The War
3 Faye
Notas iniciais
O cavalgar do cavalo doía seus quadris, mas era uma das melhores sensações do mundo. Havia aprendido com o seu pai lá para os seis anos e desde então não largava seu fiel amigo de quatro patas. Aquela era uma das poucas habilidades não femininas que Faye fazia e se destacava, mas nunca nada superava seu dom na dança. Depois de enfrentar o caminho do jardim das rosas e ir direto aos estábulos, viu uma visão melhor que as flores. Pulou de seu cavalo e quase caiu no chão, mas mesmo assim não perdeu sua graça. Andou atrapalhada e tacou-se nos braços do primo, Arthur Baratheon, como se fossem crianças.
– Eu não sabia que viriam! – E depois do aperto, desfez-se das mãos dele e abraçou seu tio e tia, mas nunca com a mesma intensidade. – Eu teria me vestido mais apropriada. Estou toda soada, céus! Por que meu pai não me avisa felicidades assim?
– Nós gostamos de ver você cavalgar, Faye – Sirius disse, com sua voz grossa e rosto peludo como um urso, porém com um sorriso largo e agradável. Faye tinha que olhar para cima toda vez que ele falava algo; era um verdadeiro Baratheon. Alto, corajoso e musculoso, tal como Arthur e seus outros filhos – Assim parece realmente da família. Porque de resto...
– Já vai implicar com minha altura, tio? – Ela se fez crescer, ficando na ponta dos pés e pondo as mãos na cintura. O tamanho foi uma das poucas coisas que herdou de sua mãe – Eu não preciso ser grande para derrotar você! É só nomear o desafio!
O homem riu.
– Assim fala como uma de nós.
– Ela é uma de nós, Pai – Arthur disse e fez os olhos azuis da dama fitá-los. – Sempre será.
Faye policiou-se para não ficar muito tempo em silêncio olhando para a face do jovem.
– E seus irmãos, meus outros primos? Bolton, Jon? Estão a nos visitar também, aqui em Porto Real?
– Todos nós viemos. Seu pai nos convidou para uma quinzena aqui, e logo aceitamos já que fazia lá seus dois anos que não nos vemos. Meu pai terá que voltar talvez mais cedo, mas estamos vendo quanto tempo eu e meus irmãos ficaremos por aqui, certo? – Ele se virou para ouvir a aprovação do pai.
– Certo. Tenho tantas coisas a resolver! Ah como queria voltar à idade de vocês.
– Pode me levar para vê-los? – Faye pediu com a delicadeza de mil flores na primavera. Lorde Sirius fez um sinal com a cabeça para que Arthur aceitasse e este aceitou com prazer.
– Eu e minha mulher iremos apreciar o Jardim. Vemos-nos de noite na ceia, seu pai trata de fazer essas formalidades. Deve ter vindo no pacote de ser Mão-do-Rei. De qualquer forma, uma desculpa para beber é sempre bem vinda! – Soltou uma gargalhada alta.
A sua esposa, Lady Alissa Tyrell Baratheon o pegou pelo braço e puxou-o para o caminho do Jardim. Ela sentia vergonha quando o marido começava a falar como um bêbado, exatamente por ele ser um. Quando se perceberam sozinhos, Faye e Arthur relaxaram mais. As mãos quentes dela procuraram os dedos frios dele e se cruzaram. Seus braços estavam tão juntos quanto podia e seguiram a caminho do castelo dos Targaryen, onde também morava a família da Mão-do-Rei, Lionel Baratheon.
Chegando lá, não procuraram por Bolton ou Jon. Faye o guiou para seu quarto onde, uma vez que estavam dentro e com portas fechadas, Arthur agarrou-lhe pela cintura e prendeu-a com as costas na parede. Ele olhou mais uma vez em silêncio os profundos olhos azuis dela e então fechou os olhos e a beijou. A primeira vez foi gentil e inocente, mas a segunda foi repleta de desejo. E a terceira com mais ainda. A quarta, a quinta... Nenhum deles se lembrava de quando chegaram à cama, mas era ali que estavam. Ambos nus, com suas roupas ao chão, encarando um ao outro com um sorriso bobo. Arthur percorria as costas dela com os dedos longos, fazendo carinho, e Faye deixava suas mãos pequenas fazendo círculos invisíveis no peitoral malhado dele.
O silêncio foi quebrado depois de muito tempo.
– Eu senti falta de você – Faye confessou fofamente, o que só alargou o sorriso de Arthur.
– Eu também.
– Por que todos os dias não podem ser assim?
– Porque pessoas olham o nosso amor com olhos cruéis. – Ele a beijou na testa – E porque meu pai já arrumou com quem eu me case.
– Qual é o nome dela? Diga-me que eu corto-lhe a cabeça.
Ele riu da careta irritada que ela fez.
– É a Targaryen, contenha suas ameaças de morte que se alguém te ouvir você é morta.
– Eu não ligo, eu vou matá-la.
– Eu ligo. Quero você viva.
E Faye derreteu-se. Os dois retornaram aos beijos e ficaram assim até a tarde chegar. Arthur saiu para encontrar com seus irmãos e ela para arrumar-se para a ceia. Prestava atenção em cada detalhe inútil que ninguém perceberia. Seus olhos brilhavam mais do que qualquer um dos dias de todo aquele ano que ficou separada de seu amor, e o seu sorriso era mil vezes mais verdadeiro. Ao escolher a seda amarela da cor de sua casa que deixava suas costas nuas e quadril acentuado, abriu a porta e desceu para o Grande Salão.
Lá estava a família real, ou pelo menos o que sobrou dela. Daerys Targaryen, a matriarca, havia sido morta fazia duas semanas agora e Maegor Targaryen parecia mais morto que vivo com sua doença. Logo do seu lado, suas crias Rhagar, Rhagon e Sarys. Depois de gastar sua energia pensando em porquê era aceitável que Maegor casasse com sua irmã e tivesse filhos com ela, mas não era para Faye amar seu primo, foi acordada com sua irmã, Iris, puxando-lhe o braço para sentar-se na mesa junto com os Targaryen e os Baratheon. Arthur sentava-se próximo de sua prometida Sarys, mas nenhum dos dois se dava atenção. Ela sentou-se na frente do amado e este pareceu ignorar todos os outros da mesa quando a viu.
– O que você acha da roupa da Princesa Sarys, filho? – Sirius cutucou Arthur com o braço e o fez olhar para a mulher. Esta sorriu para ele com seus lábios róseos.
– Penso que está muito bela. Vermelho lhe veste bem.
– Eu agradeço. Você mesmo também está muito belo.
– És gentil. Sem falar de fina. Espero não estar envergonhando a você ou sua família com os terríveis modos Baratheanos de se comer e beber em festas.
– Você é um perfeito cavalheiro, não se preocupe.
A cada palavra Faye mordia-se de ciúmes. Ela precisava procurar algo para distraí-la e achou exatamente a escapatória perfeita: a música. Levantou-se da mesa e pediu as devidas licenças para dançar e para o meio das pessoas ela se dirigiu. Levantou as saias com as mãos até os calcanhares para que pudesse mover melhor os pés e começou a mexer os quadris para um lado e para o outro. O sorriso via involuntário, pela a diversão que trazia a ela os movimentos que fazia. Alguns giros e gestos com um dos braços e a dança ficava cada vez mais bela.
Sentiu um homem aproximar-se de si por trás e virou crendo que seria Arthur, mas era Bolton, o irmão deste, que se fazia presente. Ele sorriu e tentou acompanhar a dança, porém mil vezes menos gracioso que a dama.
– Eu sei o que está fazendo.
– Então esclareça para mim, Primo, que até onde eu sei só estou dançando.
– Está provocando Arthur. E a mim. E a todos os homens deste Salão. Eu aconselho parar, minha Prima, se Sarys se sentir inferior à você por causa da dança, ela pode lhe dar sérios problemas. Iris está a distrair com conversa fácil, mas não sabe por quanto tempo.
Os movimentos de Faye ficaram mais pesados e o sorriso sumiu. Ela se lembrou de quando era pequena e confessou para o seu melhor amigo, Bolton, sobre os sentimentos por Arthur. Ele foi o único que ela sabia que não a repreenderia, mas mesmo ele não apoiou que os dois ficassem juntos. Disse que só traria infelicidade ter aqueles olhares acusadores na relação deles. Faye não pode deixar de concordar.
Outro homem apareceu e, agora, era realmente Arthur. Ele estava irritado e um pouco soado e não queria muita conversa, porque logo a pegou pelo braço e saiu disparado pela multidão para fora do Salão.
– Desculpa – Sussurrou enquanto era guiada pelo Primo.
Ele pareceu não escutar ou simplesmente ignorou, porque não a respondeu e continuou andando depressa pela noite. Eram raros os momentos que Arthur ficava irritado assim, era como se ele entrasse em um transe e virasse um homem violento. Faye, na infância, era a única que conseguia acalmá-lo, mas ela nunca sabia como fazer isso... Simplesmente acontecia. Às vezes com um biscoito, outras com uma corrida a cavalo.
Naquele momento, ter uma fórmula mágica para isso realmente ajudaria. Ela só reconheceu onde estava quando viu as rosas do jardim que tanto gostava. Arthur a jogou no chão e logo terminou de tirar as próprias roupas, começou a levantar o vestido dela. Não se incomodou com as jóias, apenas a virou para que ficasse com as mãos e joelhos no chão e pudesse penetrá-la sem sua interrupção.
Foi forte e violento. O exato oposto da manhã, mas Faye não o parou. Não sabia se era ele quem precisava disso, ou ela. Quando teve a chance, virou-se para olhá-lo nos olhos. Suas mãos delicadas voltaram a acariciar-lhe a face e trocaram alguns beijos também violentos que foram tornando-se gentis. O ritmo diminuiu e agora parecia uma coisa bem menos selvagem.
Arthur havia se acalmado novamente, por causa de Faye.
– Perdão, eu perdi minha cabeça de novo.
Faye sorriu.
– Eu não me importo que você a perca mais vezes.
Quando os dois voltaram para a ceia, havia gritaria e agitação e muito cochicho. Bolton os olhou desesperados e veio deixar-lhes a par das notícias.
– Maegor desmaiou. O Meistre não sabe se ele irá sobreviver. Deuses! Por onde vocês andaram? – Praguejou.
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