Naquela noite Vanessa não falou muito, apenas respondia o que lhe perguntavam e foi para seu quarto logo depois do jantar; possivelmente, aquele comportamento de Vanessa era conseqüência da conversa que tivemos naquela manhã.

Fingi indiferença. Levei minhas coisas para o quarto do porão, não queria ficar naquele cubículo onde me puseram de molho e agradeci aos céus o fato de ter finalmente encontrado um local remoto e isolado onde tal contato seria impraticável.

Dois dias depois do acidente, ou melhor, “incidente”, via-me finalmente a recuperar as minhas forças, apesar de ainda ter dificuldade para andar, mas nada que alguns analgésicos não pudessem resolver; Merle havia feito um estoque deles caso precisássemos, — provavelmente havia roubado de alguma farmácia, pois o dinheiro que tinha, nunca foi para fins úteis – mas achava que não teria muita utilidade ou que não seria o bastante. Bom, agora tinha uma utilidade, me serviria muito bem.

Enquanto explorava o quarto, encontrei mais quadros de Vanessa e seu pai, – era quem eu achava que fosse – detive-me de admirar as fotos nas quais Vanessa expunha um largo sorriso no rosto, que ainda não tivera o gosto de ver desde que a conheci naquela estrada.

O que raios eu estava fazendo? Chacoalhei a cabeça negativamente. Pus-me a explorar o quarto novamente para tentar preencher o lugar que o sono deixara, encontrei muitas coisas interessantes, — o tipo de coisas que entreteriam uma pessoa com tédio e sem sono por algumas horas – mas não me atrevi em tocá-las.

Joguei-me na cama numa forma frustrada de tentar ocupar meu tempo com alguma coisa, mas antes que eu pudesse perceber, acabei adormecendo.

... ...

... ...

– Ontem a noite um grupo de zumbis tentaram passar por estas cercas. – disse Rick. – Então vamos reforçá-las e depois que terminarmos, vamos montar equipe de vigia, este lugar não esta totalmente seguro.

– E a chefia? – perguntei.

– Vanessa? – fiz que sim. – Saiu para buscar madeiras.

– Escutei ela dizer para Lori que iria buscar suprimentos, parece que a comida da dispensa esta acabando. – disse Glenn.

–Não... Isso não esta certo. – disse.

Glenn, aparentemente confundindo minha curiosidade com preocupação, apressou-se em acrescentar que Vanessa estava quieta desde a noite passada e escutou-a dizer alguma coisa sobre Atlanta.

Nada disso me preocupou muito, mas senti que de algum modo eu fazia parte disso.

– Acha que ela foi embora? – perguntou Glenn.

– Não, embora não... Fugindo.

– Fugindo? – repetiu Rick.

– Há quanto tempo ela saiu? – perguntei.

– Já faz algum tempo. – respondeu Rick.

– Alguém precisa ir atrás dela.

– Eu vou! – disse Shane que vinha em nossa direção. – Acabei a minha parte.

Eu não confiava muito em Shane, então me apressei logo em dizer.

– Vou com você!

– Eu vou com vocês!

– Glenn, acho que vão precisar mais de você aqui, verifiquei os fundos da casa e parece que os cupins estão denegrindo as madeiras das cercas.

– Ah claro! – Glenn suspirou demoradamente.

... ...

Pegamos estrada para Atlanta, Shane dirigia, enquanto eu estava atento as marcas que o carro de Vanessa deixara no chão.

Estávamos a uma distancia de 30 quilômetros da fazenda, quando nos deparamos com um pequeno grupo de zumbis.

– Droga! Vamos ter que fazer a volta e achar outro caminho. – disse Shane.

–Não espera... Não são zumbis!

Notas finais
Queria me desculpar pela demora que os capítulos estão saindo, é que tenho andado meio ocupada nos últimos dias por conta da escola, mas como agora estou de férias vou postar com mais frequência. Esse capítulo está bem curtinho, mas prometo que o próximo não vai deixar a desejar e vai compensar toda essa demora.