The Water Bearer

1 Capítulo Único - Tempestade em Forma de Sereia


Notas iniciais
Como diabos eu consegui colocar Gajeevy em uma oneshot centrada na Aquarius? Leia de descubra, we are! 8D

– Abra! O portão para a portadora da água...

– Lucy, não acho que seja uma boa... – disse a morena, que trazia consigo algumas cartas na mão. Suas armas enquanto batalhava e sua forma de distração enquanto bebia sentada em alguma mesa da guilda.

– ...Aquarius! – finalizou a loira, ainda arfando. Ambas estavam muito cansadas, nem imaginaram que o trabalho de capturar um simples ladrão de pequenas exposições seria algo tão difícil. A maga celestial só percebera a gravidade da situação quando, caída na beira da praia, olhou para o mar e se lembrou de um dos seus mais fortes espíritos. – Desculpe Cana, eu tive que fazer isso!

– Tsc. Então as garotinhas sem namorado arranjaram confusão novamente? – disse com desdém, olhando por cima do ombro. – Isso é falta de homem.

– Ei! O que você acha que está dizendo?! – gritou nervosa a jovem de cabelos negros, cruzando os braços e ficando de frente para a espírito celestial.

– Estou dizendo o que eu quero, tem algo contra, sua magazinha de cartas?! – contra-atacou a portadora da água, encarando a morena com um olhar fuzilador.

– E-ei garotas, se acalmem... – interferiu a loira, apesar de estar um pouco trêmula por causa do medo que sempre tinha ao lidar com sua "amiga" das águas. – Ele está fugindo! – disse ao perceber que o adversário com quem estava batalhando anteriormente começou a correr na direção contrária.

Apesar de ter aumentado o tom da voz, conseguiu chamar atenção apenas de sua colega de guilda, que no momento também estava sendo uma companheira de trabalho. Percebendo que a portadora das águas não havia se mexido para ajudar, suplicou:

– P-por favor, Aquarius... Detenha aquele homem... E pode acabar comigo também, eu não ligo!

– Nem precisa pedir. – respondeu indiferente.

– Nem preciso...?!

– Vou acabar com todos vocês aqui!! – vociferou enquanto retirava debaixo do seu braço direito um objeto mágico, parecido com um vaso, que continha vários detalhes gravados em sua superfície. Sua magia começou a se formar dentro de tal recipiente, que começou a brilhar intensamente e a emanar uma forte energia ao seu redor.

– Por acaso esse "todos vocês aqui" me inclui? – indagou a jovem, guardando suas cartas. Se assustou um pouco ao ver a loira a puxando para ficarem atrás de uma das grandes pedras que havia ali. – É, acho que sim. – concluiu enquanto uma pequena gota crescia em sua testa.

Logo a tal energia ao redor do objeto mágico foi tomando forma e uma quantidade imensa de água começava a surgir ao redor da espírito celestial.

水

– Você é louca?! Não pensa antes de agir não?!

– E-ei Cana... – se interferia a loira, a fim de, novamente, evitar uma confusão.


– O quê? – disse a portadora das águas, indo em direção a morena.

– É, parece que você não aprendeu até hoje a diferenciar os aliados dos inimigos!

– Olha aqui, magazinha de cartas, só vou repetir mais uma vez. – pelo seu tom de voz e sua expressão era bem fácil perceber o quanto estava tentando se controlar. – Todas as jovens mulheres são minhas inimigas! Deve ser por esse seu jeito esquisito que você não arranja um namorado. – pronunciou a ultima frase com certo sarcasmo na voz.

– Então continua me menosprezando só por que tem um homem?! Você não passa de uma mulher baixa. – contra-atacou a morena.

– Essas duas... são realmente bem parecidas... – cochichou para si mesma a loira, que até então estava apenas observando a troca de palavras das mulheres à sua frente, sem querer entrar na discussão, pois sabia que se o fizesse acabaria saindo na pior.

– Disse alguma coisa?

– Na-nada não, Aquarius! – sorriu falsamente – Muito obrigada!

– Hmph.

E com isso, o portão celestial da portadora das águas foi fechado e ela se foi sem dizer mais nada.

Talvez fosse o cansaço. Ou talvez tenha sido apenas uma pequena alucinação repentina. Mas a maga celestial poderia jurar que, antes de fechar um dos doze portões do zodíaco, ela vira a portadora das águas indo embora com um sorriso. Não era o sorriso de sempre, de sarcasmo, ironia ou vitória. Mas sim um sorriso diferente, que a loira nunca havia visto antes nos lábios daquela espírito celestial. Se parecia com um sorriso sincero de um alguém que estava confortado. Como se fosse um sorriso que demonstrava uma certa alegria e satisfação por ter conseguido, mais uma vez, proteger e ajudar aquela jovem loira. Tal loira que não gostava muito, mas admitia em sua mente – e só em sua mente – que dentro de si continha um certo respeito e admiração em relação à ela.

水

Residências, prédios, parques, lojas e vários outros lugares... Apesar de bem diferente e exótico, o mundo celestial também é um mundo, com seus diversos habitantes e todo o resto.

Em um certo estabelecimento alguns espíritos celestiais andavam apressadamente para atender aos pedidos sem erros e atrasos. Era um restaurante um pouco peculiar, com algum tipo de comida que uma pessoa normal não saberia identificar.


– Scooorpio! Me perdoe pela demora, tive um imprevisto. – disse com um jeito amável e fofo enquanto segurava o braço do amado e encostava a cabeça em seu ombro. Seria praticamente impossível relacioná-la a mesma mulher de poucos momentos antes, pois ela era instável... assim como a água.

Sim, ela era como a água. Aparentemente serena e divina, cheia de mistérios acerca de sua vida, sustentava um olhar doce e firme ao mesmo tempo, seu corpo se movimentava com certa suavidade. Podia se parecer com uma garoa de fim de tarde ou se mostrar ser a pior das ondas.

– Tá tudo na boa se a gente tiver numa boa. We are! – ele disse com o seu enorme sorriso e seu jeito descontraído de sempre.

Assim o dia passou e a tarde começava a aparecer, com brincadeiras da parte dele e suspiros – muitos suspiros – vindo dela. O almoço entre eles aconteceu sem muitos imprevistos, a não ser... quando a portadora das águas perguntou a uma garçonete se ela gostaria de saber como é ser um cadáver afogado. E só porque ela havia perguntado para o espírito escorpião "Deseja sua sobremesa agora?".

E ele? Apesar do jeito psicótico dela, ele sempre conseguia lidar bem com esse tipo de situação. Afinal, era como se ele fosse o ponto de fusão dela. Conseguia fazê-la ficar calma com um olhar e tranquila apenas com um toque. E quando ela fica estressada... Bem, o melhor que ele pode fazer é correr o mais rápido possível. Contudo, de certa forma, ele gostava desse tipo de adrenalina, e não seria uma mudança de humor que o faria desistir de sua amada.

Os quentes raios de sol caiam sobre o parque em que ambos estavam aproveitando a serena caminhada juntos. Às vezes comentavam sobre variadas coisas e às vezes o silêncio predominava, mas nenhuma dessas situações os incomodava. Afinal, o que eles mais gostavam era de simplesmente ter a compania do outro.

– Opa, acho que o dever me chama... – uma forte luz acompanhada de um pouco de fumaça apareceu ao redor do espírito escorpião, deixando uma Aquarius cheia de perplexidade parada no mesmo lugar por vários segundos. O que logo foi alterado por sua mudança de humor.

– Aquela mulherzinha desprezível... Quem diabos ela pensa que é para estragar a minha tarde perfeita com o meu benzinho?! – a coloração de seu rosto passou rapidamente para um vermelho bem vivo e ardente, que com certeza não era de vergonha ou timidez.

Ah sim, esse era o seu ponto de ebulição, e se chamava Lucy Heartfilia. Não importava quantas vezes a espírito celestial já tivesse se sentido feliz em ajudar – foram bem poucas, porém isso não vinha ao caso –, mas se a maga fizesse qualquer coisa que interferisse de alguma maneira na vida dela, sua cabeça e todo o seu corpo já ferviam de raiva.

– Ela... vai ser... uma maga celestial morta... – dizia entre os dentes e com os olhos cerrados devido à fúria do momento. O que assustava um pouco alguns dos pequenos espíritos que brincavam por perto.

Ela se sentou em um dos bancos que havia ali e tentou a todo custo se acalmar, mas isso só aconteceu quando escutou o típico "We are!".

– Benzinho! – correu para os braços abertos dele. – O que aquelazinha vez com você? – mesmo com um jeito amável acima do normal para qualquer outro tipo de ser, era bem perceptível um certo tom maligno em sua voz.

– Nada demais, foi até maneiro. – sorriu abertamente, o que fez, juntamente com o que disse, com que uma expressão de dúvida surgisse no rosto da espírito de aquário. – Os carinhas da Fairy Tail, digo... os amigos da nossa senhora Lucy e ela mesma estão em uma praia. Tava até muito legal. – ele disse tentando explicar. – Mas sabe como é, parece que a confusão persegue aquela loira, haha, we are! – riu, deixando a companheira um pouco mais descontraída.

– Ah é, eu entendo... – se fosse com qualquer um outro, com certeza ela faria algum comentário sobre a maga celestial e sua "falta de homem", mas sempre tentava ao máximo evitar isso com seu querido Scorpio. – Então, é melhor você descansar um pouco, não é mesmo? – colocou sua mão no queixo dele, como se estivesse lidando com uma criança.

– Beleza, então já vou indo Aquarius, prometo um próximo encontro em breve. – se desaproximou um pouco, depois de dar um selinho na espírito celestial, que ficou nas nuvens. – Acho que seria legal se você conseguisse dar um pulo lá. A senhora Lucy ficaria surpreendida, we are! – disse por fim, já um pouco longe, deixando ela um pouco surpresa.

"Ela ficaria surpreendida". Aquarius deu um sorriso malicioso enquanto concluía que o sentido de "surpreendida" que o espírito de escorpião havia dito com certeza não era o mesmo em que ela estava pensando.

水

Céu claro, sol forte, areia quente e maré tranquila. Uma tarde de verão com tudo para ser calma.

– Ah, vai fugir, é senhor cueca?!


– Deixa de ser idiota, cabeça de fósforo!

Mas essa é a Fairy Tail, esse tipo de coisa como "dias calmos" não existem para eles.

Bem na beira do mar, em meio à água e a areia, a maga celestial estava deitada de bruços e apoiando seu queixo com as mãos, de jeito que desse para ver todas as situações que aconteciam ali. Entre uma olhada e outra via os exceeds construindo um mini castelo de areia, Evergreen obrigando Elfman a abaná-la com um leque, as irmãs Strauss tirando várias fotos, um vulto com cabelo azul fortemente ondulado nas pontas atrás de uma árvore observando os movimentos de um certo mago do gelo e uma Levy inteiramente aborrecida – o que só a fazia ficar mais fofa ainda – tentando convencer Gajeel a devolver um de seus amados livros.

– Maldito! Me devolva agora, me devolva! – ela dizia com a voz estressada e o braço esticado, tentando pegar o objeto da mão do Dragon Slayer. Mas o braço dele também estava esticado – sem falar que era maior – fazendo com que os esforços da devoradora de livros fossem em vão.

A loira sorriu maliciosamente vendo o empenho da amiga e decidiu observar mais atentamente aquela cena.

– Mas porque diabos você vai ler, baixinha? Você tá numa praia. Praia! – repetiu a palavra, colocando mais ênfase. Sua vontade não era ser chato ou arrogante, tudo o que queria era apenas que aquele corpo pequeno e praticamente sem roupa saísse de sua vista para que ele – talvez – parasse de ter pensamentos que não devia.

– Não me importa onde estou ou não, eu só quero ler, dá licença?! – mal sabia ele que o motivo para os olhos cerrados da maga de pequenas mechas azuis era evitar olhar para ele e seu corpo sem camisa e tentar não pensar em algum futuro livro erótico que ela mesma iria fazer. – Eu só quero fazer algo útil! – desabafou – Ao contrário de você, que... – arriscou formular um plano e jogar uma indireta para o Dragon Slayer – ...só fala, fala, e não age.

Mas a pequena nunca imaginaria que tais palavras tivessem um efeito tão eficiente e imediato. E que fizessem seu coração disparar e seu rosto ficar mais vermelho do que nunca.

– Não deveria me subestimar tanto assim... baixinha. – ele disse, depois de ter usado sua boa agilidade para prender a cintura dela com um braço e, com a mão do outro, segurar seu queixo. A única coisa que ela pôde fazer foi ficar parada e estática, expressão que piorou quando percebeu que nunca havia ficado com o rosto tão próximo de alguém assim antes.

A maga celestial fazia uma nota mental para se lembrar de comentar isso em outro momento com a colega de guilda enquanto sorria sadicamente.

– Sua situação tá difícil mesmo, hein... Até aquela que vive rodeada por livros conseguiu um homem e você não...

Lucy se preparava para responder ou fazer algum comentário, mas ficou assombrada ao perceber de quem era a voz.

– EEEH?! Aquarius? O que você t-tá fazendo aqui e-e como?! – ficou em dúvida se corria de susto, se protegesse de medo ou nadasse para outro continente e evitasse a própria morte precoce.

– Nossa, eu duvido que seja assim que você recebe os outros. – disse com desdém. – Ah, isso? Aprendi com o Leo. – sua expressão era de serenidade, como se estivesse dizendo a coisa mais óbvia do mundo.

– Loki... – disse entre os dentes, tentando imaginar que tipos de coisas mais ele estaria ensinando aos seus outros espíritos. Logo em seguida ela saiu de seus pensamentos e ficou encarando a portadora das águas, que parecia só observar ao seu redor.

– Tá olhando o que? – se virou de repente, assustando a garota.

– Na-nada não. – sorriu forçadamente, até que uma dúvida veio em sua cabeça. – Anh, Aquarius... Como você sabia que aquela garota é a que vive lendo? – se referiu ao jeito com que a espírito chamou a Levy. – "E por falar na Levy... cadê ela?" – pensou, adicionando mais uma nota mental.

– Eu sou uma ótima observadora, não sabia? – se gabou, deixando no rosto da loira uma expressão de "E como diabos eu poderia saber disso?". – Por exemplo... Aquela ali de óculos, que se acha... – apontou para o lugar em que Evergreen era abanada. – Faz parte de uma equipe com outros dois esquisitos que louvam um cara. E quem diria... – Lucy olhou para ela, pensando que iria dizer algo bom, mas o que ela disse foi nada mais nada menos que: – ...Ela também conseguiu um homem.

Tal observação fez uma gota nascer na testa da maga celestial e com que ela se perguntasse o que havia feito para merecer isso.

– Aah, e cadê aquela garota? Aquela que se juntou a você.

– Que se juntou a mim? – a loira tentou se lembrar de quem a espírito poderia estar falando, até que se recordou de quando Aquarius ficou conversando com uma maga em especial, no dia em que ela e alguns outros foram para o mundo celestial. – Oh sim, Juvia! Ela está... – começou a procurar.

– Ali! Observando o habitat natural da presa. Ah, essa garota é uma das minhas. – disse com um estranho brilho nos olhos, mais uma coisa para colocar na lista de atitudes assustadoras da espírito.

O resto da tarde passou, o mais tranqüila que poderia ser, se tratando da Fairy Tail. Em um canto bem distante de onde todos estavam, Lucy conseguiu ver o Gajeel mais descabelado e uma Levy muito mais feliz que o normal. Notas mentais, notas mentais. A portadora das águas ficou ali mais um pouco, tentando fazer a loira escolher entre o esquentadinho Salamander e o mulherengo espírito de leão. A cada vez que ela citava qualquer um dos dois nomes a maga celestial bufava, se controlando para não provocar a própria morte.

Aquarius se sentia bem assim, irritando-a. E também quando a ajudava. E quando a fazia estremecer de medo e quando escutava ela dizer um "obrigado".

Afinal ela é assim, instável como a água.

Notas finais
E então gostou? Quer deixar review? Não... não quer? D8
Então me mande um review dizendo porque você não quer me mandar um review 8D
/tiros
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!