The Way You Fall Asleep
32 Capítulo XXXII – Don’t Hide
Notas iniciais
Capítulo XXXII – Don’t Hide.
– I was Five and He was six, we rode on horses made of sticks. – Santana estava sentada no sofá de Quinn, cantava enquanto abraçava uma garrafa de vodka. – He wore Black and i wore White he would always win the fight. Bang, bang, he shot me down. Bang, bang...
– O que aconteceu com ela? – Rachel perguntou a Quinn que estava sentada na poltrona observando a amiga que não parava de cantar.
– I hit the ground...
– Eu acho que ela brigou com a Brittany. – Quinn respondeu e puxou a morena para sentar em seu colo.
– Bang, bang, that awful sound…
– Ela tem uma voz bonita. – Rachel comentou baixo e Quinn riu colocando o queixo no ombro da morena, as duas observando a latina cantar. – Só não acho que essa música tenha sido uma escolha legal.
– Santana sempre canta essa musica quando está se sentindo triste.
– Bang, bang, my babe shot me down...
E ela começou a chorar. Quinn arregalou os olhos vendo a latina chorando. Rachel levantou do colo da loira para que ela pudesse consolar a amiga, e foi o que ela fez.
– Hey, hey, o que houve? – Ela perguntou sentando ao lado da latina, puxando-a para seu colo.
– Britt...
– O que aconteceu?
– Ela disse que precisava pensar sobre o futuro. – Soluçou e escondeu o rosto no pijama de Quinn.
Oh, sim. Era três horas da manhã quando a latina invadiu o apartamento delas, chorando agarrada com uma garrafa de vodca. Ela dava graças a qualquer coisa, que não teria aula nem trabalho no outro dia.
– O que você respondeu? – Rachel perguntou sentando do outro lado da latina, colocando a mão, hesitante, nas costas dela.
– Nada. Desliguei o celular. – Ela estava se acalmando, fungando e ainda soluçando, mas tinha parado de chorar.
– Porque não disse algo?- Quinn a olhou e Santana fez um bico. – Santana?
– Eu não queria acabar nada.
– Oh. – Rachel murmurou suspirando e olhou para Quinn que tinha revirado os olhos.
– Porque você não disse a ela isso, antes de desligar e correr para cá me acordar no meio da noite? – Quinn rosnou e sentiu a mão de Rachel bater em seu braço.
– Seja delicada! – Rachel sibilou e Quinn bufou.
– Eu ia fazer isso, mas fiquei com medo que ela mesma terminasse tudo. – Santana fungou e tentou tomar um gole da vodca, mas Rachel pegou-a da sua mão e levantou do sofá levando a vodca consigo.
– Sem mais álcool pra você.
Santana ficou emburrada e saiu do colo de Quinn para se encolher no sofá.
– Não sei por que você é a que está chateada. – Quinn disse e Santana a olhou. – Você me acordou no meio da noite!
– Quinn! – Rachel repreendeu da cozinha.
– Argh! Okay! – Revirou os olhos e se esticou para a mesinha de centro pegando seu celular. – Aqui. – Entregou-o para Santana que ficou olhando-o como se não soubesse o que era. – Ligue para ela.
– Mas...
– Ligue e explique que você não quer acabar com ela.
– Eu não quero acabar.
– Sim! Agora ligue pra ela e diga isso.
– Mas se ela quiser? – Os olhos de cachorrinho de Santana a irritaram.
– Ligue. Agora. – Ela sibilou e a latina se encolheu no sofá com o celular e fazendo bico.
– Quinn! – Rachel a repreendeu. Novamente. – Não ligue agora, Santana. É muito cedo.
A morena entrou na sala com Stormie em seus braços. Quinn olhou para o gato que a encarava e franziu o cenho. Rachel acariciava as costas do gato enquanto falava com Santana.
– Não pareceu incomodá-la quando eu levantei da cama as três da manhã.
– Quinn!
– Argh!
– Então eu não devo ligar pra ela? – O coração de Rachel era fraco, ela conseguia amolecer com o olhar de cachorrinho de Santana.
Quinn não amolecia, ela já era imune aquele olhar. E tudo o que ela queria agora era ir para a cama, se aconchegar no corpo quente de Rachel e dormir até o outro dia. Mas parecia ser impossível.
– Não agora. – Rachel sentou entre ela e Santana. Quinn bufou e cruzou os braços observando Stormie que ainda a encarava. – Vá dormir um pouco no meu quarto e quando você acordar sóbria, você liga pra ela.
– Okay...
A latina levantou com o celular na mão e foi caminhando lentamente até o quarto de Rachel. A morena virou para Quinn que ainda encarava o gato.
– Viu como é simples? – Disse e Quinn revirou os olhos bufando. – Ela só precisava disso.
– Ela podia ter feito isso a duas horas da trás no próprio dormitório sem precisa vim me acordar.
– Porque você não para de reclamar e volta a dormir? – Rachel bufou e levantou levando Stormie com ela para o quarto. – Você vem ou não? – Perguntou antes de fechar a porta do quarto.
Quinn levantou e foi correndo para o quarto.
__
A professora falava várias coisas e Quinn ignorava. Suspirava, riscava a mesa, mas não conseguia prestar a atenção em qualquer coisa que a mulher falasse. E ela duvidava que qualquer um naquela sala conseguisse se manter acordado. Observando do seu lugar, pelo menos metade dos alunos estavam dormindo. Ela tinha pena da professora.
– Eu odeio essa aula. – Quinn escutou uma pessoa murmurar ao seu lado. Olhou para a garota que estava no celular na mesa ao seu lado. – Eu preciso arranjar um jeito de me manter ao menos acordada.
– O que está fazendo? – Ela perguntou e a garota a olhou. Seus olhos eram escuros, um castanho puxado para preto, tinha uma pele morena, e um cabelo longo e escuro. Era bonita. A menina sorriu e mostrou o que fazia no celular. – Angry Birds?
– Preciso me distrair de algum jeito. – Deu de ombros e voltou para o jogo. – Eu não sei como as pessoas ainda conseguem gostar dessa professora.
– Ela é uma boa pessoa, mas uma péssima professora. – Riu e se recostou na cadeira, inclinando um pouco para observar o jogo.
– Eu sei, e suas provas são bem fáceis.
– É, muito. Talvez esse seja mais um motivo pra ela ser adorada por todos.
A garota riu e olhou para Quinn com um sorriso, então estendeu a mão.
– Jamie Andrews. – Se apresentou sorrindo. Quinn pegou sua mão.
– Quinn Fabray.
– Oh, então você é a famosa Quinn Fabray?
– Sou famosa aonde? – Riu e Jamie colocou o celular de lado e virou para ela.
– Os professores só falam bem de você. Principalmente... Oh... como é o nome daquele bonitão que todo mundo ama?
– Richard Thompson. – Riu novamente e Jamie mordeu o lábio.
– Ele é um coroa muito sexy.
– É... Eu até investiria se não fosse gay. – Brincou e Jamie a olhou confusa.
– Ele é gay? – Arregalou os olhos e Quinn riu um pouco alto.
– Não! Eu sou.
– Oh, eu já sabia. – Deu de ombros rindo.
– Já sabia?
– Claro que sim! Você acha que metade da faculdade não sabe que a famosa Quinn Gostosa Fabray não gosta de banana?
– O que?
– Todo mundo viu você quando estava com aquela garota a Hasen. – Seu rosto iluminou um pouco e Quinn tentou não rir. – E agora todo mundo sabe que você namora uma garota de NYADA.
–Rachel.
– Quem?
– Minha namorada. Rachel Berry. Anote esse nome. – Piscou e Jamie riu.
– Vou anotar!
O sinal tocou e elas começaram a recolher as coisas. Despediram-se da professora e saíram da sala, andando juntas até a cafeteria. Jamie ia contando como sabia sobre Quinn. A morena sempre escutava os professores falando sobre ela. Quinn se sentiu orgulhosa com isso.
Sentaram juntas e continuaram conversando. Quinn contou sobre o seu estágio e Jamie falou que ainda estava no segundo período e planejava começar o estágio nesse mesmo. A conversa foi e Quinn acabou contando para Jamie sobre Oxford.
– Oxford? – Jamie tinha a boca completamente aberta. – Você sabe quantas pessoas sonham em ir pra lá?
– Sim, eu tenho uma noção. – Balançou a cabeça. Quinn ainda se sentia perdida com isso.
– O que está esperando!? – A morena praticamente gritou e Quinn escondeu o rosto em mãos.
– Eu tenho medo.
– De ganhar dinheiro e ser reconhecida pelo mundo? Caramba que medo!
– Não, Jamie, não. Eu só... eu tenho medo de ter que deixar tudo aqui para seguir o meu sonho. – Se recostou na cadeira e ficou olhando para o copo de café na sua frente.
– Quando você diz “deixar tudo” você quer dizer... Deixar Rachel Berry?
Quinn suspirou pesadamente e observou Jamie brincar com seu copo. No copo da morena tinha seu próprio nome. As pessoas daquele local já a conheciam e isso era estranho para Quinn, não era a primeira vez que ela estava ali, mas ela nunca pensou interagir com as pessoas. Já Jamie parecia o tipo de pessoa que gostava de interagir com todo mundo. Quinn não lembrava de qualquer outra pessoa que tenha conhecido que era legal com todo mundo. Era interessante ver alguém como Jamie diante de si.
– Eu a amo demais para deixá-la. – Respondeu soltando o fôlego que nem sabia estar prendendo. Estava tensa. Sentia uma confiança imensa em Jamie e isso era assustador.
– Ela não pode ir com você? – Jamie perguntou se inclinando na mesa. Sua voz tinha um tom compreensivo ao mesmo tempo repreensivo. Quinn não sabia explicar. – Não é muito tempo.
– São cinco anos, Jamie. – Quinn disse baixo e Jamie suspirou forte.
– Deixe-me adivinhar... Ahn... Rachel não pode ir com você porque ela tem o próprio sonho para realizar. – Quinn respirou fundo e Jamie balançou a cabeça. – Eu acertei, não é?
– É... Você acertou. – Tomou um gole do café e sorriu. Não era nada com o café de Rachel. O da morena era tantas vezes melhor.
– Quinn? – Uma voz a chamou a distancia. Meredith.
– Hey, Marie. – Quinn sorriu e viu os olhos azuis da loira irem para Jamie sentada a sua frente. – Oh, essa é Jamie Andrews, da minha aula de Historia. Jamie essa é...
– Meredith Hasen. – Jamie se levanta esticando a mão para Marie que a pegou sem hesitar. – Eu fui assistir seu ultimo curta. Ficou fantástico.
– Oh, meu ultimo curta não foi o melhor, mas é ótimo saber que alguém gostou.
– Uh, mas ficou fantástico, não gostei muito do ator que fez o seu par no curta, mas tudo ficou muito bom. – Jamie sorriu largamente e Meredith riu sentando ao lado de Quinn.
– Roger não é ator, ele é só um amigo solidário. – Elas riram juntas e Quinn se sentiu desconfortável entre elas.
– A maquiagem ficou muito boa, quase acreditei que aqueles cortes eram reais. – Meredith riu do olhar de Jamie.
– Ah, sim tínhamos uma profissional ela é minha... amiga. – Pigarreou um pouco desconfortável e sorriu um pouco forçado.
Sim, Nicole era apenas uma amiga de Meredith. Uma historia um pouco dolorosa. Meredith demorou demais para reclamar Nicole e a morena já tinha desistido, começando uma amizade de benefícios com uma amiga. Meredith passou alguns meses se lamentando para Quinn, que se meteu em uma briga com Nicole. Mas a morena dizia estar cansada de esperar. Mas uma coisa que Marie não sabia, era que Nicole disse para Quinn que os seus sentimentos continuavam os mesmos, ela só precisava esquecer. Mesmo que isso fosse muito difícil.
– Oh, ela é realmente muito boa. – Jamie pareceu perceber. Quinn não queria ficar ali para ver aquela interação.
– Eu vou indo, tenho que ligar para a Rach antes de sair. – Sorriu e levantou da cadeira, deu um curto beijo na cabeça de Meredith que sorriu, então foi para o lado de Jamie e apertou seu ombro. – Foi um prazer conhecer você. – Sorriu mais ainda e Jamie levantou dando um abraço em Quinn.
– Aqui meu numero. – Ela se inclinou para anotar no guardanapo e entregou a Quinn que riu e guardou no bolso. – Temos que manter contato, e você tem que me contar os seus segredos.
– Bom, quem sabe um dia... – Riu novamente e piscou para Meredith que sorri e saiu da cafeteria.
Andava tranquilamente pelo campus e encontrou Nicole de longe. A morena estava dando uns amassos na Taylor, sua amiga de benefícios. Suspirou e balançou a cabeça. Ela não julgava Nicole, claro que não. Quinn já foi assim. Ela e Santana. Amigas com benefícios. Realmente, ela nunca se arrependeria disso. Santana era muito boa no que fazia. Rachel é melhor.
Foi para o estacionamento e sorriu quando viu o Impala. Oh, sim. Impala.
Quando voltou para Chicago no ultimo Natal, seu carro finalmente tinha saído da oficina e lhe esperava em sua garagem. Ela ficou tão feliz quando o viu e voltou para Nova Iorque dirigindo. Agora ela tinha seu carro e não precisava de Santana para nada.
Oh, sim... Isso era muito bom.
Entrou no carro e suspirou feliz ao escutar o ronco do motor. Era tão bom dirigir o seu bebê.
Chegou no apartamento e colocou o carro no estacionamento. Desceu e cumprimentou Bobby que mesmo depois de dois anos continuava firme e forte com seu trabalho. Sorriu para o homem, mas ele a parou antes que pudesse entrar no elevador. Lhe entregou um envelope e sorriu.
– Obrigada, Bobby. – Agradeceu um pouco confusa com os olhos no envelope.
– Sem problemas, senhorita Fabray. – Sorriu e se afastou voltando para seu lugar.
Quinn entrou no elevador e virou o envelope. Seu coração acelerou quando viu o selo de Oxford.
– Merda. – Praguejou e enfiou o envelope na pasta antes do elevador se abrir. Correu para aporta e abriu entrando rapidamente.
Rachel ainda não tinha chegado. Correu para o quarto, fechou a porta e se jogou na cama. Abriu a pasta e retirou o envelope. Suspirou segurando-o. Ela tinha feito a inscrição, apenas por teste. Não tinha feito a redação ainda. Já que era a ultima fase. Primeiro a inscrição e a recomendação de um professor. Seu professor, Richard Thompson fez questão de lhe fazer uma recomendação. Junto com ela mandaria o histórico de notas. Era essa a resposta que ela queria. Tinha que saber se tinha passado nessa primeira fase, para poder fazer a redação.
Respirou fundo se sentindo repentinamente tensa.
Ela poderia ter não conseguido. Isso era uma possibilidade. Abriu lentamente o envelope e retirou o papel dobrado. Desdobrou-o e começou a passar os olhos pelo papel.
– Oh...
Isso estava acontecendo.
Ela conseguiu.
E nem notou que Lord. Stormie a encarava curioso.
__
– Então? – Richard estava sentado em sua mesa esperando que Quinn falasse o que tinha para falar. – A carta chegou? – Ele sorriu um pouco tenso e Quinn assentiu hesitante. – É uma noticia boa?
– Eu... eu não sei se quero fazer isso Sr. Thompson. – Confessou e Richard ergueu as sobrancelhas e se inclinou para frente.
– Você tem medo. – Ele afirmou e sorriu reconfortante.
– Eu... Eu tenho uma namorada, Sr. Thompson, e eu a amo muito. Seu nome é Rachel. Ela tem um sonho de estar nos palcos da Broadway em breve. Eu não posso pedir para que ela venha para Londres comigo. E eu também não quero deixá-la. – Jorrou e respirou nervosa. Suas mãos tremiam e isso fez Richard soltar uma risada.
– Quinn, porque não senta um pouco? – Ela o fez e ele voltou a ficar ereto sentado na mesa, e suspirou. – Eu entendo o que você quer dizer.
– O que...?
– Eu tinha uma namorada. Éramos praticamente casados. Eu tive a mesma oportunidade que você. Eu poderia sair. Poderia seguir meus sonhos. Mas Evelyn acabou ficando grávida. – Suspirou pesadamente. – Eu não podia deixar Evelyn sozinha no mundo. Nós vivemos juntos por três anos. Casamos e tivemos o Bryan. Éramos felizes no inicio. – Sorriu nostálgico. – Até que eu comecei a me arrepender. Me arrependi de não ter seguido meus sonhos. Não me arrependo de ter tido o Bryan, eu amo meu filho. Mas Evelyn e eu nunca mais fomos os mesmos. Nos separamos cinco anos depois de um casamento infeliz.
– Vocês...
– Eu ainda a amo. Mas sei que não seriamos felizes juntos. – Balançou a cabeça. – Seis anos depois eu me casei novamente. Até hoje sou casado com Audrey. E eu a amo. Temos três filhos lindos.
– Você nunca mais viu Evelyn?
– Oh, não. Eu sempre a vejo. Ela se transformou em uma das minhas melhores amigas. Ela se casou também. – Ele sorriu e suspirou.
– Então... você está dizendo que eu devo deixar Rachel e seguir meu sonho? – Quinn franziu o cenho e cruzou os braços. Ela não queria fazer isso.
– Não, eu não quero dizer isso. Quero dizer que... hm... Você não quer viver em um relacionamento onde anos depois vocês viverão se culpando por não serem felizes.
– Eu sou feliz com Rachel.
– Sim, eu vejo isso. Mas... é só um amor que você quer? – Ele se inclinou e Quinn ficou confusa. – Não estou dizendo que encontrará outra pessoa. Só que... você pode seguir seu sonho. E também pode ter Rachel.
– Eu não quero viver em um relacionamento a longa distancia. – Balançou a cabeça e Richard fez o mesmo e suspirou.
– Só você pode decidir isso. – Ele disse e levantou da mesa recolhendo suas coisas. – Eu espero que faça a escolha certa, Quinn. Espero que seja feliz.
E ele saiu da sala. Seus passos calmos e delicados. Quinn conseguiu relaxar contra a cadeira e respirou fundo.
– Eu também... – Sussurrou para si mesma.
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