The Walking Dead: Lifeline
2 The beginning of the end
Estávamos na estrada, era fim de tarde, o céu estava cinzento e ameaçava chover a qualquer momento. Como estava de moto– uma Triumph 71 com motor 69 — era mais fácil para me locomover entre os automóveis abandonados, então eu guiava o resto do grupo que vinham atrás em um carro e um trailer. A única coisa garantida era a estrada à frente, não tínhamos onde ficar e essa era nossa preocupação.
Hesitei em pensar que atrás daquelas matas seres grotescos estavam a nos espreitar, mas logo minha atenção foi atraída; por um curto espaço de tempo pensei que fosse apenas mais um zumbi ou algo da minha imaginação, pois pessoas eram as últimas que pensávamos encontrar.
Ela estava parada no acostamento da estrada e acenava com os braços freneticamente, fiz um sinal com a mão para o grupo e diminuí a velocidade até parar diante ela. Um rosto sem nenhuma expressão, sem a demonstração de nenhum sentimento de medo ou ansiedade; era uma moça que aparentava ter vinte e poucos anos. Estatura mediana. Cabelos longos de um castanho claro. Seus olhos verdes davam beleza a sua face pálida.
Desci da moto sem se quer tirar os olhos dela, senti uma tensão no ar e piorou assim que peguei minha besta e apontei em sua direção, ela estremeceu, mas continuou onde estava.
– Quem é voce? — perguntei.
– Voce abaixaria sua besta em troca de uma resposta? — perguntou ela.
– Não me parece uma troca justa. — disse eu. Ela me encarou por alguns segundos. — Voce esta infectada? — ela tirou uma pistola 9 mm do bolso de sua calça surrada e mirou no meu peito. — Quer ver qual lado sangra mais moça?
– Não quero ter que matar ninguém! — disse ela.
– Engraçado vindo de quem está com uma arma mirada no meu peito. Te fiz uma pergunta! Voce esta infectada?
– Não! — Disse ela afirmando a voz.
– Nada que possa me fazer abrir um buraco na sua cabeça? — perguntei.
– Então voce é o dono do mundo agora ou melhor...do que sobrou dele? — ela não esperou por uma resposta. — Agora decide quem deve viver e morrer?
– Voce abaixaria sua arma por uma resposta? — eu não sabia o que estava passando pela cabeça dela, mas com certeza eu deveria ser um inseto que tinha de ser esmagado logo.
– Que se dane...eu sempre me virei sozinha e não vai ser agora que eu vou pedir ajuda! — ela pegou uma garrafa que havia deixado no chão a seu lado e seguiu caminho passando por mim. A poucos metros dali havia um carro — um Impala 67 preto, aparentemente muito bem cuidado, diferente de todos os outros que haviam ali — no acostamento da estrada.
– Aquele carro é seu? — perguntei elevando a voz para que ela pudesse ouvir.
Ela parou no meio do caminho e se virou para mim.
- Não encoste nele, se não eu te mato!
Eu não disse nada, nem queria dizer, apenas sentei na minha Triumph 71 e esperei pelo resto do grupo.
Rick saiu do carro e foi de encontro com a ela, percebi que levava consigo uma arma.
– Qual é o seu nome? – perguntou.
– E se eu não responder... Vai me ameaçar com uma arma também, como seu amigo ali?
– Se você responder não será necessário. – respondeu Rick.
Ela o encarou por alguns instantes.
- Olha... Eu só quero uma informação. – disse. – Vocês passaram pelo posto? – perguntou.
– Sim.
– Quantos quilômetros tem daqui até lá? – perguntou ela.
– Uns 20 km. Você não está pensando em ir lá, está? – perguntou Rick.
– Estou... Eu deveria ir se não quisesse passar a noite aqui, além do mais daqui a pouco já é noite então eu tenho que ir andando. – ela seguiu caminho. – Ah! Obrigada pela informação.
Rick assentiu com a cabeça.
– Acredito que tenha uns 10 zumbis lá... O que você tem ai para se proteger? – perguntou.
Ela parou e se voltou para ele.
– Uma pistola 9 mm... Felizmente não precisei gastar nenhuma bala até agora! – disse ela elevando a voz para que eu pudesse ouvir. Sucesso. Recebi em alto e bom som aquela indireta.
– Você não vai conseguir, não é o suficiente. – afirmou Rick.
– Foi o que eu pensei, mas se eu ficar aqui também não vai ajudar muito. – disse ela.
– O que você estava fazendo aqui sozinha?
– Viu aquela mercearia, a mais ou menos 2 km daqui? – perguntou.
– Vi. – respondeu Rick.
– Pois então, eu vinha de la, fui buscar suprimentos quando a gasolina do meu carro acabou. – respondeu.
–Por que não trouxe alguém com você? – perguntou Rick.
– Porque eu não tenho ninguém. – disse.
– Hum... sinto muito.
– Tudo bem.
– E você tem um lugar para ficar ou está procurando por algum, assim como nós?
– Tenho... uma fazenda.
– Uma fazenda? – Rick levou as mãos na cintura e olhou para os outros que já começaram a sair dos carros – Creio que voce não queira passar a noite aqui e nós também não queremos passar a noite na estrada... então podemos fazer o seguinte, nós levamos você até o posto e ajudamos pegar a gasolina e em troca você deixa a gente passar a noite na sua fazenda.
– Não me parece uma troca justa!. – disse ela em tom de provocação para que eu pudesse ouvir.
– Vamos! Essa garota sabe se virar sozinha, e se eu fosse ela já começava agora, pois já está escurecendo e logo os errantes vão aparecer e se ela não quiser virar o jantar deles vai ter que rebolar e ir andando! — disse eu.
Rick se virou para mim.
– Daryl, por favor! — e se voltou para ela novamente — Eu sei que não nos conhecemos da melhor maneira possível, peço desculpas pelo comportamento de Daryl, mas é porque somos um grupo...ou melhor uma familia e cuidamos um do outro, e mesmo que possa parecer agressivo essa é a maneira dele de cuidar de nós.
– Por favor... Temos crianças... E não temos onde ficar... — disse Carol que decera do carro e se juntara a Rick.
– Certo! – suspirou — Temos que ir rápido, logo vai escurecer e aquelas coisas vão começar aparecer. – disse.
– Obrigado! — Rick inclinou um pouco a cabeça para o lado -Você ainda não me disse seu nome.
– Vanessa. — respondeu ela.
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