The Way I Loved You
2 O culpado sou eu
Notas iniciais
Percebi que cortei o capitulo anterior em um lugar indevido. Então me apressei para postar esse. Me desculpem a distração.
Espero que gostem.
Enjoy o/
- Gosto de como você vive sua vida Ulquiorra-kun... – Disse Inoue depois de um desconfortável silencio. Abraçou as próprias pernas e encostou o queixo nos joelhos.
- Porque? – Perguntou o outro sem olhar para ela.
Orihime suspirou longamente e falou sem emoção na voz:
- Todo mundo diz que você tem uma expressão melancólica ou nenhuma expressão. Que não liga pra nada e que é só um desleixado sem causa... Mas eu, Ulquiorra-kun, eu vejo quem você realmente é. Eu invejo você.
As orbes verdes viraram para ela intensamente.
- Você é livre.
- Quer dizer que você finge ser algo que não é? – Perguntou. Sabia a resposta, mas queria ouvir o que ela tinha a dizer.
- Não... eu não consigo fingir nada... é só que... – e escondeu o rosto – Tenho tanto medo de decepcionar as pessoas... Mas eu não sou melhor do que ninguém, eu até... Ate acho que não sou grandes coisas... Na verdade, eu gostaria que me perguntassem “oi Inoue, como esta hoje? O que você gostaria de almoçar?”, mas tudo o que eu escuto é “Bom dia Orihime-san, como esta a escola? E o cursinho? Estamos torcendo para a sua entrada naquela faculdade.” E quando faço algo que foge o esperado todos me olham com pena... e eu odeio isso. Odeio.
- E tudo bem falar isso pra mim? Não espera que eu vá me decepcionar com o que você esta falando? – Perguntou sem emoção na voz. Inoue virou-se para encara-lo.
- É por isso que gosto de estar com você Ulquiorra-kun, eu sei que só sou uma diversão, você não espera nada de mim.
A garota sorriu carinhosamente mas o moreno fechou os olhos e os punhos com fúria.
- Ahn o que foi? Ulquio... – Começou Orihime estendendo a mão para toca-lo. Mas o colega lhe afastou bruscamente. Levantou-se sem olhar para ela e foi embora com as mãos no bolso.
Deixando a garota totalmente confusa. Mas não se importou muito, era o jeito dele.
Há muitos anos ele vivia fazendo coisas como essa. Era o que ela admirava nele. Fazia o que queria sem se preocupar em magoar os outros. Era livre.
As vezes Ulquiorra vinha e caçoava dela na frente de todos, mas de uma forma que ela não se importava. De alguma forma era gentil. Fazia com que Inoue se animasse, gostava quando ele apontava erros na garota que todos achavam perfeita.
Podia comer o quanto quisesse também, sem olhares reprovadores. Então sentavam atrás da escola e Ulquiorra a xingava o tempo todo enquanto comia sem modos e mais do que uma “dama” deveria comer. Irônico, pois ele mesmo trazia iguarias para ela.
As vezes, Inoue quase via um olhar carinhoso quando estava com a boca cheia e farelos de pão por toda bochecha. Mas era tão rápido, tão fugaz, que duvidava do que via. Esquecia.
Afinal, Ulquiorra era um garoto que só fazia o que queria porque era divertido.
E estar com ela era divertido. Qual o problema nisso? Porque dessa vez ele parecia magoado?
Resolveu mandar um SMS a Tatsuki, sua grande amiga, para que levasse suas coisas para casa. Alegando uma dor de cabeça ao professor.
Saiu do ginásio com a chuva mais amena, mas que a acompanhou até sua casa. E, a essa altura, a garota já esquecera Ulquiorra, afinal, precisava estudar.
Depois de tomar um banho quente e trocar de roupa, separou seus materiais para estudo.
Sorriu quando pegou um lindo estojo que seu colega Kurosaki Ichigo lhe dera. Ichigo era o completo oposto de Ulquiorra, simpático e muito gentil, era o desejo de todas as meninas da escola. E todos sabiam de sua queda por Inoue.
Sentiu as bochechas esquentarem, sacudiu a cabeça como que para espantar o pensamento e sentou-se espalhafatosamente na almofada, abriu o livro decidida e começou a rir. Nele viu seu próprio desenho, toscamente feito por Ulquiorra. Onde mostrava Inoue muito grande e cheia de dentes devorando os professores. Suspirou e perdeu a noção de quanto tempo ficou encarando aquele desenho com carinho.
Em outro bairro, mas naquela mesma cidade, penetrantes olhos verdes fitavam a chuva que começava a perder a força. Já tinha trocado a roupa da escola e sentou-se no chão de seu quarto de frente para uma grande janela envidraçada. Já escurecia, mas não se preocupou em ligar a luz. Precisava esfriar a cabeça. Sentia raiva. De muitas coisas. Mas principalmente dele.
Aquela situação era insustentável. Pensou com amargura. Iria se vingar da garota, sem dó.
“O culpado sou eu.” – Pensou com amargura.
Inoue acordou cedo, estava sonhando algo que não lembrava, mas que a tinha despertado.
A chuva foi embora trazendo o frio para a cidade de Karakura. A garota precisava se preparar para a aula. Atraso não era uma opção para ela.
Tomou um banho quente para acordar e engoliu o café enquanto corria para escola. Ou muito se enganava ou iria nevar naquele mesmo dia.
Nas costas a mochila e nas mãos a sacola com um embrulho carinhosamente dobrado. E o dono deste estava justamente apagando o quadro negro. Enquanto outros alunos estavam sentados em pequenos grupos conversando animadamente esperando a aula começar.
Orihime entrou desejando bom dia a todos que a receberam com perguntas infinitas sobre o dia anterior. Tentava se desvencilhar de todos para chegar ate Ulquiorra que fazia os afazeres da classe naquele dia. Mas demorou mais do que gostaria, nisso mais alunos chegaram e quando finalmente conseguiu falar com ele, tinha uma considerável plateia.
- Bom dia Ulquiorra-kun. – Disse alegremente como sempre. Este nem ao menos lhe dirigiu o olhar. Inoue sentiu algo ruim no estomago, mas se recompôs.
- Aqui esta seu casaco, obrigada por ontem.
E mesmo tendo falado bem baixinho todos na mesma hora fizeram um estardalhaço.
- Como assim, o que a adorável Inoue faz com o casaco do Ulquiorra?
- O que você estava fazendo com ela seu esquisito? – Disse Ichigo apontando ameaçadoramente para ele.
Muitos burburinhos começaram a ser ouvidos.
- Eu vi os dois de mãos dadas ontem
- É verdade, estavam se escondendo do professor. E depois daquilo da aula de ontem... não sei
- Vocês estão saindo é verdade?
Ulquiorra finalmente parou de dar atenção ao quadro negro e se virou visivelmente irritado. Com as mãos no bolso olhou com desprezo para os demais.
- O que estão dizendo? Eu jamais me interessaria por alguém tão sem graça. A Miss Perfeição aqui esta com meu casaco porque era fresca demais para pegar chuva. – E pegou o embrulho das mãos chocadas de Inoue tão bruscamente que a garota se encolheu de medo. O vestiu sem dizer nada e deixou a classe levando os apagadores.
— O que foi isso? – Perguntou Tatsuki chegando na mesma hora.
A classe explodiu em burburinhos. Mas Ichigo os calou gritando.
- Tudo bem Inoue? Não ligue para as grosserias desse esquisito. – Disse para reconfortar a amiga.
Sado sentou-se na classe ao lado e fez sinal positivo para ela. Não pode deixar de sorrir. Achava o jeito do colega muito hilário.
- Inoue-san, você não deveria perder tempo com tipos como ele. Apenas se concentre nos exames finais. – Disse Ishida terminando o assunto.
E logo aquela cena foi esquecida pelos demais. A professora Yoruichi entrou na sala com estardalhço e envolveu todos com sua matéria.
Inoue estava distraída demais naquele dia. Ulquiorra vivia a destratando na frente dos outros, mas daquela vez parecia realmente serio.
E no resto do dia sentiu falta das muitas vezes que ele lhe chamava atenção para mostrar algo sem sentido. Ou rabiscar em seu caderno, ou fazer dupla com ela pra estudar e mostrar que estava errada em muitas coisas.
Porque toda a indelicadeza dele fazia falta? Não era difícil responder essa, pensou enquanto Ichigo sentava-se ao seu lado para fazer um trabalho. Ulquiorra lhe fazia rir o tempo todo. Mesmo que ele mesmo não sorrisse quase nunca com seu jeito serio. A maneira como criticava tudo e não ligava para o que falava ou respondia com sarcasmo aos ataques fazia Orihime sorrir o tempo todo.
Afinal, ela podia ser esquisita com aquele garoto esquisito. Estava tudo bem, ele não esperava outra coisa dela.
Notas finais
See ya o/
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