The Way To Paradise

7 Capítulo 7- Mermaid Heel


Notas iniciais
Fala gente bonita, tem capítulo novo hj, espero que gostem.

—Vamos abastecer e seguiremos para a Mermaid Heel. Fiquem preparados para tirar a Lucy da caçamba. –afirmou Gray

—Ok, vai logo. —respondeu Erza — O mais rápido possível.

Em 30 minutos o grupo chegou a um posto de gasolina, abasteceram o carro e seguiram viagem sem mais problemas, tirando a garota loira com a coxa enfaixada, é claro.

Capítulo 7- Mermaid Heel

Autoestrada Knight/Magnólia- 17h48min

Pov. Autora

Faltando alguns minutos para chegarem a Mermaid Heel, Gray quebra o silêncio.

–Jellal, abra essa janelinha atrás de você e avise que estamos chegando, pergunte sobre como está a Lucy.

–Ok. — o jovem de cabelos azuis vira-se para trás e encontra Levy dormindo no ombro de Gajeel, que estava apoiado na lateral da caçamba, dormindo também. Lucy ainda estava desacordada com a cabeça apoiada em algumas mochilas e Natsu ao seu lado, apoiado no resto das malas com Happy em seu ombro. –Gray, todos estão dormindo, devo acordá-los?

–Claro, que pergunta idiota! Só toma cuidado com a Lucy. – Jellal se virou para trás novamente e cutucou Natsu, o único ao seu alcance. O rosado acordou com o simples toque do rapaz em seu ombro. –Acorde eles, estamos chegando. –dito isso o jovem voltou-se para frente e Natsu, com toda sua (falta de) delicadeza, chutou a perna de Gajeel que acordou num susto, assustando Levy.

–Porra Natsu, que susto! –esbravejou o moreno.

–Desculpe, é que nós estamos chegando.

Passado alguns poucos minutos o grupo chega à portaria de Mermaid Heel. Ele ficava isolado da cidade grande, no meio da estrada. O chão de terra batida com algumas poças de sangue e vários corpos ensacados estavam espalhados pelo lado direito, fora da grade de proteção, no lado esquerdo era possível ver vários corpos expostos, cheios de sangue, cortes e hematomas, alguns estavam sem alguma parte do corpo como braços, pernas ou até mesmo cabeças. Em meio aqueles corpos e membros três homens fardados carregavam outro corpo, dessa vez, de uma mulher de cabelos castanhos. Gray se aproximou da cancela de metal e abriu o vidro para identificar-se. Um homem que aparentava seus vinte e poucos anos abriu a janela de vidro com insulfilme preto. Encarou o rosto de Gray e começou a falar.

– O que vocês querem?

–Precisamos de um médico, nossa amiga se feriu e perdeu muito sangue. Podemos entrar?

–Depende, quanto vai ser?

–Quanto o que? Isso é um abrigo público. –estranhou Gray, percebendo que algo estava errado.

–Olha cara, aí dentro tem centenas de pessoas com fome e com problemas bem maiores que o da sua amiga, não estamos mais recebendo auxílio do governo, suas opções são ir embora ou dar uma colaboração digamos que, generosa.- falou o rapaz com um sorriso ganancioso.

–Querem dinheiro?

–Está brincando comigo cara? Isso é o fim do mundo, ninguém mais liga para dinheiro. — esbravejou — O que você tem de comer?

–Alguns enlatados, poucas garrafas d’água e uns pacotes de biscoito. Por quê?

–Se me der tudo vocês passam a noite em um quarto e a amiga de vocês na enfermaria, mas, vou logo avisando, está tão cheio que só não sai gente pela janela porque elas são no alto.

Gray virou-se para seus amigos e todos assentiram com a cabeça.

–Podemos levá-la para dentro e te entregar tudo isso?

–Pode, mas tem que ser rápido. – o homem olhou para seu lado e pegou alguns objetos – Quantas pessoas?

–Nove, contando com uma criança.

–Usem isso, se forem pegos sem serão mandados para a ala esquerda, se alguma coisa acontecer a sua amiguinha ela vai para a ala direita. –disse entregando um conjunto de pulseiras com código de barras pretas e brancas e uma delas em vermelho e preto. – A vermelha é para a garota, deverão passar o código de barras na entrada do galpão. Entregará os mantimentos para o soldado na porta e ela será levada por algum enfermeiro, um de vocês deve ir com ela. Agora, sigam em frente. –falou de cara amarrada e fechou a janela com violência.

A cancela se abriu e o carro seguiu o caminho demarcado lentamente, em instantes ele parou em frente à entrada do galpão e saiu do carro, indo em direção à traseira.

–Vamos! Levy separa os mantimentos, Gajeel e Natsu levam a Lucy lá para dentro, vou estacionar ali. –apontou para um espaço vazio próximo a entrada.

–Tá, vamos logo.

Rapidamente Gray destravou a caçamba enquanto Levy já enchia uma caixa de papelão que estava ali jogada com os alimentos. Gajeel saltou do veículo e foi para o lado que o rosado estava apoiado. Ele levantou-se e pegou Lucy em seu colo, entregando-a para o moreno.

–Vai entrando que eu vou ajudar Levy. –em seguida, Gajeel seguiu as ordens de Natsu, que rapidamente jogou o que restava na caixa. Todos desceram do carro e Gray o estacionou rapidamente.

Quebra de tempo: 23h08min

Pov Lucy

Abri meus olhos lentamente, só me lembro de estar com a roupa suja de sangue, no chão de uma rua, com Juvia mexendo na minha perna, que doía horrores, e Gajeel em pé batendo em vários zumbis. Quando minha vista se acostumou com a pouca claridade do local, percebi que não conhecia este lugar.

Sentei na maca com dificuldade, ela era muito desconfortável, procurei o ferimento e vi apenas alguns pontos em minha coxa. Ótimo, não deve ter sido nada demais, mas ainda está doendo, não tanto quanto antes, mas doendo. Olhei ao redor e vi muitas macas ocupadas, pelo visto, estávamos num galpão muito extenso.

Senti um aperto em minha mão direita e quando eu olhei, Natsu estava sentado em uma cadeira básica branca de ferro, com a cabeça apoiada na maca, na altura da minha cintura, e uma de suas mãos segurava a minha enquanto a outra servia de travesseiro para sua cabeça. Não entendi o porquê mas, de certa forma, fiquei feliz por ele estar ali comigo. Acariciei os fios rosas e ele levantou a cabeça rapidamente, como se tivesse levado um susto. Sem soltar a minha mão e com os olhos ainda fechados, ele usou a mão livre para coçar os olhos antes de serem abertos. Assim que os abriu, e olhou para mim, um pequeno sorriso brotou em seus lábios.

–Natsu? Onde a gente está? — perguntei.

–Na enfermaria de Mermaid Heel. Você está bem? -questionou levantando-se da cadeira.

–Sim, estou bem, com um pouco de dor, mas bem. Onde estão os outros?

–Estão em um quarto lá em cima. Coitados, é um cubículo com duas triliches. -riu.

–E por que você não está lá?

–Eles disseram que alguém podia ficar aqui então eu me ofereci, estava bem preocupado. – no momento terminou esta frase, senti minhas bochechas queimarem e ele usou a mão livre para bagunçar levemente as madeixas rosadas, com um sorriso amarelo — Mas pelo visto você está bem. Graças a Deus.

–Sim, eu posso sair daqui? Estou com fome.

–Acho que sim, vamos.

Nós saímos da enfermaria, ele me ajudou a andar e a subir as escadas de madeira, em seguida nos dirigimos ao refeitório. O lugar estava vazio já que todos haviam se recolhido, lá havia apenas dois soldados adormecidos em uma das mesas e outro varrendo o chão. Pegamos o resto de uma sopa esquisita que estava em um panelaço de ferro e comemos com desgosto, aquilo parecia água suja, mas era o que tinha pra hoje.

–Então… -começou Natsu — porque é tão revoltadinha? — perguntou debochadamente.

–Não sou revoltadinha. Só não curto essas coisas de patricinha. Gosto de me virar sozinha.

–E por que isso?

–Você é sempre curioso ou está fazendo esforço Dragneel?

–Sou curioso de natureza. Vai me responder?

–Depois que a minha mãe morreu, quando eu era uma criança, meu pai se isolou e descontou toda a dor da perda no trabalho. Eu ficava dias sem vê-lo pois ele saía cedo e chegava tarde, então eu comecei a me virar sozinha. Não tinha ninguém para me proteger então eu aprendi a me virar. Só isso que você queria saber?

–Como você pode dizer que não tinha ninguém para te proteger se quando a gente foi te buscar o que mais tinha na sua casa eram seguraças armados?

–Eu praticamente nunca tive a ideia de um super-pai que ia me salvar quando os meninos da escola implicassem comigo ou que ia me consolar quando eu perdesse um namorado. E desde sempre sou eu e o mundo, aqueles seguranças são como se fosse uma parede me protegendo do mundo, mas todo o emocional eu encarei sozinha.

–Bom, pelo menos agora você não está mais sozinha. -afirmou com um sorriso, olhando em meus olhos.

– O que está querendo dizer com isso Dragneel?

–Não sei, o que acha? -falou com um tom brincalhão.

–Acho que está dando em cima de mim, com aquela história de estar preocupado e de que estou sozinha por livre e espontânea vontade.

–Mas que loira convencida temos aqui, não é senhorita Heartfilia?

–Falei alguma mentira?

–Não.

–Seu pervertido! Eu não acredito nisso Natsu. -disse rindo. — Não é o momento e você sabe disso.

–Ei, calma ai moça. Aguenta as pontas ai porque eu só estou dando em cima de você como qualquer cara normal faria. Isso não vai deixar nada estranho.

–Você é inacreditável. -ri.

–Mas Lucy, agora sério. Para de rir. Eu gostei mesmo de você.

–Mas você nem me conhece.

–Isso pode ser resolvido.

Nós ficamos umas duas horas conversando, rindo. Acabei descobrindo que ele tem uma tendência destrutiva e que ele não consegue ficar muito tempo longe daquele gato azul. Acabei contando algumas coisas sobre mim também e devo dizer que não sei quando foi a última conversa em que eu me senti tão segura para falar sobre mim.

–Onde é o quarto?- perguntei, levantando-me com dificuldade do banco de madeira pintado de azul.

–Para lá. -falou apontando em direção à um corredor

Seguimos devagar em direção aos dormitórios, em um corredor estreito com paredes brancas, com infiltração e mofos. As portas eram de um azul bem escuro e tinham um pequeno visor de vidro em suas laterais. Quase no fim do corredor nós encontramos o quarto e entramos. Lá encontramos Wendy dormindo com Happy em uma das camas no chão, Juvia e Gray dividiam uma um nível acima e no último andar de cama Gajeel dormia sentado com as pernas para fora da cama e com Levy usando suas pernas de travesseiro. Jellal na cama do chão ao lado de Wendy e no nível acima estava Erza. As camas eram de madeira clara e os colchões aparentemente confortáveis, cada um possuía um cobertor verde de material pobre e um travesseiro branco. As paredes eram bege claro e tinha uma pequena janela, que estava aberta.

–Durma lá em cima, eu não estou mais com sono. –falou Natsu com um singelo sorriso.

–Está sim, você dormiu todo de mau jeito naquela cadeira, acho que nós conseguimos dividi-la sem problemas.

–Sério?

–Sim.Venha, não me importo. –falei subindo, com muita dificuldade, a escadinha de três degraus. Só tinha um travesseiro e um cobertor para os dois. Eu deixei ele apoiar sua cabeça no travesseiro e encostei minha cabeça em seu ombro, em pouco tempo o rosado roncava alto e eu dormia um sono pesado.

Notas finais
E ai? Ficou legal? Qualquer erro me avisem por favor, beijocas.