O tiro acerta a perna dele, e ele cai no chão.

– Filho da... Volta aqui e termina o trabalho, seu covarde!

– Você não vale o tiro.

O dia passa rápido. Nós jantamos algumas latas de sopa e fomos dormir. Subi para meu quarto, e depois de algumas horas eu finalmente peguei no sono. Ainda era de madrugada quando Gabriel me acordou.

– Gus, temos problemas.

– Como assim? Que tipo de problemas?

– Eu fui beber água quando vi uns carros estacionados lá na frente.

– Quantos homens?

– Eu contei oito. Com pistolas .38 e shotguns semi-automáticas.

– Cadê sua arma?

– Bem aqui. — Ele aponta para o cinto.

– Fique com ela. Acorde Vitor e Isabela.

– Não é preciso. Já estão lá embaixo.

– E Daniel?

– Não vi ele.

– Merda.

Nós descemos as escadas.

– Vitor! Quero que você e Isabela vão para o celeiro. AGORA.

– Entendido.

Eles saem pela porta dos fundos e entram no celeiro.

– Gabe, preciso que vá para o pomar.

– Nem fodendo. Vou ficar e te ajudar a defender a casa.

– Preciso de você lá caso a "casa caia".

– Já disse que não.

– Não temos muito tempo. Vai logo, porra!

Ele corre pela vegetação e se esconde atrás de uma pilha de lenha. Recarrego a Beretta e guardo-a na parte de trás do cinto. Saio pela porta da frente, onde sete homens me esperavam com pistolas e shotguns.

– Aí está bom. — O careca diz, e puxa a .38 da polícia.

– Ok. Já entendi o recado. Pode... abaixar isso?

Ele começa a rir. Puxo a minha arma também, e o sorriso dele se esvaece.

– Largue a arma.

– Não vai acontecer.

– Não ouviu o que ele disse? Largue a arma! — Outro homem diz.

– Não vai acontecer. — Digo. Eles puxam a arma de minha mão.

– Está brincando com fogo, garoto. Sonny! Pegou eles?

Uma mulher aparece das sombras com Vitor e Isabela.

– Peguei, chefe.

– Ótimo. Agora, ou vocês vão embora, ou eu mato todos vocês.

– Não vai acontecer. A casa é nossa. Nós a encontramos.

– Que pena. Porque agora esse lugar é nosso. Certo, rapazes?

Sabia que eles não iriam desistir, mas eu também não. Ainda tínhamos uma chance. Gabriel estava escondido entre um pilha de lenha perto das motos, no pomar. Mas algo estava errado. Meu irmão ainda não tinha aparecido, e isso me deixava cada vez mais preocupado. Até que o careca manda um de seus homens entrar na casa, e tiros são ouvidos. Só poderia ser Daniel. Aquele filha da mãe é esperto. Deveria estar escondido, e ter pego o capanga de surpresa. Pela quantidade de estrondos, ele deve ter descarregado o pente inteiro no rapaz. faltam sete, penso. Os capangas entram na casa, e depois de algum tempo, rendem meu irmão.

– Ah, que ótimo. Agora o show está completo.

– Não está, não — Falo, suficientemente baixo para que ele não ouça.

Ele aponta a arma para Vitor e puxa o gatilho. Depois, pega meu irmão e começa a socá-lo. Tento impedí-lo, mas ele me nocauteia. Me lembro de acordar alguns minutos depois, com meu irmão caído, agonizando de dor por causa dos socos. Ele estava muito ferrado, com a cara cheia de machucados e cortes de canivete.

– De-Des... Desgraçado... — Ele diz, quase sem voz.

– Shhh. Tudo bem, Dan. Eles vão ter o que merecem.

– Vamos, é? Como? Deus vai te ajudar?

– Vai se foder, cara. — Digo.

– Eu? Não, amigo. Você vai se foder.

Ele puxa Isabela para perto.

– Ela é uma belezinha, não é?

– Fica longe dela, seu monstro! — Minha voz se eleva.

– Ou...?

Um tiro é ouvido. Não sei se foi um tiro, porque o som foi abafado por um... silenciador? Nenhum de nós tinha um silenciador. Gabriel e uma outra pessoa saem do pomar e despacham os capangas com tiros na cabeça.

– Agora, você. — Gabriel aponta a arma para o careca, que se chama Miguel.

– Não. Eu mesma faço. — A menina diz.

– O que?

– Você me ouviu. Passa a arma pra cá.

– Aqui. — Puxo a arma da mão do Gabriel e entrego para ela.

A garota atira, e Miguel cai morto no chão. Mas, quem era ela?

Notas finais
Holy shit... Quem era a garota?