Rachel perguntou e Quinn a olhou, tentando parece mais relaxada, mas seu corpo dizia o contrario. — Aconteceu alguma coisa?
Ela pensou. Pensou bem. Como iria dizer para Rachel que não sabia onde tinha estacionado o carro? Bem, ela podia usar a desculpa de que só estava em Nova Iorque a três semanas, e não conhecia muito bem os lugares. Talvez assim amenize a situação.
– Eu... Eu... Eu... — Mandou bem Fabray, agora ela pensa que você é uma idiota e estúpida.
– Não sabe onde estacionou? — Rachel adivinhou e Quinn arregalou os olhos. Como ela sabia? Rachel riu e Quinn ficou ainda mais confusa. — Sei como deve se sentir, quando cheguei aqui me perdi oito vezes no Central Park, e olha que eu já tinha memorizado todo o mapa do parque. Imagino que deve estar pior do que eu.
Quinn suspirou aliviada por estar com alguém como Rachel. Ela até se sentiu mais segura.
– Então, sabe ao menos em que direção veio? — Perguntou a morena e Quinn franziu o cenho e olhou para trás de si.
– Por ali, eu acho. — Disse e Rachel passou na frente dela, caminhando. — Espera!
Rachel riu baixinho e abraçou os próprios braços olhando para Quinn de esguelha.
– Temos que ir rápido, está congelando aqui, o inverno está chegando e o inverno em Nova Iorque é terrível. — Rachel disse e Quinn riu baixinho enquanto acompanhava a morena ao seu lado. — O que foi? — Perguntou confusa com a risada de Quinn.
A loira a olhou confusa, então arregalou os olhos.
– Oh, eu... nada é que lembrei de algo.
– O que?
– Ahn... nada não, é estúpido.
– Vai, me conta. — Insistiu e Quinn riu novamente e tirou a sua jaqueta colocando-a sobre os ombros de Rachel.
– Winter is Coming. — Sussurrou e passou um braço pelos ombros de Rachel.
Rachel riu e a olhou confusa.
– O que seria isso?
Quinn sorriu e deu de ombros. As duas andavam calmamente e a loira viu de longe o carro de Santana, sentindo-se rapidamente aliviada. Então lembrou que Rachel tinha feito uma pergunta.
– Oh, um dia quem sabe eu te explique. — Piscou para Rachel que pareceu ficar indignada, mas estava cansada de mais para retrucar então apenas deitou a cabeça no ombro de Quinn e foram andando até o carro.
__
Alguns semanas tinham se passado desde o ocorrido. Rachel ainda não tinha dito claramente o que tinha acontecido, Quinn só sabia que sentia muita, mas muita raiva do Brody, muita mesmo. Ela apenas queria esganá-lo até ele implorar para que ela pare. Enfim, nesses dois dias Quinn ficou com Rachel, dedicaram eles para a morena e apenas para ela. Tinha a faculdade, onde Quinn sentava sob uma arvore nos intervalos e ficava no celular conversando com Rachel que também estava no intervalo.
Nesses dias ela não viu Meredith. Sentiu-se mal pela loira, elas tinha se beijado. Isso é algo. Ao menos tem que significar algo. Quinn tinha se sentido estranha quando seus lábios tocaram o de Meredith, mas era bom, e ela não iria negar. E ela não o fez, mas quando Rachel a ligou, e ela foi correndo até a morena, deixando a loira sozinha atrás de uma casa de fraternidade com seu copo de bebida vermelha estranha.
Conseguiu falar com Santana nesse tempo. Entregou o carro para a latina que fez com que Quinn contasse tudo e praticamente surtou quando a loira disse que tinha dito que era gay para Rachel. E quando Quinn disse que a morena era bissexual a latina sorriu maliciosamente. Quinn apenas revirou os olhos.
Agora ela estava jogada em sua cama, os fones no ouvido enquanto escutava The Pretty Reckless em seu iPod. Heaven Knows. Ela não gostava muito de músicas do tipo, mas não odiava, então apenas colocava e admirava a voz da Taylor Momsen. Ela tinha um pequeno fetiche com ela, como também tinha com a Hayley Williams e a Amy Lee e também a... bem são algumas cantoras, mas também tem atrizes como Lena Headley, Kristen Bell, Ashley Benson, Shay Mitchell e mais algumas que ela não conseguiu lembrar.
Bem, era domingo e ela não tinha o que fazer. Elas não tinham marcado o que fazer em dia de domingo.
– Oh, achei que estivesse dormindo. — Rachel disse passando na porta do quarto. Quinn sorriu para a morena e sentou na cama retirando os fones e dando total atenção para ela.
– Não, estava apenas no tédio. — Deu de ombros e Rachel sorriu timidamente.
Ela entrou no quarto ainda sorrindo e sentou na cama brincando com os dedos. Quinn sorriu também, mas confusa. Rachel não era de ficar calada.
– O que houve? – Perguntou suavemente e Rachel levantou a cabeça e a olhou.
– Eu sei que ainda não te falei sobre o que aconteceu a duas semanas atrás. – Disse baixinho e virou o corpo dobrando a perna em cima da cama. – E eu quero te falar. Agora.
Quinn arregalou os olhos, piscou e assentiu se arrumando na cama para que Rachel se arrumasse também. Encostou-se à cabeceira e Rachel se arrastou para ficar do outro lado também encostada.
– Eu fui para o Central Park, como nós combinamos, — Ela começou e Quinn ficou confusa. Então Brody não foi buscá-la em casa? — eu fiquei duas horas esperando, ele não apareceu.
– Ele...
– Então eu liguei para ele. — Rachel a interrompeu. Quinn balançou a cabeça e espremeu os punhos, ela queria acabar com Brody. — Ele tinha esquecido.
Esquecido... Esquecido? Claro que ele daria uma desculpa esfarrapada dessas. Ninguém esquece um encontro com a namorada.
– Tinha barulho, muito barulho. Alguma musica tocava. Eu perguntei onde ele estava, e ele disse que um amigo estava dando uma festa no dormitório deles. — Ela disse e Quinn revirou os olhos. — Eu sabia que ele estava bêbado.
– Canalha... — Sussurrou e Rachel a olhou com um sorriso e Quinn corou. — Desculpe.
– Não, você está certa, Brody é um canalha.
Quinn sorriu confusa.
– Eu achei que vocês fossem namorados.
– Terminei com ele. — Rachel disse suspirando, como se estivesse cansada e Quinn quis gritar, mas conseguiu se conter. — Não estava mais aguentando tudo o que ele fazia, Brody é um idiota.
– Estamos de acordo com essa afirmação. — Quinn brincou e Rachel riu.
– Mas, por algum motivo, provavelmente idiota, eu ainda o amo. — E agora Quinn se sentiu péssima. — Eu sou muito idiota.
– Não vou discordar disso, mas eu não a culpo. — Quinn disse, baixinho e Rachel a olhou. — Eu já fui idiota algumas vezes, sei como é.
As sobrancelhas da morena se franziram. Quinn também franziu a suas.
– Você teve alguma garota por quem era apaixonada e ela te jogou no lixo como Brody fez comigo? — Quinn tentou não rir, mas a voz divertida de Rachel fez com que ela soltasse um som baixo semelhante a uma risada.
– O que? Não, eu nunca me apaixonei de verdade. — Disse e Rachel fez uma careta.
– Nunca?
– Nunca.
– Isso é triste. — Concluiu a morena e Quinn deu de ombros. — Nem mesmo uma paixão de colegial?
– Uh, não, nunca mesmo. — Quinn olhou para o teto, pensando um pouco. — Quando eu assumi para mim mesma que era lésbica, não foi por nenhuma garota. Eu apenas sentia uma atração quase esmagadora por garotas, começando pela minha melhor amiga. Santana me ajudou bastante na minha fase de negação.
– mas... Você nunca se apaixonou por sua amiga? Nem mesmo um pouco? — Perguntou curiosa e Quinn tirou os olhos do teto para olhá-la.
– Eu amo a Santana, ela esteve comigo desde sempre, pode até ser que eu tenha desenvolvido alguns sentimentos por ela, mas nada em relação a amor. Pelo menos, um amor de amigo. Eu a amo, sempre vou amar.
– Mas você já sentiu atração por ela. Certo?
– Hmmm, sim. – Quinn corou com o sorriso de Rachel. – Santana era uma garota muito bonita, e ainda é, só que com mais curvas e mais sensualidade. – Pigarreou corando enquanto Rachel ria.
Um ultimo suspiro compartilhado e ambas ficaram em silencio.
__
Um silencio se instalou entre elas, a loira encolheu as pernas e ficou olhando para um ponto fixo na parede do quarto. Suas conversas sobre Brody sempre terminavam em Quinn falando algo sobre sua sexualidade. Não que ela estivesse desconfortável com isso, ela estava bem, mas era estranho ainda como Rachel levava tudo numa boa. Também era estranho saber que ela era bissexual.
Rachel suspirou audivelmente fazendo Quinn virar a cabeça para ela. A morena olhava para suas coxas cobertas por uma calça de moletom. A loira até pensou em falar algo, mas não sabia o que dizer. Não estava desconfortável, apenas o silencio que estava começando a irritar a loira.
– Tudo bem? — Perguntou a Rachel que assentiu brevemente.
Outro suspiro veio da morena e Quinn começou a se preocupar, mas antes de falar algo Rachel virou para ela e começou a falar:
– Seu eu te pedisse para fazer algo estranho, e que provavelmente irá invadir sua privacidade, você falaria comigo depois? — Perguntou de uma vez, sua voz saindo em uma velocidade que Quinn só tinha escutado quando a morena tomava café.
– Uh... Depende.
– Depende do que? — Rachel perguntou, parecendo ficar mais nervosa, deixando Quinn nervosa.
– Do que você quer que eu faça.
– Hm... — Rachel se encolheu na cama, por alguns segundos, antes de se virar completamente para Quinn. – Quero que me beije.
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