Notas iniciais
Esse cap é curtinho mas é necessário ^^
Boa leitura!

(JaeJong)

Acordei com o som de vozes baixas ao meu lado. Abri os olhos devagar e vi uma garota e um cara conversando em voz baixa perto da cama onde eu estava. Peraeh, cama?

Como eu fui parar naquela cama se antes eu estava no parque com a Thais? Fechei novamente os olhos tentando clarear a mente, e quando me senti mais calmo voltei a abrir os olhos e reconheci a Alice e o Kellan.

-o que... aconteceu? – eu sentia a garganta seca e quando perguntei eles se viraram pra mim e vieram pro meu lado.

-você tá sentindo bem Jae? – a Alice perguntou enquanto passava a mão pela minha testa. – tá sem febre, isso é bom.

Nessa hora senti algo encostar nos meus lábios e vi um canudo sendo colocado perto da minha boca. Suguei e respirei aliviado quando a água gelada apareceu, demorei um tempo pra beber tudo mas quando terminei senti meus olhos se fechando lentamente.

Pensei que dormiria de novo, mas uma pergunta continuava na minha mente: como eu havia parado ali? Tentei responder essa pergunta, mas finalmente o sono me venceu e eu adormeci novamente.

*Kellan POV ON*

Quando voltei ao local onde a Thais estava com o JaeJong e o vi respirando senti uma alegria enorme, ela havia conseguido trazê-lo de volta e mesmo com a promessa que ela havia me feito de nunca mais chegar perto dele, eu sabia que eu não tinha o direito de separá-la do único homem que ela já amou na vida.

Quando perguntei se ela estava bem e tive como resposta apenas a preocupação em levar o cara pra casa, eu rapidamente peguei ele nos braços e sai, não sem antes prometer que ia voltar pra buscá-la.

Chegando na casa dele eu o deixei no quarto e já ia saindo quando lembrei que a Thais havia me pedido para falar com uma tal de Alice. Com toda a minha percepção vasculhei mentalmente a casa e vi apenas uma garota lá, então conclui imediatamente que era ela. Me transformei em ar e fui passando pela casa sem ser notado, parei em frente a um quarto que estava trancado a chave e simplesmente passei por baixo da porta.

Encontrei uma garota alta totalmente vestida de preto, vasculhando as coisas no quarto e tendo o cuidado de colocar tudo de volta ao lugar. Me convenci que ela não era a Alice quando ela exclamou baixinho.

-droga Alice! Onde você colocou aquela maldita caixa?

Antes que eu pudesse pensar em ter uma reação alem de ficar parado olhando pra linda garota, ouvi uma chave sendo inserida na fechadura principal e girar na porta de entrada. A garota parou de se movimentar e ficou atenta aos ruídos e do nada abriu a janela e pulou pra fora, aterrissando no gramado sem fazer barulho e correndo em seguida.

Fiquei intrigado mas primeiro eu precisava me concentrar em achar a Alice. E novamente apenas uma garota estava dentro da casa, quatro rapazes ficaram na sala e ela foi em direção ao quarto, rapidamente me direcionei pra porta do quarto do JaeJong e quando ela apareceu no corredor eu estava casualmente saindo do quarto dele e olhei pra ela.

-quem é você? –ela perguntou colocando as mãos no peito, como para impedir o coração de saltar pela boca.

-calma mocinha, sou irmão da Thais e vim deixar o JaeJong em casa.

-por quê? – ela parecia desconfiada, mas eu mantive a voz calma ao responder.

-ele não passou muito bem durante o passeio e o trouxemos pra casa, a Thais foi até a farmácia comprar um remédio e ela já está voltando. – é, eu teria que apelar pra projeção astral novamente e recriar uma Thais falante pra todo mundo ver.

-sei, e... – ela se esticou em direção ao quarto. – o JaeJong tá bem?

-acho que sim, o deixei deitado na cama. Se você quiser pode conferir, mas antes que você se assuste mais meu nome é Kellan, acho que a minha irmã já falou de mim.

-ah oi Kellan, desculpe mas eu tenho que ficar sempre atenta, e sim a sua irmã já falou de você. Meu nome é Alice.

-ah a Thais já havia me falado de você também.

-Bom, deixa eu ver como ele está... – e ela entrou no quarto, vendo o JaeJong debaixo das cobertas exatamente como o deixei. — Ela chegou perto dele e checou se ele tinha febre, depois olhou pra mim.

-acho que ele passou mal apenas de cansaço e calor mesmo, ele anda trabalhando demais e o clima não tá ajudando. – ela sorriu pra me tranqüilizar logo depois ouvimos o JaeJong perguntando onde ele estava.

Prendi a respiração esperando que ele ainda estivesse um pouco confuso e não começasse a falar demais. Quando a Alice falou com ele e o vi adormecer em seguida, respirei aliviado.

Infelizmente meu alivio durou pouco, quando a Alice arrumou as cobertas ao redor dele vi uma mancha escura no peito dele e ela também. Ela arfou depois que retirou a coberta e viu as marcas de mãos sujas de sangue na camisa dele, imediatamente me lembrei da Thais sozinha no parque, aquele sangue era dela.

-o que foi que aconteceu aqui? – a Alice estava olhando pra mim e eu me forcei a responder.

-quando ele passou mal a Thais teve que segurar ele e se apoiar ao mesmo tempo, daí ela se cortou quando tentou se equilibrar. – menti rapidamente esperando que aquilo parecesse lógico.

-meu Deus! E ela está bem?

-sim acho que sim, nessa ida a farmácia ela vai fazer um curativo lá – me lembrei de colocar um curativo na projeção astral da Alice. Um dos benefícios de ser um ser mítico era estar em dois lugares ao mesmo tempo e de ter mentes independentes.

-ah que bom, fico muito mais aliviada. – ela falava se concentrando em tirar a camisa do JaeJong, enquanto isso eu tentava controlar a urgência em ir atrás da minha irmã.

-bom, então eu já vou indo. Eu volto amanhã pra ver como ele está.

-ok, obrigado mais uma vez Kellan... – apenas acenei em despedida e no corredor encontrei um dos outros caras que estava perguntando pela Alice. Respondi onde ela estava e continuei andando extremamente preocupado com minha irmã.

Quando cheguei na sala apenas dei boa noite pros outros rapazes e tão logo fechei a porta da frente desapareci em direção ao parque. Cheguei lá e procurei a Thais com os olhos, quando não a encontrei me metamorfoseei em vento e percorri toda a extensão do parque e não a encontrei. Parei no lugar onde toda aquela tragédia havia acontecido e fiquei chocado com a quantidade de sangue que encontrei no local, vi marcas no chão como se a Thais houvesse se contorcido nele.

Desesperado olhei ao redor imaginando onde ela estaria e se ela estaria bem.

*Kellan POV OFF*

(Rain)

Entrei em casa e ignorei completamente o clima festivo em que minha irmã se encontrava. Passei direto por ela, não sem antes mandá-la sumir da minha casa sendo prontamente atendido, e fui em direção ao andar de cima.

Andando pelo corredor voltei a pensar no estado em que encontrei a princesa. Totalmente ensanguentada e á beira da morte, meu coração quase parou quando a vi sozinha sofrendo tanto.

Lógico que eu já sabia o motivo de tanto sofrimento e também que ela havia matado mais um humano. Minha mente gritava que eu simplesmente devia matá-la por quebrar mais uma vez a lei máxima do nosso povo.

Quando estendi a mão para acabar com o sofrimento dela pra sempre, emoções desconhecidas tomaram conta de mim e me vi confortando-a suavemente. Quando me apresentei a vi arregalar os olhos encharcados de sangue e de medo, meu coração doeu.

Ela era a única pessoa que eu não suportaria causar medo entre todas as pessoas do meu povo. Eu vivia para o momento em que ela me olharia mais do que como amigo do irmão dela, que ela me olhasse mais com interesse do que com a indiferença tão típica dela em questões cotidianas.

Não que alguma vez ela houvesse usado a posição dela como princesa de um reino como motivo para destratar ninguém, ela apenas apresentava um ar de distanciamento e frieza perante todos. Mas no meio de tudo isso eu tinha certeza de uma coisa.

Eu preferia mil vezes a indiferença ao medo estampado nos olhos dela ao olhar pra mim.

Entrei no quarto onde ela estava acomodada e fiquei observando o modo tranquilo que ela dormia. Foi necessária uma boa quantidade de meu poder de reserva pra que os sangramentos no corpo dela fossem parados e tratados. A única coisa que eu não tinha certeza era se os olhos dela fossem apresentar aquele brilho verde de novo, os danos que o acumulo excessivo de energia fizeram ao corpo dela ainda me eram desconhecidos, mas eu torcia para ser capaz de curá-la.

Ela estava deitada na cama, entre lençóis que possuíam em sua essência ervas calmantes e saradoras que iam tratando dela durante o sono. Quando ela se mexeu um pouco na cama e abriu um pouco os lábios esperei ela reclamar de dor, mas me surpreendi quando ela falou bem baixinho.

-JaeJong... – ela falou e sorriu, me fazendo ficar um pouco confuso.

JaeJong... estreitei os olhos ao ouvir esse nome. Aparentemente ele era o culpado pelo atual estado da minha princesa e eu precisava verificar isso imediatamente.