The Walking Dead - Penumbra

2 Capítulo 1 - Doces Lembranças


Meu nome é Paul Irves. Este é o oitavo dia após o “surto”, me lembro como se fosse ontem. Um dia antes tinha acabado de sair da faculdade já estava entardecendo, logo cheguei em casa, morava num apartamento que ficava no terceiro andar de um prédio próximo a faculdade. Estava muito cansado, a aula tinha sido bem puxada e o meu colega de quarto o Francis não estava, logo lembrei que ele havia dito que iria em uma festa, mas o inútil esqueceu de levar a cópia da chave dele, eu deixei no lugar de sempre, debaixo do vaso de planta no corredor do apartamento e logo fui dormir.

Quando acordei eram sete da manhã, minha aula começava às oito horas, fui ao quarto do Francis, mas nem sinal dele, acho que curtiu tanto a festa que nem conseguiu voltar. Abri as janelas e as ruas estavam totalmente desertas, o que era curioso, este horário geralmente há um grande fluxo de pessoas e de carros. Aprontei-me para ir à faculdade e quando abri a porta havia um homem deitado no chão, próximo ao vaso de planta. Quando me aproximei vi que era Francis, eu o chamei cutucando-o:

–Francis! Ei Francis! Acorda caramba, olha onde você está dormindo.

Porém ele não respondeu nem se mexeu me virei então para retirar a chave debaixo do vaso de planta, foi quando ouvi grunhidos, e no momento em que me virei era Francis de pé, ele estava totalmente pálido sem reação alguma, e enquanto eu chamava por ele para recuperá-lo dos sentidos, ele caminhava em minha direção lentamente, quando ele se aproximou de mim corri para o apartamento e tranquei a porta. Fiquei apoiado nas costas delas tentando entender aquilo tudo, foi quando começaram a bater na porta, os grunhidos voltaram e era Francis, por mais que eu tentasse falar com ele, nada mudava, ele simplesmente não me respondia.

Corri para olhar novamente para a janela, agora sim havia pessoas, porém elas andavam da mesma forma que Francis e eram pálidas como ele.

– Não entendo. O que é isto? Halloween antecipado? Parece mais um daqueles filmes do George Romero.

Enquanto olhava para a janela ouvi o som da porta, ela havia sido arrombada por Francis, ou qualquer que fosse aquela “coisa”, ele continuou vindo à minha direção, eu estava assustado sentia que aquilo queria me pegar de qualquer jeito, não tive escolha, teria que acabar com “aquilo”. Comecei a jogar objetos em Francis, e por mais que ele caísse ele voltava a se levantar, foi quando ele pulou em mim e tentou me morder, como era forte o “monstro” o chutei e corri para debaixo da cama de Francis onde havia sua coleção de canivetes suíços, não havia mais solução, quando sai da cama Francis estava lá me esperando o esfaqueei com o canivete no peito e ele caiu, estava exausto e sentei na cama, porém ele tornou a levantar, com a pouca energia que me restava parei e joguei o canivete direto em sua cabeça, mais uma vez ele caiu, mas não mais levantou.

O que era tudo aquilo que havia acontecido? Eu tinha acabado de matar o meu colega de quarto! Corri para sala pensando em ligar para a ambulância, porém quando peguei o telefone ele não tinha sinal, percebi que nenhum eletrônico tinha sinal, só o meu celular que também não conseguia fazer ligações.

Saí do apartamento, tentei pegar o elevador, mas não funcionava, desci pelas escadas de andar a andar, alguns deles tinham suas portas abertas e tudo revirado, mas não me atrevi a vasculhar. Chegando ao térreo havia mais “monstros” me escondi atrás do balcão, esperando irem embora, mas não iam, nunca. Após certo tempo ouvi um som de helicóptero, do exército talvez? Sei que isso distraiu a atenção “deles” e “eles” foram na direção do veículo aéreo.

Desci ao estacionamento e peguei meu carro, tinha que sair dali, queria saber como estavam meus pais, mas eles moravam em Atlanta e seria difícil contatá-los. Quando sai nas ruas vi o caos, dobrando a esquiva havia dezenas de carros parados, alguns com pessoas dentro, aparentemente mortas.

– O que houve por aqui? Parece a Terceira Guerra Mundial.

Estava tremendamente com medo, tremia cada vez que passava por “eles” o som do carro fazia que com que “eles” viessem na minha direção, segui em frente até encontrar uma pessoa que estava presa em uma loja de roupas, desci do carro e ela gritou:

– Socorro! Por favor, alguém me ajude, eu imploro!

Uma mulher, por mais que eu quisesse ajudar já era tarde demais, ela estava prestes a ser atacada, logo tentei voltar ao carro, mas a passagem estava obstruída pelos “monstros”, corri na direção oposta, o mais rápido que pude, cheguei em uma rua deserta aparentemente segura, tentei entrar nas casas, todas trancadas, por fim a do final da rua eu consegui, era uma casa grande com fortificações na frente mas a porta dos fundos estava aberta, entrei e tratei de trancá-la com um sofá e outros objetos, vasculhei toda a casa e não tinha ninguém, me parecia um local seguro pelo menos por algum tempo.

– Ei Paul! Acorda! Acorda!

– Ahn? O que foi Keane?

– Levanta caramba, quanto mais cedo nós sairmos, mais tempo teremos até o anoitecer.

–Ok, já estou levantando.

–As ruas estão limpas, pelo menos até agora, temos que aproveitar.

– Tudo bem, vou me preparar.

– Paul tenho uma pergunta.

–Pergunta? O quê?

–Quantos já matou?

– Matou o quê?

–“Eles” oras. Quantos “deles” você já matou?

–Dois.

–Somente dois? Cara você é lerdo já acabei com uns doze ou treze.

–Desculpa aí se não sou tão bom em matar “gente” que nem você.

–Haha, isso é verdade. Mas Paul, isso não são pessoas mais, por mais que você tente falar com elas, elas não irão te responder.

–Eu pude perceber.

–Vamos deixar de papo e sair daqui.

Logo saímos da casa, Keane e eu enchemos nossas mochilas com suprimentos, ele, porém também tinha munições de uma pistola .40, acho que é normal oficiais terem arma, eu só dispunha do canivete. Corremos então para uma mercearia em busca de algum alimento, tinha algumas coisas resolvi pegar enquanto Keane tomava conta da saída, até que atrás do balcão surgiu um “monstro” logo alertei Keane e corri para longe dele, Keane por sua vez foi em direção ao “monstro” sacando sua .40 e atirou bem na cabeça do “monstro” apenas gritei:

–O que é que você fez!

– O que foi?

–Você vai atrair mais “deles”!

–Por quê?

– Você não sabe seu imbecil eles são atraídos pelo som.

Quando chamei Keane de imbecil ele pareceu um pouco irritado, mas aquilo era o de menos naquele momento, o mais importante era sair dali urgentemente. Se tem uma coisa que aprendi nesses dias todos após o “surto” foi que literalmente não se deve fazer barulho, todas as pessoas que eu vi morrer foi porque fizeram barulho de alguma forma.

–Vamos sair daqui rápido!

– Ok mas vamos pra onde Paul?

– Isso é o de menos agora, rápido vem!

– A rua que se encontrava deserta já tinha sinais “deles” por perto e quanto mais nós corríamos, mais apareciam, simplesmente se multiplicavam.

– Caramba da onde está surgindo tantos assim?

–Caramba digo eu Keane! Você não me disse que matou doze, treze? Como você não sabia que o som os atraia?

–Pra falar a verdade os que matei até agora não foram com arma de fogo, matei quatro com armas brancas e o resto atropelado.

– Ali! Olha lá aquele armazém deve ser seguro vamos entrar lá.

Corremos então para o armazém. Os “monstros” também vinham atrás de nós, porém com passadas mais lentas. Entramos no armazém e nos certificamos de bloquear a entrada. Foi quando ouvi um som de escopeta recarregando:

–Quem são vocês? O que vocês estão fazendo aqui?

Era um homem de mais ou menos quarenta anos. Tinha cara de poucos amigos, acho que talvez lá fora fosse mais seguro.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.