The War Of Factions
3 Capítulo 3 - Welcome to Erudite
Notas iniciais
POV. Sam
— Ontem teve o julgamento e ninguém me avisou? — eu pergunto enquanto estamos na mesa do café da manhã.
— Iríamos te avisar mas você ficou o dia todo trabalhando. — diz Caleb. Como ele sabe disso?
— Desculpe — ele diz em resposta a minha expressão confusa. — Johanna nos disse.
— Então quer dizer que temos que trabalhar para recompensar a hospitalidade? — eu digo.
— É. — diz Tris. — Mas não por 12 horas.
Qual é o problema com ela? Por quê está brava comigo? Isso está me deixando frustrada.
Tobias e uma garota da Abnegação com vestes da Amizade chega.
— Bom-dia. — diz a garota se dirigindo a todos. Repara-se que ela é da Abnegação por sua postura, seu tom de voz baixo e seu olhar sempre focado é um quesito de observação e controle, típico dos abnegados.
— Bom-dia. — eu digo sorrindo.
— Ah, Sam, esta é a Susan. — diz Tris apontando para a garota.
— Susan, está é Sam.
— Olá. — eu digo sorrindo novamente e a garota faz o mesmo.
Volto a comer e suspiro, apertando garfo com tanta força que minhas juntas ficam brancas e até mesmo doloridas. Tris continua brava comigo. Olho para meus braços descobertos pela camisa canoa e vejo os arranhões por cima.
— Sam... O quê é isso...? — gagueja Tobias boquiaberto.
— Iniciação. — eu digo.
— Mas você não apanhou aos arranhões.
Olho para ele comprimindo os lábios e franzindo o cenho com a lembrança que me vem a cabeça.
— Escuro. Peter. Paisagem do medo. — eu digo.
— Ah, claro, pânico... Entendi. — ele diz aliviado.
— É, pois é. — eu digo.
Tris ainda está seca comigo. O que diabos eu fiz de errado? Quer dizer, fiz muita coisa errada mas o quê eu fiz para ela? Eu apoiei ela na iniciação, defendia-a de Peter e a ajudava em questões sentimentais e agora ela finge que eu sou Molly. Cansei.
Levanto-me quando acabo o lanche e me despeço brevemente. Vou em direção a saída e quando estou ao ar livre, vejo rodas de pessoas reunidas fazendo algum culto religioso, não sei ao certo.
Ando em direção as macieiras e vejo uma pequena roda com aproximadamente 12 pessoas e uma delas tocando violão, cantando alguma música de uma banda que, se não me engano, se chama 5 seconds of summer. Greenlight, claro, faz sentido. Me aproximo lentamente e duas pessoas, ou melhor, crianças reparam e se viram para mim.
Reconheço-as de algum... Ah.
— Ei — diz uma das crianças. A garota de cabelos loiros. Eu arregalo os olhos como se ela fosse um monstro. — Você estava na simulação! Você salvou a minha vida, do meu irmão e dos meus pais.
— Eu... Eu... Tem certeza que fui eu? — eu gaguejo ainda paralisada. Eles estão me lembrando de tudo. Tudo. Droga!
— Você!!! — exclama o garoto loiro. Eles vem na minha direção e me abraçam. — Obrigada! Qual é o seu nome?
— Sam. — eu digo.
— Eu sou Clare e meu irmão é Simon. — diz Clare.
— Ahn, entendi.
— Vem com a gente, estamos cantando aqui. — diz Simon.
— Eu não sei cantar... Antes de que eu pudesse dizer outra coisa, eles me puxam pelo braço e me fazem sentar. Várias pessoas da roda vão cantando com o violão passando de mão em mão e então, parando na mão de Simon. O violão é maior que ele mesmo.
— Eu... Eu não sei tocar. — ele gagueja ao meu lado.
— Eu sei a letra de Roger Rabbit do Sleeping With Sirens mas eu não sei tocar.
— Então você canta e eu toco. — eu digo sorrindo e pegando o violão da mão dele. — É uma das minhas músicas favoritas.
Ele sorri empolgado e eu começo a tocar. Ele canta suavemente mas não como se sua voz fosse maravilhosa, só não é ruim.
— Nobody is gonna love you if you can't display away, to capture this... — ele canta e eu quase que canto junto por quê amo essa música.
Quando acaba, todos aplaudem e então olham para mim. Enrubesço.
— Não, eu... Eu não sei cantar...
— Por favor, canta só uma música!!! — diz Clare e Simon.
— Está bem.
Começo a tocar e enrolo para começar a cantar, por quê essa música dói em mim.
(Coloque Sweater Weather — The Neighbourhood para tocar)
Essa música era o que estava em minha cabeça quando o beijei pela primeira vez.
— All I am, is a man, I want the world, in my hands. I hate the beach, but I stand, in California with my toes in the sand. Use sleeves of my sweater, let's have an adventure. Hand in the clouds, but my gravity is centered. Touch my neck, and I touch yours. You in those little high waisted shorts, oh. (Tudo que eu sou, é um homem, eu quero o mundo, nas minhas mãos. Eu odeio a praia, mas permaneço em California com meus pés na areia. Use os bolsos do meu suéter, vamos ter uma aventura. Mãos nas nuvens, mas minha gravidade centrada. Toque meu pescoço, e eu tocarei os seus. Você em seu shorts de cintura alta, oh.)
Lembro de seu toque em meu pescoço, de quando contamos um ao outro nosso segredo. De quando discutimos sobre quem estava certo ou não. De suas provocações com a minha cintura, da festa que eu fiquei bêbada pela primeira vez, do consolo dele e todas as vezes que ele me resgatava quando eu desmaiava.
De como ele prometeu sempre estar ao meu lado.
— She knows what I think about, and what I think about; one love, two mouths, one love, one house. No shirt, no blouse. Just us, you found out. Nothing that we don't want to tell about. (Ela sabe o que eu penso, e o que eu penso sobre; um amor, duas bocas, um amor, uma casa. Sem camisa, sem blusa. Só nós, você descobre. Nada que não queremos falar sobre.)
Lágrimas acumulam-se em meus olhos e eu simplesmente foco nas cordas do violão, controlando minha voz para não parecer esganiçada.
— It's too cooooooooold, for you here. And now, so let me hooooooooold, both your hands in the holes of my sweater. (Está tão friooooooo, para você aqui. E agora, deixe-me seguraaaaar, coloque suas mãos nos bolsos do meu suéter.)
— And if I may just take your breath away. I don't mind if theres not much to say. Sometimes the silence guides our mind, to move to a place for far away. Goosebumps start to raise. The minute that my left hand meets your waist. Watch your face, put my finger on your tongue cause your love the taste. Hearts adore. Every one the other beats hardest for inside this place it's warm. Outside it starts to pour. (Se me permite apenas tirar o fôlego que não se importa se não há muito a dizer. Às vezes, o silêncio guia nossas mentes a se mudar para um lugar tão longe. Arrepios começam a aumentar, no minuto que minha mão esquerda encontra sua cintura. Cuidado com o rosto colocar o dedo sobre sua língua. Pois você ama o sabor. Corações adoro, cada uma as outras batidas mais duras. Este lugar é quente, fora que começa a cair.)
Lembro-me da sensação que era sua mão entrelaçada a minha e sua testa colada a minha, misturando nossas respirações como se respirássemos o mesmo ar e compartilhássemos esta sensação.
Como se eu fosse dele, e ele fosse meu. Simplesmente pra sempre mas isso é muito tempo, não duramos nem 3 meses.
— Coming down, one love, two mouths, one love, one house, no shirt, no blouse. Just us, you found out. Nothing that we don't want to tell about. No. No. No... Cause it's too cooooooooooooold, for you here. And now, so let me hooooooooooold, both your hands in, the holes of my sweater. Cooooooooooooold, for you here. And now, so let me hooooooooold. Both your hands in the holes of my sweater. (Venha descendo, um amor, duas bocas, um amor, uma casa, sem camisa, sem blusa. Só nós, você descobrirá. Nada que não queremos falar sobre. Não. Não. Nãããão... Por quê está muito friooooooooo, para você aqui. E agora, deixe-me seguraaaaaaar, coloque suas mãos nos bolsos do meu suéter.)
Vou finalizando a música com "ooh" finais e as lágrimas já caíram mas ainda não funguei. Foi algo automático. Eu tenho que parar de chorar, eu não sou fraca deste jeito, não choro por qualquer coisa mas não tenho mais ninguém e até Tris me largou por causa da minha fraqueza. Só o Tobias acha que eu tenho direito de chorar mas ainda penso que ele me acha fraca, obviamente. Qualquer um pensaria isso quando vê a pessoa chorando todo dia. Quando termino todos me aplaudem e o homem que comanda a roda diz estupefato:
— Sua voz é muito linda.
— Obrigada. — eu digo sorrindo, entregando o violão para Clare.
— Eu vou... Eu vou para... Já volto.
Me levanto e vou andando por aí. Paro de andar quando ouço um som estranho de alguém gritando... Ou falando alto. Olho para os lados e vejo Tris cambaleando sorridente. Desde quando Tris é sorridente? Ela parece até... Eu. Meio tonta olhando para o nada, falando sozinha.
— Quatro! — ela cantarola.
Vejo Tobias a uma pouca distância dela e opto por continuar meu caminho, que o casal se acerte só. Caminho meio com rumo e meio sem rumo. Quero ir para o quarto mas não quero pensar em nada, estou farta de pensar. Esbarro com alguém e peço desculpas, mas a pessoa me pega pelo braço, me virando.
— O quê... — eu começo surpresa.
— Eu sei que não está tudo bem. — diz Johanna, ainda segurando meu braço. — Por isso marquei uma consulta com um psicólogo para ti.
— Eu não preciso de psicólogo. — eu digo me desvencilhando de seu braço. — E desde quando tem psicólogos na Amizade?
— Eruditos transferidos. — ela diz simplesmente. — Daqui 20 minutos. Eu estava justamente te procurando.
Bufo e saio de perto. Só faltava essa: me taxarem de louca.
+++
O problema é que as pessoas acreditarem nas aparências. Mas afinal, imagine se não acreditassem.
Estou de pé, em frente a porta que tem a plaqueta "Psicólogo — consultório 1" e bato na porta, hesitante.
— Pode entrar. — ouço alguém dizendo e coloco minha cabeça cautelosamente para dentro. — Sam! Pensei que não viria.
— É, eu também pensei. — eu digo sorrindo.
+++
P.O.V. Zeke
Depois de passar apenas algumas horas a mais na enfermaria e ter dormido num quarto totalmente moderno, ao meu ver, sai do quarto e fui a procura de Tori. Entendo que ela é minha amiga e quis me salvar mas eu não entendo como ela consegue suportar ficar aqui, já que odeia a Erudição por conta da história de seu irmão. Vago pelos corredores a procura de respostas, de qualquer rosto amigável e seguro para conversar, mas só acho pessoas vestidas com jalecos azuis, óculos e concentradas em papéis, correndo de um lado para o outro. Sam pertencia a isto? Não da para imaginar ela com óculos redondos ou quadrados retrô, com livros, numa biblioteca. Ela tem uma postura de alguém dura e corajosa.
Olho para os lados, quase ficando tonto com esta agitação intelectual ao meu redor. Penso por um instante mas nem sei por quê quiserem persuadir as pessoas a escolherem a Erudição como abrigo. Vão nos obrigar a fazer o quê? Aliás, como eu desmaiei na simulação? É muita coisa para descobrir.
Paro no meio do corredor e me sento, assistindo todos passarem por mim, nem reparando que há alguém sentado encostado a parede. Parece que os eruditos vêem a partícula para desvendar o todo, e não o todo para desvendar a partícula. É como o oposto de um Sherlock Holmes, antigo detetive. Antigo mesmo.
Eu vou até a recepção e pergunto por Tori.
— Enfermaria. — diz a recepcionista rudemente. De quê adianta eles anularem a arrogância se a maioria deles são arrogantes? Ah, deixa.
Caminho meio perdido até a enfermaria e falo para a enfermeira:
— Tori.
Ela me olha, sorri de canto e seus olhos brilham um pouco. Ela está... Flertando comigo? Pensei que eram mais os audaciosos que faziam isto. Arqueio as sobrancelhas em sinal de espera para que ela diga onde está Tori.
— 3ª maca. — ela diz decepcionada. — Ela já está arrumando as coisas pra ir para o quarto.
— Obrigada. — eu digo e saio de perto. Esfrego o cabelo com a mão, frustrado e ando até a 3ª maca.
— Acho que você tem bastante coisa para me explicar. — eu digo para Tori, que logo se vira para mim e sorri.
— É, eu tenho mesmo. — ela diz. — Na verdade, antes de tudo, me desculpe. Eu que te fiz parar aqui. Eu que acertei sua cabeça, mas se não tivesse o feito, você ficaria perambulando por aí e reparariam as coisas...
— Entendi. — eu digo gesticulando com uma mão. — Entendi as coisas. Enfim, por quê está aqui? Mesmo em coleta de informações, como está suportando aqui?
— Bom, terá de esperar em seu quarto. — ela diz. — E depois nos falamos, por quê agora eu preciso terminar de arrumar minhas coisas, achar um quarto para me instalar e... — ela olha de soslaio para algo atrás de mim. — Despistar as pessoas.
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